29
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:56link do post | comentar | ver comentários (5)

Mitt Romney arrancou ontem uma vitória a ferros no Michigan, obtendo 41% dos votos contra 38% de Rick Santorum. Mas este resultado oferece alguma margem de segurança para as próximas eleições, nomeadamente para as que se realizam a 6 de Março na Super terça-feira. Foi também a primeira conquista de Romney no Midwest, depois de ter perdido o Iowa e Minnesota para Santorum. Mais expressiva foi a vitória no Arizona, onde obteve 47% contra 26% de Santorum. E se no Michigan os 30 delegados serão divididos entre ambos, os 29 delegados do Arizona entram directamente para a coluna de Romney. Estes resultados não terminam com os problemas de Romney nesta primárias, mas dão-lhe uma abertura para poder "fechar" a nomeação no próximo mês de Março.


28
Fev 12
publicado por Alexandre Burmester, às 20:33link do post | comentar

Enquanto Michigan e Arizona votam hoje em primárias cruciais (especialmente a primeira), as sondagens nacionais colocando frente-a-frente o Presidente Obama e ambos os principais candidatos republicanos, Mitt Romney e Rick Santorum, estão a ter alterações quase comparáveis às da tumultuosa campanha primária republicana.

 

De facto, depois, de nas últimas semanas, os números terem sido particularmente favoráveis ao Presidente contra ambos os seus principais potenciais adversários, tanto a Gallup como a Rasmussen nos dão agora números pouco entusiasmantes para a Casa Branca:

 

Gallup: Obama 47%; Romney47%

Rasmussen: Romney 45%; Obama 43%

Gallup: Santorum 49%; Obama 46%

Rasmussen: Obama 45%; Santorum 43%

 

 

Talvez o "caso da gasolina", a subida dos preços do referido combustível, esteja a causar danos a Obama, até porque a política energética é um dos seus calcanhares de Aquiles, recentemente agravado com a não aprovação por parte do Presidente da construção do oleoduto Keystone, do Canadá às refinarias do Golfo do México

 

Como consolação para a Casa Branca, o site Politico dá a Obama vantagens de 10 e 11 pontos sobre Romney e Santorum, respectivamente. Mas a diferença destes números para os da Gallup e da Rasmussen podem indicar tratar-se de "outliers".

 

Mas estes números também têm reflexos no campo republicano. É que, a serem correctos, tendem a abalar a teoria da maior elegibilidade de Romney face a Santorum. 


publicado por Nuno Gouveia, às 14:22link do post | comentar

 

Hoje dia grande nas primárias republicanas. Arizona e Michigan votam para escolher 59 delegados. No estado do Arizona, com um sistema de winner takes all, Mitt Romney deverá ser o grande vencedor da noite. Segundo todas as sondagens, incluindo aquelas que incidiram nos eleitores que votaram previamente, Romney irá arrecadar os 29 delegados, o que não deixará de ser positivo para a sua campanha. Mas as atenções estão direccionadas todas para o Michigan, pois é o estado natal de Romney e há grande incerteza em relação ao resultado final. Segundo uma sondagem da PPP, entre os eleitores que votaram antecipadamente, Romney terá conquistado cerca de 60 por cento dos votos contra 29 de Santorum. Mas apenas 16 por cento terão votado dessa forma, pelo que é dificil prever qual o desfecho final. As sondagens dos últimos dias indicaram, todas elas, um empate técnico entre Romney e Santorum. Esta é uma primária decisiva para o ambiente que vai rodear a super terça-feira, que se realiza na próxima semana. Romney terá embates muito dificeis (Georgia, Ohio, Tennessee e Oklahoma) e caso perca no Michigan, ficará em maus lençóis. A acompanhar mais logo à noite 


publicado por Nuno Gouveia, às 14:20link do post | comentar

Depois de Mitt Romney ser satirizado com o filme "The Artist", agora foi a vez de Barack Obama. 

