03
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:33link do post | comentar

Mitt Romney - Passou grande parte da campanha a ignorar o Iowa. Ao contrário de há quatro anos, Romney não investiu tempo nem recursos no Hawkeye State. Mas neste último mês tudo mudou, e Romney direccionou para as suas atenções para o Iowa. Nesta última semana passou os seus dias no estado e investiu muito dinheiro nas televisões. É muito difícil que Romney saia ferido destes caucuses. Se vencer, a nomeação fica mais próxima. Se ficar em segundo ou num terceiro próximo dos dois primeiros, também partirá para o New Hampshire em boa forma. Especialmente se ficar atrás de Paul e Santorum. Um desastre para Romney seria ficar abaixo do terceiro lugar ou atrás de Gingrich ou Perry, os candidatos que têm mais recursos para fazer a vida negra a Romney. 

 

Ron Paul - Já é um dos vencedores destes caucuses, pois a sua mensagem está a ganhar tracção no eleitorado. Não tendo hipóteses de obter a nomeação, Paul está a criar um património no Partido Republicano que poderá ser aproveitado pelo seu filho Rand já em 2016 ou 2020. O seu mérito foi ter colocado os libertarians mais próximos do mainstream republicano. Uma vitória no Iowa, onde investiu forte, daria ainda mais ânimo aos seus apoiantes para os próximos combates eleitorais. Mas um segundo ou até um terceiro lugar não será mau resultado do congressista do Iowa. Abaixo disso será uma derrota de Ron Paul, que tem a melhor máquina no terreno. 

 

Rick Santorum - Ninguém lhe ligou nada até há uns dias, quando os evangélicos começaram a colocar-se atrás dele. Foi o candidato que mais investiu no Iowa, mais parecendo que se estava a candidatar a governador do Iowa do que a Presidente dos Estados Unidos. Se ficar à frente de Gingrich, Perry e Bachmann, está bem colocado para fazer de Mike Huckabee de 2008. Não acredito que represente grande perigo para Mitt Romney, mas Santorum, que tem qualidades políticas, pode surpreender Romney em alguns estados do Sul. Mas, e como disse sobre Gingrich, não sei se o Santorum consegue sobreviver a uma rajada de ataques negativos das Super Pacs de Romney. Tudo acima do terceiro lugar será uma vitória. 

 

Newt Gingrich - Quando há um mês liderava as sondagens nacionais e no Iowa, muitos apontavam-no já como o presumível nomeado. Na altura alertei que Newt era facilmente destruível por um conjunto de ataques com verdades sobre a sua carreira. Sem surpresa, chega ao Iowa a lutar pela sobrevivência. Se não conseguir chegar ao terceiro lugar, fica em grandes problemas para a Carolina do Sul, onde tem liderado as sondagens. Se ficar atrás de Rick Perry e de Santorum, a sua candidatura está quase terminada. 

 

Rick Perry - As últimas sondagens davam-lhe 10 por cento, sempre em quinto lugar. Se concretizar-se este resultado, não sei com que capacidade Perry irá para a Carolina do Sul travar o seu último combate político nestas primárias. Se há quatro anos tivemos um Fred Thompson, que entrou na corrida como frontrunner e acabou destroçado logo nas primeiras eleições, este ano teremos Rick Perry. 

 

Michele Bachmann - A congressista do Minnesota disse que espera um milagre. Talvez mesmo só com a intervenção de Deus Bachmann consiga fugir do último lugar e da irrelevância total nestas primárias. Se tal suceder, irá cantar vitória. Mas o mais certo é mesmo que fique em último (Huntsman não conta). Se desiste já ou vai até à Carolina do Sul é a grande dúvida.

 

*titulo de um post que escrevi há quatro anos no Eleições Americanas de 2008, onde curiosamente acertei nos três primeiros resultados do Partido Democrata e nos dois primeiros do Partido Republicano. Apesar dos meus dotes adivinhatórios nem sempre funcionarem, deixo aqui uma previsão, cautelosa, dos resultados: Romney-Santorum-Paul-Gingrich-Perry-Bachmann-Huntsman.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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