31
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:05link do post | comentar | ver comentários (9)

 

 

 

 

Tinha dito que faria esta previsão, e há que ser rápido, pois pretendo antecipar-me ao Larry Sabato, já que não quero ser acusado de plágio!;-)

 

Pois bem: prevejo um empate no novo Senado, o que dará ao Vice-Presidente um voto de qualidade.

 

Assim sendo, prevejo que os republicanos, que actualmente detêm 47 lugares, conquistem lugares no Nebraska, Montana, North Dakota, Virgínia e Wisconsin. Isto levá-los-ia a um total de 52 lugares, mas em contrapartida prevejo que Scott Brown seja derrotado no Massachusetts, além da perda para um independente do lugar vagado no Maine.

 

Pode haver variações, como o curioso caso do Missouri, onde Todd Akin, depois da sua famosa "gaffe", e talvez ajudado pelos excelentes números de Mitt Romney no estado, tem vindo a aproximar-se da Senadora Claire McCaskill. Mas acho que McCaskill se aguentará e mantenho a previsão de empate.

 

Quanto à Câmara dos Representantes, ninguém prevê outra coisa que não seja uma vitória republicana. Actualmente a maioria republicana na segunda câmara é de 50 lugares (241/191) - há alguns lugares vagos, o total de membros é de 435 - , pelo que a questão será apenas qual será essa maioria depois das eleições. Não creio que haja alteração de vulto e calculo que os republicanos fiquem com entre 236 e 240 lugares, e os democratas com entre 195 e 199.

 

 

Nota: o independente que será provavelmente eleito pelo Maine, Angus King, deverá alinhar com o grupo democrático no Senado.


publicado por José Gomes André, às 15:16link do post | comentar | ver comentários (3)

Desde há alguns dias, e até às eleições, a SIC Notícias tem apresentado um "Especial Eleições EUA", em jeito de diário, com comentários, sondagens e análise do estado da corrida. Sempre à uma da manhã, em emissões de 15 minutos. Esta noite vou ter o prazer de estar no programa, a convite de Martim Cabral.


publicado por Nuno Gouveia, às 14:53link do post | comentar | ver comentários (1)

“I will come on ‘Morning Joe,’ and I will shave off my mustache of 40 years if we lose any of those three states”


David Axelrod, conselheiro de Barack Obama, a referindo-se à Pensilvânia, Michigan e Minnesota no Morning Joe


publicado por Nuno Gouveia, às 14:14link do post | comentar

A credibilidade das empresas de sondagens também vai a votos no dia 6 de Novembro. Várias dúvidas têm sido suscitadas por diversos analistas, principalmente republicanos, mas também independentes, como Mark Halperin ainda hoje o fez no Twitter. O comentador da Time questionou porque razão tantas sondagens continuam a dar vantagem a Obama, quando Romney surge sistematicamente à frente entre os independentes, mas também porque razão têm colocado tantos democratas nas amostras. Exemplo flagrante: na última sondagem da Quinnipiac na Florida, Obama aparece com um ponto de vantagem, mas esta tem +7 Dems em relação a Reps (em 2008 foi +3) e Romney está a ganhar nos independentes por 5%, enquanto em 2008 Obama venceu neste segmento do eleitorado por 7 pontos. No final, Obama derrotou John McCain na Florida por 2 pontos percentuais. Este tipo de resultados tem sido usual em diversas empresas de sondagens, principalmente ao nível estadual, o que indica que preveem que um nível de participação superior do eleitorado democrata em relação a 2008, em muitos casos inferior de republicanos, e que a viragem que Romney conseguiu no eleitorado independente (na Florida, segundo esta sondagem, é uma recuperação de 12 pontos) não será suficiente para derrotar Obama. Algo não bate certo neste tipo de sondagens: ou estão mesmo a dar colocar demasiados eleitores democratas ou as preferências dos eleitores independentes não podem estar correctas. Alguns democratas têm dito que muitos republicanos dizem-se independentes quando na verdade não o são, mas confirmar-se esta acepção significaria que haveria um histórico baixo nível de participação entre os eleitores independentes. Por outro lado, nos últimos ciclos eleitorais, os independentes decidiram a nome do vencedor. Excepção? 2004, quando John Kerry venceu George W. Bush por dois pontos. 

