31
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:37link do post | comentar

Hoje foi o dia de Herman Cain. Talvez não pelas razões que gostaria, mas o candidato republicano hoje esteve em todo o lado na imprensa americana. Só para dar um exemplo, hoje o The Page, do analista da Time Mark Halperin, dedicou 11 peças ao caso. Na Fox News, no Special Report de Brett Baier o caso mereceu tratamento de primeira linha, com uma análise muito dura de Britt Humme. Se na Fox o caso foi analisado desta forma, imagino nas outras. No entanto, não se pense que Cain está condenado. Ou algo parecido. Nestas primeiras horas vários conservadores têm saído em defesa dele, e este caso, se não tiver grandes desenvolvimentos, até pode servir para Cain consolidar a sua base de apoio. 


publicado por Nuno Gouveia, às 13:28link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Uma boa campanha presidencial americana tem de ter um escândalo sexual. Ou pelo menos uma ameaça de escândalo. Ontem Herman Cain saltou para o topo da agenda mediática com uma notícia do Politico. O caso resume-se rapidamente. Durante a década de 90, quando Cain foi presidente da associação nacional de restauração, duas mulheres teriam-no acusado de assédio sexual. O incidente viria a não ter implicações legais, mas a acusação parece que terá existido. 

 

Ainda é cedo para dizer as implicações que esta notícia pode ter na candidatura de Herman Cain. Analisando a história, já tivemos exemplos de tudo. Desde campanhas a desabar (Gary Hart em 1988),  escândalos que não afectaram a credibilidade do candidato (Bill Clinton em 1992) ou até casos que foram considerados irrelevantes e menores (em 2008 John McCain). Este tipo de casos, se não surgirem mais revelações, como outro tipo de acusações ou até com as supostas vítimas a falarem em público, normalmente acabam por morrer sem causarem impacto na campanha. Mas se nos próximos tempos aparecerem mais notícias incriminatórias para Cain, e não esquecer que a sua base de apoio neste momento é sobretudo a direita religiosa, a sua candidatura poderá ser seriamente afectada. 

 

O interessante deste tipo de noticias é saber qual a sua origem. Sabendo que todos os candidatos têm equipas de investigação a vasculhar todos os pormenores da vida dos adversários, é perfeitamente possível que a verdadeira fonte desta notícia tenha sido um dos candidatos republicanos. Entrando no campo da especulação, não será difícil verificar quem teria interesse em lançar cá para fora este tipo de notícia. Talvez algum candidato que procura desesperadamente recuperar o apoio dos sectores mais conservadores. No próximo debate vou estar atento para ver quem será o candidato que irá receber pior tratamento de Herman Cain. 


30
Out 11
publicado por Alexandre Burmester, às 00:07link do post | comentar

 

 

Morreu o antigo Senador republicano pelo Wyoming Malcolm Wallop, que serviu em Washington entre 1977 e 1995. Wallop era considerado um cerebral das causas conservadoras, mas tinha uma singular característica: era o único membro de ambas as câmaras do Congresso a aparecer no Burke's Peerage (uma famosa publicação britânica com uma relação completa de todos os nobres do Reino Unido). Com efeito, Wallop era filho de Oliver Wallop, o filho mais novo do 8º Conde de Portsmouth - o único homem que foi membro da assembleia legislativa do Wyoming e da Câmara dos Lordes.

 

A Rainha Isabel II chegou a ser visita na propriedade da família.

 

Wallop foi o primeiro proponente da defesa espacial contra ataques nucleares soviéticos, mais tarde conhecida por "Guerra das Estrelas". Foi também um activo defensor da resistência afegã à invasão soviética de 1979. 

 

Notabilizou-se ainda no combate contra a burocracia federal. 

 

 

 

 

 



28
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:46link do post | comentar

"Republicans are beginning to realize that this is a choice between Romney and the unelectable."

