29
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 18:00 | comentar | ver comentários (2)

 

Desde o inicio que me pareceu que Herman Cain, pelos seus dotes oratórios e pela presença que sempre demonstrou nos debates, seria o candidato republicano mais bem colocado para protagonizar uma campanha "insurgente" nestas primárias. Mas depois surgiu Michele Bachmann, e Cain foi perdendo algum do seu fulgor, mantendo, no entanto, uma base de apoio considerável, especialmente no tea party. Mas Herman Cain parece estar a subir nas sondagens, em contraste com duas quedas abruptas. Segundo a última sondagem da Fox News, Herman Cain surge em terceiro lugar, com 17 por cento das intenções, apenas dois pontos atrás de Rick Perry e seis de Mitt Romney, o actual líder. Atrás dele estão Gingrich (11), Paul (6), Huntsman (4) e Bachmann e Santorum (3). A confirmar-se esta tendência nas próximas sondagens, temos movimentos interessantes. A grande queda de Rick Perry depois do último debate na Florida e o quase desaparecimento de Bachmann. Em contraste, a grande subida de Herman Cain nesta sondagem. Por outro lado, Gingrich aparece com uns supreendentes 11 por cento e Jon Huntsman, depois de ter tido boas notícias do New Hampshire, abandona finalmente o último lugar numa sondagem. Ron Paul parece estagnado na sua base de apoio, apesar do sucesso financeiro da sua campanha. Mitt Romney, bem, recupera a liderança sem subir muito. 

 

Duas notas sobre a campanha de Herman Cain. Esta subida aparece em consequência da sua prestação no último debate na Florida, e da consequente vitória na Straw Poll do Sunshine State. Os eleitores mais conservadores, que inicialmente apoiaram Bachmann, e mais tarde Rick Perry, parecem estar dispostos a olhar com mais atenção para a sua candidatura. Sem experiência política, Cain parece oferecer aquilo que muitos dos eleitores conservadores neste momento procuram: alguém que consiga trazer paixão e entusiasmo a esta campanha. Não chegará para ganhar a nomeação, mas Cain pode muito bem representar nestas primárias aquilo que Mike Huckabee representou em 2008, com algumas vitórias eleitorais pelo meio. Tudo dependerá do modo como ele se comportar nos próximos debates, e se Perry terá capacidade para recuperar o elã perdido nas últimas semanas. 


28
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 10:16 | comentar

 

Um thriller político que promete, com George Clooney e Ryan Glosling nos principais papeis, que estreia em Novembro em Portugal. Uma história que envolve um consultor político idealista que mergulha na política suja de uma campanha presidencial. Entram ainda Evan Rachel Wood, Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e Marisa Tomei. 

 

Ainda sobre filmes políticos, aconselho a leitura desta lista do Rui Calafate, a propósito deste post de Luís Paixão Martins. Entre os citados na área da política, os meus preferidos são Primary Colors, Wag the Dog, All The King`s Men e Nixon. Acrescentaria dois documentários que já referi aqui: um sobre a campanha presidencial de Bill Clinton, War Room, e outro sobre a vida de Lee Atwater, The Boogie Man

 


27
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 22:41 | comentar

Poucos assuntos prometem ser mais polémicos na campanha eleitoral do que a reforma da saúde de Obama. Os republicanos apenas têm duas hipóteses para "matar" esta lei. A primeira é vencerem as eleições presidenciais em 2012 e construírem maiorias no Congresso que lhes permitam revogar a lei. 2013 é a última oportunidade para tal, pois é consensual que depois desse ano será quase impossível reverter a Obamacare. A outra é o Supremo Tribunal declarar que a lei vai contra a Constituição dos Estados Unidos. Hoje soubemos que esta irá ser decidida no Supremo em plena campanha eleitoral, durante o Verão de 2012. Neste momento a reforma mantém elevados índices de impopularidade na população americana, e todos os candidatos republicanos prometem revogá-la, caso sejam eleitos. Paralelemente, vários estados colocaram em causa a inconstitucionalidade da lei, o que irá ser decidido pelo Supremo. 

 

Com o actual equilíbrio de forças do Supremo, parece certo que o destino da lei está nas mãos do juiz Anthony Kennedy, nomeado por Ronald Reagan, e swing voter nas questões ideológicas. Se os "conservadores" John Roberts, Anthony Scalia, Samuel Alito e Clarence Thomas deverão votar contra, os "liberais" Stephen Breyer, Elena Kagan, Ruth Ginsberg e Sonia Sotomayor provavelmente irão defender a constitucionalidade da lei. Qualquer que seja a solução que o Supremo apresente, esta terá grandes consequências na campanha em curso. Mas como veremos, a argumentação do Supremo Tribunal, como sempre sucede, será muito mais ideológica do que judicial. 