 

Questões para verificar após as eleições: a vantagem da participação eleitoral dos democratas em relação aos republicanos aumentou em relação a 2008? Confirma-se que Mitt Romney irá vencer no eleitorado independente, em alguns estados por margens superior a 10%? Quem foram as empresas de sondagens que mais acertaram? Por exemplo, a Rasmussen no Ohio, que prevê mais ou menos a mesma participação de Reps e Dems, e a Quinnipiac, que prevê uma vantagem de +8 dos Dems (em 2008 foi +7). E em relação às sondagens nacionais; quem acertou? A Gallup e a Rasmussen, que tem dado vantagens consideráveis a Mitt Romney, as sondagens que têm dado empate técnico, como a Pew, Politico ou NPR, ou as quem tem colocado Obama sistematicamente à frente, como a da Investor Business Daily?

  

Estas eleições não se esgotam no dia 6 de Novembro. Além da muito previsível confusão pós votação, com contagens e recontagens ou até a divisão entre voto popular e colégio eleitoral, teremos também que analisar quais foram as empresas mais competentes.

 


publicado por Nuno Gouveia, às 09:59link do post | comentar

Combate Hangout gravado ontem com o Carlos Castro, com moderação de Filipe Caetano.


30
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:36link do post | comentar | ver comentários (7)

Foto de Minneapolis

 

Romney e os seus aliados estão a fazer novos investimentos publicitários em estados que têm votado fielmente democrata nas últimas décadas. Nem falo do Wisconsin, porque depois da escolha de Paul Ryan, tem sido consistentemente considerado um swing-state. Nos últimos dias compraram espaços publicitários no Michigan, estado natal de Romney, na Pensilvânia (só Karl Rove depositou aqui dois milhões de dólares) e no Minnesota, um estado que deu a última vitória presidencial a um republicano em 1972, a Richard Nixon. Há duas interpretações e ambas parecem-me válidas. Romney considera que não tem seguro um caminho para a vitória, e procura desesperadamente alcançar uma vitória surpresa num destes estados, o que lhe poderia garantir a eleição. Por outro lado, e a exemplo do que sucedeu em 2008 quando Obama nos últimos dias despejou milhões de dólares no Indiana e Missouri, acabando por vencer no Indiana, algo que não sucedia com um democrata deste 1964, Romney tenta apanhar Obama desprevenido, pois tem aparecido nestes estados abaixo dos 50% nas sondagens. A equipa de Obama vai acenando para o primeiro cenário, mas ao mesmo tempo vai investindo milhões de dólares em anúncios nestes estados como reposta, e ainda hoje enviou Bill Clinton para Minneapolis (Minnesota) fazer campanha. Diria que os "verdadeiros" swing-states destas eleições permanecem os mesmos: Wisconsin, Ohio, Florida, Iowa, Colorado, New Hampshire, Nevada, Carolina do Norte, Virgínia e Florida. Mas no dia 6 de Novembro estarei também atento a estes três. 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:07link do post | comentar

 

Após o desastre do Katrina, os media americanos entram em estado de choque mal se aproxima um furacão. Desta vez não foi excepção, e o furacão Sandy ocupou o espaço mediático nos últimos dias. Barack Obama abandonou por momentos a sua participação na campanha eleitoral e Mitt Romney cancelou diversos eventos. Na Costa Leste, particularmente na Vírginia e Pensilvânia, as acções de campanha estão suspensas, e várias empresas de sondagens, incluindo a Gallup, suspenderam também a publicação de resultados. Que impacto isto terá na eleição da próxima semana? Honestamente duvido que isto venha a ter grande impacto. A corrida segue dentro de momentos. 


28
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:01link do post | comentar | ver comentários (1)

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publicado por Nuno Gouveia, às 22:42link do post | comentar | ver comentários (3)

O Ohio, estado onde tudo se pode decidir, permanece uma grande incógnita. Hoje o Cincinnati Enquirer, um dos maiores jornais do estado, publicou uma sondagem com um empate a 49%.  Quer isto dizer que a corrida está empatada? Penso que Obama continua com vantagem, pois a última vez que foi publicada uma sondagem com Romney à frente foi no dia 12 de Outubro. Segundo o Real Clear Politics, ainda surge com uma média superior de 1,9% e este número tem sido relativamente estável nos últimos dias. O governador republicano do Ohio, John Kasich disse hoje que as sondagens internas têm colocado Romney à frente, mas sabemos que isso pode não ser verdade. Para Romney vencer terá começar a apresentar melhores números. 