 

O National Journal foi ouvir uma série de insiders republicanos e a conclusão é óbvia: a esmagadora maioria acredita que Mitt Romney será o nomeado republicano. Apesar de manterem as suas suspeitas sobre as credenciais conservadoras do candidato, a maioria afirma que os restantes candidatos são inelegíveis e os republicanos acabarão por se conformar com Romney, pois o seu perfil mais moderado torna-o no melhor candidato para derrotar Obama. Esta ideia é corroborada pelos insiders democratas ouvidos pelo NJ, que consideram, por larga margem, que Romney é o mais bem colocado para enfrentar Obama. O segundo candidato considerado por eles é Jon Huntsman e apenas 5% pensa que Rick Perry seria o mais difícil para Obama. 


27
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post | comentar | ver comentários (2)

Mitt Romney tem-se mostrado bastante vulnerável nestas primárias. Numa era dominada pelo soundbites estridentes e pelo conservadorismo exacerbado da base republicana, Romney ainda não arrancou para uma liderança incontestável nas sondagens. Mesmo tendo sido sempre, de longe, o melhor candidato em todos os debates já realizados. Olhando para as fraquezas de todos os candidatos, e Romney também apresenta bastantes, nomeadamente as mudanças de posição em relação a temas chave no Partido Republicano, como aborto e reforma da saúde, acredito que será, quase inevitavelmente, o adversário de Obama. Jon Huntsman, o mais moderado, não consegue descolar, e por isso, é difícil encará-lo como credível para vencer a nomeação. Bachmann e Santorum são simplesmente inelegíveis. Newt Gingrich, apesar das inegáveis qualidades intelectuais que possui, é considerado como uma figura do passado e encarado com desprezo pelo eleitorado independente e moderado. Herman Cain, apesar de liderar neste momento algumas sondagens nacionais, tem apresentado debilidades inacreditáveis e evidenciado confusões no seu pensamento político, que aliados à total ausência de experiência política, o desqualificam como candidato ao cargo mais importante dos Estados Unidos. Por fim, Ron Paul, está muito desfasado do pensamento mainstream do Partido Republicano para poder ser o nomeado. Resta Rick Perry, que com o currículo de governador do Texas ao longo dos últimos 11 anos, poderia ser considerado uma boa alternativa. Mas estes primeiros dois meses de campanha destruíram, talvez definitivamente, a sua credibilidade nacional. Com prestações risíveis nos debates, declarações bombásticas e até patéticas - recentemente afirmou que tinha abordado o assunto da certidão de nascimento de Obama porque... era divertido gozar com o Presidente - Perry afundou-se nas sondagens e dificilmente conseguirá recuperar. Neste leque de candidatos, resta Mitt Romney, que apesar de não encantar nem galvanizar a base conservadora, tem mantido números interessantes nas sondagens e poderá ser um adversário temível para Obama nas eleições gerais. Com um candidato a VP que entusiasme a base, e isso não será difícil de conseguir (Rubio? Christie? Ryan?), Romney terá o caminho livre para conquistar o eleitorado independente e moderado. 

 

Apesar das sondagens nacionais terem muito destaque nos media, a história ensina-nos que o mais importante é estar atento ao que vai acontecendo no Iowa (IA), New Hampshire (NH), Carolina do Sul (SC), Florida (FL) e Nevada (NV), os primeiros estados a votarem. Basta recordar 2008. Hillary Clinton teve sempre grandes vantagens nas sondagens nacionais sobre Barack Obama, mas tudo mudou depois de ser derrotada por Obama no Iowa. Ao mesmo tempo, Rudy Guiliani teve sempre boas sondagens nacionais, mas depois de ter maus resultados no Iowa e New Hampshire, a sua campanha desabou. Ontem a Time publicou sondagens dos quatro primeiros estados a irem a votos (Iowa, NH, SC e FL), onde Romney aparecia à frente em todas. Se a dinâmica da corrida não se alterar muito, acredito que depois destas cinco eleições, Romney estará bem posicionado para obter a nomeação. A minha previsão é que fique perto da vitória no Iowa, muito próximo do opositor mais conservador. Neste momento Cain ocupa o lugar mas Rick Perry ainda pode regressar ao topo. E curiosamente, se nenhum destes se destacar, ainda poderemos ver Gingrich a brilhar. Depois deverá ter uma vitória confortável no New Hampshire, e terá um bom resultado na Carolina do Sul, onde poderá disputar a vitória. Finalmente, deverá vencer na Florida e no Nevada. Com estes resultados, a nomeação dificilmente escapará a Romney. Neste momento, diria que Romney tem mais de 75% de possibilidades de ser o opositor de Barack Obama nas eleições gerais. 


