29
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:54link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Nos Estados Unidos há tradições que são para cumprir. Não há inimigos figadais, apenas adversários políticos. Pouco mais de um mês de Barack Obama derrotar Mitt Romney, um encontro na Casa Branca entre os dois, a convite do primeiro. Após a mítica campanha de 1960, John Kennedy convidou Richard Nixon para um encontro, tendo iniciado esta tradição do vencedor receber o vencido na Casa Branca. Hoje Obama e Romney deram seguimento a esse costume de Washington, reconfirmando a vitalidade da democracia americana. 


publicado por Nuno Gouveia, às 10:36link do post | comentar

Os meios digitais foram essenciais nesta última campanha eleitoral. Tenho vindo a reunir uma série de artigos sobre este assunto que tenho encontrado nos mais variados sites. Para os interessados, podem seguir o meu Scoop dedicado ao tema. Em breve espero também iniciar aqui uma série de artigos sobre o modo comos os candidatos utilizaram o digital nas suas campanhas. A primeira impressão, e facilmente registada durante a campanha, é que, mais uma vez, Obama liderou nesta área.


26
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:15link do post | comentar | ver comentários (1)

Ao mesmo tempo que mediava o frágil acordo de paz entre Israel e o Hamas, e recebia, por isso, elogios de Hillary Clinton, o Presidente Morsi do Egipto decretava o aumento de poderes para ele próprio, dando mais uma machadada na sua credibilidade de democrata. Mas até quando poderá Obama ficar em silêncio, isto se o Egipto continuar a afastar-se da democracia e a ameaça da teocracia continuar a aumentarl? A ajuda financeira permanece idêntica à era de Mubarak (o Egipto é um dos países que recebe mais ajuda dos Estados Unidos), mas começa a existir contestação em Washington a esses apoios. Creio que a Administração Obama percebe que tudo deve fazer para manter o Egipto próximo, e por isso, tem evitado criticar veemente o país dos Faraós. Mas também tenho muitas dúvidas se este género de declarações será suficiente. Com a situação síria, a ameaça nuclear iraniana, o Afeganistão ainda em chamas, o Iraque a dar sinais do regresso da violência sectária, esta região do globo será certamente uma dor de cabeça para o segundo mandato do Presidente. 


21
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:17link do post | comentar | ver comentários (20)

A derrota nas eleições presidenciais foi, mais do que um sintoma, uma consequência dessa crise. Nas últimas seis eleições presidenciais, os republicanos venceram apenas duas, sendo que numa tiveram menos votos. Após derrotas eleitorais é habitual os partidos passarem por profundos debates sobre a sua essência, e questionarem-se de que forma podem voltar a ganhar. Bem sei que agora que Mitt Romney foi derrotado, ele será apontado por muitos como a causa de todos os males, mas continuo a pensar que o GOP perdeu, apesar de Romney e não por causa dele. Não, ele não é um político brilhante nem carismático. Não, ele não fez uma campanha isenta de erros. Mas sim, o que ele fez e com as condicionantes económicas e as dificuldades do primeiro mandato de Obama, poderia ter sido suficiente para vencer. Mas a América mudou, e a demografia, que tem sido tão debatida por estes dias, acabou por ser decisiva para a derrota republicana. Como pode o GOP conquistar as minorias cada vez mais representativas na sociedade americana, sem mudar os seus princípios de governo limitado, segurança nacional forte e conservadorismo social? No último post sobre o tema, defendi que antes de debaterem sobre o futuro do partido, é necessário afastar os maus políticos da arena. Está certo que ter políticos competentes pode não chegar, no entanto, é importante o Partido Republicano ter novas caras que saibam articular o conservadorismo sem afastar as gerações mais novas e as minorias. 

 

E até há algo que o Partido Republicano já tem nas suas fileiras: políticos emergentes na arena nacional e com capacidade de introduzir mudanças na forma como os americanos olham para o Partido Republicano. Dois jovens governadores: Bobby Jindal (Lousiana) e Nikki Haley (Carolina do Sul), ambos descendentes de indianos e com 41 e 40 anos, respectivamente. O senador Marco Rubio, descendente de cubanos, com apenas 41 anos e que já lidera algumas bolsas de apostas para 2016. Ted Cruz, filho de mexicanos, que chegou agora ao senado com apenas 41 anos. Susana Martinez de 53 anos, descendente de mexicanos, governadora do Novo México, que fez fez um dos melhores discursos na Convenção de Tampa deste ano. Brian Sandoval, de 49 anos, filho de mexicanos e governador do cada vez mais democrata Nevada. Kelly Ayotte, senadora do New Hampshire, com apenas 44 anos. Estes são alguns dos nomes que ocupam cargos de responsabilidade nos Estados Unidos, que terão de contar para o futuro do Partido Republicano. E depois, também os típicos políticos "brancos", como Chris Christie, Bob McDonnell, Rand Paul, Paul Ryan ou Scott Walker, que também serão importantes nesta nova fase do GOP. Depois de afastar os "malucos", o GOP precisa de novas caras para falar com o povo americano. E depois sim, pode discutir o que fazer com a mensagem do partido. Será tema de próximo post. 


