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Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 11:49link do post | comentar

 

Este fim de semana tive a oportunidade de ver o magnífico filme The Best Man, de Franklin J. Schaffner, com argumento de Gore Vidal. A história anda à volta de uma convenção negociada (Brokered Convention) numas eleições presidenciais, com dois candidatos a disputar a nomeação de um partido. Algo que desapareceu do léxico da política americana desde que as primárias assumiram a primazia no processo de nomeação presidencial, mas que em 1964, data do filme, era ainda uma realidade. E o que podemos observar neste filme é que, apesar de novas roupagens, dos métodos de comunicação terem evoluído e das campanhas serem radicalmente diferentes, a essência da política não se alterou substancialmente nestes últimos cinquenta anos. E se olharmos para a política norte-americana, então essa visão é ainda mais análoga.

 

Em relação aos grandes temas em discussão, nenhum dos abordados pelo filme (excepção para a segregação, que felizmente está hoje bem longe do debate político e da ameaça comunista) deixou de estar na ordem do dia. Já na época se discutia o poder do estado, a baixa de impostos ou os direitos dos estados. Uma campanha em que, mais do que discutir sobre as políticas em confronto, incidia sobretudo na resiliência de uma liderança forte e disposta a tudo contra um candidato idealista mas titubeante e indeciso. De um lado temos Henry Fonda, representando uma visão mais romântica da sociedade, um político com princípios mas ao mesmo tempo infiel e com um casamento de fachada, a contrabalançar entre a difícil decisão de destruir o seu adversário através de jogo sujo ou ser derrotado. Do outro, temos um Cliff Robertson implacável, moralista e sem escrúpulos, decidido a vencer a todo o custo, mas também com uma crença inabalável nas suas ideias políticas e na justiça das suas causas. Pelo meio, um antigo Presidente que manobra nos bastidores para ajudar a nomear o seu candidato. As traições, as reviravoltas e as inflexões de “momentum”, também não faltaram. Ou seja, os ingredientes indispensável para uma emocionante disputa política. Um filme que, em tempos de campanha presidencial americana, se aconselha. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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