26
Out 11
publicado por José Gomes André, às 20:55link do post | comentar | ver comentários (1)

Recentemente, Mitt Romney fez um discurso sobre política externa onde advogava o reforço do papel dos EUA no quadro internacional, dizendo mesmo que este teria de ser um "século americano". Entre outras frases, Romney referiu-se ainda à importância de os EUA serem uma "nação liderante" e não apenas "seguidora", devendo "guiar o mundo" e difundir os ideais políticos e económicos americanos.

 

Rapidamente surgiram críticas a este discurso, acusando Romney de regressar à ideologia neo-conservadora ou de adoptar uma retórica intervencionista aparentemente posta em causa por Obama. Parece-me uma abordagem demasiado ligeira a este tema, porque centrada numa perspectiva ideológica. Ora, na verdade, esta questão ultrapassa em muito aspectos da política contemporânea, remetendo antes para a essência da identidade norte-americana.

 

Referimo-nos à ideia do “excepcionalismo americano”, doutrina fundadora do “Novo Mundo”, que destaca a forma como os primeiros colonos viam a sua presença na América como a oportunidade de fundar uma nova comunidade livre das práticas corruptas europeias, um pacto moral e religioso que reproduzia uma outra aliança descrita no Antigo Testamento. Esta visão messiânica viria a traduzir-se num discurso de John Winthrop, o primeiro Governador do Massachusetts, que afirmava em 1630: “Nós seremos como uma cidade sobre uma colina. Os olhos de todo o mundo estão voltados para nós”.

 

Esta visão ecoa reiteradamente na cultura e histórica política norte-americanas, seja na Revolução de 1776 (justamente contra a opressão britânica), na expansão para Oeste (com a tese do “destino manifesto”), no idealismo wilsoniano, nos discursos de Reagan, nas aventuras intervencionistas de George Bush ou até mesmo nas palavras do Presidente Obama, que recentemente repetiu a ideia de que “a América deve liderar pelo exemplo”. Em suma, este discurso transcende em muito a separação "esquerda/direita" ou as preguiçosas separações entre "democratas" e "republicanos", não sendo expressão de uma qualquer iminente reviravolta na política externa dos EUA, mas sim a mera reafirmação de um ideal há muito partilhado pelos americanos em geral.

 


publicado por Alexandre Burmester, às 17:11
Nuno Gouveia às 22:21link do post | comentar

 

James Carville, principal estratega da eleição de Bill Clinton em 1992, confessa-se "preocupado" com a s hipóteses de Obama em 2012, nesta entrevista ao Scott Hennen Show. "Nunca ninguém foi eleito com números destes", diz ele. Pelo meio, prevê a nomeação de Mitt Romney, que basicamente considera um oportunista, como candidato republicano.

 

Quando alguém como Carville se confessa preocupado com uma eleição, é melhor levá-lo a sério. 

 

 

Foto: Wikipedia


25
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:32link do post | comentar

Herman Cain tem liderado algumas sondagens nacionais. Ainda hoje uma do NY Times dá-lhe uma vantagem de quatro pontos sobre Mitt Romney. Mas a sua campanha tem sido tudo menos convencional. Hoje lançou este estranho anúncio. Além de ser muito pouco comum ter um Chief of Staff a falar durante o anúncio, ainda o vemos a fumar. Sim, no país onde a luta anti-tabagista tem sido mais intensa, Cain marca uma posição contra as restrições ao tabaco. 