19
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:10link do post | comentar | ver comentários (15)

Sim, ainda agora acabou o ciclo presidencial de 2012 e já estou a escrever sobre o próximo. A política americana é um carrossel, e como tal, a especulação em nome dos potenciais candidatos será uma constante nos próximos tempos. E tal como em 2008, as primárias prometem ser explosivas em ambos os partidos. Diria que o Partido Republicano, pelo menos em teoria, parte em ligeira vantagem no que diz respeito aos potenciais nomes. Apesar dos vários políticos desastrados que o GOP gerou nestes dois últimos ciclos eleitorais, na verdade entre 2009 e 2010 surgiram na arena nacional nomes que tem suscitado enorme atenção. O Partido Democrata apresenta um leque de potenciais candidatos mais desconhecidos e com menos "star power". Isto, claro, se Hillary Clinton não for candidata, porque nesse caso penso que partirá como favorita, não só para as primárias como talvez para as eleições gerais. 

 

No Partido Democrata, diria que tudo vai estar condicionado pela opção de Hillary Clinton em avançar. Se ela for candidata, dificilmente haverá concorrência à altura. Depois de em 2008 ter falhado contra o fenómeno Barack Obama, a sua estadia na Secretaria de Estado nestes últimos quatro anos colocaram-na no lugar cimeiro da popularidade entre os políticos no activo. Joe Biden, que parte numa posição de fragilidade (Vice presidente não muito popular, gaffes políticas embaraçosas, pouca ligação com as novas gerações e terá 73 anos em 2016), já deu sinais de desejar concorrer pela terceira vez, depois de 1988 e 2008. Honestamente não acredito muito na viabilidade desta candidatura, mas com a máquina da Casa Branca atrás de si será sempre alguém a ter em conta. Depois, os dois governadores que mais se têm destacado nestes últimos anos: Andrew Cuomo de Nova Iorque, que para mim será o mais forte candidato se Hillary não avançar, e Martin O'Malley do Maryland, que tem vindo a fazer várias incursões nacionais. Outro governador que já demonstrou interesse é o governador do Montana Brian Schweitzer. Fez um grande discurso na Convenção de 2008 e desde então o seu nome ficou ligado a algo "maior". Desde então tem estado apagado, mas é outro dos políticos que de quem se fala. Se Hillary Clinton não avançar, outras mulheres terão a tentação de avançar. Aliás, depois do Partido Democrata ter eleito o primeiro Presidente Afro-Americano, haverá em certos sectores do partido a vontade de eleger uma mulher. E aí há três nomes na linha da frente. A senadora de Nova Iorque, Kirsten Gillibrand, que não esconde as suas ambições, a senadora do Minnesota, Amy Klobuchar, outro dos nomes ventilados e ainda a recém eleita senadora do Massachussetts, Elisabeth Warren. Apesar dos nomes não serem muito sonantes, com excepção de Hillary e Biden, não faltará certamente animação para a sucessão de Barack Obama entre os democratas. 


Em relação ao Partido Republicano, os nomes que aparecem deste já na linha da frente são mais fortes. A começar pelas grandes estrelas em ascensão, que são várias. A começar pelo senador da Florida, Marco Rubio. Hispânico, segmento do eleitorado onde os republicanos desesperadamente precisam de crescer, esteve este fim de semana no Iowa, e poderá ser um candidato fortíssimo. Outro dos nomes mais fortes, e que poderá ter uma palavra a dizer se Rubio avança ou não, é Jeb Bush, antigo governador da Florida e mentor do jovem senador. Se não fosse pelo seu apelido, talvez já tivesse sido candidato este ano. É talvez o preferido do establishment republicano. Paul Ryan é outra das jovens estrelas que estará a pensar nisso. Depois deste ano ter sido candidato a Vice Presidente, é alguém que terá aspirações ao cargo mais alto da nação. Bobby Jindal, que em 2016 estará a terminar o segundo mandato de Governador da Louisiana, e que terá apenas 45 anos em 2016, poderá também ser candidato. Após a derrota deste ano, tem-se desdobrado em intervenções sobre a actual crise do GOP e tem aliados em diversas facções do partido. Chris Christie de New Jersey viu a sua aura entre os republicanos ferida pelo seu "abraço" a Barack Obama no pós Sandy. Mas quatro anos é muito tempo em política, e caso seja reeleito em 2013, terá a tentação de preparar uma corrida à Casa Branca. Rand Paul, filho de Ron Paul, poderá ser o candidato da ala libertária em 2016, pegando no legado de seu pai, agora com mais apoio entre os republicanos tradicionais. Condoleezza Rice deixou meio mundo atento depois da sua intervenção na Convenção Republicana deste ano. Alcançou um estatuto importante dentro do partido e estarei atento ao seu percurso nos próximos anos. É uma figura respeitada em ambos os partidos e poderia ser uma cartada fortíssima entre os moderados do Partido. Por fim dois governadores do Midwest: Scott Walker do Wisconsin e John Kasich do Ohio, ele que em 1999 foi candidato presidencial por um breve período de tempo. Depois haverá alguns nomes que poderão ter a tentação de avançar: senadora Kelly Ayotte do New Hampshire, governador da Virginia, Bob McDonnell ou Jon Huntsman do Utah, que este ano também foi candidato. Uma coisa parece-me claro: os republicanos terão um leque de candidatos muito mais forte do que este ano, onde apenas Mitt Romney, e por breves momentos, Tim Pawlenty, pareciam ter sérias hipóteses de eleição.


