30
Nov 11
publicado por Alexandre Burmester, às 23:39link do post | comentar | ver comentários (3)

Quer Herman Cain abandone ou não a corrida, é claro que a sua candidatura morreu. Assim sendo, a pergunta a colocar é: quem vai beneficiar da implosão dessa candidatura?

 

Tendo Cain concentrado as suas esperanças num bom resultado no Iowa, a mim parece-me claro que Newt Gingrich tenderá a ser o maior beneficiado pela actual situação da candidatura de Cain. Outros, como Michelle Bachmann, Rick Perry e Ron Paul, poderão apanhar algumas migalhas mas, neste contexto, uma vitória de Gingrich nos caucuses do Iowa (a 3 de Janeiro) parece-me cada vez mais provável.

 

Outra consequência destes factos é o cerco em torno de Mitt Romney. A candidatura de Gingrich parece estar a solidificar-se cada vez mais e daí o próprio Romney, num contra-ataque, já ter declarado que o antigo Speaker da Câmara dos Representantes não conseguirá derrotar Obama. Se conseguirá ou não, caso seja o nomeado, é mera questão especulativa, mas que Romney sinta necessidade de dizê-lo é simbólico da insegurança que está a afectar a sua campanha.

 

O Presidente Obama provavelmente preferiria ter de enfrentar Gingrich - uma personalidade errática e pouco disciplinada - que o austero e previsível Romney. Mas Gingrich é um homem de ampla cultura e conhecimentos e óptimo a debater. E, com os números da economia tal como se encontram, um candidato republicano bem preparado tem uma boa hipótese em Novembro do próximo ano. Até porque, no que diz respeito à economia, os americanos confiam mais no G.O.P. que no partido que tem como símbolo o burro.


29
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:53link do post | comentar

 

Herman Cain começou esta campanha na Primavera como uma estrela de alguns agrupamentos do Tea Party, mas pouca gente na América e até no Partido Republicano o conheceria. Lentamente começou a dar nas vistas nos debates, em algumas entrevistas e aparições públicas, e de repente passou a liderar as sondagens nacionais. Ainda há pouco mais de um mês Herman Cain era o frontrunner republicano. Mas com a ascensão à liderança veio o escrutínio público. E as perguntas incómodas. E as gaffes. E os escândalos. E por fim, a queda abrupta e o término da sua candidadura. Esta semana, veio a público mais uma senhora que alega ter mantido um caso com o Cain durante 13 anos. E agora leio numa notícia que Cain estará a pensar em desistir formalmente da candidadura à nomeação. Não que vá fazer grande diferença. Nesta altura, Cain já deixou de ser um player nesta corrida eleitoral, e a sua manutênção apenas irá servir para o tornar ainda mais irrelevante. Talvez uma desistência seja mesmo o melhor caminho para ele. Mas muito mais haverá a dizer da ascensão e queda de Herman Cain nestas primárias. Numa próxima oportunidade. 


publicado por José Gomes André, às 00:21link do post | comentar

Sobre a dívida pública, duas opiniões contraditórias:

 

Alexander Hamilton: "“O aumento da dívida pública é uma circunstância de enorme importância nos assuntos do país. Equivale ao estabelecimento do crédito público. Nenhum homem pode ter crédito se os seus títulos se vendem por um terço ou metade do seu valor: o mesmo se passa em relação ao governo; uma consolidação adequada da dívida pública torná-la-á uma bênção nacional.”

 

James Madison: "Nunca fui um defensor da doutrina de que as dívidas públicas são benefícios públicos. Considero-as, pelo contrário, como malefícios que devem ser removidos tão rapidamente quanto a honra e a justiça o permitirem."

 

Foi isto escrito no "Economist" de ontem? No "Der Spiegel" da semana passada? Não. Data de 1791, quando uns ainda jovens Estados Unidos se viam a braços com uma colossal crise financeira. Não deixa de ser curioso ouvir nos "media" os relatos histéricos sobre a "crise dos nossos tempos". É no que dá desconhecer o passado. Como nos diz Santayana, acabamos condenados a vivê-lo uma e outra vez...