 

Caso a decisão seja a favor, a lei da saúde será reforçada, e Obama poderá voltar à carga, para tentar convencer os americanos descontentes e fazer vingar a grande reforma do seu mandato. Mas caso o Supremo decida em favor contrário, Obama poderá fazer campanha contra as forças de bloqueio do Supremo, o que não é uma originalidade da política americana. Rick Hasen recorda aqui que Frank D. Roosevelt fez o mesmo. Não será muito positivo para a sua campanha, mas será a saída possível. Os republicanos ficarão em situação complicada no primeiro cenário. Na sua oposição à lei, ao juntarem argumentos constitucionais aos políticos, colocaram-se nas mãos do poder judicial. Se este legislar em seu favor, isso será um trunfo enorme para utilizarem na campanha. 

 

Sobre o Supremo Tribunal, recordo aqui este post que a Ana Margarida Craveiro escreveu para o Era uma vez na América. 


26
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 22:10 | comentar | ver comentários (2)

AP Photo

 

Os rumores sobre uma candidatura presidencial de Chris Christie aumentaram consideravelmente desde o último debate republicano. Este 'buzz' todo reflecte o descontentamento que existe entre os republicanos com o leque de candidatos actual, o que não é alheia a péssima prestação de Rick Perry no debate da Florida. Olhando para os candidatos, facilmente se conclui que apenas dois deles têm hipóteses de obter a nomeação: Mitt Romney e Rick Perry. Mas este último tem desiludido bastante, e o último debate parece ter provado a muitos republicanos que não está preparado. Daí, viraram-se para Chris Christie, talvez a última grande esperança para enfrentar Mitt Romney. O problema para eles é que Christie tem dito consistentemente que não será candidato. Governador de New Jersey desde 2009, tem afirmado que não se sente preparado para ser Presidente. Mas na vida às vezes não se tem uma segunda oportunidade, e Christie estará a repensar a sua postura. A National Review refere hoje que o antigo governador de New Jersey confirma que Christie estará mesmo a pensar numa possível candidatura, e que as hipóteses de avançar são bem maiores do que há duas semanas atrás. 

 

Mas na verdade já vimos este filme neste ciclo eleitoral. O establishment republicano, grande parte dele desagradado com Mitt Romney, tem vindo a pressionar políticos para avançarem. Primeiro foi Mitch Daniels e ainda recentemente Paul Ryan. As negas destes políticos fizeram-nos acalmar e esperar para ver se a entrada de Rick Perry resolvia o problema. Mas passado três semanas, parece evidente que o governador do Texas não está preparado. Uma candidatura de Chris Christie representaria a possibilidade de unir o partido em torno de alguém excitante e que gerasse entusiasmo na base republicana. Sendo actualmente uma das grandes estrelas do Partido Republicano, juntamente com Marco Rubio, Christie poderia ter a seu lado os conservadores do tea party e os moderados ligados ao think tanks de Washington, bem representar uma poderosa força junto dos financiadores habituais do GOP, que até ao momento têm estado afastados desta campanha. Além do mais, sendo de New Jersey, teria grandes hipóteses nas eleições gerais de capturar o Midwest a Obama, algo que Perry, por exemplo, parece longe de conseguir. 

 

A minha previsão: a fazer fé no que Chris Christie tem vindo a dizer neste último ano, não irá a avançar. Estes rumores são positivos para a sua "marca" e eleva o seu estatuto dentro do partido. Mas uma entrada tardia para Christie na corrida não significaria sucesso garantido, e poderia destruir a sua carreira política, caso não estivesse à altura das expectativas. Acredito que Christie irá tentar ganhar a reeleição em 2013, e esperar por melhor oportunidade, em 2016 ou 2020. Quanto aos republicanos que pressionam Christie, terão de contentar-se com o actual campo, e acredito que a maior parte deles acabe por cair para o lado de Romney, como a opção mais credível para derrotar Barack Obama. Como aconteceu em 2008, quando acabaram por apoiar McCain, apesar da desconfiança que tinham. Se estiver errado, cá estarei para dar a mão à palmatória.