17
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 00:54link do post | comentar | ver comentários (2)

Após a derrota estrondosa que o Partido Republicano teve no passado dia 6 de Novembro, muito tem sido dito nos Estados Unidos sobre o futuro deste partido. Concordo basicamente com o que disse o Alexandre Burmester neste post. Não há maiorias eternas, e a democracia americana já nos ensinou que devemos ter cuidado com os óbitos apressados a partidos políticos. Mas há uma verdade inquestionável: o Partido Republicano enfrenta grandes desafios para os próximos anos, e algo terá que fazer para contrariar a evidente crise que enfrenta. Certo, há a questão demográfica, que terá sido decisiva para o desfecho final desta última eleição. O GOP terá de ter uma mensagem mais atractiva para as minorias étnicas, sobretudo para os hispânicos. Marco Rubio, Susana Martinez, Brian Sandoval, Ted Cruz ou Bobby Jindal terão certamente uma palavra importante no futuro. Mas parece-me que há outro problema, e este mais grave. E será aqui que devem atacar primeiro.

 

Nas duas últimas eleições para o senado, o GOP perdeu cinco lugares quase certos por terem escolhido nas primárias candidatos absurdos. Em 2010 no Colorado, Delaware e Nevada, aqui impossibilitando a derrota do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e este ano no Indiana e Missouri. Estes cinco lugares dariam o empate no Senado. Além disso, é evidente que a prestação nacional destes candidatos prejudicou imenso a performance do Partido. Ninguém poderá ficar insensível ao facto de terem nomeado uma Christinne O'Donnel ou um Todd Akin. Além disso, declarações bombásticas de alguns republicanos prejudicaram seriamente a brand do partido. Como disse esta semana Bobby Jindal, os republicanos precisam de modernizar-se, e isso inclui afastar definitivamente os "maluquinhos" da ribalta. Estes existem em ambos os partidos, mas no GOP eles têm-se destacado em grande medida. Mitt Romney conseguiu sistematicamente obter melhores resultados do que os candidatos ao Senado, o que também atesta das fragilidades do partido. Ao contrário do que tenho lido em alguns fóruns, isto não resulta necessariamente de mudar os princípios do conservadorismo do GOP. Está certo que em matérias da imigração ou até nas questões sociais, é preciso moderar a mensagem. Se George W. Bush tivesse conseguido aprovar a sua reforma da imigração, provavelmente Romney não teria tido apenas os 27% entre os hispânicos. Mas o que é necessário é afastar estas vozes sem qualidade da arena nacional. Republicanos conservadores como Marco Rubio, Bobby Jindal, Pat Toomey, Ron Johnson ou Rand Paul já demonstraram que o problema não é serem muito ou pouco conservadores. O problema é possuírem capacidades políticas ou não. É saber se conseguem ter uma intervenção positiva na discussão nacional ou não. Depois de resolverem o problema deste género de candidatos, aí sim, poderão começar a discutir que mensagem devem apresentar ao povo americano. 


13
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:12link do post | comentar | ver comentários (11)

Historicamente os segundos mandatos costumam ser mais complicados do que os primeiros. Nixon teve o Watergate e demitiu-se, Reagan teve o escândalo dos Irão-Contra, Bill Clinton teve o affair Mónica Lewinski e George W. Bush teve o Katrina e o descalabro financeiro. Isto para recordar alguns episódios que atingiram os últimos presidentes reeleitos. Não quer dizer obviamente que Barack Obama vai enfrentar algum escândalo, mas os desafios para o seu segundo mandato são enormes. A crise fiscal está à espreita, o Irão ameaça tornar-se ainda mais explosivo nestes próximos anos e a situação no Afeganistão está longe de estar resolvida. Mas Obama terá tempo para impor a sua agenda, agora livre de uma campanha de reeleição que marcou a sua actuação nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, enfrenta um Partido Republicano, ainda com maioria na Câmara dos Representantes, enfraquecido após a severa derrota nas eleições da semana passada. 

