31
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 15:45 | comentar | ver comentários (7)

 

O anúncio de Mitt Romney vai ser feito em exclusivo numa nova aplicação que a campanha lançou hoje para Android e iPhone. Seria de esperar que o anúncio fosse efectuado via sms, como Barack Obama fez em 2008, ou através de um email, mas Romney decidiu inovar e aproveitou o lançamento da sua nova aplicação para redes móveis para publicitar este feito. 

 

Quem também lançou nova aplicação foi Barack Obama, que mantém a aposta nestas plataformas. 


29
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 19:03 | comentar | ver comentários (11)

Confesso que ficaria surpreendido se o escolhido de Mitt Romney para Vice Presidente não fosse Rob Portman, Tim Pawlenty ou Bobby Jindal. O Alexandre Burmester já fez a sua aposta no antigo governador do Minnesota. Mas nos últimos ciclos eleitorais, a maioria das escolhas têm sido verdadeiras surpresas, principalmente do lado republicano. Foi assim com Palin em 2008, Cheney em 2000 e Dan Quayle em 1988. A única escolha convencional terá sido de Jack Kemp em 1996 por Bob Dole. Beth Myers, a assessora de Mitt Romney responsável pela equipa de selecção do Vice Presidente, tweetou na sexta-feira passada um Follow Friday (uma espécie de recomendação no Twitter) a uma série de nomes que têm sido associados ao cargo. Tendo sido esta apenas a segunda vez que Myers utilizou esta rede social, esta lista contém os nomes que eles querem que a imprensa pense que foram "considerados": Kelly Ayotte, Tim Pawlenty, Chris Christie, Bobby Jindal, Marco Rubio, Paul Ryan, Newt Gingrich, Rob Portman, Bob McDonnell, Condoleezza Rice, John Thune, Susana Martinez e Rick Santorum. Foi uma forma de lançar mais confusão para os jornais, pois esta lista contém alguns nomes que nunca seriam opção de Romney, a começar por Rick Santorum e Newt Gingrich. Mas que não haja dúvida. Com ou sem surpresas, o nome será um destes treze. 

 

A escolha deverá ser anunciada depois dos Jogos Olímpicos, entre 12 e 24 de Agosto, antes da Convenção Republicana de Tampa Bay. Se me pedissem opinião, anunciaria logo após os Olímpicos terminarem, a 13 ou 14 de Agosto. Desta forma, teria uma semana de espaço mediático, e utilizaria o restante tempo até Tampa para fazer (muitos) eventos públicos e angariar dinheiro com o candidato. Penso que não ganham nada em esperar mais tempo. 


28
Jul 12
Por Alexandre Burmester, às 16:17 | comentar | ver comentários (8)

 

 

 

 

Mitt Romney encetou um périplo internacional que o levará à Grã-Bretanha, Polónia e Israel. Este é o tipo de digressão que os candidatos presidenciais com menores credenciais em política externa vêm sentindo necessidade de efectuar. Já em 2008 Barack Obama fez o mesmo, visitando a inevitável Grã-Bretanha e efectuando até uma espécie de comício em Berlim, perante uma adoradora multidão. Alguns - uns com admiração, outros com cinismo - disseram estar-se perante "o candidato europeu" às eleições presidenciais americanas.

 

Mas além de procurar ganhar credenciais em política externa, Romney procurará decerto nesta digressão estabelecer um contraste com a política externa de Obama. Esta última, mercê essencialmente da retirada americana do Iraque (aliás já programada por George W. Bush, e porventura apenas possível devido ao famoso "surge" militar americano naquele país no tempo dele) e ao audacioso e bem sucedido ataque à residência de Osama bin Laden, e consequente morte do líder da Al Qaeda, tem até sido considerada, ao contrário do que muitas vezes tem sucedido com presidentes democratas, uma das vertentes bem sucedidas do mandato de Obama.

 

Mas mesmo assim, há aspectos da política externa de Obama que têm sido alvo de crítica dos republicanos. Logo à partida, aquilo que eles consideram como negligência, e até indiferença, de Obama para com o mais tradicional aliado dos E.U.A., a Grã-Bretanha, cujas tropas, convém não esquecer, formam o segundo maior contingente no Afeganistão, tal como já o haviam feito no Iraque. De facto, a "Relação Especial" entre as duas potências anglo-saxónicas, que vem essencialmente do tempo da Segunda Guerra Mundial e da dupla Churchill-Roosevelt (na foto) já terá conhecido melhores dias, e, por exemplo, não caiu bem em certos meios britânicos, nem entre os republicanos, a decisão de Obama de devolver à Embaixada Britânica em Washington o busto de Churchill que esta emprestara no tempo de George W. Bush. Num gesto simbólico, Romney já anunciou que pedirá de novo emprestado o referido busto.