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27
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:34link do post | comentar | ver comentários (2)

Estas primárias republicanas estão a ser dominadas pelos anúncios negativos. Mas não se pense que isto é um fenómeno novo ou estranho à política americana. Desde os primórdios da república que os candidatos sempre se dedicaram a atacar os seus adversários, muitas vezes de uma forma totalmente inaceitável. A primeira campanha verdadeiramente agressiva foi logo em 1800, onde os apoiantes de John Adams e Thomas Jefferson (até à segunda metade do século XIX os candidatos não faziam campanha directamente) trocaram insultos que colocaram em causa a amizade conquistada no período da revolução. Adams foi acusado de querer ser Rei e Jefferson de ter uma amante negra (o que era verdade), entre outras acusações. Ao longo do século XIX ficaram célebres os insultos dirigidos pelos apoiantes de Jonh Quincy Adams a Andrew Jackson - chamando prostituta à mãe e adúltera à esposa - ou os que Abraham Lincoln recebeu (ape-like). Em 1884 Grover Cleveland conquistou a Casa Branca, mas não sem antes passar por um ataque cerrado devido a uma filha fora do casamento. Histórias destas haverá em toda a história americana.

 

A seguir deixo aqui dois vídeos, talvez os mais agressivos da era moderna da política americana. "Daisy", de Lyndon Johnson, onde acusava Barry Goldwater de desejar uma guerra nuclear e "Willie Horton", feito pelo genial Lee Atwater sobre um preso que tinha sido libertado por Michael Dukakis e que depois assassinou um jovem. 

 

      


publicado por Nuno Gouveia, às 19:12link do post | comentar

Quadro do Huffington Post (via João Santana Lopes)

 


26
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:57link do post | comentar

Em noite de óscares, deixo aqui esta brincadeira do programa "The Chris Mathews Show" da MSNBC.


25
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 13:31link do post | comentar

Depois de duas semanas a ver Rick Santorum à frente no Michigan, Mitt Romney parece ter recuperado a liderança e o favoritismo para vencer no seu estado natal. A campanha de Romney sofreu um grande abalo depois das derrotas no Colorado e Minnesota, e já se falava nas consequências do exemplo de Al Gore* na sua candidatura. Se na próxima terça-feira Romney confirmar a vitória no Michigan e Arizona, partirá para a super terça-feira, uma semana depois, com maior margem de manobra e com uma vantagem confortável no número de delegados. No entanto, e olhando para o calendário eleitoral, acredito que nada vai ficar decidido a 6 de Março, até porque são esperadas algumas vitórias para Santorum e até para Gingrich. O combate vai continuar. 

 

*Al Gore perdeu em 2000 o estado natal, Tennessee, para George W. Bush. Teria sido eleito se tivesse ganho. 


23
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:53link do post | comentar | ver comentários (1)

Ontem à noite os candidatos republicanos defrontaram-se no Arizona e não se pode dizer que tenha sido um dos melhores momentos desta campanha. Acabou por ser Mitt Romney o mais favorecido, não porque esteve particularmente bem, mas terá estado bem melhor do que o seu principal adversário do momento, Rick Santorum. Acossado pela dupla Paul-Romney, o antigo senador da Pensilvânia passou a maior parte das duas horas a defender-se de críticas ao seu passado enquanto senador. Depois deste debate, ficaria muito surpreendido se Romney não vencesse as primárias do Arizona e Michigan do dia 28. Newt Gingrich voltou a estar em bom plano, o que talvez o volte a colocar em jogo. Apostaria que nos próximos dias veremos Romney a subir nas sondagens, juntamente com Gingrich, com Santorum a baixar. Onde é que já vimos este filme? 


publicado por José Gomes André, às 08:30link do post | comentar | ver comentários (2)
Dois comentários que muito prezo - de dois grandes intelectuais portugueses:

 

"Este livro de José Gomes André constitui o mais importante estudo já publicado em língua portuguesa sobre o pensamento político de James Madison. É não só um magnífico exemplo de rigor e erudição, mas também uma verdadeira fonte de inspiração para os tempos conturbados que agora vivemos." (Viriato Soromenho-Marques).

