29
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 13:12link do post | comentar

Os melhores momentos do tradicional jantar de correspondentes da Casa Branca, que se realizou ontem à noite. 

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26
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:19link do post | comentar | ver comentários (3)

Larry Sabato, um dos analistas políticos americanos com mais credibilidade, defende que as eleições vão decidir-se em sete estados: Nevada, Colorado, Florida, Virginia, Iowa, Ohio e New Hampshire. Obviamente ainda é cedo para prever se esta análise é correcta, pois parece-me que todos os estados a cores mais claras ainda podem transformar-se em battleground states. Nesta análise, Obama parte com com 247 votos eleitorais e Romney com 204 votos eleitorais (melhor do que McCain teve em 2008). Se esta previsão se mantiver até Novembro, a Obama bastará vencer a Florida para assegurar a reeleição. Mas como têm avisado muitos analistas é ainda demasiado cedo para fazer estas previsões, pois a campanha a sério ainda não começou e a maior parte dos americanos desligados da política ainda não pensou seriamente nestas eleições. Mais do que as sondagens, interessa ir observando o rumo dos indicadores económicos. 


25
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:47link do post | comentar

 

Já não se percebia muito bem porque razão Newt Gingrich se mantinha na corrida. Há muito que se sabe que Mitt Romney é o presumível nomeado e nas últimas semanas todos os republicanos influentes na hierarquia do partido tinham declarado apoio a Romney - Eric Cantor, John Boehner e Mitch Mcconnell. Mas Newt Gingrich, numa estranha obsessão (consta-se que tentou negociar com Romney auxilio para pagar dívidas de campanha), preferiu prosseguir na fantasia que iria até Tampa. Hoje finalmente deu sinais que está pronto para desistir, e segundo informações recolhidas junto de pessoas próximas dele, irá anunciar a desistência na próxima segunda-feira. Com estas movimentações, Romney conseguirá unir o partido ainda durante o Verão, tendo tempo para prepara-se para a luta de Novembro. 


publicado por Nuno Gouveia, às 12:16link do post | comentar | ver comentários (3)

Sem surpresa, Mitt Romney venceu ontem os cinco estados em disputa, com resultados que variaram entre os 56 por cento (Delaware) e 67 por cento (Connecticut). Na contagem de delegados, Romney terá conquistado quase totalidade deles. Consequências deste dia eleitoral? As primárias já estavam decididas, mas parece-me que após esta vitória de Romney vão acontecer duas coisas: Newt Gingrich irá desistir em breve e os media irão deixar de falar sequer nestas primárias. Romney deverá obter a nomeação formalmente no dia 22 de Maio, nas primárias do Kentucky e Arkansas. 

 

Mitt Romney lançou ontem as sementes para a sua estratégia para a campanha eleitoral de Novembro. E recorrendo ao slogan de Jamer Carville em 1992 com Bill Clinton, deixou um aviso à equipa de Obama: "It’s still about the economy …and we’re not stupid".


24
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:36link do post | comentar

 

Depois da retirada de Rick Santorum, as primárias republicanas perderam o interesse, mas hoje realizam-se cinco eleições: Pensilvânia, Nova Iorque, Delaware, Rhode Island e Connecticut. A análise irá centrar-se sobretudo no número que Romney obter em cada um destes estados, pois é a primeira vez que não enfrenta competição. Nos últimos tempos o Partido Republicano tem vindo a unir-se em redor de Romney, mas será interessante verificar se essa união se materializa nas escolhas dos eleitores republicanos. Dos 209 delegados em disputa, Romney deverá acumular a esmagadora maioria, mas ainda não será o nomeado formal (isso talvez apenas em Junho). 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:46link do post | comentar

 

Dogs Against Obama  Dogs Against Romney

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21
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:27link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Karl Rove saiu da Casa Branca em 2007, e os democratas respiraram de alívio. O abandono do republicano mais temido da cena política foi uma vitória para os democratas. Mas essa conquista durou pouco tempo. No ciclo eleitoral de 2008, Rove esteve afastado da ribalta (a sua relação com McCain sempre foi péssima desde as primárias da Carolina do Sul em 2000), mas lentamente Rove foi recuperando a sua influência. Através das colunas no Wall Street Journal e comentários na Fox News, o "Arquitecto", voltou ao activo.

