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Jan 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:35link do post | comentar

 

Não é que até agora algum republicano tenha usado a expressão "capitalismo selvagem" nos seus ataques a Mitt Romney. Mas o facto é que, tanto na sua campanha de 2008 como até recentemente na deste ano, Mitt Romney sempre foi criticado pelos seus adversários de partido apenas  pelas suas incoerências- aborto, casamento de gays - e políticas comprometedoras (sistema de saúde do Massachusetts, no qual o próprio Presidente Obama diz ter-se inspirado). Nunca até há pouco a sua actividade de 15 anos à frente da Bain Capital - uma empresa de capital de risco - tinha sido alvo de escrutínio ou ataque por parte de republicanos, o que até se compreende, dado tratar-se de um partido geralmente pro-business.

 

Mas a proeminência de Romney na corrida à nomeação republicana está a alterar a situação. Em particular, Newt Gingrich tem atacado o seu rival neste campo, com anúncios referindo-se àqueles "que perderam os seus empregos e as suas casas" depois de as empresas para que trabalhavam terem sido adquiridas pela Bain.

 

Segundo números do Wall Street Journal hoje citados por Irwin Stelzer na sua coluna semanal no Sunday Times, a larga maioria das empresas em dificuldades nas quais a Bain interveio acabou por se salvar e até, em alguns casos, por proporcionar robustos lucros à empresa liderada por Romney (entre as empresas salvas pela Bain conta-se a Staples). No fundo, é esta a base do "capital de risco": uns casos têm sucesso, outros não. 

 

Nada de "eticamente impróprio" foi até agora apontado a Romney, nem é disso que se trata. Mas num ambiente de grande desemprego e alta precariedade de muitos empregos, um homem que "corta a torto e a direito" pode facilmente ser retratado como um capitalista sem coração, especialmente por um presidente que já deu largas mostras retóricas de não simpatizar com "os ricos".

 

Decerto que este tema vai ressurgir na campanha para Novembro.

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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