23
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 23:08 | comentar

 

A exploração espacial há muito que deixou de ser uma prioridade dos Estados Unidos. Infelizmente para o país e para a humanidade. Mas hoje a NASA publicou um relatório, Global Exploration Roadmap, que explica detadalhamente os planos para os próximos 25 anos. Destaco, como não poderia deixar de ser, a grande desilusão da tão aguardada viagem a Marte não estar incluída ainda. Este documento é produto de um trabalho conjunto de 14 agências espciais, incluíndo a russa, inglesa e chinesa. Isto é uma boa notícia: a humanidade a trabalhar em conjunto. 

 

As duas grandes missões previstas são a "Asteroid Next" e "Moon Next", onde está previsto o regresso à Lua na década de 20 e a viagem a um asteroide em 2030 e uma ida ao "Deep Space em 2034. O próximo passo será a viagem tripulada a Marte, ainda sem data explícita. Mas o documento tem mais pontos de interesse, como a procura da vida no espaço, a exploração de vários destinos para o Homem ou o desenvolvimento tecnológico no espaço.  


Por Nuno Gouveia, às 17:43 | comentar | ver comentários (3)

 

As sondagens do último mês colocaram Rick Perry consistentemente à frente nas sondagens nacionais, e logo a imprensa colou-lhe o rótulo de favorito. Talvez com justiça. Mas passados três debates em que Rick Perry participou e não vejo possível como ele poderá manter esse estatuto. Ontem esteve mesmo muito mal, não conseguindo sequer disfarçar a sua inabilidade para este tipo de debates. E nem quero sequer comparar a sua prestação com a de Mitt Romney. Olhando para as respostas, a convicção e o conteúdo de Perry, e rapidamente verificamos que políticos experientes como Rick Santorum, senador e congressista durante vários anos, e Newt Gingrich, têm estado bem melhor do que Perry. Ontem esse contraste foi por demais evidente, com Santorum, Gingrich e também Jon Huntsman pelo centro, a demonstrarem terem bem mais fibra do que Perry. E o debate de ontem deve ter feito soar os alarmes no establishment republicano que não se revê em Romney e aguardava pelo comportamento de Perry. Não por acaso, esta manhã em Washington o nome de Chris Christie voltou a ser falado constantemente. 

 

O debate de ontem à noite na Florida terá sido um sério revés para Rick Perry. Depois das suas primeiras prestações não terem sido muito positivas, ontem foi um verdadeiro desastre. O constraste com Mitt Romney foi por demais evidente, com este a mostrar que está perfeitamente preparado para atacar a presidência. Ter uma campanha presidencial no currículo ajuda bastante, e o facto de estar em campanha desde 2007, quando anunciou a sua primeira candidatura, tem ajudado bastante. Durante estes debates evita os ataques dos adversários, centra a sua mensagem em Obama e passa por cima das armadilhas que lhe vão sendo colocadas. Ontem perguntaram-lhe se considerava, tal como outros concorrentes, que Obama era um socialista. Não caindo na armadilha de lhe chamar socialista, Romney disse que gostaria era de chamar a Obama "former President" e que considerava que Obama era um "liberal" da velha escola do Partido Democrata, e que está perfeitamente de acordo com as políticas falhadas dos partidos europeus social-democratas, alguns deles chamados socialistas. Uma grande diferença para o radicalismo de outros, que consideram Obama um socialista, mas da escola soviética.  Romney tem alguns problemas com a base republicana, e só isso é que o impede de estar muito à frente nas sondagens. A sua reforma na saúde no Massachusetts, a sua moderação em determinados assuntos e posições antigas sobre o aborto ou controlo de armas retiram-lhe apoio na base conservadora e no tea party. Além do mais, não esquecer que é Mórmon, um assunto que tem andado esquecido nestas primárias, mas que deverá fazer confusão entre alguns evangélicos. Mas depois de ter visto estes debates, não há que esconder: Romney tem estado num nível muito superior aos restantes. Não digo que Perry não consiga surpreender já no próximo debate e recuperar o fôlego entretanto perdido. Tem um longo currículo político e certamente não se deixará abater tão facilmente. Mas a continuar neste linha, não acredito que tenha hipóteses de bater Romney. O eleitorado conservador no passado já deu mostras de inteligência, ao olhar para a elegibilidade dos candidatos, e desta vez, acredito que não faça de modo diferente.  