24
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:18link do post | comentar

 

As eleições presidenciais de 1876 foram das mais polémicas de toda a história americana. Envolveu votos no Congresso, comissões independentes e até negociações com congressistas de outro partido. O vencedor foi o republicano Rutherford B. Hayes. Esta eleição terá marcado o fim da Reconstrução, período pelo qual são conhecidos os anos seguintes à Guerra Civil. Mas regressemos ao inicio. 

 

Os republicanos reuniram-se, na sua sexta convenção, em Junho de 1876 em Cincinatti, Ohio, para escolherem o candidato a suceder ao Presidente Ulysses Grant. O Speaker James Blaine, do Maine, era o favorito para obter a nomeação, mas depois de não conseguir vencer nas primeiras votações, o Governador do Ohio, Rutherford B. Hayes, obteve a nomeação à sétima votação. Ciente das divisões no GOP, Hayes prometeu cumprir apenas um mandato. Os Democratas reuniram-se nove dias depois em St. Louis, Missouri para escolherem o seu candidato. Afastados da Casa Branca desde 1960, sentia-se o cheiro a vitória no ar, e mais de cinco mil pessoas reuniram-se para eleger o candidato que os levaria de novo ao poder. A escolha não foi polémica e nomearam Samuel Tilden, o então governador de Nova Iorque. 

 

A economia do país atravessava dificuldades, a Administração Grant tinha enfrentado diversos escândalos de corrupção e os soldados federais ainda estavam estacionados nos estados do Sul. A campanha foi bastante agressiva e cheia de ataques pessoas. O candidato democrata foi acusado de não ter participado na Guerra Civil, enquanto Hayes tinha sido um herói de guerra e ferido várias vezes. Mas 20 anos de poder tinham enfraquecido o Partido Republicano, e Samuel Tilden venceu no voto popular, com 4.288.546 contra os 4.034.311 de Hayes. Depois de contados os votos, chega-se à conclusão que Tilden apenas tinha 184 votos eleitorais, faltando-lhe um voto para ser eleito presidente, enquanto Hayes tinha 165. Nesse momento, quatro estados, que valiam vinte votos eleitorais, estavam com as contagens paradas (Oregon, Carolina do Sul, Louisiana e Florida). Enquanto o Oregon foi resolvido rapidamente a favor de Hayes, nos três estados do Sul o impasse manteve-se. Acusações de fraude de ambos os partidos nestes estados empurraram a decisão para o Congresso.

 

O Senado, controlado pelos republicanos, e Câmara dos Representantes, dominada pelos Democratas, criaram uma comissão bipartidária para resolver o assunto. Composta por sete republicanos e sete democratas e o juiz do Supremo Tribunal de Justiça David Davis, independente. Mas ainda houve um golpe de teatro. Os democratas do Illinois entretanto nomeiam David Davis para o Senado, na esperança de o convencer a votar de acordo com eles na comissão. Mas Davis após essa nomeação retira-se da comissão e é substituído por um juiz do Supremo republicano. A decisão acaba por ser favorável a Rutherford Hayes, que recebe todos os votos eleitorais em disputa. Mas as polémicas eleições ainda não estavam resolvidas. Essa decisão ainda precisava de passar no Congresso. Quase a chegar à data da inauguração, ainda não há desfecho final. É então que os republicanos celebram um compromisso com os Democratas do Sul para verem aprovada a eleição de Hayes. Em troca da retirada das tropas federais dos antigos Estados Confederados, os democratas do Sul votam a favor da decisão da comissão. 

 

Duas notas: Rutherford Hayes só serviu durante um mandato, e foi várias vezes acusado de ter roubado a eleição. "Rutherfraud" B. Hayes e "His Fraudulency" eram alguns dos epítetos que normalmente lhe eram dirigidos. No entanto, o seu mandato foi marcado pela luta anti-corrupção e considerado como um bom presidente. Depois da presidência dedicou-se sobretudo à educação de crianças afro-americanas no Sul. O seu opositor, Samuel Tilden, aceitou o resultado das eleições e também se dedicou a causas humanitárias. Deixou parte da sua fortuna para financiar a Biblioteca Pública de Nova Iorque. 