 

Apesar das suas efusões anglófilas, Romney não começou bem esta sua incursão na política externa e nas relações com o velho aliado, como o Nuno Gouveia já aqui  referiu. Mas tratar-se-á de pormenores pouco importantes, e o Reino Unido não seria atá o principal objectivo desta viagem - Romney, aliás, como CEO dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 em Salt Lake City, fora convidado a deslocar-se a Londres, a propósito da abertura da Olimpíada de 2012. A aliança anglo-americana é tão importante que nunca seria a devolução de um busto ou uns comentários infelizes acerca do grau de preparação dos britânicos para o arranque dos Jogos Olímpicos que a poriam em causa.

 

Os principais objectivos desta viagem de Romney serão então as outras duas etapas da mesma, Polónia e Israel. No caso polaco, ainda não cessaram as reverberações da decisão unilateral de Obama de cancelar a instalação do escudo anti-míssil previsto para território polaco, cujo principal objectivo era, aliás, o de defender o Ocidente de um Irão com possível capacidade nuclear e munido de mísseis inter-continentais. Dada a oposição russa à instalação desse escudo, Obama acabou por decidir pelo seu cancelamento, mas o facto de não ter consultado os aliados polacos antes de tomar tal decisão caiu mal em Varsóvia e entre os "falcões" da política externa americana. Na Polónia Romney, que decerto se absterá de criticar abertamente o presidente do seu país enquanto numa digressão pelo estrangeiro - estabelecendo novo contraste com Obama, que em 2008 foi acusado de não se ter coibido de criticar Bush na sua viagem pela Europa - tentará passar a mensagem de que os E.U.A., sob uma sua eventual administração, tratarão sempre bem os aliados, preferindo abraçá-los a eles que aos inimigos e rivais. Este é um tema antigo da política externa republicana, e só mesmo um homem com as credenciais anti-comunistas e de política externa de Richard Nixon  podia dar-se ao luxo de abraçar inimigos e rivais, como nas suas famosas viagens a Pequim e Moscovo em 1972, e ao Cairo em 1974. Mas fazia-o a partir de uma posição de força.

 

A mais simbólica etapa do périplo de Romney será contudo, certamente, Israel. Tanto no estado judaico como em determinados círculos americanos existe a percepção - e a crítica - de que Obama é o presidente dos E.U.A. menos amistoso para com Israel desde a criação daquele país. Neste seu primeiro mandato não visitou o estado judaico, e ainda esta semana tivemos  o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, a recusar-se a responder a uma pergunta - algo provocatória, é certo - de uma jornalista sobre qual cidade a Administração Obama considerava ser a capital de Israel. Portanto, em Israel, Romney decerto fará juras de amor eterno para com a pátria dos judeus. Não será tanto entre a comunidade judaica americana - que tradicionalmente vota democrata numa média de 70% - que o candidato republicano almejará ganhar grandes simpatias com esta sua visita, mas convém não esquecer que o eleitorado americano em geral é significativamente pró-israelita.

 

Seja como for, a política externa não é o tema principal desta campanha. Mas é sempre conveniente e  de bom tom um candidato mostrar-se sintonizado com a arena internacional.

 

 


27
Jul 12
Por Alexandre Burmester, às 20:44 | comentar | ver comentários (1)

Como já aqui referi, as notícias mais recentes sobre a economia americana não têm sido muito animadoras.

 

E agora foram publicados os números relativos ao crescimento económico no 2º trimestre, os quais revelam uma queda dos 2% anualizados do 1º trimestre para uns meros 1,5%. Já um crescimento de 2% era inadequado para fazer baixar o desemprego, mas com 1,5% é de temer piores notícias nessa frente, quando os números de Julho forem publicados no início do próximo mês.

 

Se a economia já era o factor número um na campanha eleitoral deste ano, tudo indica que vai tornar-se ainda mais importante, ao contrário de, por exemplo, 2004, onde a Guerra do Iraque foi o principal tema da campanha.