 

A entrar nos últimos três meses do ano, haverá certamente novidades na campanha. Irá emergir alguém no Iowa para fazer frente a Perry? Rick Santorum tem estado bastante bem nestes debates e poderá ter algum movimento nas sondagens, e Michele Bachmann, que desapareceu dos holofotes (e das sondagens nacionais) irá dar tudo por tudo no Iowa. Com tanta gente a competir ferozmente no Iowa, Romney irá certamente atacar nos caucuses. No New Hampshire, Romney aparece muito à frente, mas Jon Huntsman deu sinal de vida recentemente em duas sondagens, a aparecer com mais de 10 por cento. Será que vai emergir como a alternativa a Romney aqui? Ainda muito irá acontecer nestas primárias. Recordo que em 2007, por esta altura, Rudy Giuliani liderava as sondagens, seguido de perto por Fred Thompson. John McCain, o nomeado, andava pelas ruas da amargura, e Mitt Romney e Mike Huckabee não chegavam aos 10 por cento. 


Por Nuno Gouveia, às 00:10 | comentar

 

Tim Pawlent parece ter inaugurado uma nova era nos anúncios políticos republicanos. Esta semana Rick Perry lançou um novo vídeo na rede que faz lembrar os blockbusters de Hollywood. Segundo o TechPresident, este vídeo foi realizado por Lucas Baiano, que já tinha feito os vídeos da campamnha de Tim Pawlenty e trabalhado anteriormente com John McCain e Hillary Clinton. A publicidade que tem gerado na rede parece mostrar que este género de anúncios são uma boa aposta. 


22
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 20:51 | comentar

foto retirada do twitter da Press Secretary de Mitt Romney

 

Nas campanhas nunca ficámos a conhecer verdadeiramente os candidatos. Aliás, diria mesmo que nunca conhecemos a personalidade daqueles em quem votamos. E na política americana, onde todos os aspectos da comunicação são estudados ao pormenor, nada do que assistimos durante uma campanha presidencial surge do ocaso. Todas as campanhas tentam apresentar-nos os candidatos da forma mais simples do mundo. Como se do nosso vizinho se tratasse. Hillary Clinton andou a beber shots de Whisky no New Hampshire e Barack Obama apareceu a beber cerveja em bares do Iowa. No fundo, estes políticos, muitos deles milionários, não são diferentes de nós. Essa é a mensagem que tentam vender. 

 

Mitt Romney, membro de uma poderosa família política do Michigan, formado em Harvard e com uma fortuna pessoal na ordem dos 200 milhões de dólares, tem utilizado essa estratégia. Sendo olhado com desconfiança por muitos na base republicana pelo seu elitismo, Romney tem sido visto a comer bastantes vezes fast-food e a viajar na Southwest, uma espécie de Ryan Air americana. Não digo que Romney não goste de fast-food ou não seja cliente regular de companhias de low cost. Mas o facto de o revelar ostensivamente durante a campanha denota que existe uma estratégia por trás disso. Podem ler mais sobre isto nesta peça do NY Times

 

PS: Hoje à noite, por volta das 2h00 (de Lisboa) a Fox News transmite mais um debate presidencial, desta vez patrocinado pela Google. O debate será moderado pele Brett Baier, Chris Wallace e pela excelente Megyn Kelly. 


Por Nuno Gouveia, às 16:21 | comentar | ver comentários (2)

 

Barack Obama há um ano prometeu apoiar a criação do estado da Palestina, num discurso nas Nações Unidas. Não foi novidade, pois já anteriormente George W. Bush tinha apoiado semelhante proposta. Mas todos os envolvidos sabem que o estado da Palestina depende sobretudo de um acordo de paz negociado entre palestinianos e israelitas. Por isso, esta semana Obama teve de dizer, no mesmo palco, que os Estados Unidos não apoiam a criação unilateral de um estado, e se tal for necessário, irão vetar tal proposta no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Portanto, após um ano em que o processo de paz esteve parado, os palestinianos tentaram encostar Obama à parede, e este não cedeu e manteve o apoio inequívoco a Israel. Os Estados Unidos têm liderado pressões internacionais para que a Autoridade Palestiniana não avance com o pedido de adesão à ONU, para não forçar o veto americano. 