 

"José Gomes André define muito bem a perspectiva de Madison como a de uma «via intermédia». Apresenta-a como uma espécie de «elitismo democrático e pluralista», fundado num «optimismo céptico» acerca da natureza humana [...]. No ideal republicano de Madison - tão bem caracterizado por Gomes André - a soberania é basicamente partilhada entre várias instituições e modos de eleição, sendo limitada pelo primado da lei e da Constituição. É certo que, em última análise, os poderes públicos são escolhidos pelo povo e prestam contas ao povo. Contudo, como recordou Madison, sendo essa «dependência do povo o controlo primário sobre o governo, a experiência mostrou à humanidade a necessidade de precauções auxiliares», isto é, de «remédios republicanos para as doenças mais frequentes no governo republicano»" (João Carlos Espada).


22
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:29link do post | comentar

Realiza-se hoje o 20º debate desta longa corrrda republicana. Arrisco-me a dizer que este é o debate mais importante destas primárias até ao momento, a quatro dias das primárias do Arizona e Michigan. Mitt Romney, que tem vindo lentamente a recuperar depois das derrotas no Colorado e Minnesota, precisa esta noite de vencer o debate. Rick Santorum poderá ter uma noite dificil, pois é provável que Gingrich o tente atacar, além das esperadas investidas de Romney. E atenção a Ron Paul, que muitas vezes nesta campanha tem servido quase de attack dog de Mitt Romney, tantos têm sido os anúncios negativos que já dedicou a Gingrich e Santorum. Às 01h00 na CNN. 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 10:37link do post | comentar

Em 1998 o Drudge Report apareceu na cena política americana denunciando aquilo que ficou famoso como o Monica Lewinski Scandal, que quase destruiu a presidência de Bill Clinton. Desde então o site de Matt Drudge, um conservador não propriamente alinhado com nenhuma facção do GOP, tornou-se num dos agregadores mais relevantes dos novos media americanos. Diversas notícias surgem primeiro no Drudge, que depois rapidamente se espalham por todos os meios de comunicação social americanos. Além disso, é um dos mais relevantes distribuidores de tráfego na Internet. Um estudo publicado em 2010 referia que o Drudge Report era responsável por 6% do tráfego gerado por apontadores, apenas atrás dos gigantes Google, Yahoo e MSN. Obviamente que nenhum consultor político americano pode viver descansado sem estar constantemente a consultar o site, sempre à espera das mais recentes breaking news. 

 

Nestas primárias, Drudge tem sido instrumental para... Mitt Romney. Provavelmente porque terá percebido o suicídio que seria não nomear Romney com este leque de candidatos. Drudge tem executado meticulosamente uma campanha contra os adversários de Romney, que tem contribuído para alguns dos bons resultados do governador do Massachusetts*. Depois de Newt Gingrich vencer na Carolina do Sul, a ofensiva mediática contra o antigo Speaker, sempre concentrada no Drudge Report, foi fundamental para fazer baixar a popularidade a Gingrich. Na altura escrevi aqui qualquer coisa sobre isso. Agora é a vez de se virar para Rick Santorum. E numa notícia que já está em todos os media americanos, o Drudge Report destacou ontem à noite um discurso de 2008 de Rick Santorum onde este referia que o Diabo estava a atacar a América. Com esta imagem esclarecedora que coloco em cima. Além desse destaque, várias outras notícias negativas para Santorum nos primeiros lugares. Será que vai ter o mesmo efeito do que teve com a campanha de Gingrich antes da Florida? Em breve saberemos...

 

*obviamente existem muitos outros factores, mas considero relevante destacar o efeito Drudge Report.


21
Fev 12
publicado por Alexandre Burmester, às 09:17link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

Faz hoje precisamente 40 anos que o mundo assistiu, algo estupefacto, a um acontecimento quase tão incrível como aquele que, três anos antes, nos mostrara o homem a passear na Lua. De facto, nesse dia, o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, encontrava-se em Pequim com aquele que, à época, poderia designar-se como o patrono da luta "anti-imperialista" e "anti-capitalista" em todo o mundo: o quase lendário Mao Zedong (para ser fiel à ortografia assumida no Ocidente a partir de certa altura).