 

E refiro-me a 2004 porque nesse ano, por esta altura, George W. Bush enfrentava sérias dificuldades em ser reeleito, comparáveis às de Barack Obama neste momento. Mas Bush conseguiu inverter a "narrativa" e as expectativas no que à Guerra do Iraque dizia respeito, a tempo de conseguir uma vitória tangencial. Será que Obama conseguirá fazer o mesmo em relação à economia?


Por Nuno Gouveia, às 10:24 | comentar | ver comentários (3)

 

A viagem de Mitt Romney ao estrangeiro não começou bem. Aliás, em termos mediáticos, tudo correu mal. Tudo por culpa do candidato republicano, que numa entrevista à NBC disse que tinha dúvidas se Londres estava preparada para receber os Jogos Olímpicos. Apesar destas dúvidas serem bastante corriqueiras no Reino Unido, onde tem existido várias críticas à organização dos Jogos, as reacções não se fizeram esperar. Os diversos encontros ao mais alto nível que teve na capital inglesa com David Cameron, Tony Blair e Ed Miliband foram abafados por esse declaração. Cameron disse que é mais fácil organizar uns Jogos Olímpicos no meio do nada (uma boca aos JO de Inverno em Salt Lake City em 2002, onde Romney foi o CEO) e Boris Johnson, Mayor de Londres, disse num evento perante 60 mil pessoas que, ao contrário do Romney disse, a cidade está mais do que preparada para receber os JO. Obviamente estes desenvolvimentos não terão impacto na corrida americana, apesar de terem tido amplo destaque mediático. Mas não deixam de ser um erro não forçado e escusado de Romney, que ensombrou o primeiro dia da sua visita. Hoje Romney estará na cerimónia de abertura dos JO, e partirá depois para a Polónia e Israel, o principal e mais importante destino desta viagem.


26
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 10:35 | comentar | ver comentários (1)

 

Foram ontem anunciadas as datas e locais dos debates presidenciais entre Mitt Romney e Barack Obama e o de Vice Presidentes. O formato é o normal, três debates entre os candidatos e um entre VPs, sendo que ainda não foram anunciados os moderadores. Este ano, os debates decorrem uma semana mais tarde do que em 2008, sendo que o último será 15 dias antes das eleições. Com uma eleição tão disputada como esta, serão momentos decisivos para o desfecho final e irão dominar as atenções do mês de Outubro.

 

Estes debates são organizados pela Commission on Presidential Debates, que inclui representantes de ambos os partidos. Para poderem participar nos debates, os candidatos deverão ter pelo menos 15% nas intenções de voto, a razão porque têm participado apenas os candidatos dos dois maiores partidos. A excepção foi em 1992, quando Ross Perot teve lugar na mesa.

 

3 de Outubro - Denver, Colorado

Debate entre Romney e Obama sobre política interna, com seis segmentos de 15 minutos para cada tema.

 

11 de Outubro - Danville, Kentucky

Debate entre Joe Biden e o candidato a Vice Presidente de Romney, com 10 segmentos de 10 minutos, abordando política interna e externa.

 

16 de Outubro - Hempstead, Nova Iorque
Debate entre Romney e Obama, num formato de Town Hall Meeting, com cidadãos a questionarem directamente os candidatos com perguntas sobre política interna e externa. Serão eleitores indecisos, seleccionados pela Gallup, que estarão presentes neste debate.

22 de Outubro - Boca Raton, Florida
Debate entre Romney e Obama sobre política externa.


25
Jul 12
Por Alexandre Burmester, às 16:45 | comentar | ver comentários (14)

 

 

Aquilo que parecia ser uma recuperação lenta mas segura da economia dos E.U.A. tem sofrido sérios revezes nos últimos meses. O desemprego parece ter "encalhado" acima dos 8% (e isto usando apenas medidas restritivas da sua medição) e a actividade económica parece estagnada, ou mesmo, segundo alguns, a caminho da recessão.

 

 Com efeito, os índices de produção industrial e serviços do Richmond Fed cairam a pique este mês. Brevemente teremos números acerca do PIB no segundo trimestre e do emprego no mês de Julho. Os segundos serão especialmente importantes.

 

Perante isto, é normal que a Campanha Obama tente reforçar os seus ataques ao seu opositor. Da questão Bain/Impostos passámos agora para a questão da inexperiência de Mitt Romney em matéria de política externa (o mesmo se poderia dizer do Obama de 2008, claro, e não se tem saído mal de todo).