 

A decisão do Supremo Tribunal "Citizens United V. Federal Election Commission" de permitir doações ilimitadas às Super Pacs criou a oportunidade para Rove voltar à ribalta do Partido Republicano. Ainda nessa ano fundou, com a ajuda de Ed Gillespie, hoje conselheiro de Mitt Romney, a American Crossroads e a Crossroads GPS, duas organizações que investiram milhões de dólares em diversas corridas nas eleições intercalares de 2010. E se os eleitores das primárias republicanas tivessem ouvido Rove (casos de Delaware e Nevada), provavelmente teriam ganho mais lugares no Senado. Até ao momento a Crossroads já angariou mais de 100 milhões de dólares para este ciclo eleitoral e esperam chegar aos 300 milhões até Novembro. Quando a equipa de Barack Obama anunciou que esperava angariar mil milhões de dólares para a sua campanha de reeleição, muitos republicanos ficaram apreensivos pela possibilidade de se repetir o cenário de grande desvantagem financeira que McCain teve em 2008. Mas com as Super Pacs a entrarem em jogo, é expectável que os números venham a ser equilibrados. 

 

O renascimento de Rove como uma força dentro do Partido Republicano, se é que algum dia o deixou de ser, evidencia a sua grande capacidade para operar a este nível. Apesar de nunca se ter imiscuído directamente nestas primárias, Rove foi lançando umas farpas na Fox News aos adversários de Romney. Quando Rick Perry surgiu na frente das primárias, foi Rove quem avisou primeiro para a inconsistência política do governador do Texas. Newt Gingrich liderava as sondagens nacionais e Rove lançou sinas de alerta para os esqueletos do antigo Speaker. Pelos seus comentários, Rove nunca acreditou em Santorum e desde o inicio se percebia que o seu homem nestas eleições era Romney. Agora, o seu velho companheiro Ed Gillespie está a aconselhar o nomeado republicano e estou certo que servirá de ponte entre Rove e Romney. E com um livro de cheques quase ilimitado, é de esperar que a sua máquina de anúncios ataque forte nos swing-states.

 

Rove não é popular em lado algum. A sua popularidade na base republicana anda pelas ruas da amargura e os democratas desprezam-no. A grande diferença de Romney para outros "génios" da comunicação política americana, como James Carville, Dick Morris ou Joe Trippi, é que atingiu o estatuto de um dos líderes do Partido Republicano, e a sua capacidade de influência é inquestionável. Por muito que isso cause ódio à esquerda e inveja à direita.

 


19
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:21link do post | comentar

O Twitter, uma rede social com menor número de utilizadores do que o Facebook, está a destacar-se nesta campanha como um dos locais centrais da batalha entre Mitt Romney e Barack Obama. Neste momento existem nos Estados Unidos perto de 110 milhões de contas, sendo que o número activo rondará os 30% desse valor. No entanto esta é uma rede que se destaca, tal como em Portugal aliás, pela capacidade de influenciar os líderes de opinião, mas sobretudo, a agenda mediática, enquanto o Facebook representa mais uma oportunidade de comunicação directa entre os políticos e os seus apoiantes. Daí que o Twitter está repleto de consultores políticos de ambos os lados a tentarem espalhar a "palavra" do seu candidato. Ainda recentemente, a propósito da polémica com uma estratega do Partido Democrata e Ann Romney, foi no Twitter que explodiu a controvérsia, partindo daí para os restantes media (blogues, outras redes sociais e por fim chegando ao media tradicionais). David Axelrod (@davidaxelrod) e Eric Fehrnstrom (@EricFehrn) têm protoganizado interessantes discussões no twitter, e ambos os lados têm constantemente os próprios estrategas a tentar influenciar a agenda mediática. Com o apoio do exército de activistas, bloggers e colunistas partidários que pululam na rede. Como aponta o artigo que destaco no final deste post, até ao momento Mitt Romney parece estar a ter alguma vantagem sobre Obama nesta rede, mas não será aqui que alguém irá vencer as eleições. Mas se controlar a narrativa mediática numa longa campanha deste género é importante , o Twitter irá desempenhar um papel extremamente relevante para esse propósito.