23
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:55link do post | comentar
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George Will, Matthew Dowd, Donna Brazile, Jake Tapper e Frank Luntz sobre o debate republicano de terça-feira e a corrida presidencial de 2012. 


22
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:17link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Uma das guerras mais difíceis da história norte-americana está a ter o seu último capítulo. Barack Obama anunciou ontem que até ao final do ano todas as tropas de combate irão retirar do Iraque, ficando para trás apenas uma guarnição de 200 Marines na Embaixada. Além disso, manterão no Iraque um número não divulgado de consultores militares. No entanto, isto não significa um abandono do país, pois permanecerão no local mais de 16 mil americanos, entre diplomatas e civis. George W. Bush tinha assinado um acordo que previa esta retirada total até ao fim de 2011, mas era esperado que um número significativo de soldados ficasse no país a pedido dos iraquianos. Obama que, ao contrário de Bush, nunca se deu bem com o Primeiro-ministro Maliki, negociou durante meses o número de soldados que ficariam no Iraque, mas no fim nao chegou a acordo. 

 

Apesar das evoluções positivas dos últimos anos, o Iraque ainda não é uma democracia estável nem consolidada. A violência sectária ainda afecta algumas regiões do país e o terrorismo continua a ser um problema. Todos os dirigentes iraquianos, à excepção dos Curdos, defenderam abertamente esta retirada total das forças americanas, mas sabemos, pela história destes últimos oito anos, que nem sempre o que se defende em público representa os verdadeiros desejos deles. O antigo Primeiro-ministro Ayad Allawi, líder do maior bloco da oposição e pró-americano, considerou que era tempo dos americanos retirar, pois terão de ser as forças de segurança iraquianas a garantir a paz. Perante a oposição dos partidos iraquianos, e sabia-se que dificilmente passaria no Parlamento um extensão da presença militar americana no Iraque, Obama tomou a decisão de retirar, cumprindo os desejos dos iraquianos. 

 

Obama apresentou esta retirada como uma vitória dos Estados Unidos e e também o resultado de uma promessa efectuada durante a campanha de 2008. Mas nem tudo corre bem para Obama. Os comandantes militares no Iraque aconselhavam uma presença de 10/15 mil soldados americanos para ajudar os iraquianos nos próximos meses. Republicanos como Mitt Romney e John McCain já acusaram Obama de colocar em risco os avanços alcançados nos últimos anos. Se nos próximos 12 meses o Iraque permanecer relativamente estável e no caminho da recuperação política e económica, Obama poderá contar isto como mais um trunfo na frente externa. Se o Iraque regressar a um clima de 2004/2006 e as forças iraquianas forem incapaz de controlar a violência, será um problema para a Administração Obama. 


20
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:14link do post | comentar

 

Barack Obama continua a apostar em força na Internet na campanha de reeleição. Apesar de se encontrar muito frágil depois de três anos de governação, a poderosa máquina de campanha continua a dar sinais que pretende repetir o êxito digital de 2008. Hoje lançou um novo site dedicado à angariação de fundos, One Million Strong, isto dias depois de ter anunciado que neste ciclo eleitoral já recebeceu doações de mais de um milhão de americanos.

 

Este site serve para os utilizadores explorar os dados sobre os doadores. Neste site podemos encontrar informações diversas, como o número de doadores por estado, comparar estatísticas com o ciclo eleitoral de 2008 nesta altura e até saber em que dias da semana e a que horas a campanha recebeu das doações. Outra informação disponibilizada é a profissão dos doadores ou o primeiro nome das pessoas que doaram. Por exemplo, nenhum "Nuno" doou para a campanha de Obama, enquanto 11774 "Michael" já deram dinheiro à campanha. Por fim, também dá para verificar quais os valores que as pessoas deram, mostrando que mais de 98% das contribuições foram de menos de 250 dólares.