27
Nov 11
publicado por Alexandre Burmester, às 21:56link do post | comentar

 

 

O New Hampshire Union-Leader, famoso jornal conservador da maior cidade do New Hampshire, Manchester, anteriormente conhecido por Manchester Union-Leader, tem uma singular característica: estando à direita do votante republicano típico daquele estado, o seu apoio é sempre alvo de grande cobiça por parte dos candidatos. Poucas vezes nos últimos 30 anos o candidato que apoiou acabou por ser o nomeado do GOP, mas a sua capacidade para "causar estragos" no favorito é muito conhecida.

 

Pois na sua edição dominical de hoje - aliás, para ser correcto, o jornal ao domingo é o New Hampshire Sunday News - anuncia o seu apoio a Newt Gingrich na próxima primária republicana naquele estado.

 

Este anúncio não pode deixar de preocupar Mitt Romney - antigo Governador do vizinho estado de Massachusetts - que tem liderado confortavelmente as sondagens no "Granite State". É que existe um cenário que, a confirmar-se, seria bastante negativo para Romney: uma vitória de Gingrich no Iowa (primeiro estado a organizar uma primária, ali em modelo mais "reduzido", dando pelo nome de caucuses), seguida de um bom segundo lugar no New Hampshire, colocaria em causa a aura de nomeado quase inevitável do Partido Republicano que actualmente favorece Romney.

 

Romney tem vindo a aumentar os seus esforços no Iowa, estado onde até há pouco parecia ter dado de barato uma vitória de um dos seus opositores conservadores. O seguro morreu de velho.

 

As primárias republicanas poderão vir a revelar-se inconclusivas durante mais tempo do que se previa.


24
Nov 11
publicado por José Gomes André, às 00:47link do post | comentar | ver comentários (9)

As Primárias Presidenciais tendem a ser naturalmente voláteis, devido à especificidade do eleitorado, ao desconhecimento de muitos candidatos e à peculiar dinâmica da campanha. A comunicação social, sempre em busca de histórias picantes e disputas acesas, alimenta essa volatilidade, endeusando e enterrando candidatos enquanto o Diabo esfrega o olho.

 

Este cenário é propício ao surgimento de candidatos bizarros, entusiasmando os media, que os vendem como casos de ascensão meteórica. A corrida Republicana é disto exemplo, com Michelle Bachmann, Rick Perry e Herman Cain a ocuparem sucessivamente o estatuto de favoritos instantâneos, para logo caírem em desgraça.

 

O que resta depois de todo este folclore? Habitualmente, os melhores candidatos. Aqueles que resistem à espuma dos dias, que passam pelo crivo do tempo e do escrutínio público (os debates são, a este respeito, indispensáveis). Eis a razão pela qual defendo as "Primárias", apesar do circo que lhes está associado.

 

No caso concreto do Partido Republicano, depois do fanatismo desbragado de Bachmann, da impreparação de Perry e do populismo trauliteiro de Cain, sobram os dois candidatos mais preparados e mais sólidos: Mitt Romney e Newt Gingrich. Diferentes no estilo e nas propostas (Gingrich parece-me mais conservador que Romney), mas dando ambos garantias de qualidade política e capacidade eleitoral. God Save the Primaries.


22
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:25link do post | comentar

 

A eleição presidencial de 1884 foi marcada pelo regresso à Casa Branca de um Democrata vinte cinco anos depois do último presidente do mesmo partido. O anterior Democrata eleito tinha sido James Buchanan em 1856, que ainda hoje é considerado pelos historiadores como o pior presidente da história americana. Mas não se pense que esta eleição foi fácil, pois o vencedor, Grover Cleveland, foi afectado por diversos escândalos durante a campanha.