 

Sobre este assunto, aconselho este artigo do BuzzFeed Politics


18
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:38link do post | comentar

Já se percebeu que o eleitorado hispânico vai ser decisivo em Novembro, principalmente nos swing-states de Florida, Nevada, Novo México e Colorado. Obama obteve 67% desse eleitorado em 2008. John McCain ficou-se pelos 31% (Bush em 2004 tinha obtido 41%). Nas sondagens recentes, Obama permanece com valores semelhantes, o que é positivo para a sua campanha. Este anúncio em castelhano já está a ser transmitido em diversos estados, inidiciando que o voto hispânico será uma das batalhas desta campanha.

 

Mitt Romney parte muito atrás nesta batalha e essa será uma das preocupações dos seus estrategas: como recuperar neste segmento do eleitorado. Estima-se que os Estados Unidos tenham 50 milhões de cidadãos de origens latinas, sendo que o maior grupo é o de originários do México (cerca de 31 milhões ), seguido de Porto Rico (4 milhões) e Cuba (1,8 milhões). Talvez por isso Romney esteja seriamente a pensar em escolher um parceiro hispânico: o favorito Marco Rubio, a governadora do Novo México, Suzana Martines, ou um wild card, o governador porto riquenho Luis Fortuño. 


publicado por Alexandre Burmester, às 13:58link do post | comentar

Como o Nuno Gouveia referiu no artigo anterior, temos agora duas "tracking polls" por dia, da Gallup e da Rasmussen. A diferença entre as duas é que a Gallup usa eleitores recenseados nas suas amostras, enquanto a Rasmussen utiliza votantes prováveis, uma forma mais dispendiosa (são necessários mais contactos telefónicos) mas mais rigorosa de auscultar a opinião pública.

 

Uma coisa se tem notado na "tracking poll" da Rasmussen desde a desistência de Rick Santorum: até aí Barack Obama e Mitt Romney apresentavam resultados renhidos mas, regra geral, o Presidente liderava as sondagens, se bem que sempre aquém dos 50% de intenções de voto. Desde aí, embora os resultados se tenham mantido essencialmente renhidos, Romney tem liderado, tendo até chegado a 5 pontos de vantagem há poucos dias.

 

Estamos ainda a seis meses e meio das eleições, e nunca é de mais esquecer que uma sondagem representa a opinião do eleitorado no momento em que foi efectuada, e não  projecta o modo como esse eleitorado se vai comportar a prazo. Mas seja como for, os números não são simpáticos para o Presidente, atendendo até ao facto de os indecisos normalmente se dividirem 80%/20% a favor do candidato que se opõe ao presidente.


16
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:02link do post | comentar | ver comentários (5)

 

A Rasmussen e a Gallup são duas das empresas de sondagens americanas que normalmente realizam sondagens diárias. E se a Rasmussen já começou há mais tempo, hoje foi a vez da Gallup iniciar a sua tracking poll. E se considero que é demasiado cedo para começar com este tipo de sondagens (o Pedro Magalhães poderá dizer se estou certo ou não), com isto teremos aferições diárias até Novembro das intenções de voto dos eleitores americanos. 

 

Dados desta primeira sondagem da Gallup: Mitt Romney surge em boa forma depois das primárias, algo que foi até há pouco tempo bastante questionável (esta sondagem está de acordo com a de hoje do Rasmussen). Romney para ganhar em Novembro precisará de conquistar o eleitorado independente, o que consegue nestes números. Esta sondagem prova também que os Estados Unidos são hoje um país profundamente dividido. Praticamente todos os republicanos apoiam Mitt Romney, enquanto os democratas apoiam Barack Obama. Nem sempre foi assim na política americana. Nota interessante ainda da Gallup: Obama está hoje com uma taxa de aprovação de 45%, o mesmo valor nas suas intenções de voto, o que pode ser considerado como uma confirmação de que esta eleição será sobretudo um referendo ao mandato de Obama. 

 

Adenda: no mesmo dia a CNN/Opinion Poll publica uma sondagem que dá uma vantagem a Obama de... nove pontos. 


publicado por Nuno Gouveia, às 18:51link do post | comentar

Hillary Clinton estará certamente a divertir-se mais do que Barack Obama neste mandato. Estas fotos, tiradas na Colômbia este fim de semana, com Clinton a dançar e a beber cerveja são prova disso. Em 2016, Clinton terá 68 anos. Não é impensável que depois de parar um pouco (ela já disse que mesmo que Obama seja reeleito irá sair da Secretaria de Estado) volta a tentar chegar à Casa Branca. E quando o banco do Partido Democrata está tão debilitado...