 

Este acontecimento, altamente mediático na altura, como não podia deixar de ser, ainda hoje reverbera nas estruturas políticas e económicas em que vivemos. De hoje em dia parece-nos normal fazer-se comércio com a China, comprar as suas t-shirts e vender-lhe a nossa tecnologia. Há 40 anos não era assim. A República Popular da China era um país extremamente fechado (ainda hoje está longe de ser aberto), e era um forte apoiante do Vietname do Norte na Guerra do Vietname. Para um presidente americano ousar fazer uma viagem destas requeria, além de uma singular visão geo-estratégica (que Nixon tinha em abundância), um grande grau de coragem.

 

Também não deixa de ser evidente que Nixon era dos poucos políticos americanos a poder cometer semelhante "ousadia". De facto, atingira a proeminência política como jovem membro da Comissão da Câmara dos Representantes para as Actividades Anti-Americanas, onde granjeou irrefutáveis credenciais anti-comunistas. Este era o seu seguro, digamos assim, ao encetar tão histórica jornada.

 

O mundo comunista vivia na altura a grande ruptura sino-soviética, em debates ideológicos algo esotéricos, mas essencialmente em termos de poder. Os dois países tinham inclusivamente protagonizado incidentes fronteiriços em 1969, primeiro ano de Nixon na Casa Branca. O presidente dos E.U.A. viu aqui uma oportunidade estratégica a não perder. Já em 1967, ano anterior à sua eleição, escrevera num artigo na conceituada revista de política externa Foreign Affairs, que os E.U.A. não podiam ignorar um país que continha um quarto da população mundial (os E.U.A. , tal como a grande maioria dos países ocidentais, continuavam a reconhecer o governo da "China Nacionalista" ou Formosa - de hoje em dia Taiwan - como o legítimo representante da China). O regime comunista fora instaurado na Chine continental em 1949, mas o Ocidente, de facto, ignorava-o.

 

Com esta iniciativa, Nixon deu o primeiro passo na abertura ocidental à China comunista e mudou para sempre a correlação de forças na Guerra Fria. O facto de Mao o ter recebido deu alento àqueles dirigentes comunistas, como Deng Xiaoping, que mais tarde abririam a China, de um ponto de vista económico, ao Ocidente e ao comércio internacional. Simultaneamente, esta visita causou na sempre paranóica liderança soviética altas suspeitas, temores e suores frios. Mas, mais tarde nesse mesmo ano de 1972, Richard Nixon, visitaria também Moscovo, onde assinou um tratado de limitação de armas nucleares que esteve em vigor até há poucos anos. No mesmo ano tornou-se o primeiro presidente dos E.U.A. a visitar a República Popular da China e a U.R.S.S. 

 

Esta viagem de Nixon à China viria a mudar claramente o mundo.

 

 

 

P.S. Nas suas memórias ("RN: The Memoirs of Richard Nixon"), Nixon expressou o temor de que a História o recordaria essencialmente como o primeiro presidente dos E.U.A. a ter-se demitido. Acho, contudo, que a História tem sido bem mais magnânima para com ele: a abertura à China é hoje muito mais referida no seu currículo do que o infeliz episódio do Watergate.


20
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:25link do post | comentar | ver comentários (5)

Arrisco a dizer-me que esta é a campanha presidencial americana mais instável da história. Nada menos do que cinco candidatos já lideraram as sondagens nacionais em certo período: Romney, Perry, Cain, Gingrich e Santorum. O único indicador constante é que Mitt Romney nunca se afundou e tem sido primeiro ou segundo das sondagens. Mas estes indicadores não deixam de evidenciar a fragilidade de Romney, que tem sido apontado por todos os analistas como principal, ou até talvez, o único candidato que pode vencer estas primárias. Poucos entres elites republicanas imaginam um dos outros candidatos a defrontar Barack Obama em Novembro. Ninguém deseja que se repita o cenário de 1964, quando Barry Goldwater foi cilindrado por Lyndon Johnson.