 

A agenda deste segundo mandato tenderá a focar-se sobretudo nos temas internos, e Obama tem aqui uma oportunidade para reforçar o seu legado enquanto Presidente dos Estados Unidos. A sua maior vitória legislativa, a reforma da saúde, entrará agora em vigor no próximo ano, e Obama poderá vingar o seu papel na história se esta for bem sucedida. Na energia, Obama tenderá a apostar nas energias renováveis, algo que timidamente fez no primeiro mandato, sem grandes resultados, mas será principalmente na imigração que tentará promover um novo pacote legislativo de grande impacto no futuro. Nestes primeiros dias após a sua reeleição, tem havido do lado dos republicanos vontade para trabalhar com o Presidente nesta matéria, até porque a sua derrota eleitoral terá muito a ver com o modo como estes têm lidado com esta questão. Na educação, Obama poderá também criar pontes com os republicanos para actuar no sector, pois existe matéria para possíveis consensos. A dívida explosiva, que ameaça transformar os Estados Unidos numa nova Europa do Sul, deverá também ser atacada de frente pela Administração Obama. Um corte nas despesas sociais, conjuntamente com o aumento de impostos para os mais ricos estará em cima da mesa, e é bem provável que existam cortes nas despesas militares. 

 

Na frente externa Obama sentirá a necessidade de resolver até 2014 o problema do Afeganistão, o Irão nuclear, que Obama já garantiu não ser uma possibilidade, deverá ocupar bastante tempo para o novo Secretário de Estado, e a situação na Síria será também alvo de preocupação nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a política externa tenderá a focar-se ainda mais na Ásia, com a China no topo da agenda. A situação da Europa e do Euro, que esteve totalmente ausente nesta campanha, será também uma das suas preocupações, aqui sem grande poder de influência. Nas relações com a Rússia, veremos finalmente com o que Obama quis dizer com ter maior margem de manobra após as eleições. Além disto, nunca se sabe onde poderá rebentar a próxima crise no panorama internacional. 

 

Desafios são muitos, e certamente irão aparecer outros pelo caminho. Não se pense que Obama tem o caminho aberto para um mandato de sucesso. Até pelo que disse inicialmente. Mas com a vitória na semana passada, Obama ganhou tempo, conquistou legitimidade e reforçou o seu poder em Washington. Até ao final do ano ficaremos a saber com quem contará na sua equipa. John Kerry na Defesa e Susan Rice no Departamento de Estado têm sido alguns dos nomes ventilados. Certa parece a saída de Hillary Clinton e Timothy Geithner do Tesouro. 


12
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:43link do post | comentar | ver comentários (7)

O general que George W. Bush foi buscar para ganhar a guerra do Iraque, e que depois foi aproveitado por Obama para comandar a intervenção no Afeganistão, e que actualmente dirigia a CIA, demitiu-se na semana passada. A sua demissão caiu como uma bomba em Washington, principalmente devido ao motivo invocado: um caso com uma das suas biógrafas. Será isto o suficiente para derrubar um homem poderoso como Petraeus? Mesmo sabendo que o seu nome, juntamente com a da sua amante, estava envolvido numa investigação do FBI? Possivelmente será. Como ficarão as ambições políticas do general após este caso? É verdade que esta demissão, ainda com poucas explicações, ainda será tema para algumas semanas, mas sabemos que Petraeus poderá sobreviver a um caso deste género. A menos que haja algo mais do que uma traição à sua esposa.


10
Nov 12
publicado por José Gomes André, às 00:23link do post | comentar | ver comentários (8)

1. Obama venceu com margem confortável no Colégio Eleitoral (332-206) e com ligeira vantagem no voto popular (cerca de 3%). Dois factores contribuíram decisivamente para a vitória. Primeiro, uma extraordinária mobilização do eleitorado Democrata que, mesmo desiludido, acorreu às urnas em proporção praticamente idêntica a 2008: jovens, mulheres e minorias étnicas foram autenticamente "empurrados" pela máquina Democrata. Uma boa organização no terreno é hoje cada vez mais indispensável e os estrategas Democratas só podem estar de parabéns. Em segundo lugar, a campanha acertou em cheio na mensagem: ao mesmo tempo que justificava as insuficiências do primeiro mandato (ligando-o à excepcionalidade da crise económica e financeira mundial), Obama conseguiu projectar uma imagem de futuro, centrando-se mais nos "próximos 4 anos" do que numa defesa do seu mandato. Excelente decisão.

 

2. A América está a mudar. Se 2008 tinha sido uma eleição histórica, pela eleição de um negro para a Presidência, 2012 não lhe fica atrás, trazendo a primeira lésbica assumida para o Senado (Tammy Baldwin), votações favoráveis ao casamento homossexual em quatro Estados e a legalização da marijuana para efeitos recreativos (!) no Colorado e em Washington. O eleitorado urbano e liberal está em crescimento, a diversidade étnica é cada vez maior e os "valores tradicionais" parecem estar a diminuir em importância e em influência geográfica. Que não se assustem os mais conservadores: os EUA sempre tiveram uma enorme capacidade para se reinventarem, preservando ao mesmo tempo os seus princípios fundamentais.