 

Este site serve dois objectivos específicos: em primeiro lugar, aumentar as contribuições dos apoiantes. Por outro, mostrar que apesar da queda de popularidade, a campanha de reeleição Obama-Biden continua a ser um movimento popular. O objectivo de angariar mil milhões de euros não virá essencialmente das doações online. Não por acaso, Obama não tem parado em sessões de angariaçao de fundos um pouco por toda a América com milionários. Mas uma boa parte desse dinheiro virá daqui. E até ao momento, as coisas até não estão a correr mal. 

 


19
Out 11
publicado por Alexandre Burmester, às 22:04link do post | comentar | ver comentários (6)

O recente fenómeno político-social que se designa pelo curioso nome de "Occupy Wall Street" tem vindo a ganhar proeminência nos media, quanto mais não seja pelo seu alastramento a outras partes do mundo, como a City de Londres.

 

As reivindicações deste movimento, embora vagas, não deixam de ser expectáveis: li algures - salvo erro no New York Post - que, entre elas, se contavam a revogação de todos os acordos de comércio livre celebrados pelos E.U.A., a livre imigração, e "um salário para todos os americanos" (quer trabalhem, quer não), o que interpreto como uma exigência da criação de um rendimento mínimo garantido. Charles Gasparino, no referido jornal, fez até uma incursão na sede do movimento e não parece ter ficado  muito entusiasmado.

 

Este movimento acaba por parecer  a imagem reflectida do Tea Party, mas com aspectos essenciais muito diferentes. Enquanto o Tea Party tem alinhado firmemente na política partidária, procurando influenciar a eleição de políticos republicanos próximos das suas ideias, não me consta que o "Occupy Wall Street" esteja a pensar patrocinar candidatos democráticos mais populistas ou mais esquerdistas. O movimento faz recordar o velho radicalismo americano dos anos '60 e '70, como o Movimento Anti-Guerra (do Vietname), os hippies, Jerry Rubin, Hanoi Jane, etc. É certo que esse radicalismo dos anos '60 acabou por encontrar voz partidária e eleitoral, na pessoa do Senador George McGovern, candidato democrático às eleições de 1972. Mas não é menos certo que essa candidatura se revelou um fiasco, tendo o Presidente Richard Nixon sido reeleito vencendo 49 dos 50 Estados.

 

Embora o Presidente Obama esteja a tentar lidar com cautela com este movimento, acolhendo com alguma simpatia a sua "indignação", este tipo de agitação, regra geral, revela-se prejudicial ao Partido Democrático.

 

Voltarei ao tema. 


18
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:33link do post | comentar

Tal como em 2008, o calendário das primárias do próximo ano irá começar bem cedo. Ontem foi anunciado que os caucuses do Iowa vão realizar-se logo a 3 de Janeiro, para manter o estatuto de primeira eleição. Inicialmente estava marcado para Fevereiro, tal como as restantes primárias, mas a decisão da Florida antecipar para 31 de Janeiro a sua eleição forçou estas alterações. Até ao momento, e é possível que ainda surjam alterações, o calendário das eleições é este:

 

3 Jan - Iowa (caucus)

10 Jan - New Hampshire

14 Jan - Nevada (caucus)

21 Jan - Carolina do Sul

31 Jan - Florida

 

Mitt Romney é o grande favorito a vencer no New Hampshire e Nevada, enquanto nas restantes eleições deverá emergir um candidato mais conservador. Neste momento parece que será Herman Cain, mas ainda não afastaria Rick Perry, que tem dinheiro e uma máquina montada para competir com Romney, ao contrário de Cain, que parece um lobo solitário. 


17
Out 11
publicado por Alexandre Burmester, às 19:29
Nuno Gouveia às 21:03link do post | comentar

Bem sabemos que, a esta distância das eleições, este género de sondagem tem pouco valor, e apenas, digamos, um interesse "barométrico". 

 

Pois bem, a Rasmussen  hoje diz-nos que Herman Cain lidera Barack Obama por 43%-41% 

 

A vantagem de Cain está dentro da margem de erro, mas não deixa de ser sintomático da actual popularidade deste candidato que é o único republicano que, actualmente, bate Obama nas sondagens da Rasmussen  (Mitt Romney já tem estado à frente de Obama, mas neste momento tal não se verifica, embora por pequenas margens).