 

Os republicanos reuniram-se em Chicago durante o Verão desse ano para escolher o seu candidato. O Presidente da época, Chester A. Arthur, que tinha assumido a Presidência depois do assassinato de James Garfield em 1881, apresentou-se como candidato à nomeação, mas os republicanos optaram pelo senador James Blaine do Maine, na época o republicano mais poderoso. Foi ainda nesta convenção que foi proferida uma frase mítica que ainda hoje faz eco na política norte-americana. O herói da guerra civil, o general William Sherman foi pressionado para se candidatar, mas ele afirmou: "If drafted, I will not run; if nominated, I will not accept; if elected, I will not serve". Ficou conhecida como a Sherman Pledge.  A nomeação Democrata não teve grande história. Animados com a perspectiva de regressarem à Casa Branca, o partido uniu-se em torno do governador de Nova Iorque, Grover Cleveland, que tinha feito nome ao enfrentar a máquina corrupta do Partido Democrata do estado, conhecida pela Tammany Hall. 

 

Esta campanha ficou marcada pelos ataques de carácter feitos a Grover Cleveland e pela divisão que afectava o Partido Republicano, depois de 25 anos de poder. O anterior Presidente Chester A. Arthur nem sequer fez campanha por Blaine, bem como uma boa parte do GOP, que considerava Blaine corrupto e que trabalhou para ajudar a eleger Cleveland. Estava tudo inclinado para uma vitória fácil de Cleveland quando em Julho de 1884 rebentou um grande escândalo para a época. Foi revelado pelo Buffalo Evening Telegraph que Cleveland, enquanto jovem, teve um caso fora do casamento com uma viúva de Buffalo, Nova Iorque, e que em resultado desse affair teve um filho ilegítimo com ela. Os republicanos aproveitaram o caso e rapidamente começaram a atacar Cleveland , inventando até uma rima para o adversário que ficou famosa: "Ma, Ma, where's my Pa?".  O caso assumiu maiores proporções porque o filho teria crescido num orfanato e a mãe internada num hospício. A campanha de Cleveland, respondendo de uma forma não natural para a época, assumiu que de facto era possível que o filho fosse dele (não tinha a certeza), mas que assumira o filho e ajudara-o a encontrar um lar para viver. 

 

A vitória de Cleveland estava em causa, mas o candidato republicano cometeu uma gaffe de proporções históricas que lhe terá custado a eleição. A uma semana das eleições, Blaine participou num encontro com pregadores evangélicos, onde um deles criticou duramente aqueles que tinham abandonado o GOP para apoiar um partido cujo passado era marcado pelo "Rum, Romanism and rebellion", ou seja, álcool, catolicismo e rebelião. Blaine esteve toda a reunião em silêncio, o que o prejudicou imenso perante o eleitorado católico e irlandês, pois a imprensa publicitou de forma agressiva esta reunião. Numa eleição em que Cleveland venceu com mais 0,53% dos votos em termos nacionais, acabou por ser decisivo o resultado do estado de Nova Iorque, onde Blaine perdeu por 1049 votos. Na época atribuiu-se a derrota de James Blaine precisamente aos votos católicos. A celebração de vitória dos democratas foi entoada aos cânticos "Ma, Ma, where's my Pa? Gone to White House, ha, ha, ha!". 

 

Grover Cleveland viria a ser derrotado em 1888 pelo republicano Benjamin Harrison, mas regressaria novamente à Casa Branca nas eleições de 1892, um facto inédito até aos dias de hoje, exercendo dois mandatos não consecutivos. 


publicado por Nuno Gouveia, às 18:27link do post | comentar

Hoje à noite mais um debate republicano, o 11º do ciclo eleitoral. Holofotes apontados para Mitt Romney e Newt Gingrich, o novo adversário directo do antigo governador do Massachusetts. Sendo novamente um debate sobre política externa, a minha expectativa é que seja bem melhor do que o anterior, nomeadamente por parte dos entrevistadores e dos temas lançados a debate. Este vídeo é o "Making Of" do debate desta noite, que será transmitido na CNN e começa às 01h00 (de Lisboa).