12
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar

 

As esposas dos candidatos têm um papel a representar na cena política americana. Ann Romney tem estado discreta até ao momento, mas já era de esperar que agora que a campanha para Novembro vai acelarar saltasse para a ribalta. E Mitt Romney bem vai precisar da sua esposa para conquistar o voto do eleitorado feminino, que neste momento permanece maioritariamente ao lado de Obama. Ninguém esperaria é que a emergência de Ann Romney fosse devido a um erro não forçado da candidatura de Barack Obama. 

 

Ontem à noite uma conselheira do DNC, nomeada por Obama, Hillary Rosen, disse na CNN que Ann Romney não poderia falar pelas mulheres americanas porque nunca tinha trabalhado na vida. Se formalmente é verdade, pois Ann preferiu ficar em casa a educar os cinco filhos em vez de trabalhar, politicamente esta declaração é um erro grosseiro, e que contraria a visão que a esmagadora maioria dos americanos têm das mulheres que tomam essa decisão. Os principais conselheiros de Obama, como David Axelrod e  Stephanie Cutter, percebendo o efeito perverso dessas declarações, surgiram pouco depois no twitter a condenar Rosen. Mas o mal já estava feito, criando aqui uma abertura para a campanha de Romney. Além deste tipo de declarações provocarem a união dos conservadores em redor de Romney (o que está a acontecer), dão uma oportunidade a Ann Romney para aparecer nas luzes dos media a ajudar o seu marido. A campanha de Romney agradece. 


11
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:56link do post | comentar | ver comentários (3)

Com a nomeação garantida para Mitt Romney, a campanha para as eleições de Novembro começou oficialmente. Barack Obama parte com alguma vantagem, mas o destino desta eleição está longe de estar definido. Se atendermos à história recente, nos últimos 40 anos tivemos de tudo. Richard Nixon foi reeleito com facilidade, tal como Ronald Reagan e Bill Clinton. George W. Bush acabou por ser reeleito à tangente, enquanto Gerald Ford, Jimmy Carter e George H. Bush foram copiosamente derrotados. Em termos de semelhanças, talvez coloque o mandato de Obama entre o de dois presidentes: Jimmy Carter e George W. Bush, mandatos com inúmeras dificuldades, sejam elas económicas, políticas ou militares. Portanto, e olhando para a história, dificilmente retiramos algumas ilações sobre o que vai acontecer.

 

A favor de Obama jogam as vantagens da presidência, entre muitas, uma importante: os eleitores americanos apenas derrotam um Presidente se sentirem que foi um mandato falhado. Apesar dos obstáculos, ainda é prematuro concluir isso a partir das sondagens. Obama foi reeleito envolto numa aura de magnetismo que, embora tendo sido quebrada, não desapareceu por completo. O eleitorado que o elegeu (os jovens, as minorias, as mulheres) permanece aparentemente a seu lado, e, apesar de algum descontentamento, isso fortalece a sua candidatura. É verdade que o mandato de Obama está a ser marcado por grandes dificuldades económicas e o desemprego permanece elevado. Mas os últimos meses forneceram boas notícias para a campanha Obama, com uma ligeira tendência de recuperação económica. Curiosamente algo que foi contrariado neste mês de Abril, com números negativos no crescimento do emprego. Esta questão será decisiva para a reeleição ou não de Obama. O aparato mediático, tal como em 2008, continuará a ser uma arma poderosa de Obama, com os gigantes de comunicação social (à excepção do grupo de Rupert Murdoch) a favorecem ostensivamente o presidente. Em termos financeiros, a campanha de Obama, tal como em 2008, terá uma grande vantagem sobre Mitt Romney, com o que isso representa na campanha nos swing-states. Nestas primárias observámos como essa superioridade financeira foi importante para Romney. Por outro lado, o seu adversário republicano é uma figura relativamente cinzenta e que não inspira grande emoção no seu próprio eleitorado. Além disso, estas primárias, pela agressividade verbal que envolveram, poderão ter provocado rupturas no eleitorado independente que está aberto a mudar de Presidente, nomeadamente em temas controversos como a emigração ilegal. Romney não poderá ganhar sem um substancial apoio dos hispânicos, o que neste momento parece difícil de alcançar. Não é um atraso irremediável, mas é relevante.