 

Mas os constantes ataques de Obama a Romney têm tido um efeito negativo para o Presidente: se bem que o seu índice de "Job Approval"  há muito seja basicamente negativo, o seu índice de popularidade pessoal permanecia em franco terreno positivo. Mas este último número já apresenta valores negativos em algumas sondagens, o que poderá ser consequência precisamente da campanha negativa que o Presidente se vê obrigado a conduzir - uma fatalidade, dado o fraco desempenho da Economia e a impopularidade relativa do seu principal feito doméstico, a reforma da saúde. 

 

Isto dito, a verdade é que os números de Romney nas sondagens também não têm progredido. Colocado na defensiva com os ataques constantes do campo contrário, Romney não tem sido capaz de transmitir uma imagem positiva ao eleitorado. Para vencer em Novembro não bastará a Romney fiar-se na opinião negativa do eleitorado acerca do actual ocupante da Casa Branca. Também tem de dar-se a conhecer a esse eleitorado e transmitir uma imagem positiva e de optimismo - como Ronald Reagan em 1980 e Bill Clinton em 1992.


24
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 21:48 | comentar | ver comentários (14)

Os afro-americanos são, desde os tempos de Frank D. Roosevelt, um eleitorado fiel do Partido Democrata, sendo que Barack Obama teve mesmo 95% dos votos desta comunidade. Além disso, quando os afro-americanos representavam em 2008 10% do eleitorado, o nível de entusiasmo fez com que a sua percentagem no número de votantes fosse de 13%. Estes dados foram decisivos para as vitórias de Obama em alguns swing-states, particularmente na Flórida, Virgínia e sobretudo na Carolina do Norte. O voto esmagador dos afro-americanos no Partido Democrata para as próximas décadas está garantido. 

 

Não sei se algo vai mudar, mas hoje estava a consultar uma sondagem publicada hoje pelo Daily Kos/PPP, que dá empate a 46% entre Barack Obama e Mitt Romney e encontrei um dado interessante: entre os afro-americanos, Romney está com 17% das intenções de voto. Nesta da McClatchy Marist, as indicações são semelhantes e encontrei ainda esta sondagem da Carolina do Norte que dá 20% a Romney. Um dado novo que pode baralhar as contas desta eleição, se confirmar-se a 6 de Novembro. Se Romney conseguir alcançar 15% deste eleitorado, sendo de esperar que a afluência às urnas seja menor por parte dos afro-americanos, pode ser significativo, especialmente nos swing-states que referi. 

 

O que pode explicar esta diferença em relação a 2008? Em primeiro lugar, o desemprego é mais elevado entre os afro-americanos do que em qualquer outra comunidade e os índices de pobreza aumentaram bastante. Quando Obama mudou de opinião em relação ao casamento gay, pensei que isso não ia reflectir-se no seu sentido de voto, pois os afro-americanos são, maioritariamente, contra. Mas essa pode também ser uma razão. Por outro lado, nestes últimos anos surgiram alguns negros a darem a cara pelo Partido Republicano em lugares de destaque, como o congressista da Florida Allen West, o candidato presidencial Herman Cain ou o antigo chairman do RCN, Michael Steele. Talvez seja um misto destas razões todas, mas, a acreditar nas sondagens, Obama estará a perder algum fulgor entre a sua camada de apoiantes mais fervorosos. 


Por Nuno Gouveia, às 21:08 | comentar | ver comentários (1)

A Google publicou hoje um post muito interessante sobre o investimento no digital, que inclui este gráfico revelador. De facto, com a migração crescente dos leitores e espectadores dos meios de comunicação tradicionais, não há como fugir dos meios digitais. O facto de 25% da totalidade do investimento publicitário de Barack Obama e Mitt Romney ser dirigido para os meios digitais é revelador da sua importância. E este número não vai parar de crescer nas próximas campanhas eleitorais. 


22
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 23:02 | comentar | ver comentários (21)

 

Com o trágico massacre de Aurora, no Colorado, a campanha presidencial teve uma pausa neste fim de semana. Infelizmente, a barbárie voltou a atacar em solo americano. Nas próximas semanas a tendência será para desacelerar, entrando num período mais morno nesta campanha. Ambos os lados tinham "momentum" do seu lado: Obama vinha a aumentar a pressão sobre Romney devido ao seu passado na Bain Capital e devido às suas declarações de impostos, enquanto Romney estava a pressionar o Presidente por uma gaffe embaraçosa sobre o sucesso dos empresários. Estes temas voltarão certamente à campanha, mas veremos quem saiu a perder com esta interrupção. 