 

Cain não é um político (é o antigo CEO da Godfather's Pizza e antigo "chairman" do Federal Reserve Bank of Kansas City), com as vantagens e desvantagens que isso pode acarretar, tem um "staff" limitado e poucos fundos. Não acredito que venha a ser o candidato do Partido Republicano, mas a verdade é que, actualmente, vai confortavelmente à frente de Mitt Romney em sondagens sobre o caucus de Iowa (espécie de "mini-primária") e sobre a primária da Carolina do Sul, sendo estes dois dos primeiros embates das primárias republicanas, à distância de poucos meses.

 

Mas, em muitos aspectos, como dizia um analista conservador, Cain parece um candidato que nem "por encomenda" o G.O.P. conseguiria: "afro-americano" (mais que o Presidente Obama diga-se, pois é filho de dois negros da Geórgia), conservador, "não-político" numa época de pouca popularidade dos políticos, e com uma carreira profissional feita a pulso, digna do "sonho americano".

 

Um fenómeno a seguir com atenção. 


16
Out 11
publicado por Alexandre Burmester, às 11:51link do post | comentar | ver comentários (4)

Estamos a pouco mais de um ano das eleições presidenciais americanas e algumas questões se colocam, a começar pelas que derivam da chamada "sabedoria convencional" ("conventional wisdom"). Dizia esta que Harry Truman seria derrotado por Thomas Dewey em 1948, que John Kennedy não seria eleito em 1960 porque nunca nenhum católico o havia sido, que Richard Nixon, depois das suas derrotas nas presidenciais de 1960 e na eleição para governador da Califórnia em 1962, se tornara um "eterno perdedor" e não tinha possibilidades de ser escolhido de novo para candidatos do seu partido, muito menos ser eleito presidente, que Ronald Reagan era um "extremista" sem hipóteses de algum dia chegar à Casa Branca, que George H.W. Bush estava condenado à derrota em 1988 porque, depois da Guerra, nenhm partido ocupara a Casa Branca por mais de dois mandatos consecutivos, que Bill Clinton, com as revelações inoportunas acerca da sua falta de fidelidade conjugal, durante a campanha de 1992, estava "arrumado", que Hillary Clinton era a mais que certa candidata do Partido Democrático em 2008 (e mais que provável vencedora em Novembro, fosse quem fosse o desamparado candidato republicano) e, finalmente, que a América era demasiado "racista" para eleger um "afro-americano".

 

Outro aspecto da "sabedoria convencional" é o dizer-se que "os presidentes dos EUA são sempre reeleitos" (fenómeno diferente do português, onde o Presidente não é o chefe do executivo, sendo mais encarado como um monarca constitucional). Pois bem, dos últimos seis (por ordem cronológica, Ford, Carter, Reagan, Bush I, Clinton e Bush II), três deles perderam as eleições.

 

 

 

Truman exibe a capa do jornal que anunciara a vitória de Dewey em 1948

 

Concordo que Gerald Ford era um caso especial - completava o segundo mandato de Richard Nixon, após este se ter demitido - e George H.W. Bush cumpria o terceiro mandato consecutivo do mesmo partido na Casa Branca. Só Jimmy Carter pode comparar-se a Barack Obama: nenhum deles sucedeu a um correligionário.

 

É claro que Barack Obama está em posição muito difícil - segundo as sondagens e as perspectivas da economia americana - e acho que nenhum potencial candidato republicano pode ser considerado sem hipóteses. A história recente mostra-nos que os "sem hipóteses" (especialmente Reagan, Clinton e Obama) são muitas vezes os vencedores. Ou seja, embora Mitt Romney seja o claro favorito dos analistas, não é de excluir que alguém como o inesperado Herman Cain consiga a nomeação (por esta altura em 2007, quem dava hipóteses a Obama?). E se Cain for o candidato republicano, por mais que a "sabedoria convencional" possa dizer o contrário, eu acho que ele ganhará.