 

Mas a minha convicção é que Obama não terá a vida fácil para ser reeleito. E se Mitt Romney conseguir apresentar-se ao eleitorado como restaurador da grandeza americana, pode ser eleito Presidente.  A América atravessa uma grave crise de sustentabilidade económica e financeira, tal como a Europa. A médio prazo o país estará falido se nada for feito. No entanto, Obama tem tentado adiar esta discussão para 2013, enquanto os republicanos, através de Paul Ryan, apresentaram um plano que enfrenta este problema estrutural. A grande batalha destas eleições estará centrada nesta questão do combate ao défice e à divida. Obama está convencido que atacando o plano republicano obterá dividendos eleitorais. Por enquanto, as sondagens parecem indicar que tem razão, pois os republicanos pretendem alterar de forma significativa o funcionamento dos planos estatais da saúde e segurança social. Mas se contra um plano Obama apresenta zero, isso poderá transformar-se num verdadeiro calcanhar de Aquiles para a sua candidatura. Ao contrário do que sucedeu na Europa nos últimos anos, o eleitorado independente está muito preocupado com os défices galopantes e a falência iminente do país. O crescimento do Estado Federal nesta última década provocou uma crise de confiança por parte dos cidadãos em relação ao estado. A reforma da saúde de Obama, que foi a grande vitória legislativa do seu mandato, pode ser destruída este Verão pelo Supremo Tribunal. Além disso, esta lei permanece extremamente impopular no eleitorado americano. Romney, um tecnocrata moderado que não suscita grande entusiasmo na base conservadora, pode captar o voto dos independentes em estados cruciais como a Pensilvânia, Ohio, Virgínia ou Florida e recuperar a Presidência para o GOP. Para o fazer, precisa primeiro de fazer as pazes com o eleitorado conservador - colocar noticket um conservador que não afaste o eleitorado independente (Marco Rubio ou Paul Ryan por exemplo), e depois apresentar-se como o reformista económico que a América precisa. 

 

Quem convencer o eleitorado que é o mais capaz para resolver os problemas estruturais será eleito. Neste momento, e apesar das sondagens atribuírem ligeiro favoritismo a Obama, apostaria num 50-50 de hipóteses para cada lado. 


10
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:25link do post | comentar | ver comentários (3)

Justin Sullivan/Getty Images (roubada ao Mark Halperin)

 

 

Rick Santorum chegou onde provavelmente nunca esperou: ser o principal rival do nomeado republicano. Hoje vai anunciar o fim da sua candidatura presidencial. Com a sua retirada, as primárias republicanas de 2012 terminaram oficiosamente, pelo que se espera nas próximas semanas a união de todo o movimento conservador em redor de Mitt Romney. Fica para mais tarde uma análise à candidatura de Santorum.


09
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:10link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Agora que Mitt Romney é o presumível nomeado, deixo aqui alguns apontamentos sobre o que esta vitória representa para o Partido Republicano. Após as eleições intercalares de 2010 e a emergência do Tea Party como força política nacional, muitos se apressaram a caracterizá-lo como radical e definitivamente encostado às correntes mais conservadoras dos Estados Unidos. E, concluíram, o nomeado teria sempre de ser alguém da ala mais conservadora. Nem pensar que os republicanos iriam eleger um moderado para enfrentar Obama. Mas estas previsões falharam redondamente, o que evidencia também um desconhecimento do lado pragmático do Partido Republicano, que se tem manifestado quase sempre na era moderna da política americana. O influente William F. Buckley criou a "Buckley Rule", que diz que deve nomear-se o candidato mais conservador com hipóteses de ser eleito. E tem sido isso que o Partido Republicano anda a fazer desde 1964, quando nomeou Barry Goldwater. Desde então, o candidato melhor colocado para vencer as eleições gerais acaba sempre por ser o escolhido. Mesmo que não consiga vencer, como aconteceu com Gerald Ford, Bob Dole e John McCain. 

