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Fev 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:57link do post | comentar

 

No horizonte amontoam-se nuvens pesadas para a candidatura de Mitt Romney.

 

De facto, o fenómeno Rick Santorum, o mais recente de uma já longa série de "não-Romneys", parece estar mais bem sustentado que os seus antecessores. Na mais recente sondagem nacional da Rasmussen acerca da corrida republicana, o antigo Senador pela Pensilvânia lidera com 39% das preferências, contra 27% do antigo Governador do Massachusetts.

 

Mais grave que isso, do ponto de vista de Romney, são as sondagens nos estados de Michigan (Santorum 35%, Romney 32%) e Ohio (Santorum 42%, Romney 24%). A primária de Michigan, estado de onde Romney é natural, mas onde já não reside há uns 50 anos, efectua-se no próximo dia 28 deste mês, e a do Ohio está integrada nas primárias da famosa "Super-Terça Feira", dia 6 de Março. Na Geórgia (também a 6 de Março) o "filho da terra", Newt Gingrich, mantém uma confortável vantagem (sobre Romney, em segundo lugar) na média de sondagens do sítio Real Clear Politics (esta persistência de Gingrich poderá eventualmente conduzir à tal "brokered convention" de que aqui falei em artigo recente).

 

Para a sua candidatura não ser gravemente afectada, Romney necessita de vencer no Michigan (no mesmo dia realiza-se a primária do Arizona, onde Romney lidera na mais recente sondagem com 8 pontos sobre Santorum). Uma derrota no Michigan, já de si grave, poderá ter reflexos bastante negativos no seu desempenho na "Super Terça-Feira".

 

Até aqui, o ponto forte de Romney para os eleitores republicanos tem sido essencialmente o facto de ser considerado o candidato com mais hipóteses de derrotar o Presidente Obama, isto é, o seu apoio tem estado fundamentalmente baseado em questões pragmáticas. Já Santorum é apreciado pelos seus princípios políticos e ideológicos, o que lhe dará uma base de apoio mais firme.

 

Seja como for, ainda estamos a 11 dias da primária do Michigan e a 18 dias da "Super Terça-Feira". A bem organizada e melhor financiada campanha de Romney decerto não desperdiçará este precioso tempo.

 


Talvez, (e isso é apenas uma especulação de minha parte), seja o momento de Romney descer do pedestal de favorito, assumir que Santorum veio para ficar, e preparar-se para uma luta até a Convenção.

Nesse cenário ele buscaria manter sua posição no Arizona (que é uma primária "Winner Takes all"), não perder de muito em Michigan, e aproveitar suas possibilidades de concorrer nacionalmente para obter o máximo de delegados nos estados da super-terça, mesmo que, efetivamente, ganhe poucas primárias.

(Ou seja, defender a liderança na única primária "Winner Takes All", e nas outras, que são proporcionais, a diferença de ganhar com 35 %, ou chegar em segundo com 30 % não será muito relevante em termos de assegurar delegados)

Em seguida, "cavar trincheiras" para defender a liderança em estados grandes como Califórnia e Nova Iorque (que, se eu não engano, serão "winner takes all"), em que o maior custo de concorrer e o perfil do eleitorado favorecem Romney.

Mesmo com a ascensão de Santorum, parece que Romney tem conseguido manter o apoio de 30 % do eleitorado republicano. Paul, que vai até o fim, possui outros 10-12 %. Gingrich um pouco mais que isso. Nesse cenário é difícil Santorum ultrapassar 40 % de apoio. É uma diferença relativamente grande, mas é possível para Romney sobreviver, até que os problemas e vulnerabilidades de Santorum parecam mais evidentes.
Nehemias a 17 de Fevereiro de 2012 às 18:31

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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