 

Já durante esta semana, Mitt Romney irá fazer uma viagem ao estrangeiro, onde estará no Reino Unido, Polónia e Israel. É de prever que a campanha irá centrar as atenções na política externa, uma área que não deverá ter este ano o impacto de outras corridas presidenciais. Na verdade, e se deixarmos a retórica de parte, não há neste momento grandes diferenças entre os candidatos. Já no final desta semana irão começar os Jogos Olímpicos, que deverão recolher grande parte da atenção mediática até 12 de Agosto. Nestas duas semanas, não haverá grandes movimentações dos candidatos, sendo de esperar um período mais morno. Mas a partir daí, a campanha irá decorrer a um ritmo frenético até 6 de Novembro. Até ao inicio da Convenção Republicana, que irá realizar-se entre 27 e 30 de Agosto em Tampa, Mitt Romney deverá anunciar o seu candidato a Vice Presidente, tendo aqui uma boa oportunidade para dominar as televisões. Na semana seguinte será a vez de Barack Obama ter toda a atenção, com a realização da Convenção Democrata em Charlotte, entre os dias 3 e 6 de Setembro. Os três debates entre Obama e Romney ainda não estão agendados, mas deverão realizar-se nas últimas semanas de Setembro e inicio de Outubro. Estes últimos dois meses, a acreditar no ritmo das sondagens, serão decisivos


19
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 22:51 | comentar

Desde que Mitt Romney garantiu a nomeação que as sondagens não têm tido grandes oscilações. Hoje foram publicadas cinco sondagens nacionais, onde Mitt Romney lidera em duas por 1%, Barack Obama está à frente em duas por 2 e 4%, enquanto numa estão empatados. Sem nunca perder a liderança da média do Real Clear Politics, a vantagem de Obama tem oscilado entre 3 pontos e 0,2. Estes números indicam que, apesar dos ataques, das gaffes ou dos períodos menos bons dos candidatos, as intenções de voto têm-se mantido relativamente estáveis. Significativo é também o número de incecisos, que andará à volta dos 10% e que não têm sofrido grandes modificações. O que signfica isto?

 

Como temos dito aqui,  e a menos que suceda algo de extraordinário até Outubro, esta eleição será itensamente disputada. Barack Obama tem a vantagem de ser o Presidente em exercício, e de, apesar das suas políticas serem impopulares, a sua personalidade continuar a grangear simpatia no eleitorado. Romney, pelo contrário, tem baixos indices de popularidade, mas tem apresentado vantagem na economia aos olhos dos eleitores. Em relação à rumo da campanha, há duas perspectivas antagónicas. Obama tentará transformar esta campanha num referendo ao passado de Mitt Romney, tentando caracterizá-lo como inelegível. Os recentes ataques à Bain Capital e à riqueza de Mitt Romney inserem-se nessa estratégia, sendo uma cópia, com as devidas diferenças, do que George W. Bush e os seus aliados fizeram a John Kerry em 2004. Pelo seu lado, o candidato republicano tentará que este seja um referendo às impopulares políticas do Presidente. Neste aspecto os indicadores económicos parecem favorecer Romney, pois as previsões apontam para que a situação económica se continue a degradar até Novembro. O facto desta ofensiva mediática contra Romney não estar a resultar, pelo menos segundo as sondagens, são sinais preocupantes para Obama, mas não invalida que ainda possa haver uma reviravolta nesta matéria. Até porque às vezes este tipo de imagem demora a colar a um candidato. Como temos vindo aqui a dizer, os indecisos normalmente costumam pender para o lado do challenger, mas os dados históricos nem sempre nos mostram o futuro. 