 

Desde o Verão passado, quando Tim Pawlenty saiu da corrida presidencial, era óbvio que Mitt Romney, o antigo governador do Massachusetts, era o nome mais capaz de derrotar Obama. O que não significa que tal aconteça, claro. E até nem é propriamente por ser moderado, mas porque é o candidato que tem o currículo, a personalidade e a organização necessária para tal empreendimento. Por uns breves momentos, a entrada de Rick Perry, governador do Texas, introduziu alguma dúvida nesta minha certeza, pois também ele tinha o currículo e a organização para apresentar-se como um candidato credível. Algo que se dissipou imediatamente após a sua entrada na arena nacional,  revelando uma inabilidade gritante para competir a este nível. Além de Mitt Romney ser o nome mais bem preparado para ocupar a presidência, pode-se dizer que também teve bastante sorte, pois não teve adversários à altura, por muito que a imprensa tenha andado a vender o contrário. Além do já citado Rick Perry, quem foram os adversários de Romney? Jon Hunstman é demasiado moderado para vencer umas primárias republicanas, apesar de ter o currículo e o temperamento necessário. Newt Gingrich é uma personalidade instável e cheio de esqueletos no armário. Nunca teria chegado a Tampa. Herman Cain e Michele Bachmann nunca foram candidatos minimamente sérios. Ron Paul, por muito entusiasmo que tenha gerado nas camadas mais jovens, nunca correu para a nomeação. O seu objectivo sempre foi marcar uma posição. Por fim, Rick Santorum, que até teria o currículo, mas nunca teve uma máquina de campanha nem os apoios necessários para vencer as primárias. Além que está demasiado refém dos valores mais conservadores para poder vencer uma eleição nacional. Por isso foi fácil no inicio destas primárias ter prognosticado (acompanhado pelo Alexandre Burmester e José Gomes André) que Mitt Romney seria o nomeado republicano. E como já citei aqui uma vez, Democrats fall in love, republicans fall in line. E foi o que sucedeu nestas primárias, com os eleitores a escolherem o nome mais forte, devidamente apoiado pela máquina republicana, para as eleições gerais. 


06
Abr 12
publicado por Alexandre Burmester, às 23:36link do post | comentar | ver comentários (2)

O conhecido comentador Dick Morris levantou esta semana uma interessante questão relativamente aos confrontos hipotéticos, nas sondagens, entre o Presidente Obama e o presumível candidato republicano Mitt Romney.

 

Em primeiro lugar, diz Morris - e todos os especialistas em matéria de sondagens concordam com isto - a maior parte dos estudos de opinião que colocam Obama e Romney frente a frente em Novembro fazem-no com base em eleitores recenseados, um modo mais barato mas mais falível de auscultar a opinião pública. Morris refere seguidamente as sondagens da Rasmussen, sempre baseadas em votantes prováveis, o que traz mais rigor ao estudo.

 

De acordo com as referidas sondagens da Rasmussen, Obama e Romney andam a par-e-par há já algum tempo- nos últimos dias têm oscilado entre os 46% e os 45% de intenções de voto, ora para um, ora para o outro.

 

Os números atrás referidos significariam que haveria 9% de indecisos. Dick Morris fez um levantamento exaustivo sobre o modo como se comportaram os indecisos na hora de votarem, quando está na liça um presidente que se recandidata, desde as eleições de 1964, e concluiu que 80% deles tendem a votar no opositor ao presidente. Vai daí, refere que, a repetir-se tal facto, dos actuais 9% de indecisos, uns 7% votariam Romney, o que significaria que, na realidade, uma sondagem que dá Obama 46% - Romney 45% dá a Romney uma vantagem de 52%/48%.

 

Não é Dick Morris o primeiro especialista destas matérias a referir o modo como os indecisos acabam por comportar-se, mas a sua análise é neste momento muito oportuna e interessante. Isto além de outros estudos que dizem que um presidente que sistematicamente fica aquém dos 50% nas sondagens é, regra geral, um presidente condenado à derrota.


05
Abr 12
publicado por José Gomes André, às 16:42link do post | comentar

1. Os mais recentes resultados trouxeram um novo capítulo do que tem sido uma corrida afinal "previsível": uma gradual e "inevitável" confirmação de Mitt Romney como o candidato Republicano. Com triunfos no Illinois, Maryland, Wisconsin e D.C. - pese embora a derrota na Louisiana - Romney caminha a passos largos para o reconhecimento geral da sua vitória nas Primárias. É certo que continua a revelar fragilidades em segmentos eleitorais importantes (baixos rendimentos, mais conservadores, "tea partiers"), mas ora por incapacidade dos adversários, ora por qualidades próprias (economia, apoio nos independentes, "electability", experiência, organização e fundos), Romney só não sairá vencedor se surgir um mega-escândalo político ou em caso de morte súbita.

