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Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:56link do post | comentar

Com a nomeação garantida para Mitt Romney, a campanha para as eleições de Novembro começou oficialmente. Barack Obama parte com alguma vantagem, mas o destino desta eleição está longe de estar definido. Se atendermos à história recente, nos últimos 40 anos tivemos de tudo. Richard Nixon foi reeleito com facilidade, tal como Ronald Reagan e Bill Clinton. George W. Bush acabou por ser reeleito à tangente, enquanto Gerald Ford, Jimmy Carter e George H. Bush foram copiosamente derrotados. Em termos de semelhanças, talvez coloque o mandato de Obama entre o de dois presidentes: Jimmy Carter e George W. Bush, mandatos com inúmeras dificuldades, sejam elas económicas, políticas ou militares. Portanto, e olhando para a história, dificilmente retiramos algumas ilações sobre o que vai acontecer.

 

A favor de Obama jogam as vantagens da presidência, entre muitas, uma importante: os eleitores americanos apenas derrotam um Presidente se sentirem que foi um mandato falhado. Apesar dos obstáculos, ainda é prematuro concluir isso a partir das sondagens. Obama foi reeleito envolto numa aura de magnetismo que, embora tendo sido quebrada, não desapareceu por completo. O eleitorado que o elegeu (os jovens, as minorias, as mulheres) permanece aparentemente a seu lado, e, apesar de algum descontentamento, isso fortalece a sua candidatura. É verdade que o mandato de Obama está a ser marcado por grandes dificuldades económicas e o desemprego permanece elevado. Mas os últimos meses forneceram boas notícias para a campanha Obama, com uma ligeira tendência de recuperação económica. Curiosamente algo que foi contrariado neste mês de Abril, com números negativos no crescimento do emprego. Esta questão será decisiva para a reeleição ou não de Obama. O aparato mediático, tal como em 2008, continuará a ser uma arma poderosa de Obama, com os gigantes de comunicação social (à excepção do grupo de Rupert Murdoch) a favorecem ostensivamente o presidente. Em termos financeiros, a campanha de Obama, tal como em 2008, terá uma grande vantagem sobre Mitt Romney, com o que isso representa na campanha nos swing-states. Nestas primárias observámos como essa superioridade financeira foi importante para Romney. Por outro lado, o seu adversário republicano é uma figura relativamente cinzenta e que não inspira grande emoção no seu próprio eleitorado. Além disso, estas primárias, pela agressividade verbal que envolveram, poderão ter provocado rupturas no eleitorado independente que está aberto a mudar de Presidente, nomeadamente em temas controversos como a emigração ilegal. Romney não poderá ganhar sem um substancial apoio dos hispânicos, o que neste momento parece difícil de alcançar. Não é um atraso irremediável, mas é relevante.

 

Mas a minha convicção é que Obama não terá a vida fácil para ser reeleito. E se Mitt Romney conseguir apresentar-se ao eleitorado como restaurador da grandeza americana, pode ser eleito Presidente.  A América atravessa uma grave crise de sustentabilidade económica e financeira, tal como a Europa. A médio prazo o país estará falido se nada for feito. No entanto, Obama tem tentado adiar esta discussão para 2013, enquanto os republicanos, através de Paul Ryan, apresentaram um plano que enfrenta este problema estrutural. A grande batalha destas eleições estará centrada nesta questão do combate ao défice e à divida. Obama está convencido que atacando o plano republicano obterá dividendos eleitorais. Por enquanto, as sondagens parecem indicar que tem razão, pois os republicanos pretendem alterar de forma significativa o funcionamento dos planos estatais da saúde e segurança social. Mas se contra um plano Obama apresenta zero, isso poderá transformar-se num verdadeiro calcanhar de Aquiles para a sua candidatura. Ao contrário do que sucedeu na Europa nos últimos anos, o eleitorado independente está muito preocupado com os défices galopantes e a falência iminente do país. O crescimento do Estado Federal nesta última década provocou uma crise de confiança por parte dos cidadãos em relação ao estado. A reforma da saúde de Obama, que foi a grande vitória legislativa do seu mandato, pode ser destruída este Verão pelo Supremo Tribunal. Além disso, esta lei permanece extremamente impopular no eleitorado americano. Romney, um tecnocrata moderado que não suscita grande entusiasmo na base conservadora, pode captar o voto dos independentes em estados cruciais como a Pensilvânia, Ohio, Virgínia ou Florida e recuperar a Presidência para o GOP. Para o fazer, precisa primeiro de fazer as pazes com o eleitorado conservador - colocar noticket um conservador que não afaste o eleitorado independente (Marco Rubio ou Paul Ryan por exemplo), e depois apresentar-se como o reformista económico que a América precisa. 

 

Quem convencer o eleitorado que é o mais capaz para resolver os problemas estruturais será eleito. Neste momento, e apesar das sondagens atribuírem ligeiro favoritismo a Obama, apostaria num 50-50 de hipóteses para cada lado. 


O Hindustani Times tem o mesmo título e foi mais cedinho do que este...

2º O gaijo dos amendoins se bem me alembro perdeu para o Irão que saliou ao actor de filmes de classe B

3º O Bush no 2º mandato ou o pai dele não tinham o stress financeiro nem a exposição mediática à dívida do muçulmano fascista socialista e inda por cima comuna e ateu

3º a américa pode recorrer ao isolacionismo e fechar-se ao restante mundo é a única com recursos para o fazer e evitar a bancarrota interna
deixando a dívida injusta ...tal como fez com a de porto rico e a de cuba y filipinas a quem a tiver comprado...

resta o problema do défice in pitroil...que poderá resolver bombardeando o Irão e o resto do golfo já agora

e quem aposta 50 50 ganha sempre

excepto na roleta onde pode sair o zero

eu cá aposto que sai preto...(que ainda por cima é vermelho e verde (via ecologista e bandeira do profeta)

sair 0 mesmo com o zero a valer milhões é praticamente impossível
só se Jeb Bush inda tiver as tais urnas
1º isso é plágio... a 12 de Abril de 2012 às 01:32

Sabe, a primeira coisa que o Nuno Gouveia faz ao levantar-se é ler o Hindustani Times. É, aliás, leitura obrigatória entre os membros do blogue. É esse e o Tombstone Epitaph.

Acredito que Obama será reeleito. Ele já provou ser muito bom de campanha e seu adversário tem muitos pontos francos. A recuperação economica americana não será tão rápida quanto se esperava, mas se mostra consistente, o desemprego continuará a cair e suas opções no colégio eleitoral são melhores que as de seu oponente
Joao felipe a 12 de Abril de 2012 às 17:37

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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