 

E quais os momentos que poderão ser decisivos nesta campanha? Ao contrário do que o aparato mediático poderá levar-nos a pensar, a maioria dos americanos apenas começa a seguir com atenção a campanha presidencial a partir das convenções. Portanto, a forma como estas decorrerem, grandes espectáculos preparados sobretudo para os eleitores em casa, terá a sua importância. Depois haverá outros dois momentos relevantes. Numa campanha disputada, os debates terão dezenas de milhões de telespectadores. Nem sempre os debates são decisivos, mas podem ter a sua influência. Em 1980, Reagan e Carter estavam empatados até à realização do debate, uma semana antes das eleições, onde Reagan provou estar à altura do cargo que ocupava. Venceu em 44 estados. Em 2000, George W. Bush, apesar de não ser grande especialista e de nem ter estado particularmente bem, evidenciou qualidades que os eleitores apreciaram, ao contrário do robot Al Gore, que parecia ter estado uma vida à espera daquele momento. Ainda há quatro anos, o Barack Obama que já inspirava grande parte do eleitorado que lhe deu a vitória, utilizou os debates para convencer os americanos que a sua inexperiência não seria um obstáculo. Este ano, os três debates podem contribuir para o desfecho desta eleição, caso um dos candidatos consiga superar o adversário, o que poderá se consunstanciar num pormenor num dos debates ou, por exemplo, na consistência evidenciada no conjunto. Por fim, a forma como a campanha de ambos decorrer nas últimas semanas, sem gaffes e com uma mensagem bem direccionada para os indecisos nos swing-states, poderá fazer a diferença. Além disto, há sempre a possibilidade de uma October Surprise, um dos mitos de uma campanha presidencial americana. 

 

Adenda: Para Mitt Romney, haverá um momento também ele muito importante: a escolha do VP. O nome em si e o formato como decorrer a sua apresentação ao povo americano poderá ajudar a sua campanha. 


18
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 13:38 | comentar | ver comentários (10)

 

O último ano foi pródigo em investimentos televisivos tendo como pano de fundo o complexo mundo da política norte-americana. Já aqui dei conta da fantástica série protagonizada por Kelsey Grammer, The Boss, do canal Starz, que aborda, não tão ficcionadamente como possa parecer, a política de Chicago e a corrupção endémica que afecta a Wind City. Esta é, talvez, a minha série preferida dos últimos anos, onde o espectador é convidado a mergulhar no dark side da política.

 

De uma forma totalmente diferente, Veep é uma comédia da HBO, que tem na protagonista principal, a actriz popularizada por Seinfeld, Julia Louis-Dreyfus, uma Vice Presidente desajeitada e sem poder real, (mal) acompanhada por um staff de assessores muito pouco profissionais.

 

Scandal, da ABC, leva-nos aos bastidores da Casa Branca, guiados por uma ex-assessora perita em resolver escândalos. Esta, inspirada na famosa PR Judy Smith, que chegou a trabalhar com George H. Bush, vê-se envolvida numa trama de suspense na tentativa de salvar a presidência do seu amante, um republicano moderado que tem uma Vice Presidente conservadora.

 

Já durante este Verão estreou Newsroom de Aaron Sorkin, uma série que nos mostra a política do ponto de vista de uma redacção de um canal de notícias, onde a subjectividade e a parcialidade é norma, apesar de o quererem apresentarem de outra forma. Protagonizada pelo gigante Jeff Daniels, esta série da HBO tenta fazer uma crítica mordaz aos canais de cabo, onde a notícia é tantas vezes relegada para segundo plano. Diga-se que as críticas não têm sido muito positivas. 

 

Por fim, esta fim de semana estreou no USA Network Political Animals, uma série que nos conta a história de uma Secretária de Estado que perdeu a nomeação Democrata e que se divorciou do seu marido no dia em que perdeu as primárias, sendo este um mulherengo inveterado e antigo Presidente dos Estados Unidos. Familiar... 

 

Cinco séries que estrearam no último ano que têm em comum o mundo da político. Acreditando que a realidade é quase sempre é bem mais interessante do que a ficção, estas são, à sua maneira, uma boa oportunidade para espreitar a política americana. 

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17
Jul 12
Por Alexandre Burmester, às 22:34 | comentar | ver comentários (10)

"If you have a business (...), somebody else made that happen"

 

Alguns opositores mais radicais do Presidente Obama têm-no acusado de ser socialista (um termo praticamente pejorativo nos E.U.A.). A acusação pode ser descabida, mas não é com frases como a que cito que Obama faz desvanecer essa ideia.

 

Mas o Presidente não diz estas coisas necessariamente por convicção ideológica, embora muita gente ache que sim. Chama-se a isto "mobilizar as bases", neste caso as bases mais radicais do Partido Democrático, que Obama necessita que não fiquem em casa no dia 6 de Novembro. E, além disso, está confrontado com um opositor com uma carreira empresarial, pelo que desmanchar o "mito" dos empresários de sucesso também será uma táctica útil.

