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Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:46link do post | comentar

Analisando o que nos tem dito as sondagens até ao momento, e ressalvando que nestes próximos seis meses muito ainda vai acontecer, e que, de facto, os acontecimentos externos à campanha e a maneira como esta vai decorrer será decisiva para o desfecho das eleições, este é o momento de fazer um balanço. E, posso acrescentar, tanto Mitt Romney como Barack Obama têm motivos de apreensão e satisfação.

 

A avaliar pelo perfil dos candidatos: aqui a vantagem está neste momento do lado do Presidente. Apesar do seu índice de aprovação estar ligeiramente abaixo dos 50 por cento, um número perigoso para o presidente em exercício, os americanos continuam a gostar dele. Apesar de não aprovarem o seu trabalho, as sondagens mostram-nos que os americanos têm apreço por ele. Ao contrário de Mitt Romney, que tem níveis de aprovação menores do que Obama, e que surge aos olhos dos americanos como alguém distante e sem carisma. Em abono da verdade, apenas agora os americanos começarão a olhar com atenção para Romney, e ainda tem uma margem de progressão enorme, mas isso vai depender da forma como a campanha irá decorrer. Mas diria que se as eleições fosse apenas sobre as duas personalidades, Obama estaria reeleito.

 

As sondagens nacionais continuam a dar um empate técnico, e é provável que se mantenha dessa forma até ao Verão. Uma corrida renhida é o que se espera. Mas como tem alertado Dick Morris, o facto de Obama manter-se com níveis de popularidade abaixo dos 50% e quase nunca ultrapassar esse valor nas sondagens frente a Mitt Romney, é preocupante para o Presidente. Numa eleição deste género, os indecisos normalmente optam pelo challenger. Mas ao mesmo tempo, os estudos de opinião conduzidos nos swing states têm indicado, quase sempre, vantagem para o Presidente. Partindo da geografia eleitoral de 2008, a tarefa parece muito mais simples para Obama, que pode perder vários estados, como o Indiana, Virgínia, Carolina do Norte, Ohio e Florida, e ainda assim, sair vencedor. Romney precisará de vencer assente na estratégia que Karl Rove denominou de 3-2-1. Ou seja, recuperar os anteriormente estados republicanos Indiana, Carolina do Norte e Virgínia, ganhar nos tradicionais swing states Ohio e Florida e vencer um destes: New Hampshire, Nevada, Iowa, Colorado ou Novo México. Isto além de ganhar em todos os estados que ficaram na coluna de McCain. Um empreendimento nada fácil.

 

Se analisarmos com mais profundidade os conteúdos das sondagens, a situação fica ligeiramente positiva para Romney. Obama continua a ter vantagem nos grupos demográficos fundamentais para a sua eleição em 2008: as mulheres, os afro-americanos, os jovens e os hispânicos. Mas Romney leva vantagem no eleitorado independente, além de ter margem de progressão em algumas grupos, como os hispânicos e os jovens. Por outro lado, a natural desilusão de algum eleitorado de Obama de 2008 poderá fazer aumentar a abstenção em grupos chave. Por outro lado, se Obama leva vantagem em temas como a segurança nacional, a personalidade, a honestidade, o ambiente ou a política externa, é Romney quem surge à frente no decisivo tema da economia. 

 


E isto pode querer dizer alguma coisa? Será isto uma sondagem bem mais fidedigna que as outras? Por aqui pode ver-se que Obama está longe das enchentes de 2008.
Obama Launches Campaign in Empty Arena
http://www.breitbart.com/Big-Government/2012/05/05/obama-empty-arena
M.Almeida a 9 de Maio de 2012 às 12:07

É um facto que Obama está longe de entusiasmar os americanos, como aconteceu em 2008. E por isso parece-me óbvio que as eleições serão bastante disputadas.

Se você diz que Romney pode avançar no eleitorado de Obama. Também vale dizer que Obama pode avançar no quesito economia. E mais uma vez, discordo da tese que os indecisos preferem os desafiantes. Se assim fosse, Bush não teria sido reeleito
Joâo Felipe Fischer a 9 de Maio de 2012 às 16:56

Nuno eu sei que voçê é um jornalista ocupado, mas eu gostaria de recomendar esse blog. A maioria dos leitores é conservador. mas permite uma discussão inteligente e educada

http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/
joao felipe a 9 de Maio de 2012 às 18:17

Eu não sou jornalista :)

Já conhecia o Caio Blinder, mas nao conhecia esse blog. Parece ser muito interessante. Obrigado pela sugestão.

Em relação à sua questão anterior. Penso que o Dick Morris defende é que na maioria das eleições renhidas, os eleitores indecisos (não propriamente nesta fase do campeonato) tendem a votar no challenger. Não tenho dados para verificar se tal aconteceu em 2004, mas recordo-me que George W. Bush, que venceu por 50,7%-48,3%, chegou a ter uma margem bem mais confortável em Outubro, e Kerry terá ganho terreno nos últimos dias, conquistando uma fatia do eleitorado indeciso.

Um abraço


Dick Morris fez um estudo de inúmeras eleições na qual o presidente se recandidatava e concluíu que, em média, 80% dos indecisos acabam por votar no "challenger". E isso também se verificou em 2004, aquando da reeleição de George W.Bush.

Não se trata, pois, de opinião, mas de estatística!;-)


A escolha do VP por parte de Romney poderá ser importante na escolha que os indecisos e os outros tipos de eleitorado vão ter de fazer ? Ou vão escolher conforme estiver o estado da economia em Novembro?

Márcio David a 9 de Maio de 2012 às 18:18

As escolhas de VP, raramente influenciam decisivamente o desfecho final. Os analistas políticos americanos defendem que a última vez que tal sucedeu foi em 1960, quando Lyndon Johnson ajudou John Kennedy a conquistar o Texas e com isso a Casa Branca.

Para este ano, é possível que se Romney escolher Marco Rubio isso ajude no eleitorado hispânico em alguns estados, mas sobretudo na Florida, um importante swing-state. Mas sem duvida que a economia vai ser um factor bem mais relevante do que o VP de Romney.

Cumprimentos

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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