21
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:02link do post | comentar


A campanha de Barack Obama lançou esta semana uma nova actualização do seu site, numa versão mais completa e com mais opções que a anterior. É o regresso em força da campanha Obama à rede, tentando recuperar o fôlego perdido nestes últimos três anos. Além de um design atractivo e todas as funcionalidades comuns da actualidade, Obama irá oferecer aos seus apoiantes a possibilidade de criação de uma conta no site, o "The Obama 2012 Dashboard". Mais informações neste post do TechPresident. 


19
Nov 11
publicado por Alexandre Burmester, às 13:52link do post | comentar

 

 

E, de repente, Newt Gingrich, Speaker da Câmara dos Representantes entre 1995 e 1999, e principal autor da conquista republicana das duas câmaras do Congresso nas mid-terms de 1994, quebrando uma hegemomia democrática de 40 anos, deu um salto nas sondagens e surge agora como o grande rival de Mitt Romney para a nomeação republicana (uma recente sondagem da Fox News chega a dá-lo 1 ponto à frente do antigo Governador do Massachusetts, e na média do Real Clear Politics está virtualmente empatado, liderando agora a média de sondagens relativa aos caucuses do Iowa).

 

Esta tão súbita quanto, talvez, inesperada subida de Gingrich segue-se à abrupta descida de Herman Cain, cuja ascenção já se seguira à queda de Rick Perry, tal como a subida deste tinha feito desvanecerem-se as hipóteses de Michele Bachmann. Esta dança de cadeiras dá-se entre alguns dos candidatos mais conservadores  do G.O.P., mantendo-se Romney como o"alvo a abater".

 

Claro que, perante este cenário, logo se coloca a inevitável questão: será Gingrich elegível? O antigo Speaker tem reputação de figura "divisiva", datando do seu tempo naquele lugar e das suas confrontações com o então Presidente Clinton. Além disso, os seus três casamentos - nem sempre em circunstâncias, digamos, muito dignas - são matéria potencialmente negativa na campanha. Mas também é verdade que negociou com sucesso com Clinton uma reforma da Segurança Social e o primeiro orçamento equilibrado desde 1969, o que lhe confere uma certa aura de político capaz de ultrapassar as divisões partidárias e fazer alguma coisa de concreto. Para o consultor político republicano Dick Morris, Gingrich é elegível (mas Morris, para além de ser um arguto analista, tem também a sua "agenda); já outro comentador conservador, Charles Krauthammer, prefere dizer: "Romney não é um conservador, mas eu quero ganhar".

 

Os números de Gingrich terão decerto ainda altos e baixos, mas estamos apenas a mês e meio do início do "combate" e quer-me parecer que ele veio para ficar, ou seja, que será um contendor importante nas primárias republicanas.


17
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:33link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Curiosos factos contados na Foreign Affairs por Uri Friedman. Barack Obama, esta semana de visita à Austrália, disse à Primeira-ministra Julia Gillard que a "America has no stronger ally than Australia". Mas esta é uma frase muito pouco credível. Afinal de contas, Obama já disse frases semelhantes a países tão diversos como a França, Reino Unido, India ou Canadá. E a moda já vem de trás, com Bush a elogiar no mesmo sentido países como França, Canadá, Reino Unido e Japão. Condi Rice, verdadeira mãos largas, utilizou esse epíteto para Austrália, Reino Unido, Grécia, Japão, Jordânia e Singapura. 


publicado por Nuno Gouveia, às 18:04link do post | comentar | ver comentários (1)

Esta época de primárias está a ser positiva para os Democratas. Como o Alexandre Burmester escreveu no post anterior, Obama tem capitalizado graças às inúmeras gaffes que alguns candidatos republicanos têm cometido. Este vídeo do DNC é exemplo disso, onde conseguem colar muito bem Mitt Romney, o favorito e o mais temido para defrontar Obama, a Rick Perry, que nestas últimas semanas tem sido uma desgraça, politicamente falando.