 

A ver vamos.

 

PS Numa coluna na revista inglesa The Spectator, o historiador Andrew Roberts disse recentemente que, numa festa em Martha's Vineyard (local privilegiado para reuniões da elite democrática, e onde os republicanos são tão assíduos como os pinguins na Florida) Bill Clinton lhe confidenciou qualquer coisa acerca de um dos principais candidatos republicanos que, a ser verdade, significará que a corrida no  G.O.P. estará em aberto.

 

 


14
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:41link do post | comentar | ver comentários (3)

O Era uma vez na América passa a trio a partir de agora. A um ano das eleições presidenciais e com a intensidade política a crescer nos Estados Unidos, posso assegurar-vos que esta é uma grande contratação. O novo escriba é o Alexandre Burmester (já está na coluna da direita), um profundo conhecedor da realidade americana. Com a sua entrada, estou certo que o blogue passará a ter mais motivos de interesse, e ganharemos todos com as análises que o Alexandre irá deixar aqui. Nestes quase dois anos de blogue habituei-me a ler com prazer os comentários que o Alexandre fazia em muitos posts, acrescentando sempre informação e pormenores só ao alcance de alguém que entende perfeitamente a cultura e a sociedade americana. Como não podia deixar de ser, o Alexandre é também, tal como eu e o José Gomes André, é um confesso admirador dos Estados Unidos. Sejas bem vindo, Alexandre.

 

PS: Posso também adiantar que o José Gomes André em breve voltará a postar. Como amigo dele, mas também como admirador dos seus escritos, confesso que já estou com saudades. 


publicado por Nuno Gouveia, às 18:50link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A hipótese chegou a ser pensada e quem o afirma é James Baker, antigo Secretário de Estado de George H. Bush e director da sua campanha presidencial de 1988. Quando Bush estava a quase 20 pontos de Michael Dukakis e precisavam de um candidato a Vice Presidente capaz de "abanar" a corrida, Clint Eeastwood, então mayor republicano de uma cidade da Califórnia, foi um dos nomes em cima da mesa. A opção acabou por ser Dan Quayle, senador do Indiana. Se Eastwood tivesse sido convidado, provavelmente os Estados Unidos teriam ganho um grande político, mas o mundo teria perdido alguns dos melhores filmes das últimas décadas. A história é contada aqui no site da ABC News


publicado por Nuno Gouveia, às 00:09link do post | comentar | ver comentários (3)

Já várias vezes critiquei aqui a retórica ou o estilo de alguns políticos republicanos. Ainda recentemente tive uma saudável discussão sobre Sarah Palin e Michelle Bachmann nesta caixa de comentários com o Octávio dos Santos. Mas também há políticos do mesmo nível (a minha opinião) no Partido Democrata. Nancy Pelosi é um desses exemplos. Hoje apanhei este discurso da líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, a dizer que os republicanos querem deixar as mulheres morrer no chão, isto a propósito de uma votação sobre o aborto. Se os políticos consideram que os seus adversários em democracia, sejam eles quais forem, pretendem a morte dos seus cidadãos, algo está mal com eles. Este tipo de argumentação não deveria ter lugar no debate político. 


13
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:45link do post | comentar

 

Nos últimos tempos Barack Obama não tem tido razões para sorrir perante os números que lhe vão sendo colocados à sua frente. Mas hoje a situação é diferente. Neste último trimestre, a equipa de candidatura de Obama angariou cerca de 70 milhões de dólares, sendo que 27,3 milhões desse valor refere-se ao angariado pelo Democratic National Commitee. Em termos de sondagens, a NBC/WJS oferece vantagem a Obama em relação a Cain, Perry e Romney, sendo que este é o que está mais próximo, apenas dois pontos percentuais atrás. Na sondagem da Time, Obama também surge à frente dos adversários, com Romney a ficar apenas a três pontos. Convém no entanto dizer que a popularidade do Presidente permanece no vermelho. 


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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