Nestas primárias os democratas têm sabido retirar proveito da natural divisão do eleitorado republicano. Por um lado temos assistido aos estrategas democratas (ainda agora Joe Trippi na Fox News) a destacarem os bons resultados de Rick Santorum (no Michigan até fizeram campanha por ele) e a colocarem em evidência que Romney não consegue "fechar" a nomeação.
Por outro lado têm referido a grande vantagem financeira que Romney tem tido sobre os seus adversários, e nem por isso tem ganho em todo o lado. Como se tivessem esquecido que aconteceu o mesmo com Barack Obama em 2008 a partir da super terça-feira, quando investia muito mais do que Hillary nas primárias (muitas vezes de 4-1) e nem assim conseguia a nomeação.
E depois há críticas que não fazem muito sentido. Há pouco ouvi um democrata afirmar que Romney terá dificuldades no Sul nas eleições gerais, pois quer Santorum ou Gingrich têm vencido lá as primárias. Ora, qualquer candidato republicano irá vencer no Sul, pois do outro lado estará Obama. A união do partido pós nomeação não me parece preocupante. Como não foi em 2008 com o Partido Democrata, depois da luta acesa entre Hillary e Obama. Mais preocupante para Romney até é a dificuldade que tem sentido no Midwest, zona decisiva para as eleições gerais. Até ao momento perdeu no Iowa, Minnesota e Missouri (apesar de não contar para nada) e apenas venceu no Michigan. Talvez hoje ganhe no Ohio.
Por fim, um aspecto que os democratas têm destacado, e este parece-me certeiro: esta campanha republicana esta a desgastar Mitt Romney, bem mais do que sucedeu com Hillary e Obama. Porque ao contrário de há quatro anos no Partido Democrata, que foi uma campanha mais de personalidades, esta luta está a ser bastante ideológica, o que tem encostado o GOP demasiado a direita. E por isso, quanto mais longa for a campanha das primárias, maior dificuldade terá o nomeado em virar o discurso ao centro, e direccionar as suas atenções para o eleitorado independente.