16
Nov 11
publicado por Alexandre Burmester, às 10:44link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

 Recentemente o Presidente Obama tem vindo a recuperar nas sondagens, estando ontem, na sondagem diária da Rasmussem a 49%-51% em termos de Aprova/Desaprova.

 

Há aqui duas questões básicas: 1) a que se deve a recuperação e 2) Será que essa recuperação é duradoura?

 

Quanto àquilo a que se deve a recuperação, eu diria que a época de debates republicanos a que vimos assistindo tem ajudado o presidente. As sucessivas gaffes e implosões de alguns dos candidatos republicanos (com a importante e notória excepção do frontrunner, Mitt Romney) têm contribuído para enaltecer a figura daquele que ocupa o Oval Office (sempre uma vantagem). Por outro lado, sem haver notícias propriamente positivas para o presidente, também não tem havido surpresas de carácter negativo.

 

Em relação à durabilidade desta recuperação de Obama, quer-me parecer que isso se afigura mais difícil. Os republicanos vão acabar por "acalmar", decidindo-se definitivamente por um candidato (e o GOP tem a característica de normalmente escolher o candidato com mais hipóteses de ser eleito), e os números relativos à economia, assunto que dominará a campanha de 2012 (a não ser que surja alguma coisa - como um ataque ao Irão  - que faça deflectir a atenção do eleitorado), são demasiadamente severos para permitir a manutenção deste período relativamente optimista para as hipóteses de Obama daqui a um ano. 

 

Resumindo: enquanto os seus potenciais adversários de 2012 se degladiam, o presidente assume ares...presidenciais, uma inegável vantagem do "incumbente", como já referi. Quando da discussão republicana sair a "luz" as coisas tenderão a apertar. 

 


15
Nov 11
publicado por Alexandre Burmester, às 13:35link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

Os manifestantes do movimento "Occupy Wall Street", que desde Setembro ocupavam o Zuccotti Park, foram removidos pela polícia de Nova Iorque, que procedeu a 70 detenções.

 

O Mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, justificou a operação dizendo que o parque já não estava a ser utilizado para protesto, mas sim para violar a lei e até causar dano a terceiros.

 

Esta ocupação pode ter terminado, mas decerto que o nome do movimento que esteve na sua origem perdurará e ainda iremos ouvir falar mais dele.

 

 

 



14
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:12link do post | comentar | ver comentários (1)

Depois de prestações menos felizes nos últimos debates, e sobretudo depois das acusações de assédio sexual, a sua campanha já estava ligada às máquinas. Hoje surge este vídeo, de uma entrevista dada ao Milwaukee Journal-Sentinel, onde Cain demonstrou mais uma vez a sua ignorância sobre temas fundamentais da política externa americana. Este vídeo, se ganhar tracção nos media, irá acabar com o que resta da campanha de Cain. A seguir perspectiva-se uma luta Romney/Gingrich. Com Huntsman à espreita no New Hampshire. 


13
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:27link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Ontem à noite os oito candidatos republicanos encontraram-se na Carolina do Sul para discutirem exclusivamente temas relacionados com a política externa americana. E a primeira nota, negativa, vão para os organizadores do debate, a CBS News e o National Journal, que simplesmente ignoraram alguns dos assuntos mais prementes para os Estados Unidos. Num debate que durou 90 minutos, nenhuma pergunta sobre Israel, os acordos de comércio livre, o Iraque, a NATO ou as relações com a América Latina. E apenas no fim, já sem grande tempo para os candidatos explorarem, uma pergunta sobre os problemas da zona euro. Muito pouco para tanto tempo. As questões centraram-se quase exclusivamente sobre o Afeganistão/Paquistão, as relações com a China ou a luta contra o terrorismo. Mas exigia-se mais aos moderadores. No próximo dia 22 de Novembro a CNN/American Heritage Foundation e o American Enterprise Institute vão organizar um debate sobre política externa e espero que seja mais bem conseguido. 