 

2. As regras deste ano (distribuição proporcional, agendamento tardio de Estados relevantes) impedirão provavelmente uma coroação célere, mas é mesmo uma questão de tempo até se constatar o óbvio (matematicamente, talvez só em Junho, com a Califórnia e 4 outros Estados; "politicamente", porventura já no próximo dia 23 de Abril, se Romney ganhar na Pensilvânia e Nova Iorque). Em todo o caso, Obama já se dirige a Romney como o "presumível nomeado", Santorum foi votado ao esquecimento pelos "media", Gingrich arrasta-se penosamente e Ron Paul também desapareceu do radar, depois do falhanço da sua "caça-ao-delegado". Sinais mais do que evidentes de que está tudo decidido.


publicado por Nuno Gouveia, às 16:41link do post | comentar

Até ao momento, a campanha de Mitt Romney tem sido executada por pessoas próximas dele, a maior parte que já tinha trabalhado na sua campanha de 2008, como o Campaign Manager Matt Rhoades, Eric Fehrnstrom, Beth Myers ou Stuart Stevens. Mas a campanha para as eleições gerais vai necessitar de reforços, pois o staff actual não chega para vencer as presidenciais. Hoje Mitt Romney anunciou a contratação de Ed Gillespie, um veterano republicano de outras guerras. Conselheiro de George W. Bush, trabalhou na Casa Branca e nas suas campanhas presidenciais. Entre 2003 e 2005 foi chairman do Republican National Committee. Um bom reforço, que vai acrescentar qualidade e conhecimento à equipa de Romney. 


04
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:10link do post | comentar | ver comentários (5)

Apesar de Mitt Romney ainda não ter conquistado a nomeação, a especulação para o nome que o vai acompanhar no ticket republicano contra Barack Obama há muito começou. Devo dizer que concordo com o que o Alexandre Burmester escreveu na semana passada: Marco Rubio é o mais sério candidato ao lugar e é o mais provável parceiro de Romney. Mas há mais nomes na shortlist e a equipa de Romney estará já a estudar o mais possível as vantagens e desvantagens de cada um. 

 

Na última semana outro nome emergiu no topo da lista de Romney: o congressista do Wisconsin, Paul Ryan, uma jovem estrela em ascensão no Partido Republicano, que tem uma vantagem sobre Rubio: muita experiência. Como apenas 42 anos, é congressista desde 1999 e é considerado o líder dos fiscal conservatives. Tem liderado o GOP na batalha do orçamento e no combate ao défice, e seria um acréscimo de conhecimento e substância ao ticket. A seguir a Rúbio, Ryan é talves a mais forte possibilidade.


Mais nomes com hipóteses? Se Romney pretender acrescentar experiência governativa ao ticket, três nomes têm sido muito falados: o senador Rob Portman do Ohio, antigo congressista e membro da administração Bush. Além disso é de um swing state e é respeitado pelos circulos conservadores. O governador da Virginia, Bob McDonnell, com altos indices de popularidade no seu estado, poderia ajudar a conquistar a Florida e a base conservadora. Chris Christie, governador de New Jersey, uma das estrelas nacionais do Partido Republicano, tem sido apontado. As suas hipóteses são mais ténues, pois, apesar de muito respeitado pelo establishment, é considerado moderado como Romney. 

 

Escolhas que, apesar de serem pouco conhecidos a nível nacional, estarão a ser analisados pela equipa de Romney. A governadora do Novo México, Susana Martinez, seria uma escolha do estilo de Sarah Palin, pois é totalmente desconhecida. Seria uma importante adição ao ticket republicano: hispânica e mulher. Luis Fortuño, governador de Porto Rico, tem sido outro dos nomes ventilados pelo circulo de Romney. 

 

Mais nomes? Há para todos os gostos: a antiga Secretária de Estado Condoleezza Rice e o governador do Nevada, Brian Sandoval (não acredito nestes dois, pois são pro-choice), os senadores John Thune do Dakota do Sul, Kelly Ayote do New Hampshire ou os governadores Mitch Daniels do Indiana, Bobby Jindal da Lousiana e Tim Pawlenty do Minnesota.


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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