Os endorsements dos jornais normalmente têm pouca relevância. Mas há alguns mais importantes do que outros. O Des Moines Register, o maior jornal do Iowa e normalmente conotado com os democratas, declarou hoje o seu endorsement a Mitt Romney, um movimento que terá surpreendido até os próprios republicanos. Desde 1972, quando apoiaram Richard Nixon, que o jornal de Des Moines declarava o apoio a candidatos democratas? Terá grande influência no estado? Duvido, mas numa corrida renhida, mal não fará a Romney. 

 

Barack Obama teve ontem a oportunidade de fazer algo em campanha que o seu adversário não pode: beber uma cerveja com apoiantes. Num bar no New Hampshire, Obama foi desafiado a brincar com apoiantes, algo que não negou. Tentativa de captar o "beer vote", um segmento do eleitorado enorme nos Estados Unidos? 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:56link do post | comentar | ver comentários (3)

Num post anterior comentei aqui que a Europa estaria numa fase de declínio, partindo da sua total ausência no debate de política externa entre Obama e Romney, e por arrasto, nesta campanha presidencial. O Bernardo argumentou que não será bem assim. O meu post era sobre a perda da centralidade da Europa na política externa americana, que vigorou nas últimas décadas e agora parece já não ser assim. Mesmo não sendo especialista nesta matéria, este debate intelectual suscita-me interesse, e apesar de confessar que tenho mais "simpatia" por um dos lados, também digo que tenho mais questões do que certezas.

 

O fim da União Soviética foi um factor preponderante, certo. A emergência de novas potências extra-atlântico também o será. As trocas comerciais entre a Europa e os Estados Unidos estagnaram nos últimos anos e os americanos têm aumentado trocas comerciais com outros mercados, como o México e Canadá, mas também com outras regiões do mundo como a Ásia. Nas instâncias internacionais a tendência é para os europeus perderem poder, enquanto os Estados Unidos vão aguentando a sua preponderância, ainda como potência dominante. O que a Europa representou para os Estados Unidos agora está dividido por outras regiões do globo. Era inevitável esta perda de influência? Talvez sim. Dava jeito à Europa arranjar uma voz que fosse respeitada em Washington, e não um Van Rompuy qualquer? Sem dúvida. David Cameron é considerado um anão político na Casa Branca? Provavelmente o líder britânico mais despeitado nas últimas décadas em Washington. Não temos hoje parcerias do estilo Reagn/Tatcher ou Clinton/Blair ou Bush/Blair? Penso que sim. A verdade é que nenhum líder europeu hoje tem grande influência no que os americanos dizem ou fazem. O inverso, se calhar, também será verdade. Ora, talvez a perda de influência seja de parte a parte. 

 

Outro ponto diferente, e aqui concordo com os argumentos do Bernardo, são as verdadeiras razões para a ausência da Europa na campanha presidencial. As preocupações dos americanos nos swing-states estão bem distantes da Europa. A China, devido ao comércio e crescente influência mundial, o Médio Oriente e o Norte de África, por questões de Segurança Nacional, e Israel, o velho aliado na região e pelo grande apoio que tem entre os americanos, são temas bem mais interessantes para Obama e Romney abordarem. Também concordo que a possibilidade de colapso da zona euro deveria preocupar mais os americanos. Mas a sensibilidade comum nos Estados Unidos é que esse um problema nosso e uma previsível derrocada não os afectará em grande medida. Nada mais errado, é certo, mas as campanhas movem-se pelos preocupações do eleitorado e nem sempre pelas razões correctas. Até penso que em termos puramente eleitorais, Romney teria algo a ganhar com a utilização da Europa como "exemplo a não seguir". Presumo que não o tenha feito muito veemente porque os seus conselheiros lhe disseram: "esqueça a Europa, aqui ninguém quer saber disso". Para o bem ou para o mal, ninguém está interessado em discutir a crise europeia e as suas consequências. Por fim, é lastimável é ir aos sites dos dois candidatos e não encontrar nada sobre a Europa. Romney fala sobre Israel, AF-PAQ, Médio Oriente, África, América Latina, Irão, Rússia e China, mas nada sobre a Europa. Obama é ainda mais vago. Foi assim no passado? Penso que não. 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:13link do post | comentar | ver comentários (1)