 

3. Por falar em reinvenção, o Partido Republicano necessita de se reorganizar, tornando-se apelativo para novos segmentos essenciais do eleitorado (o caso mais óbvio são os hispânicos). A ala radical do Partido, mesmo sendo minoritária, tem contaminado o núcleo do GOP com uma ideologia sectária e ultra-conservadora, que entusiasma a base, mas não ganha eleições. O discurso anti-ciência, a confusão sistemática de religião e política, o radicalismo no tema do aborto e a xenofobia latente têm ganho protagonismo entre os Republicanos, mas são amplamente rejeitados pelo eleitorado. O "establishment" necessita de se distanciar destes sectores radicais, sob pena da "marca Republicana" se tornar tóxica num futuro próximo.

 

4. São variados os desafios que esperam Obama. Crise económica, reforma da saúde, ambiente, nova política energética - a nível interno. Instabilidade no Médio Oriente, relações difíceis com a Rússia e a China, a contenção do Irão - a nível internacional. São temas complexos, que, na maioria dos casos, o Presidente terá de negociar com uma Câmara dos Representantes dominada pelos Republicanos. A tarefa mais dura? Lidar com o maior desafio que assola o Ocidente: preservar a estrutura fundamental do "Estado Social", num quadro económico e demográfico mundial que não permite aos países desenvolvidos manter os mesmos níveis de despesa pública até aqui praticados.

 

5. Um dos maiores vencedores deste processo eleitoral foi a abordagem científica ao fenómeno político. Os estudos econométricos e as sondagens (e os agregadores de sondagens) retrataram com grande fidelidade a evolução e o desfecho da corrida, pese embora terem sido continuamente desvalorizados pelos "opinion-makers". Estes (como Dick Morris ou George Will) preferiram basear-se em "feelings" e bitaites infundados (o termo português é "lançar postas de pescada"), mas saíram completamente derrotados face ao rigor e à objectividade do esforço de Nate Silver e Sam Wang, entre outros. Tenho a secreta esperança de que, mais tarde ou mais cedo, os "tudólogos" serão dispensados pela opinião pública e pela própria comunicação social, e substituídos por gente menos mediática, mas seguramente muito mais séria e informada.


09
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 15:51link do post | comentar | ver comentários (3)

 

 

 

Há uma certa tendência a escrever-se obituários políticos de indivíduos e/ou partidos na sequência de resultados eleitorais.

 

Nos Estados Unidos essa tendência é proverbial, e darei vários exemplos.

 

O caso mais famoso de um político cujo obituário foi escrito quase sem qualquer reserva foi o de Richard Nixon. Derrotado nas eleições presidenciais de 1960 e na eleição do governador da Califórnia em 1962 - no final da qual, ainda por cima, protagonizou um forte e algo desconchavado ataque à imprensa - Nixon foi rapidamente considerado um caso arrumado. Pois bem, seis anos depois, em 1968, seria eleito presidente, e dez anos depois seria reeleito numa das maiores avalanches eleitorais de sempre (já sabemos o que se passou depois, mas isso é irrelevante para esta narrativa).

 

Em termos de partidos, temos a famosa derrota republicana com Barry Goldwater nas presidenciais de 1964. O Partido Republicano estaria - segundo a sabedoria convencional - moribundo. Pois bem, dois anos depois o "moribundo" teve importantes ganhos nas eleições intercalares e em 1968 voltaria à Casa Branca, como atrás referi.

 

Em 1972, como já disse, o Partido Democrático, com George McGovern a candidato, foi trucidado nas eleições presidenciais (Nixon só não venceu no Massachusetts e no Distrito de Columbia). Como poderia o partido ressurgir das cinzas de semelhante descalabro era coisa que a muitos se afigurava tarefa de longa duração. Pois, bem, quatro anos depois (embora com o benefício do Watergate), os democratas, pela mão de Jimmy Carter, estavam de regresso ao número 1600 da Pennsylvania Avenue, em Washington. Até se falava no "regresso da velha coligação democrática". Tardou apenas quatro anos, e o esfrangalhado Partido Republicano, com Ronald Reagan como candidato, recuperava a Casa Branca. Aqui sim, os obituários andaram mais perto da realidade, já que levou 12 anos para os democratas, com o hábil Bill Clinton, reconquistarem a presidência.

 

Há quatro anos, após a primeira vitória de Barack Obama, novos obituários foram escritos, sobre o G.O.P. desta vez. Passados dois anos, em 2010, o referido cadáver protagonizou um dos maiores vendavais eleitorais das últimas largas décadas em termos da Câmara dos Representantes, conquistando mais de 60 lugares.