 

Sobre o debate propriamente em si, várias confirmações. A primeira, que não constitui grande novidade, é que Herman Cain não está preparado para o cargo a que se está a candidatar. As suas respostas nunca saíram das linhas previamente ensaiadas, não conseguindo demonstrar conhecimento sobre os dossiers. Se a sua queda começou com os escândalos de assédio sexual, este debate serviu para alertar os mais desprevenidos que Cain não é um sério candidato a Presidente. Michelle Bachmann e Rick Santorum estiveram relativamente bem, mas também não conseguiram nenhum momento particularmente positivo para as suas candidaturas. Continuarão irrelevantes nesta campanha. Ron Paul reafirmou a sua oposição às linhas dominantes dentro do partido, demonstrando que continua muito afastado do mainstream republicano. Não terá conquistado um só adepto neste debate. Rick Perry desta vez não sucumbiu, mostrando alguma destreza e confiança nas respostas. Percebe-se que não domina inteiramente os assuntos, mas conseguiu ultrapassar com êxito esta prova. Contudo, insuficiente para introduzir um game changer na sua campanha. E restam Gingrich, Romney e Huntsman, cada vez mais os únicos candidatos que demonstram ter os conhecimentos e capacidades para exercerem o cargo de Presidente. Mas Huntsman, que na política externa tem evidenciado um desvio na linha tradicional do partido em relação ao Afeganistão, não consegue conectar com o eleitorado republicano. E ontem mais uma vez notou-se esse afastamento em relação à base conservadora. Newt Gingrich, assumindo o seu tom professoral natural, ontem esteve bem melhor que nos debates anteriores e assumiu-se, se calhar definitivamente, como o opositor mais sério a Mitt Romney. Será talvez o único candidato, à excepção de Huntsman, que consegue discutir os temas de uma forma profunda com Romney. E os republicanos, depois de testarem várias alternativas, talvez comecem a ouvir com mais atenção o antigo Speaker. Romney esteve como sempre: o melhor candidato em palco. A cada debate que passa, Romney fica mais forte e emerge como a melhor alternativa republicana para defrontar Obama. 

 

PS: Mark Halperin destaca no The Page dez vantagens para Mitt Romney nestas primárias. Com este leque de candidatos, muito dificilmente não será o nomeado em Tampa, no próximo Verão. 


10
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:49link do post | comentar | ver comentários (1)

A política moderna é um tabuleiro onde os executantes têm uma margem de manobra cada vez mais curta para errar, e uma jogada mal concebida pode significar o xeque-mate a toda uma carreira. Quando falamos numa campanha presidencial americana, os holofotes de todo o mundo mediático perseguem todas as acções públicas dos candidatos. Uma ida ao café, uma conversa no avião ou um encontro casual na rua com um eleitor pode transformar-se num pesadelo para o político profissional. Esta campanha presidencial já teve episódios caricatos de pessoas serem entrevistadas nas televisões nacionais porque um candidato não falou muito tempo com ela num avião, ou porque um cidadão não gostou de uma resposta de um candidato. Durante 24 horas os candidatos são perseguidos, por jornalistas ou por cidadãos anónimos, para procurar uma falha, uma frase mal concebida ou uma gaffe. É o panorama mediático que temos, com muitas virtudes, mas que torna a vida dos políticos cada vez mais complexa. Políticos consagrados como Winston Churchill ou John F. Kennedy não sobreviveriam no actual sistema mediático. Se tivessem vivido na nossa era não teriam passado de um rodapé na história. 