Até às eleições de 6 de Novembro, o Diário de Notícias vai publicar uma coluna diária do Bernardo Pires de Lima, que está a passar uma temporada em Washington. Aqui está um bom inicio desse trabalho diário, e que resume a essência da "corrida" neste momento:

 

Romney não é McCain: não se ficou pelo financiamento público, surpreendeu nos debates e tem narrativa económica. E Obama não é Obama: foi-se a surpresa, é "normal" em debate e fugiu-lhe o álibi Bush. É este duelo que está na arena nestes dez dias finais de campanha: um pragmático conservador contra um progressista pragmático. O que pode, então, fazer a diferença? Para Obama, a mobilização do voto antecipado e uma corrida súbita às urnas da sua palete de cores preferida: jovens, mulheres, latinos e afro-americanos. O voto antecipado não tem corrido mal, sobretudo no decisivo Ohio, mas a mobilização é uma incógnita. Mil milhões de dólares angariados podem dar o toque de caixa, mas esbarram num número igualmente astronómico e pornográfico: outros mil milhões no bolso de Romney. Aqui, o voto do americano branco e das classes trabalhadoras vai definir a aproximação ou, até, a vitória. Há quatro anos, dinheiro em falta foi voto fora da caixa. Mas Romney não é McCain e Obama já não é Obama.


27
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:31link do post | comentar

Temos todos andado entretidos com sondagens nacionais, sondagens estaduais, sondagens acerca dos debates, etc., etc., mas há um número importante de que pouco se tem falado recentemente, que é o da aprovação do desempenho presidencial.

 

Pois bem, os mais recentes números - da Gallup e da Rasmussen - dão, respectivamente, uma margem negativa de 46%/49% e 47%/52% ao Presidente Obama.

 

Qual o significado disto? Bem, a frieza dos números diz-nos que um presidente, em princípio,  não consegue ser reeleito se não tiver pelo menos uma aprovação de 49%.

 

Estes números andam, aliás, próximos dos valores que Obama obtém nas intenções de voto nas sondagens nacionais de ambas as empresas, e não podem deixar de ser considerados sintomáticos. 

 


26
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:49link do post | comentar | ver comentários (16)

Ora bem, não custa nada fazer uma previsão, até porque, para além dos expectáveis comentários mais ou menos trocistas de alguns dos nossos estimados e pacientes leitores, nada de grave se perfila no horizonte em caso de erro na previsão:

 

Faltam 10 dias para as eleições, e pondo de lado qualquer imponderável do género "October Surprise", eu atrevo-me a prever uma vitória de Mitt Romney com entre 50,5% e 52% do voto popular. Se isso se traduzir numa vantagem superior a 1% da votação popular (não esqueçamos que há vários outros candidatos, nomeadamente o libertário Gary Johnson) tenho poucas dúvidas de que também no Colégio Eleitoral Romney prevalecerá.

 

Em que me baseio? Pois bem, as principais sondagens têm nos últimos dias vindo a dar a Romney uma vantagem de 3%/4%, e em nenhuma delas o Presidente Obama consegue atingir os 50%, um número fulcral para um "incumbente", já que, maioritariamente, os indecisos tendem a decidir-se a favor do "challenger".

 

Já sei que choverão os argumentos de que, supostamente, Obama estará à frente no Colégio Eleitoral, mas esse argumento cai pela base se, como atrás disse, Romney vencer por mais de 1%. As sondagens a nível estadual são sempre menos fiáveis, e a ponderação de afluência partidária que a maioria delas tem vindo a utilizar parece-me demasiado cautelosa. Ninguém, no seu perfeito juízo, achará que Obama consiga as afluências de jovens, negros e hispânicos - ou de democratas pura e simplesmente - que obteve em 2008.

 

Finalmente, mais uma previsão: em 2012 o Wisconsin provavelmente substituirá o Ohio como estado decisivo.

 

 

PS Brevemente farei aqui previsões para o Senado e para a Câmara de Representantes. 

 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar | ver comentários (16)

Esta pergunta tem duas respostas e o conteúdo dependerá sobretudo de quem a responde e quais as suas preferências. E o pior é que não consigo ter argumentos suficiente válidos para desqualificar qualquer das respostas, pois ambos os lados têm boas razões para a sustentar. Eu, como não tenho dotes visionários, diria que ambos estão certos, portanto neste momento estamos num puro empate técnico. 