 

Sem querer tecer grandes considerações sobre o processo em si, interessa analisar esta posição de Obama enquadrada na situação política americana. Os judeus americanos são historicamente democratas. Mas nos últimos meses têm surgido sinais que nas próximas presidenciais Obama poderá perder parte desse apoio tradicional. Esta decisão da Autoridade Palestiniana surge na pior altura para Obama, que tem vindo a ser acusado pelos opositores de ter cedido em relação a Israel. E isto depois de uma semana em que os democratas perderam uma eleição para o Congresso num distrito com uma grande comunidade judia, onde não perdiam desde a década de 20 do século passado. A pressão do Congresso para que Obama adopte esta posição tem sido fortíssima, com vários republicanos e democratas a ameaçar a Autoridade Palestiniana com o corte do subsídio anual na ordem dos 600 milhões de dólares, caso avancem para o Conselho de Segurança. Nada menos que 88 dos 100 senadores apoiaram esta orientação. E em plena campanha, os principais candidatos republicanos, Rick Perry e Mitt Romney, teceram esta semana duras críticas à política da Administração. Os detractores acusam o Presidente de ter criado as condições, com os seus discursos ambíguos em relação a Israel ao longo destes anos, para a Palestina ter avançado com esta posição unilateral nas Nações Unidas.

 

Na verdade, desde há muitas décadas, que a política externa americana colecciona fracassos no processo de paz israelo-árabe. Com algumas excepções, como os acordos de paz de Camp David em 1978 com Jimmy Carter e os acordos de Oslo com Bill Clinton em 1993. E Obama, que se comprometeu fortemente com o processo de paz, mostrando talvez uma abordagem mais independente do que os seus antecessores, não se tem dado bem. Agora, com esta ameaça formal de veto, deixa bem evidente que os Estados Unidos são, e serão, o mais fiel aliado de Israel. Rodeado de países inimigos e com o crescente perigo da radicalização do Egipto e da Turquia, Israel sabe com quem pode contar nas horas difíceis.


21
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 11:00 | comentar

Realizado pelo fantástico Clint Eastwood e protagonizado por Leonardo DiCaprio, "J. Edgar" é um filme que promete. Uma das figuras mais poderosas e polémicas dos Estados Unidos durante várias décadas, Edgar Hoover manteve durante anos o poder amordaçado pelos seus comprometedores ficheiros. Na verdade, Harry Truman, John Kennedy e Lyndon Jonhson tentaram afastar o primeiro director do FBI, mas nunca avançaram para tal, pois os riscos políticos eram enormes. Estreia em Novembro nos Estados Unidos, estando prevista a sua chegada aos cinemas portugueses apenas em Janeiro de 2012. 


20
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 15:31 | comentar

Ron Suskind, vencedor de um Pulitzer Prize e autor de vários livros sobre a Administração Bush, vai lançar em breve este livro que sobre a Administração Obama. Entre os vários excertos que já se conhecem, destaque para os desentendimentos e tensões entre os assessores económicos de Obama, as críticas de alguns deles, como Larry Summers, que é citado a dizer que "Bill Clinton nunca cometeria este tipo de erros" ou "esta Administração não tem liderança" ou ainda as dificuldades que as mulheres sentiram durante os primeiros dois anos. O estilo de liderança de Obama também é colocado em causa, sendo descrito como um "jovem e inexperiente presidente". A exemplo do que sucedeu com os livros que escreveu sobre Bush, Suskind teve a colaboração de membros da Administração, tendo entrevistado Barack Obama e vários dos seus assessores. São mais de 700 horas de entrevistas. Vários membros da Administração já vieram a público criticar Suskind e a falta de veracidade de algumas das afirmações no livro, bem como acusaram o autor de exagerar e citar expressões fora do contexto. 

 

Não é novidade. Todos os Presidentes passam por este tipo de "publicidade" e as tensões e discussões dentro da Administrações são perfeitamente normais. Mas não é uma boa notícia para Obama, ainda por cima nesta fase. 

 

 


19
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 23:39 | comentar

Poster for Taft's re-election, 1912.


O republicano William Howard Taft era o presidente em exercício em 1912, mas acabou por ficar em terceiro lugar nessa eleição. Nesse ano, um antigo presidente, e também republicano, é que dominou a campanha presidencial: Teddy Roosevelt. O vencedor acabou por ser um antigo presidente da Universidade de Princeton, Woodrow Wilson. E como é que isto aconteceu? Uma revolta interna no Partido Republicano, liderada por Teddy Roosevelt, que saiu do GOP e candidatou-se pelo Partido Progressista, fundado entretanto por ele e pelos seus aliados. 