 

Ontem à noite no Michigan, Rick Perry, governador do Texas desde 2001, o mais antigo governante em exercício dos Estados Unidos, cometeu o erro "mortal" de não se lembrar de uma proposta sua. Questionado sobre quais os três departamentos que iria eliminar do governo federal, Perry apenas se lembrou de dois. Foram 50 segundos confrangedores (podem vê-los aqui) que colocaram em evidência perante o mundo a fragilidade e as insuficiências deste candidato. Pode acontecer a qualquer um? Certamente. Quem é que nunca bloqueou num momento importante? Mas Perry é um político. Candidato ao cargo mais importante dos Estados Unidos e tudo o que ele faz é escrutinado ao milímetro por uma horda mediática sedenta de novidades. E quanto pior, melhor. Claro que Perry conseguiria sobreviver a estagaffe se nos anteriores debates não tivesse demonstrado outras debilidades. Mas não posso lamentar que um ser humano seja exposto a esta brutalidade de se colocar perante o mundo numa situação tão humilhante. As pessoas esperam políticos robots, infalíveis e certeiros, sempre com a resposta pronta para todas as questões. Nem sempre é possível. Nada me move a favor de Rick Perry, um dos piores candidatos deste ciclo eleitoral, mas não deixei de sentir alguma tristeza por este seu momento. Os políticos merecem ser derrotados por outro tipo de situações que não uma falha de memória num momento de elevada pressão, como são os debates presidenciais. Em relação a Perry, bem, entrará para a história da comunicação política como autor de um dos instantes mais embaraçosos e dramáticos de um político em directo. Estou certo que este vídeo irá ser visualizado em muitas salas de aulas de comunicação nas universidades de todo o mundo. 

 

Publicado originalmente no Cachimbo de Magritte


publicado por Nuno Gouveia, às 14:24link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Ontem à noite decorreu mais um debate republicano, o primeiro que não pude ver, e por isso não vou falar sobre o debate. Mas as notícias que já li não deixam margem para dúvidas. Rick Perry voltou a falhar de forma estrondosa, pondo término às suas já reduzidas aspirações a vencer estas primárias. O ser humano é uma máquina falível e ontem Perry sucumbiu. Podia acontecer a qualquer um, mas Perry já tinha tido prestações fraquíssimas em anteriores debates, o que só amplifica esta questão. Não deixa de ser triste quando isto acontece a alguém num palco desta dimensão. Este vídeo irá rapidamente espalhar-se pelos cantos do mundo e a carreira de Perry irá ficar marcada para sempre com esta gaffe. Um momento para a história da comunicação política. 


09
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:28link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Apesar dos ventos não serem muito favoráveis à rede social da empresa liderada por Eric Schmidt, através da Ângela Guedes, no seu sempre bem informado Private Eye, tomei conhecimento que o Google + vai entrar na campanha eleitoral através da Fox News e de Bret Baier. O formato é simples. O apresentador do Special Report irá realizar entrevistas aos candidatos republicanos utilizando o hangout da rede social. O primeiro entrevistado é Mitt Romney, já no dia 15 de Novembro. 

Mais informações na página de Bret Baier do Google +.

 

PS: Para quem usa a rede social, deixo a ligação da minha página no Google +.


publicado por Nuno Gouveia, às 08:30link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Um estudo da Advertising Age (via Manuel Falcão no Lugares Comuns) apresenta as marcas preferidas segundo a filiação política dos americanos. Não por acaso, os republicanos preferem a Fox News Channel, a Fox e o History Channel. Os Democratas alinham pela tecnológicas Google, Amazon e pelo canal Discovery Channel. Os independentes, esses preferem o History Channel, Discovery e Google. Cinco marcas aparecem no top ten dos três grupos: Discovery, Johnson & Johnson, Cheerios, History Channel e Clorox. 

 

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08
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:47link do post | comentar | ver comentários (1)

A campanha digital está ao rubro. Hoje foi a vez de Jon Huntsman lançar um site para "bater" em Mitt Romney. Scared Mittless começa com este vídeo sobre a ausência de Mitt Romney nos programas de informação ao domingo de manhã (o prime-time da informação americana) e a sua constante fuga ao contacto com os jornalistas. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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