 

Agora, na sequência da reeleição de Obama, também já foram escritos alguns obituários acerca dos republicanos. É evidente que o partido do elefante tem problemas a resolver com certos sectores do eleitorado, mas também é evidente que a margem de derrota foi curta (2,5% na altura em que escrevo), que é sempre difícil desalojar um presidente, que a Campanha Obama dispôs de uma eficientíssima máquina de mobilização, que os republicanos mantiveram uma sólida maioria na Câmara, e que continuam a ter um grande domínio a nível de governadores de estados (30 lugares, tendo ganho um).

 

Pelo que, daqui a quatro anos há mais, embora eu preveja uma luta mais fratricida nas primárias republicanas de 2016 que nas democráticas.

 

 

 

 

Foto: Cartaz da campanha de 1968 de Richard Nixon, declarado "cadáver político" seis anos antes.


08
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:01
José Gomes André em 09/11/2012 às 00:41link do post | comentar | ver comentários (6)

Estes são números sempre interessantes de ler, até porque, na Europa, não estamos habituados a ver semelhante análise dos eleitorados.

 

Mas vamos ao que interessa:

 

Votos por escalão etário:

 

18/29 anos: Obama 60%, Romney 37%

30/44 anos: Obama 52%, Romney 45%

45/64 anos: Obama 47%, Romney 51%

65 anos ou mais: Obama 44%, Romney 56%

 

Voto étnico

 

Brancos: Obama 39%, Romney 59%

Hispânicos: Obama 71%, Romney 27%

Negros: Obama 93%, Romney 6%

Asiáticos: Obama 73%, Romney 26%

Outros: Obama 58%, Romney 38%

 

Voto por género

 

Homens: Obama 45%, Romney 52%

Mulheres: Obama 55%, Romney 44%

Homens Brancos: Obama 35%, Romney 62%

Mulheres Brancas: Obama 42%, Romney 56%

 

Voto por rendimento

 

< USD 30.000: Obama 63%, Romney 35%

< USD 50.000: Obama 60%, Romney 38%

> USD 50.000: Obama 52%, Romney 43%

>USD 100.000: Obama 44%, Romney 54%

 

Voto por religião

 

Protestantes: Obama 42%, Romney 57%

Católicos: Obama 50%, Romney 48%

Judeus: Obama 69%, Romney 30%

Outros: Obama 74%, Romney 23%

Ateus: Obama 70%, Romney 26%

 

Principais contrastes com 2008:

 

Obama perdeu 6% do voto jovem (18/29 anos), 4% do voto das mulheres brancas, e Romney ganhou 5% no voto dos homens brancos (face a John McCain) e 3% nas mulheres brancas; Romney ganhou 9% no voto judaico e 3% no católico. Obama ganhou 4% no voto hispânico e perdeu 3% no voto negro (com pouco significado, pois passou de 96% para 93%).

 

Tudo isto contribui para uma análise sociológica das eleições, e para se aferir da posição dos dois partidos nos vários segmentos sociais, étnicos e etários.

  

Fonte (por estranho que pareça!): Le Figaro


07
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar | ver comentários (9)

Além de Barack Obama e Mitt Romney, ontem houve mais vencedores e derrotados. Uns porque viram o seu papel reforçado, outros porque perderam claramente em toda a linha. Aqui deixo a minha lista.

 

Vencedores:

 

David Axelrod e David Plouffe: o resultado final vingou a sua estratégia. Em 2008 conseguiram o improvável. Desta vez mostraram no terreno toda a sua capacidade. A partir de agora podem retirar-se para o mundo normal, escrever livros, ganharem dinheiro, e por vezes, irem à televisão debitar comentários.  Já conquistaram o seu lugar na história da política americana. 

 

Nate Silver e as empresas de sondagens: Silver foi muito atacado pelos republicanos. Não foi só ele, mas também outros colegas estatísticos. No final, o seu modelo provou ter razão, e com isso, as sondagens em que ele se baseava. O seu papel enquanto apoiante de Obama não beliscou o seu trabalho, como se provou na desfecho das eleições. Já pode falhar todas as previsões a partir de agora. Conquistou um lugar no panorama mediático americano. Por outro lado, o trabalho do Real Clear Politics também saiu reforçado. Da sua média de sondagens por estados, acertaram 49 em 50 estados. 

 

Harry Reid e os democratas no Senado: Tinham 23 lugares em disputa, depois da conquista avassaladora de 2006. Tiveram uma noite perfeita e ainda conquistaram mais dois. Muito improvável ainda há pouco mais de seis meses. Os erros do adversário muito contribuíram para este desfecho, mas têm muito mérito. 

 

Marco Rubio: Sim, ele não foi a votos. E o seu partido teve uma derrota avassaladora. Mas viu nesta campanha dois dos seus potenciais rivais para 2016 perderem terreno. Paul Ryan, que por ter estado num ticket derrotado, parte claramente em desvantagem, e Chris Christie, que com a sua photo-op com Barack Obama a uma semana das eleições conseguiu destruir todo o capital de simpatia que tinha acumulado desde 2009. Com o agravar do problema dos republicanos entre o eleitorado hispânico, Rubio irá emergir aos olhos das principais figuras do partido como aposta para 2016. Parte desde já em vantagem. 