 

William Howard Taft, que tinha sido Secretário da Guerra de Roosevelt, assumiu a presidência em 1909, com o apoio do antigo presidente. Mas durante o consulado de Taft, Roosevelt começou lentamente a assumir-se como oposição interna,  acusando a Administração Taft de ter-se deslocado para a direita e abandonado os princípios da sua presidência. Nas primárias de 1912, Roosevelt avançou e venceu nove das doze eleições. Mas nessa época as primárias tinham pouco valor na corrida à nomeação, e Taft, que através da poderosa máquina republicana do Ohio controlava o partido, foi facilmente nomeado na Convenção de Chicago. Teddy Roosevelt, motivado pelas vitórias populares e por um círculo de apoiantes fervorosos, abandona o Partido Republicano, cria o Partido Progressista e avança para a presidência. O "Moose Bull Party", como ficou conhecido este novo partido, tinha uma plataforma populista a anti-sistema, com medidas progressistas para a época, como a criação de um sistema nacional de saúde, voto das mulheres, dia de trabalho de oito horas, eleição directa de senadores, a institucionalização do sistema de primárias ou a criação de referendos. 

 

Com a divisão do Partido Republicano, os Democratas viram aqui uma oportunidade para recuperar a Casa Branca, que lhes escapava já desde 1896, quando Grover Cleveland saiu para dar lugar a William McKinley. Na histórica Convenção de Baltimore, William Jennings Bryan, candidato três vezes derrotado pelos republicanos em 1896, 1900 e 1908, decidiu não se candidatar e apoiar o então Speaker da Câmara dos Representantes, Champ Clark, do Missouri. Mas após várias votações, este não conseguia chegar aos 2/3 necessários para obter a nomeação. A Tammany Hall, a poderosa máquina democrata de Nova Iorque decide então apoiar Clark, e deu-se a reviravolta, com Jennings Bryan a retirar-lhe o apoio e colocar-se ao lado do então governador de New Jersey, o académico Woodrow Wilson, que tinha ficado sempre em segundo, atrás de Clark. Após 46 votações, finalmente Woodrow Wilson obteve a nomeação do partido. Mais tarde, viria a recompensar William Jennings Bryan com o cargo de Secretário de Estado. 

 

William Howard Taft cedo percebeu que não teria grandes hipóteses de vitória, e praticamente não fez campanha. Roosevelt, no seu estilo lutador, pretendeu fazer uma campanha vigorosa, mas viria a sofrer uma tentativa de assassinato a 14 de Outubro durante um discurso. Apesar de baleado, a ferida não foi grave e Roosevelt terminou o seu discurso antes de ser encaminhado para um hospital. Essa bala permaneceu no peito de Roosevelt até ao fim da sua vida, pois os médicos consideraram perigoso retirá-la. Os adversários suspenderam a campanha durante uma semana, mas viriam a retomá-la nas últimas semanas antes das eleições. Woodrow Willson viria a vencer as eleições facilmente, com 41 por cento dos votos, com Teddy Roosevelt a ficar em segundo lugar, com 27 por cento e Taft, o pior resultado de sempre de um presidente em exercício, com apenas 23 por cento. 

 

Taft e Roosevelt viriam a reconciliar-se um pouco antes da morte deste último em 1919. Taft, que apenas faleceu em 1930, viria a ser nomeado Presidente do Supremo Tribunal de Justiça em 1921, pelo Presidente Warren Harding. Foi o único americano a ocupar os dois cargos. Teddy Roosevelt, que provocou o maior terramoto político da história do Partido Republicano, viria a regressar ao partido e tornar-se num dos grandes opositores de Woodrow Wilson. Em 1916 apoiou entusiasticamente o candidato republicano Charles Evan Hughes, e era mesmo um dos nomes mais falados para a nomeação em 1920.

 


Por Nuno Gouveia, às 15:35 | comentar

O Presidente irá anunciar hoje o seu plano de combate à dívida, com um corte previsto de 3 biliões de dólares na dívida americana nos próximos 10 anos. Segundo o que já se sabe, este inclui um aumento de impostos para os mais ricos no valor de 1,5 biliões de dólares e cortes na despesa no mesmo valor, em programas federais como o Medicare e Medicaid, e ainda na redução da presença militar no Iraque e Afeganistão. Este plano deixa de fora a segurança social. Obama promete também vetar todas as leis que incluam uma redução nos custos da Medicare sem um aumento de impostos para os mais ricos. Mas este plano está já condenado à reprovação, pois Obama sabe que nunca passará na Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos. 

 

Acossado pelas sondagens e pelo próprio partido, Obama tenta assim cair novamente nas boas graças da sua base eleitoral, e colocar os republicanos na defensiva. Obama está a lançar a sua campanha presidencial, dando o mote: "os republicanos não querem reduzir o défice, apenas querem proteger os interesses dos ricos". Esta será a mensagem que Obama irá repetir até à exaustão até Novembro de 2012. Veremos se terá sucesso na batalha pela opinião pública. 


