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Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 07:55link do post | comentar

Como suspeitei, Michele Bachmann foi a primeira vítima nestas primárias, não resistindo ao último lugar nos caucuses do Iowa (IA). Rick Perry, que sempre pensei que iria até à Carolina do Sul (SC), chegou a dar a entender que iria desistir, mas ontem tarde lançou um tweet onde anunciava precisamente o contrário. Quem deve ter ficado agradado com a manutenção de Perry foi Mitt Romney, que é agora cada vez mais o favorito à nomeação. Se vencer para a semana no New Hampshire (NH), como é amplamente esperado, Romney tornar-se-á o único republicano desde 1976 a vencer no IA e NH, algo que nem Reagan ou W. Bush conseguiram. Mas Romney ainda terá várias batalhas pela frente. A começar no próximo dia 21 de Janeiro na Carolina do Sul (SC), onde todos os nomeados republicanos da era moderna venceram. Romney precisará de uma vitória confortável no NH para partir para a SC com entusiasmo e folêgo necessário para ganhar aí. E é aí que entra Perry. Com a desistência de Bachmann, Romney precisa de que o voto conservador neste estado do sul se divida por vários candidatos, para poder vencer, a exemplo do que sucedeu com John McCain em 2008. Se Romney conquistar a SC, terá a nomeação quase na mão. Se por acaso for derrotado, terá na Florida (dia 31 de Janeiro) ou no Nevada (4 de Fevereiro) espaço para recuperar. Mas aí a contenda irá arrastar-se pelo menos até Março.

 

No entanto, há um facto escondido por estes dias através da espuma mediática. Todos os analistas credíveis consideram que muito dificilmente a nomeação escapará a Romney. Mas como os media precisam de contar uma história, é necessário baralhar as contas. E daí sucederem-se na imprensa americana artigos sobre uma eventual derrota de Romney. O que seria um acontecimento de proporções históricas. Em primeiro lugar nenhum nomeado dos dois partidos desde 1972 (data em que este sistema de primárias entrou em vigor) conseguiu a nomeação sem vencer no Iowa ou New Hampshire. E Romney quase de certeza ira averbar aqui duas vitórias. Por outro lado, se ninguém considerou Rick Santorum, que perdeu a reeleição por 18 pontos em 2006 para o Senado, fosse um sério candidato à presidência. As mais credíveis ameaças a Romney, Gingrich e Perry, estão neste momento destroçados e sem momentum, dinheiro ou apoio político. Jon Huntsman, que poderia ter uma hipótese, teima em não subir nas sondagens no New Hampshire. Mesmo um segundo lugar neste momento se afigura complicado para ele. É possível que Romney não seja o nomeado? Em política tudo é possível, mas é cada vez mais improvável.

 

  

Dos 98 participantes que votaram no nosso inquérito acerca do Iowa, cerca de 49% disseram que Mitt Romney iria vencer o Iowa, enquanto Ron Paul reuniu a preferência de 27% e Rick Santorum 14%. Agora está na coluna direita um inquérito sobre o New Hampshire, já sem Michele Bachman. Participem!


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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