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Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:02link do post | comentar

 

Jon Huntsman irá anunciar hoje a suspensão da sua candidatura. Huntsman antecipa-se às primárias da Carolina do Sul e irá declarar o seu apoio a Mitt Romney. O principal erro da sua campanha foi pretender ser um candidato centrista num ambiente completamente dominado pela direita. Na parte final da sua candidatura começou a evidenciar o seu currículo conservador enquanto governador do Utah, mas o mal já estava feito. Sai desta campanha ferido, mas não completamente morto, politicamente falando. O seu nome será sempre falado para uma potencial Administração Romney, pelo que tentará ajudar, dentro do que lhe for possível, a candidatura do seu anterior adversário. 


Os conservadores, que dominam as primárias republicanas, já têm dificuldades em engolir um sapo moderado chamado Romney, quanto mais dois...Ainda para mais mormons, o que para os evangélicos será pior que ser católico! Pode dar um bom secretário de Estado. Mas eu não percebo os republicanos: Qualquer candidato fiscalmente conservador mas moderado nas questões sociais pode ser imbatível, mas eles continuam a dar primazia aos conservadores sociais, que penso serem presa mais fácil de Obama.
miguel direito a 16 de Janeiro de 2012 às 16:00

A avaliar pelos resultados de Iowa e New Hampshire, caro Miguel Direito, o eleitorado republicano está de facto a dar a primazia a um candidato fiscalmente conservador e socialmente moderado.

Aliás, os republicanos tendem sempre a escolher o candidato com mais hipóteses de vencer, o que de certo modo desmente o apregoado extremismo das suas bases.

Por outro lado, penso que o bloco "conservador social" tem tido mais votos do que o bloco "moderado" (e mesmo o resultado do Iowa penso estar dentro do erro expectável numa contagem de votos; se ainda fosse WTA, a esta hora ainda estavam a discutir a recontagem).

Outro ponto é que não é tão claro que um candidato republicano moderado tenha necessariamente mais hipótese de vencer; Reagan tinha fama de "radical" e venceu; Dole e McCain tinham fama de moderados e perderam; Bush pai era um moderado e perdeu a reeleição; Bush filho adquiriu (na presidência) uma imagem radical (justa ou injustamente) e foi reeleito.

É verdade que há um eleitorado suburbano de classe média alta que quer liberalismo social e "conservadorismo" fiscal (que no resto do mundo se calhar se chamaria simplesmente "liberalismo"); mas por outro também haverá um eleitorado de classe operária que se mobiliza mais pelo patriotismo ou pelos "valores" do que por baixas de impostos.

Essa é uma ideia que os "conservadores" americanos constantemente defendem. Mas na realidade, os republicanos não podem vencer sempre :)

Em 1980, Ronald Reagan, em virtude da campanha de 1976, já era considerado o favorito do establishment e era considerado à partida o favorito. Isso de ser um radical não vinha propriamente do Partido Republicano (na verdade nesta época ainda existia uma ala liberal do GOP representada em grande parte por John Anderson. George H. Bush tentou ser o moderado), mas até mais fomentada por Jimmy Carter.

Bush pai apenas não venceu a reeleição por um facto: a candidatura independente de Ross Perot. Clinton venceu com apenas 43%. Em relação a Dole, essa era uma campanha perdida à partida para Clinton, pois na altura das eleições Clinton era bastante popular e a economia já estava a crescer.

W. Bush foi reeleito porque a campanha foi dominada por assuntos de segurança nacional, onde os americanos o consideravam mais bem preparado, e também porque conseguiram "pintar" Kerry como inapto para a presidência. Uma estratégia que acho que vamos assistir este ano. Acho que não teve muito a ver se ele conservador ou não.

Em relação a McCain, acho que ele era de facto o candidato mais bem colocado do lado republicano. E teria tido uma hipótese se a crise não tivesse rebentado em pleno Setembro, numa altura que até liderava as sondagens depois da Convenção Republicana. Acredito que provavelmente teria perdido, mas teria um resultado muito mais equilibrado. Se na época tivesse sido outro candidato, provavelmente a diferença para Obama até teria sido maior.
Nuno Gouveia a 16 de Janeiro de 2012 às 23:22

Não deixam de ser pertinentes e interessantes as suas observações, caro Miguel Madeira. Esqueceu-se talvez de Barry Goldwater, muito mais "radical" que Reagan, e que, de certo modo, abriu o caminho a este. Mas nenhum era "radical" em termos de "conservadorismo social".

Bush Pai não foi derrotado por ser moderado, mas apesar disso. Bush Pai foi essencialmente derrotado por ter aumentado os impostos - coisa que garantira na campanha de 1988 que nunca faria.

E Bush Filho usufruiu na sua reeleição do "power of incumbency". É sempre difícil derrotar um presidente.

Concordo em absoluto com a sua análise socio-eleitoral.

Os meus cumprimentos

Pelos vistos, o espaço para "candidato mórmone moderado com experiência empresarial e governatorial e cabelo semi-grisalho" já estava ocupado
Miguel Madeira a 16 de Janeiro de 2012 às 22:45

Como hoje li algures, o erro de Huntsman foi ter feito uma campanha à esquerda de Romney com um programa político à direita de Perry :)
Nuno Gouveia a 16 de Janeiro de 2012 às 22:53

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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