 

Mas, mesmo assim, eu questiono a utilidade deste tipo de tiradas numa campanha presidencial nos E.U.A. Como é evidente - e já está a acontecer - elas provocam uma óbvia e fácil reacção do campo adversário. O Senador Rob Portman - um dos nomes apontados como favorito a ser o parceiro de Mitt Romney na corrida - já afirmou (ver o mesmo vídeo com link acima) que "precisamos de um presidente que entenda que é o sector privado, e não o governo, que cria emprego." E o próprio Romney já considerou estas declarações do Presidente um insulto aos empreendedores.

 

 


Por Alexandre Burmester, às 16:36 | comentar | ver comentários (2)

 

 

Intensificam-se as sugestões de que Mitt Romney poderá muito brevemente anunciar o seu parceiro na corrida à Casa Branca - ou seja, bastante mais cedo do que é costume.

 

Há quem diga que o fará até ao fim do mês, antes de partir para um périplo pelo estrangeiro, e há até gente da sua campanha que não desconta que o anúncio seja feito ainda esta semana.

 

A escolha do candidato vice-presidencial traz muitas vezes surpresas, especialmente entre os republicanos, cujas quatro últimas escolhas foram Dan Quayle, Jack Kemp, Dick Cheney e Sarah Palin - todas inesperadas.

 

Mas Mitt Romney tem a reputação de ser um homem cauteloso e meticuloso, pelo que me não parece que vá haver surpresa desta vez. Já aqui disse que acho que a escolha vai recair entre o Senador Rob Portman do Ohio e o ex-Governador do Minnesota Tim Pawlenty, mas agora vou "stick my neck out" e dizer que acho que o escolhido vai ser mesmo Tim Pawlenty. E estou obviamente pronto a engolir as minhas palavras!

 

 


16
Jul 12
Por Alexandre Burmester, às 21:49 | comentar | ver comentários (6)

Conforme o Nuno Gouveia já aqui no blog algumas vezes referiu, a mais forte hipótese de o Presidente Obama conseguir bater Mitt Romney seria através da tentativa da destruição deste seu rival.

 

E, de facto, temos recentemente assistido a uma bem montada - e melhor financiada - campanha nesse sentido. O tempo de Mitt Romney à frente da Bain Capital, e a sua alegada "exportação" de empregos, caíriam que nem sopa em mel em tempos de dificuldades económicas.

 

A isso acresce o facto de Mitt Romney ser o mais rico candidato de todos os tempos de qualquer dos partidos (incluindo os riquíssimos Kennedy) a concorrer à Casa Branca.

 

A América pode ter mudado devido à crise, mas "a política da inveja" nunca foi boa conselheira na "terra da oportunidade". E a atestar o que digo estão as sondagens, as quais praticamente se não moveram apesar desta barragem de artilharia.

 

Os números da economia têm piorado, e há já até quem alvitre - incluindo comentadores britânicos, ou seja, fora desta guerra - que o país está de novo em recessão.

 

Assim sendo, a questão é: será que os americanos, na altura de votarem, vão estar mais preocupados com a Bain Capital, ou com o estado da economia? 


Por Nuno Gouveia, às 00:00 | comentar

Karl Rove e Joe Trippi analisam as recentes polémicas desta campanha presidencial, sobretudo os ataques de Obama utilizando o passado de Romney na Bain Capital. 


13
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 17:09 | comentar

 

Através do 31 da Armada, estou credenciado para a Convenção Nacional Republicana, que se vai realizar entre 27 e 30 de Agosto em Tampa Bay, na Flórida. Faltando apenas concluir algumas questões logísticas, terei certamente a oportunidade transmitir um pouco do que é um evento desta dimensão, com tudo aquilo que implica para o mundo da política, do jornalismo e dos novos media. E pelo meio, ir apontando aquelas particularidades que envolvem uma convenção americana, onde o espectáculo supera em muito o convencional da política. 