 

Do lado republicano, há bons argumentos, quase todos eles baseados nas sondagens nacionais. Ontem nas tracking polls da Gallup, Rasmussen e ABC News/Washington Post Romney aparecia com 50%, sinal claro da sua vantagem nacional. E com essa dinâmica, se as eleições fossem hoje, o mais certo seria uma vitória de Romney por 53%-47%, naquilo que Newt Gingrich ontem chamou da "Carville Rule": o incumbente normalmente não tem mais do que as últimas sondagens lhe atribuem, indo um pouco ao encontro do que Dick Morris tem vindo a dizer, que os indecisos nos últimos dias da campanha tendem a cair para o lado do challenger. Se as sondagens nacionais estão correctas, e a vantagem de Romney é esta que estas tracking polls indicam, então é provável que Romney esteja à frente. É que ninguém acredita que se Romney vencer por mais de 1% no voto popular não tenha a maioria no colégio eleitoral. 

 

Mas os democratas que têm vindo a dizer que Obama está à frente também têm bons argumentos para o afirmar. Nos swing-states, Obama tem mantido uma importante vantagem nos decisivos estados do Ohio, Nevada, Iowa e Wisconsin. Assumindo até que a Virginia, a Florida, o Colorado e até o New Hampshire tombam para o lado de Romney, este precisará sempre de vencer o Ohio ou o Wisconsin ou o Nevada e o Iowa juntos. E nestes quatro estados, nos últimos dias nenhuma sondagem colocou Obama atrás do republicano, o máximo que tivemos foram empates, ao contrário dos outros swing-states que referi. Estes parecem-me ser argumentos convincentes para afirmar a vantagem de Obama actualmente, que mesmo assim ainda compete nos restantes estados com Romney. 

 

Diria que se matemática das sondagens nacionais favorece Romney, nos swing-states o favoritismo é de Obama. São estes que irão decidir o vencedor, ao mesmo tempo que se Romney vencer por mais de 51%, será quase certo que irá ser eleito. Recordo que em 2000, quando George W. Bush venceu Al Gore com menos votos, o resultado foi 47,9-48,4. Nesse ano houve o factor Ralph Nader, com 2,74%. Será Gary Johnson o candidato que pode retirar a vitória a Romney? Será que as sondagens nacionais destas empresas estão erradas? Será que nos swing-states Obama não tem assim tanta vantagem como parece? Tudo questões de difícil resposta neste momento. 


25
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar | ver comentários (6)

Segundo uma sondagem da Gallup, 46% dos americanos considera que Mitt Romney venceu os debates, enquanto 44% atribui a vitória a Barack Obama. Para a Rasmussen, Romney, com 49% saiu vencedor, contra 41% de Obama. A diferença está na amostra: enquanto a Gallup sondou todos os americanos, a Rasmussen apenas questionou os prováveis eleitores, um número mais friendly para Romney. Os estudos de opinião nacionais continuam a dar vantagem para Romney: Gallup +3, Rasmussen +3,  ABC/ Washington Post +3 e Associated Press +2 - enquanto Obama lidera na IBD/TIPP +2. Nos swing-states, Obama mantem-se ligeiramente à frente. 

 

Colin Powel, antigo Secretário de Estado de George W. Bush, repetiu hoje o apoio que dera a Barack Obama em 2008. Por outro lado, no campo dos endorsements dos jornais, uma velha tradicão da imprensa americana, o Washinton Post repetiu o apoio dado a Obama em 2008, enquanto o influente Detroit News do Michigan apoiou Mitt Romney. Também este não é surpresa, pois já em 2008 tinha apoiado John McCain. O mesmo aconteceu com o New York Post, que se manteve na coluna republicana. De notar que até ao momento não houve grandes alterações em relação a 2008. Entre os grandes jornais que já declararam o seu endorsement, apenas destaque da passagem do Houston Cronicle e do Orlando Sentinel do campo de Obama para Mitt Romney. 