17
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 21:18 | comentar

Hoje os americanos receberam más notícias, com o desaparecimento de três personalidades ligadas à comunidade política. Charles Percy, antigo senador do Illinois, faleceu aos 91 anos, com a doença de Alzheimer. Sendo um dos últimos "liberal" republicans, Percy foi senador entre 1967 e 1984, tendo ficado famoso pela oposição que moveu a Richard Nixon aquando do escândalo Watergate e ainda da guerra do Vietname. Antes, em 1968, foi um dos nomes falados para se candidatar à nomeação republicana, contra Nixon, mas acabou por apoiar Nelson Rockefeller. Acabou por ser derrotado já em plena Reagan revolution pelo democrata Paul Simon. 

 

Mais trágicos foram os desaparecimentos de Eleanor Mondale, a filha do antigo Vice presidente Walter Mondale, e Kara Kennedy, filha do antigo senador Ted Kennedy. Ambas tinham apenas 51 anos e foram vítimas de doenças prolongadas. 


16
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 19:04 | comentar

James Carville escreveu um artigo muito crítico em relação à Administração Obama e lançou uma sugestão: despeçam alguém. Entre outras farpas, o antigo director de campanha de Bill Clinton defendeu que Obama deve estar em pânico e que deve fazer alguma coisa para impedir que os republicanos conquistem a Casa Branca em 2012. Aqui fica uma entrevista à CNN sobre esse artigo. 


Por Nuno Gouveia, às 18:35 | comentar

Esta semana foi noticia nos Estados Unidos a entrega de uma Medal of Honor, a mais alta condecoração das forças armadas americanas. Este reconhecimento de heroísmo por parte do estado americano apenas é concedido a actos de extrema bravura. Dakota Meyer, que quando cometeu o acto que o levou a receber a condecoração, tinha apenas 21 anos, ajudou a salvar a vida de 36 soldados americanos e afegãos. A história está relatada aqui

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15
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 13:00 | comentar

 

Nos primeiros dois anos da Administração Obama, os "empregos verdes" foram uma constante da retórica da Casa Branca. Infelizmente para a economia americana, não houve um "boom" no emprego na area da energia, e muitos desses projectos foram abandonados. Obama percebeu a mensagem e deixou de falar nisso nos seus discursos sobre o combate ao desemprego. Mas esta semana surgiram notícias de um potencial escândalo que pode assombrar a Casa Branca. 

 

Através do plano de estimulo à economia aprovado em 2009, a Administração Obama cedeu à Solyndra, uma empresa de energia solar californiana, uma garantia de empréstimo no valor de 500 milhões de dólares para a construção de uma fábrica de painéis solares. Mas a empresa entrou em falência este mês, despedindo mais de mil trabalhadores no inicio deste mês. Mas os problemas para Obama não se resumem a terem financiado uma empresa falida, pois alguns dizem que já em 2009 a empresa apresentava debilidades financeiras. Nos últimos dias surgiram notícias que o Vice-Presidente Joe Biden teria-se envolvido directamente nas negociações, e teria apressado o empréstimo para a empresa. Já está em acção uma investigação no Congresso, e será de prever mais problemas para Obama. 


14
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 12:15 | comentar | ver comentários (1)

Ontem o distrito 9 de Nova Iorque foi a votos para escolher o sucessor do congressista Anthony Weiner. Desde 1923 que este lugar não era ocupado por um republicano, mas ontem foi um que venceu a eleição, roubando o lugar aos democratas. Num distrito onde a popularidade de Obama é de 31 por cento, Bob Turner, o novo congressista, conseguiu transformar esta eleição num referendo às políticas da Administração. As posições de Obama em relação a Israel também foram um foco desta campanha. Com uma comunidade judia bastante numerosa, a questão de Israel foi bastante explorada pelos republicanos, e vários judeus proeminentes de Nova Iorque envolveram-se ao lado do republicano. O antigo Mayor de Nova Iorque, o democrata Ed Koch, foi um dos apoios mais estridentes a pedir uma severa derrota para Obama. Estas eleições lançam dois avisos: o voto da comunidade judia americana, que desde sempre tem sido maioritariamente democrata, está mesmo em perigo em 2012; Obama poderá mesmo ter de preocupar-se com distritos e estados tradicionalmente democratas. Conforme já li algures, esta vitória republicana faz lembrar algumas vitórias democratas em distritos conservador na última fase da Administração Bush. Muito más notícias para o Presidente. 