 

 



Por Nuno Gouveia, às 00:33 | comentar | ver comentários (2)

 

O sempre bem informado Drudge Report anunciou há momentos que Mitt Romney terá divulgado a conselheiros uma shortlist final de potenciais nomes  para Vice Presidente e, surpresa, um dos nomes que lidera a lista é precisamente Condoleezza Rice, antiga Secretária de Estado. Apesar de ter feito parte da impopular Administração Bush, os seus créditos e popularidade manteve-se elevada ao longo destes anos e permanece como uma voz respeitada na comunidade de política externa americana. Recentemente esteve numa sessão com Romney onde foi amplamente elogiada. De facto, Condi acrescentaria vários contributos à candidatura de Romney: grande experiência em política externa (falta a Romney), afro-americana e mulher (as sempre relevantes minorias) e traria star power à campanha republicana. Além disso, ainda recentemente Ann Romney disse publicamente que o seu marido estava seriamente a considerar uma mulher para Veep. Se retirarmos as inexperientes Susana Martinez do Novo México ou Kelly Ayotte do New Hampshire, não haverá muitas mais nos nomes habitualmente referidos. 


Tendo escrito isso, devo dizer que não acredito nesta possibilidade. Condi Rice sempre tem dito que não pretende ser candidata a cargo algum, e tem um "pecado" que costuma ser mortal no Partido Republicano moderno: é a favor do aborto legalizado. Além do mais, e pela experiência do que tem sucedido nas últimas décadas, este tipo de informações que saltam cá para fora muitas vezes destinam-se a servir como contra-informação. Nas próxima semanas saberemos a resposta. 


10
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 15:14 | comentar | ver comentários (8)

Confesso que ainda há poucos meses pensava que isto não seria possível. Barack Obama, o angariador de dinheiro mais formidável da história da política americana está ser destronado. Nos dois últimos meses o Presidente foi ultrapassado por Mitt Romney, e em Junho a diferença foi bastante assinalável: 106 contra 71 milhões. Até ao momento a equipa de Obama já angariou bastante mais dinheiro, mas a sua estrutura de campanha é bem mais pesada. Se juntarmos as Super Pacs, que têm dado vantagem ao republicano, podemos estar perante uma campanha totalmente diferente de 2008, quando Obama teve bastante mais fundos do que John McCain. Não será por falta de competitividade financeira que algum candidato irá perder as eleições. 


09
Jul 12
Por Nuno Gouveia, às 15:42 | comentar | ver comentários (6)

Os números do desemprego revelados na sexta-feira foram muito maus para a Administração Obama. A economia continua a mostrar sinais de grande fragilidade e a popularidade de Barack Obama permanece abaixo dos 50%. No mesmo dia foi anunciado que Mitt Romney, juntamente com o fundo constituído pelo RNC, angariou mais de 100 milhões de dólares. E, no entanto, a corrida permanece com ligeira ascendência de Barack Obama. Hoje o USA Today publica uma sondagem em 12 Swing States que oferece uma vantagem de 2% a Obama e na média do Real Clear Politics tem também a liderança por 2,6%. A eleição continua bastante renhida e até Novembro tudo pode acontecer. Mas nesta última semana vários conservadores surgiram em público a criticar a estratégia de Mitt Romney e, sobretudo, a sua equipa de assessores. Bill Kristol, o editorial do Wall Street Journal e até Rupert Murdock pediram alterações substanciais na campanha de Romney. A principal crítica é que o candidato não tem respondido com eficácia aos ataques de Obama ao seu currículo e pode estar a perder uma oportunidade de ouro para derrotar o Presidente. As críticas de Obama à Bain Capital tem surtido algum efeito nos swing-states e Romney tem estado em silêncio. Hoje foi revelado que nos últimos meses, Obama e os seus aliados têm investido muito mais do que Romney, numa ordem de 3 para 1. Será isto mau sinal para Romney?

 

Jay Cost, na Weekly Standard, aborda hoje esta temática e defende que Mitt Romney está em boa posição para derrotar Obama. Em todas as campanhas há momentos em que parece que tudo está a correr mal e o abismo parece certo. Ainda há um mês muitos analistas, incluindo vários democratas, disseram o mesmo da campanha de Obama. Eu permaneço com a mesma opinião: esta vai ser uma eleição disputadíssima e até Outubro será difícil de fazer prognósticos factuais sobre o vencedor. As convenções e principalmente os debates terão um papel importante, mas será sobretudo o rumo da economia até Novembro que irá influir no resultado final. Esta última questão entrará em confronto com a forma como a equipa de Obama conseguir "pintar" Mitt Romney. Este, conforme temos visto, terá muito dinheiro nos cofres para começar a responder aos ataques que ainda vai sofrer. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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