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Mar 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:16link do post | comentar

 

 

 Com o desfecho das primárias republicanas mais ou menos decidido - é apenas uma questão de tempo e aritmética, em minha opinião - começa a cogitar-se acerca dos possíveis nomes para candidato a Vice-Presidente.

 

Neste tipo de escolhas, procura normalmente equilibrar-se o "ticket". Ora bem, sendo Mitt Romney um moderado do Nordeste, o "ticket", tendo em atenção que se trata do Partido Republicano, necessitaria, em princípio, de incluir um conservador do Sul ou do Midwest. Além disso, há a questão das minorias, das quais a mais apetecível em termos de demografia eleitoral é a dos "Latinos" (americanos de origem latino-americana). George W. Bush conseguiu em 2004 um muito razoável "score" neste segmento, mas já John McCain em 2008 não o conseguiu.

 

Tendo em consideração o que atrás escrevi, parece-me - e estou longe de ser o único - que o Senador Marco Rubio, da Florida, encaixa que nem uma luva no perfil ideal: é conservador, sulista e latino (filho de cubanos). Além disso, é católico, outro importante segmento do eleitorado (o que equilibraria as coisas em comparação com o "ticket" democrático, pois o Vice-Presidente Joe Biden é também católico). E tem apenas 41 anos, o que equilibaria o "ticket" em termos etários, pois Romney é um sexagenário.

 

Tem-se falado muito no nome do referido senador, mas também nos Governadores Chris Christie, de New Jersey, e Bob McDonnell, da Virgínia, entre outros. O primeiro é uma das estrelas ascendentes no G.O.P., mas a sua escolha teria contra ela o facto de, tal como Romney, Christie ser de um estado do Nordeste, o que desequilibaria o "ticket". Já McDonnell teria a vantagem de ser de um estado do Sul, e de ser também mais conservador que Christie em termos sociais (o Governador de New Jersey é essencialmente um "conservador fiscal", embora, por exemplo, este ano tenha vetado uma lei que legalizaria o casamento entre pessoas do mesmo sexo no estado). Mas Christie é muito mais uma figura nacional que o menos brilhante McDonnell.

 

Richard Nixon escreveu que os candidatos a Vice-Presidente poucas vantagens podem trazer a um "ticket", mas podem, em contrapartida, trazer-lhe problemas (houve quem dissesse que isto era uma indirecta de Nixon ao seu companheiro de "ticket" em 1960, Henry Cabot Lodge, enquanto outros acharam tratar-se de uma reflexão "nixoniana" acerca da sua escolha do Governador do Maryland, Spiro Agnew, em 1968, a qual causou algumas exclamações de : "Spiro Who?").

 

Há quem diga que Rubio não estará na disposição de aceitar, caso seja o escolhido, mas o comentador conservador Charles Krauthammer observou recentemente que ninguém recusa um convite desses. E é capaz de ter razão. Depois da "inevitabilidade" de Romney, teremos possivelmente a "inevitabilidade" de Rubio.


Rubio seria uma boa escolha. E condoleza Rice? Seria aceite pelos conservadores, seria de uma minoria (embora não tão importante para os republicanos como a dos latinos), seria uma mulher, seria experiente na politica externa, o que Romney não é...
Miguel Direito a 28 de Março de 2012 às 09:58

O problema de Rice é que esteve nos 8 anos da administração Bush, primeiro como NSA e depois como Secretária de Estado. Seria uma oferta para os democratas, que não tardariam a colar Romney ao impopular W.
João Luís a 28 de Março de 2012 às 11:52

Rice é pró-aborto. Logo inelegível para o cargo. Além disso, ela disse na semana passada que não quer regressar à política. Estou cada vez mais convencido que vai ser Marco Rubio.
Nuno Gouveia a 28 de Março de 2012 às 12:26

Além do já aqui referido, o eleitorado negro vota tão maciçamente nos democratas (rondando os 90%), que não me parece que fosse a inclusão de um dos seus no "ticket" que viesse a fazer muita diferença. Já os latinos são mais "maleáveis", digamos assim (George W. Bush obteve um pouco mais de 40% dos seus votos m 2004) e muito mais numerosos (cerca do dobro).

Dois senãos para Rubio:

- foi mórmone

- não é muito certo que um cubano-americano, em termos de apelo eleitoral, "funcione" como "latino" (ou, em termos mais gerais, não é certo que, sociologicamente, os cubano-americanos "contem" como latinos, ou se é melhor vé-los como um grupo especifico, que por coincidência até fala a mesma lingua e vem mais ou menos da mesma zona geográfica que os "latinos")
Miguel Madeira a 29 de Março de 2012 às 01:29

Eu percebo o alcance do seu comentário, caro Miguel Madeira: é que, sendo os cubanos essencialmente imigrantes por motivos políticos, isso distingui-los-ia os outros "latinos", que o foram por motivos económicos. Além disso, são tradicionais votantes no Partido Republicano.

Mas não me parece que esses factores sejam suficientemente fortes para os distinguir claramente dos outros latinos e para diluir o impacto desta possível caniddatura na comunidade "latina". Ou seja: entre os "latinos" não há uma atitude de "us and them" em relação aos cubanos.

Um abraço

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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