 

No próximo dia 28 Romney tem uma batalha decisiva para arrancar para a vitória. Caso não vença no Arizona e principalmente no Michigan, o seu estado natal, os alarmes vão soar em Washington entre as elites. Não por acaso, voltou a falar-se numa entrada tardia de um outro candidato. Não que seja um cenário muito credível, mas muito periogoso para Romney. Com o apoio do establishment, com muito mais dinheiro e recursos do que os seus adversários, Romney tem demonstrado uma incrível fragilidade. Está certo que se for o nomeado, esta corrida poderá ser esquecida, até porque Romney é muito mais um candidato de eleições gerais do que de primárias, onde os sectores mais conservadores têm um enorme peso. E está provado que ele não consegue atrair este eleitorado. Numas eleições contra Obama, este eleitorado irá certamente reunir-se em redor dele, até porque haverá o objectivo comum de derrotar Obama. No entanto, há alguns sinais positivos para ele. No Michigan, as recentes sondagens indicam uma ligeira recuperação, na imprensa conservadora começam a aparecer muitas histórias negativas para Santorum (o Drudge Report hoje destaca imensas) e talvez o poderio financeiro consiga arrancar uma vitória no Michigan, à semelhança do que sucedeu na Florida. Mas não tenhamos dúvidas: se Romney deseja ter hipóteses contra Obama, se chegar lá, precisa de ser um candidato muito mais eficaz. O que não tem acontecido. 

  


publicado por Nuno Gouveia, às 15:49link do post | comentar

As eleições no Michigan são já para a semana (nesse dia também se realizam as primárias no Arizona) e as atenções estão todas viradas para Mitt Romney. Nas últimas sondagens tem aparecido atrás de Rick Santorum, mas a uma curta distância. Um bom debate sobre o que está em causa com George Will, Dee Dee Myers, Lou Dobbs, Clarence Page e Jon Karl.


17
Fev 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:57link do post | comentar | ver comentários (1)

 

No horizonte amontoam-se nuvens pesadas para a candidatura de Mitt Romney.

 

De facto, o fenómeno Rick Santorum, o mais recente de uma já longa série de "não-Romneys", parece estar mais bem sustentado que os seus antecessores. Na mais recente sondagem nacional da Rasmussen acerca da corrida republicana, o antigo Senador pela Pensilvânia lidera com 39% das preferências, contra 27% do antigo Governador do Massachusetts.

 

Mais grave que isso, do ponto de vista de Romney, são as sondagens nos estados de Michigan (Santorum 35%, Romney 32%) e Ohio (Santorum 42%, Romney 24%). A primária de Michigan, estado de onde Romney é natural, mas onde já não reside há uns 50 anos, efectua-se no próximo dia 28 deste mês, e a do Ohio está integrada nas primárias da famosa "Super-Terça Feira", dia 6 de Março. Na Geórgia (também a 6 de Março) o "filho da terra", Newt Gingrich, mantém uma confortável vantagem (sobre Romney, em segundo lugar) na média de sondagens do sítio Real Clear Politics (esta persistência de Gingrich poderá eventualmente conduzir à tal "brokered convention" de que aqui falei em artigo recente).

 

Para a sua candidatura não ser gravemente afectada, Romney necessita de vencer no Michigan (no mesmo dia realiza-se a primária do Arizona, onde Romney lidera na mais recente sondagem com 8 pontos sobre Santorum). Uma derrota no Michigan, já de si grave, poderá ter reflexos bastante negativos no seu desempenho na "Super Terça-Feira".

 

Até aqui, o ponto forte de Romney para os eleitores republicanos tem sido essencialmente o facto de ser considerado o candidato com mais hipóteses de derrotar o Presidente Obama, isto é, o seu apoio tem estado fundamentalmente baseado em questões pragmáticas. Já Santorum é apreciado pelos seus princípios políticos e ideológicos, o que lhe dará uma base de apoio mais firme.

 

Seja como for, ainda estamos a 11 dias da primária do Michigan e a 18 dias da "Super Terça-Feira". A bem organizada e melhor financiada campanha de Romney decerto não desperdiçará este precioso tempo.