 

A equipa de Mitt Romney anunciou hoje que angariou na primeira metade do mês de Outubro 111 milhões de dólares e lançou um apelo aos seus apoiantes para contribuírem com mais dinheiro. Será que vão expandir o investimento publicitário a outros estados, como defendeu Karl Rove na semana passada? 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:16link do post | comentar | ver comentários (8)

 

O último debate sobre política externa demonstrou o papel quase liliputiano que a Europa representa hoje para os Estados Unidos. Sim, a Europa continua a ser um parceiro comercial e um aliado, mas nunca como nesta campanha os assuntos europeus estiveram tão ausentes. Outrora considerada a região do globo prioritária para os interesses americanos, neste debate nem uma discussão sobre o velho continente, onde até está o seu grande parceiro e aliado no Afeganistão, a Inglaterra. Apesar da crise que afecta grande parte dos países da União Europeia, a única referência veio de Mitt Romney, utilizando a Grécia como um exemplo a não seguir. Isto seria impensável ainda há poucos anos atrás, pois o reforço dos laços com a Europa sempre esteve entre as prioridades americanas. Mas o mundo mudou, e com isso, a Europa perdeu.

 

Não sou especialista em relações internacionais, mas parece-me que a total sua ausência nesta campanha é preocupante. Vários investigadores europeus, incluindo o Henrique Raposo que explicou muito bem o fenómeno no seu livro “Um mundo sem europeus”, têm vindo a destacar o continuado declínio do poder europeu, em contraste com a ascensão da Ásia e de outras potências emergentes. O actual caos que se vive em alguns países do sul, acrescido da falta de liderança nas instituições europeias, tem vindo a acelerar rapidamente este declínio, que nos coloca à margem dos grandes palcos internacionais. Seria bom que a discussão sobre o enfraquecimento europeu começasse a sair da academia e do mundo dos jornais, e entrasse dentro dos gabinetes dos políticos. Para o melhor ou pior, Tony Blair foi o último dirigente europeu que teve verdadeira influência em Washington. De resto, todos os outros são ou foram totalmente irrelevantes para quem está na Casa Branca. E isto passou-se com Obama, mas não tenhamos dúvidas que acontecerá o mesmo com outro qualquer ocupante da Casa Branca, seja ele republicano ou democrata. Estaremos, nós Europa, condenados à insignificância?


publicado por Nuno Gouveia, às 01:52link do post | comentar

Anúncio da American Crossroads de Karl Rove que está a ser emitido em sete swig-states: Colorado, Florida, Iowa, Nevada, New Hampshire, Ohio e Virginia. 


24
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:36link do post | comentar

Mitt Romney e Paul Ryan no Colorado

 

Obama no Iowa

 


publicado por Nuno Gouveia, às 14:34link do post | comentar | ver comentários (15)

No editorial do Público de hoje escreve-se sobre a surpresa Mitt Romney e o facto deste ter uma real possibilidade de vencer as eleições de 6 de Novembro. Tenho lido bastante deste tipo de argumentário nos últimos tempos, especialmente no nosso país. Esta é uma manifesta declaração de falta de conhecimento da parte de quem o afirma. Bastaria ter estado atento à imprensa americana e aos pormenores desta campanha para ter verificado que esta eleição sempre foi bastante competitiva, aliás, como sempre o dissemos por aqui. O ligeiro favoritismo que Obama sempre teve nunca foi mais do que isso. Dizer agora, a duas semanas das eleições, o que sempre foi dito por analistas imparciais americanos, como se isso fosse uma grande surpresa, é simplesmente assumir que andaram distraídos.  As sondagens neste momento apontam para números contraditórios. Nos estudos nacionais, Romney lidera por 0,9% na média do Real Clear Politics. No Ohio, o estado mais decisivo, Obama está na frente com uma vantagem de 1,7%. Mais do que nunca, está tudo em aberto. 


23
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:42link do post | comentar | ver comentários (16)

Nos últimos dias as sondagens da Gallup têm surpreendido muita gente, por darem a Mitt Romney vantagens nacionais de 5 a 7 pontos, até pelo facto, nada despiciendo, de mais nenhuma empresa de sondagens apresentar números tão desiquilibrados.

 

Pois bem, hoje a Rasmussen - que tal como a Gallup organiza uma "tracking poll" - dá a Romney uma vantagem nacional de 50%/46%, e uma vantagem de 50%/45% nos "swing states".

 

Será que os números das duas empresas estão a convergir, e a corrida a tornar-se mais clara e menos indecisa? Aguardemos a evolução nos próximos dias e, já agora, os números de outras "tracking polls", como a TIPP. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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