 

No Nevada, também decorreu uma eleição especial para substituir o agora senador republicano Dean Heller. Sem surpresa, o nomeado republicano venceu com mais de vinte pontos o adversário democrata. No entanto, este distrito, que é tendencialmente republicano, costuma ter resultados mais renhidos. Uma má noite para os democratas. 

 

Adenda: Deixo aqui, em complemento, este excelente comentário do Alexandre Burmester:

 

Este impressionante resultado no nono distrito eleitoral do Estado de Nova Iorque (é que nem sequer foi renhido: 54%-46%) vem na linha das vitórias de Chris Christie em New Jersey em 2009 e Scott Brown no Massachusetts em 2010 - já para não falar na onda republicana de Novembro passado.

Mesmo tendo em consideração a particular constituição demográfica deste distrito, com um forte bloco judaico (cerca de 25%), agora motivado contra Obama , não deixa de ser um resultado péssimo para os democratas e, em especial para o Presidente Obama . É que este círculo eleitoral é essencialmente um círculo de classe trabalhadora branca, o bastião dos últimos Archie Bunker, como Sean Trende pitorescamente refere num comentário no realclearpolitics.com . E a queda abrupta de apoio entre este sector do eleitorado foi sempre fatal para os democratas (vide George McGovern em 1972 e Michael Dukakis em 1988).

Finalmente, este tipo de eleição (as chamadas "special elections ", destinadas a preencher um lugar vago no Congresso) não pode, apesar de tudo, ser lido como um barómetro eleitoral presidencial; apenas fornece indicações de tendência.



13
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 19:35 | comentar

 

Ontem Rick Perry teve uma noite dificil. No segundo debate em que participou, o governador do Texas foi o alvo de todas as criticas. Estando a jogar em casa, pois o debate era co-organizado pelo Tea Party Express, a audiência era-lhe favorável, ao contrário do que sucedeu com Mitt Romney, a pisar terreno hostil. Mas devido ao estatuto de favorito nas sondagens, todos dirigiram ataques a Rick Perry. E pode-se dizer que este não se saiu muito bem. Mitt Romney terá sido, mais uma vez, o vencedor da noite. Depois de quatro debates, cada vez mais fico com a convicção que Romney é aquele que tem mais "estofo" e está melhor preparado para enfrentar Barack Obama em Novembro de 2012. Sem declarações bombásticas, com uma excelente preparação sobre os dossiers e com uma linguagem acessível, Romney ganhou todos os debates em que participou. Mas não posso esquecer o que aconteceu em 2010, quando os candidatos apoiados pelo Tea Party venceram algumas primárias republicanas contra candidatos mais bem preparados, por isso tudo pode acontecer nestas primárias. Se este fosse um ano normal, diria que muito dificilmente Romney deixaria escapar a nomeação. 

 

Rick Perry teve uma má noite ontem, ao ser confrontado com assuntos que prometem persegui-lo durante esta campanha. Mas Rick Perry não é um político qualquer. É o governador há mais tempo em funções nos Estados Unidos, desde 2000, no segundo maior estado da União. Tem obtido resultados muito positivos na criação de emprego, um dos calcanhares de aquiles de Obama e o Texas é um dos estados americanos em maior crescimento. Mas é a primeira vez que concorre a um cargo nacional, e como tal, tudo em relação a si é novidade para o grande público. E ontem sofreu duros ataques dos seus adversários. Mitt Romney atacou-o pela esquerda, ao criticar a sua posição relativamente à Segurança Social. Rick Perry num livro publicado há seis meses teceu duras criticas à Segurança Social, dizendo até que esta era inconstitucional e que deveria ser da responsabilidade dos estados. Mas os piores ataques vieram da direita, por parte de Rick Santorum e Michele Bachmann, sobre a imigração e saúde. Bachmann, que tenta desesperadamente recuperar nas sondagens depois da entrada de Perry, chegou mesmo a acenar com um potencial caso de corrupção de Perry, relativamente a um programa da vacinação no Texas. Um debate muito quente. 

 

Como na próxima semana haverá mais um debate, não se pode dizer que haverá um momento de destruição ou consagração de uma candidatura. Isto está a começar, não é totalmente desprovido de sentido dizer que ainda poderá entrar mais algum candidato, e tudo ainda irá mudar antes do Iowa. Mas diria que Romney terá ficado mais confortável com o debate de ontem à noite. 


Por Nuno Gouveia, às 12:46 | comentar

Enquanto os republicanos procuram o seu candidato, Barack Obama já anda em campanha, e ontem esteve na NBC para falar sobre o novo plano de combate ao desemprego.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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