 


16
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:03link do post | comentar

aqui escrevi sobre isso, mas Barack Obama tem tido umas semanas muito positivas. A sua popularidade tem vindo a subir (hoje perto dos 50%) e os números económicos continuam a mostrar sinais ligeiramente positivos. Nas sondagens com os potenciais adversários republicanos, Obama tem surgido sempre com uma vantagem relativamente confortável. Quer isto dizer que tem a reeleição garantida? Longe disso. Mas se nos últimos meses do ano passado Obama seria considerado o underdog, agora é claramente o frontrunner. E isso, aliado ao estatuto de Presidente, dá-lhe imensas vantagens. 


14
Fev 12
publicado por Alexandre Burmester, às 09:00link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

Uma convenção negociada ("brokered convention") é a expressão utilizada na política dos E.U.A. para descrever uma situação em que nenhum candidato consegue uma maioria dos delegados obtidos nas primárias e "caucuses" e, consequentemente, não consegue obter uma maioria de votos no primeiro escrutínio da convenção, mesmo contando os votos dos "superdelegados" (não escolhidos nas primárias e "caucuses").

 

Tal situação tornou-se rara a partir da "democratização" do processo de selecção nos anos '70, com um maior predomínio dos delegados escolhidos em primárias sobre as máquinas partidárias. De facto, é preciso recuar-se a 1952 (Partido Democrático com Adlai Stevenson) e a 1948 (Partido Republicano com Thomas Dewey) para encontrarmos convenções decididas desse modo, embora a Convenção Democrática de 1968, que escolheu o Vice-Presidente Hubert Humphrey como candidato, o qual não disputara qualquer primária, possa aproximar-se desse modelo.

 

Vem isto a propósito da Convenção Republicana deste ano, na qual, dada a situação actual da "recolha" de delegados, é possível voltar-se aos famosos tempos, já não das "salas cheias de fumo", devido às normas anti-tabagistas, mas, pelo menos, dos bastidores da intriga e da dura negociação.

 

Nos cenários históricos das "brokered conventions" ou um dos candidatos - não necessariamente aquele que originalmente mais apoio tinha - era escolhido, ou então surgia um "dark horse", alguém inesperado, para assumir a candidatura partidária à Casa Branca.

 

Não é ainda claro nem expectável que a Convenção Republicana de 2012 venha a preencher esse cenário, mas num ano eleitoral tão imprevisível como este tem sido, nada é de excluir.


12
Fev 12
publicado por José Gomes André, às 21:36link do post | comentar

 

Já está nas livrarias o fruto da minha investigação sobre James Madison, um dos mais notáveis Founding Fathers dos EUA e um dos maiores expoentes do republicanismo liberal, do federalismo e de diversas tendências fulcrais da ciência política moderna. Foi um prazer trabalhar neste livro, esperando assim contribuir para a divulgação de um extraordinário pensador e líder político infelizmente algo esquecido na Europa.

 

Entre outros temas, abordamos os esforços de Madison na defesa da democracia representativa, do autogoverno e do constitucionalismo, na apologia dos direitos individuais e da liberdade religiosa, na criação e difusão dos partidos políticos, e ainda na promoção da vigilância popular e da crítica pública aos governantes. Merecerão ainda destaque questões marcantes do debate contemporâneo, como a ideia de federalismo, o elogio do pluralismo como factor determinante de uma comunidade livre e o valor da cidadania na legitimação e vivência comum das sociedades liberais.


11
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:28link do post | comentar

 

Mitt Romney, depois de uma semana desastrada, teve uma hoje duas boas notícias. Em primeiro lugar, e mais importante, venceu os caucuses do Maine com 39% dos votos contra 36% de Ron Paul, que tinha aqui a sua grande possibilidade de vencer uma eleição nestas primárias. Não sendo muito importante na contagem de delegados, significa mais uma vitória, o que são boas notícias para a candidatura de Romney. Os dados estão lançados para o próximo dia 28, onde se realizam importantes primárias no Michigan e no Arizona. 

 

Este sábado Mitt Romney conquistou também a straw poll na CPAC, uma conferência que reune anualmente em Washington activistas do Partido Republicano. Nos últimos dois anos o vencedor foi Ron Paul, mas hoje quedou-se pelo último lugar, com 12%. Romney teve 38%, Santorum 31% e Gingrich 15%. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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