 

John Boehner*: Manteve-se como Speaker da Câmara dos Representantes, conseguindo os mínimos para o Partido Republicano. Continuará a ser a terceira personalidade da hierarquia, provavelmente por mais quatro anos. Mas agora terá de provar que os republicanos conseguem fazer acordos com os democratas. A bola não está somente do lado de Obama. 

 

Derrotados:

 

 

Partido Republicano: Uma grande derrota ontem à noite. Os resultados eleitorais no senado foram patéticos, e se lhe juntarmos as três eleições perdidas no Colorado, Nevada e Delaware de 2010, é a prova que não podem continuar a apresentar candidatos sem as mínimas condições. No Missouri e Indiana (onde afastaram Dick Lugar, que teria ganho esta eleição sem fazer campanha) os seus candidatos simplesmente demonstraram que não estavam à altura de uma eleição deste género. Os republicanos têm de perceber algo: não interessa se o candidato é muito ou pouco conservador. O que é preciso é ter qualidades políticas. Em 2010 vários conservadores foram eleitos e com qualidade, além do já citado Rubio, mas também Rand Paul, Ron Johnson ou Kelly Ayotte. Sem resolverem o problema destes candidatos fantoches, vão continuar a perder eleições. 

 

Karl Rove: Mais até do que a derrota de Mitt Romney, que Rove manifestamente não estava à espera, fica a severa "porrada" que os republicanos levaram no Senado. Nestas duas eleições, a sua Super Pac despejou milhões e milhões de dólares de apoio aos candidatos republicanos. Está certo que Rove não controlou as escolhas que foram sendo feitas nas primárias, nem a campanha de Mitt Romney. Mas se em 2010 Rove e a Super Pac que coordena ficou ligada à vitória, desta vez aconteceu o contrário.

 

Dick Morris: O famoso consultor de Bill Clinton representa aqui todos aqueles que previram uma vitória de Mitt Romney acima do razoável. Nas vésperas das eleições era perfeitamente aceitável que fosse prognosticado que Romney ganhasse as eleições. Certo. Mas nunca por grandes números eleitorais, como Morris e outros o fizeram. Escrever que estava à espera de um landslide uns dias antes das eleições quando nada apontava para isso descredibilizou, de forma fatal, Morris. Está certo que em 2010 esteve perto de acertar na quase totalidade, mas aí havia claramente evidências que apontavam nesse sentido. Merece ser despedido. 

 

Gallup e Rasmussen: Duas das principais empresas de sondagens dos Estados Unidos acabam estas eleições seriamente chamuscadas. A sua previsão dos eleitores prováveis levou-os a percepcionar mal estas eleições. Terão de rever os seus critérios para o futuro.

 

* Bem lembrado por um comentário neste post.  


publicado por Nuno Gouveia, às 23:07link do post | comentar

Último hangout Combate de Blogs sobre estas eleições, moderado pelo Filipe Caetano e com a presença do Carlos Manuel Castro e o João Luís. Tenho que referir que foi um prazer participar nesta iniciativa promovida pelo Filipe Caetano e pela TVI24, bem como debater de forma saudável e interessante com todos os participantes, nomeadamente o José Gomes André, o Germano Almeida, o Filipe Ferreira, além dos já citados. 


publicado por Alexandre Burmester, às 15:35link do post | comentar | ver comentários (22)

 Os níveis de afluência de um lado e de outro terão acabado por ser determinantes, embora a afluência global nestas eleições tenha ficado aquém da de 2008. O notável, sem dúvida, foi como a coligação democrática se aguentou, como o Nuno já referiu. O peso eleitoral de jovens e minorias manteve sensivelmente a mesma força relativa que em 2008, e poderá ser um factor a manter-se no futuro. A diminuida margem de vitória do Presidente Obama (um caso raro em eleições presidenciais, como o Nuno também referiu), de 52/45 para 51/49, terá ficado a dever-se aos melhores números de Mitt Romney junto dos independentes em comparação com John McCain, já que a afluência republicana não terá sido muito diferente, proporcionalmente, da de 2008. Digo isto tudo tendo apenas visto os números por alto, mas parece-me serem estas as conclusões.

 

Assim sendo, há que tirar o proverbial chapéu às sondagens estaduais, pois a grande maioria delas sempre previu a manutenção da afluência da coligação democrática, ao contrário das sondagens nacionais de empresas como a Gallup e a Rasmussen. A primeira, que chegou a dar vantagens de 5/6 pontos a Romney antes do Furacão Sandy, previa uma superioridade republicana na afluência, e a segunda trabalhou com base numa média entre a afluência de 2008 e a de 2004.

 

Finalmente: qual terá sido o verdadeiro efeito do "Sandy"? Bem, particularmente, acho que o espectáculo do "Furacão Christie" (o Governador republicano de New Jersey, Chris Christie) de braço dado com o Presidente Obama aquando da visita deste a a New Jersey terá tido um efeito mais importante que propriamente o furacão em si mesmo, ao permitir ao Presidente mostrar-se amistoso e cooperante com o partido adversário. Muitos republicanos não perdoarão a Christie - um potencial candidato nas primárias do partido em 2016 - mas há que não esquecer que o homem é o governador republicano de um estado acentuadamente democrático e que, daqui a um ano, enfrenta uma campanha de reeleição.


publicado por Nuno Gouveia, às 12:53link do post | comentar | ver comentários (4)

Outro tema que irá consumir certamente espaço aqui no blogue nos próximos tempos. O Partido Republicano sai arrasado destas eleições. Mais do que Mitt Romney, que certamente irá ser muito criticado por ter perdido, apesar que continuo a pensar que fez uma boa campanha, foi o Partido Republicano o grande derrotado de ontem. As derrotas no Senado são devastadoras e ninguém pensaria que os republicanos acabariam por perder lugares. Nem mesmo a manutenção da maioria da Câmara dos Representantes irá manter a calma. Prevejo uma guerra civil nos próximos tempos. Vencedor da noite do lado republicano? Marco Rubio. Com mais tempo explicarei porquê. 


publicado por Nuno Gouveia, às 12:05link do post | comentar | ver comentários (4)

 

Haverá tempo para analisar com mais calma a forma como Obama foi reeleito, mas desde já ficam aqui algumas notas. Uma vitória presidencial entra no imediato para os livros da história americana. Mas esta reeleição irá certamente conquistar um lugar especial: pela capacidade organizativa da máquina de campanha, pela dimensão da vantagem que obteve, mas também por alguns recordes que bateu de algumas décadas, como ter sido reeleito com menor vantagem do que na primeira eleição ou o facto de ter ultrapassado a taxa de desemprego mais elevada desde os anos 30. A vitória de Obama acabou por ser mais simples do que era expectável. Se no voto popular, vence por 2%, no colégio eleitoral acaba com uma confortável vantagem de 332-206. A mobilização em redor do Presidente foi impressionante, e a sua coligação eleitoral de minorias, jovens e mulheres aguentou-se de uma forma fantástica. David Axelrod e David Plouffe já lá tinham garantido um lugar, mas depois desta vitória entram directamente para o topo dos grandes consultores políticos da história política americana. Barack Obama é reeleito depois de um mandato muito complicado, onde a sua popularidade nem sempre esteve acima da linha de água. Apesar de ter enfrentado uma dura batalha com os republicanos durante quatro anos, que incluiu uma severa derrota nas intercalares, acabou por ser reeleito com relativa facilidade, conseguindo com isso alargar também a maioria no Senado (uma das surpresas da noite). Obama acaba o ciclo eleitoral com a legitimidade reforçada pelo povo americano, e adquire margem de manobra para implementar as reformas prometidas. E, talvez mais importante, valida o que fez no primeiro mandato, como a reforma da saúde, que agora será implementada a partir do próximo ano. Veremos se neste mandato irá conseguir trabalhar com os republicanos, que saem desta eleição muito enfraquecidos, apesar de manterem a maioria confortável na Câmara dos Representantes. 


publicado por Nuno Gouveia, às 03:00link do post | comentar | ver comentários (7)

Penso que se não fosse pelo que se passou nas eleições presidenciais de 2000, as televisões já teriam atribuido a vitória a Barack Obama. Com as vitórias no Nevada, Pensilvânia, New Hampshire, Wisconsin, Michigan e previsivelmente Iowa, Romney teria que vencer todos os restantes swing-states. Uma improbabilidade. Agora falta saber a margem da vitória nacional de Obama, até porque não acredito que Romney possa vencer no voto nacional. 


publicado por Nuno Gouveia, às 02:26link do post | comentar | ver comentários (14)

A Pensilvânia já foi "atribuída" a Barack Obama. As exit polls indicam vantagem de Obama no Ohio, Wisconsin e Minnesota (curiosamente, este mais próximo do que estado de Paul Ryan). Na Florida, Virginia e Carolina do Norte, Romney está ainda longe de assegurar a vitória. A tendência é clara. Se Obama vencer num destes três estados, tem a vitória assegurada. Se perder, basta-lhe vencer no Ohio, Wisconsin, Minnesota e Nevada, como é esperado. 

 

PS: O Wisconsin acabou de ser atríbuido a Obama. O "caminho" de Romney está cada vez mais díficil. 


publicado por Alexandre Burmester, às 02:11link do post | comentar | ver comentários (1)

Ligeiríssima vantagem e empate a 50%/50%.


publicado por Nuno Gouveia, às 02:08link do post | comentar

Como prevísivel, o Partido Republicano vai manter o controlo da Câmara dos Representantes. John Boehner continuará a ser o Speaker. Poder legislativo continuará dividido pelos dois partidos. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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