31
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:07link do post | comentar

As notícias que chegam dos Estados Unidos é que ambos os partidos terão chegado a acordo para aumentar o limite do endividamento. Como sempre acreditei que fatalmente aconteceria. Ainda se acertam agulhas de parte a parte, mas o acordo, segundo o que é relatado, não deverá ficar longe disto: aumento do limite do endividamento até depois das eleições de 2012, cortes imediatos na ordem dos mil biliões, a criação de uma comissão para cortar 1,8 mil biliões até Novembro e nenhum aumento de impostos. Grande vitória dos republicanos? Not so fast. 

 

Apesar de isto ainda não ter terminado, parece-me que para a opinião pública haverá dois grandes perdedores: Barack Obama, que não demonstrou capacidade de liderança neste processo, e ainda viu o seu grande argumento, o aumento dos impostos para os mais ricos, ficar de fora do acordo final. Não por acaso, ontem Obama atingiu o nível mais baixo de popularidade na sua presidência, na sondagem da Gallup, com apenas 40 por cento. Mas há outro grande derrotado: o Tea Party, que emergiu neste processo aos olhos de muitos independentes como uma força radical e incapaz de celebrar compromissos, essenciais na arte da governação. Quando nomes como Allen West, Mike Pence ou Paul Ryan (quem conhece estes nomes saberá que são do mais conservador que o GOP tem) são atacados pela direita por serem demasiado "lefties", está tudo dito. Por outro lado, há aqui um aspecto positivo para o GOP: pela primeira vez o establisment e muita imprensa conservadora saiu a público para criticar este radicalismo. John McCain, Bill Kristol, o Wall Street Journal e Bill O´Reilly foram alguns dos que criticaram violentamente o movimento. Isto é um sinal do que aí vem nas primárias republicanas do próximo ano, mas talvez seja um bom indicador contra o radicalismo protagonizado por Bachmann ou Palin. E, afinal de contas, na proposta de John Boehner que gerou tanta dificuldade para ser aprovada, apenas 22 congressistas votaram contra.

 

Diria que numa situação normal os republicanos seriam os grandes vencedores desta negociata. E até temos a ala esquerda do Partido Democrata verdadeiramente furiosa com os termos do acordo. O pior para o GOP é que toda esta confusão que o Tea Party incutiu nas negociações acaou por lhe retirar algum espaço de manobra. Até conquistaram praticamente tudo o que poderiam realmente almejar: não teremos aumento de impostos e haverá severos cortes na despesa. Por outro lado, mal ou bem, nenhum dos candidatos republicanos se imiscuiu nisto (a excepão terá sido Bachmann, que luta pelo apoio dos tea partiers), e até podem sair beneficiados, porque Obama ficou muito mal na fotografia e o trabalho deles passa sobretudo pela crítica ao Presidente. Mas esperemos até ao fim do Verão para verificar se este acordo impele transformações radicais na percepção que os americanos têm dos seus representantes


28
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:13link do post | comentar | ver comentários (2)

 

As eleições presidenciais de 1972 foram das mais díficeis da história do Partido Democrata. Richard Nixon venceu em 49 estados, perdendo apenas no Massachusetts e DC, conquistando 60 por cento do voto popular, com uma vantagem de 18 milhões de votos, a maior da história americana. A economia viva tempos desafogados, a guerra no Vietname encaminhava-se para o fim e o estabelecimento de relações diplomáticas com a China colocaram a popularidade de Nixon no auge. Mas esta não foi uma campanha isenta de erros de George McGovern, o nomeado do Partido Democrata.

 

Senador do Dakota do Sul desde 1963, McGovern candidatou-se pela ala anti-guerra do Partido Democrata, que tinha sido derrotada em 1968 pelo então Vice-presidente Hubert Humphrey. Mas em quatro anos o panorama político tinha-se alterado, e com a introdução da reforma McGovern-Fraser, liderada pelo próprio senador, o processo de nomeação deixou de ser controlado pelos líderes partidários e passou a ser decidida quase exclusivamente pelo voto popular, através da introdução de primárias e caucuses na maior parte dos estados. Pode-se dizer que a vitória de McGovern nas primárias de 1972 foi a primeira conquista de um movimento popular contra o establishment partidário. Como em 1980 com Ronald Reagan e em 2008 com Barack Obama.

 

McGovern era um dos senadores mais à esquerda, que se tinha distinguido no final da década de 60 pela sua oposição à guerra do Vietname. Nestas eleições, McGovern enfrentava figuras bem mais relevantes do Partido Democrata, o favorito senador do Maine Edmund Muskie (mais tarde Secretário de Estado de Carter) e Hubert Humphrey, o nomeado de 1968. Apoiado pelos movimentos anti-guerra e pelos sectores mais à esquerda do partido, McGovern foi nomeado como candidato Democrata. A sua campanha era descrita pelos adversários, mesmo internamente, como "amnesty, abortion and acid*", pela defesa da amnistia aos que tinham fugido do recrutamento para o Vietname e da legalização do aborto e das drogas. Dentro das fileiras da sua campanha incluíam-se jovens figuras que viriam ter um papel decisivo na vida do Partido Democrata nas próximas décadas. Gary Hart era o director de campanha e no Texas, as operações foram lideradas por um casal que viria a dar que falar: Hillary e Bill Clinton.

 

Os problemas na sua campanha começaram duas semanas depois da Convenção em que foi nomeado. O seu candidato a Vice-presidente, Thomas Eagleton, senador do Missouri desde 1968, tinha sido uma quinta escolha, depois de várias recusas que McGovern tinha recebido. Como Nixon parecia imbatível, nomes relevantes como Ted Kennedy, Humbert Humphrey, Walter Mondale ou Edmund Muskie recusaram o lugar. Depois de tantas recusas, McGovern acabou por seleccionar Eagleton sem mandar fazer uma investigação cuidada ao seu passado. Surgiram notícias que Thomas Eagleton tinha problemas médicos que o poderiam impedir de ocupar a presidência. Apareceram relatórios médicos que incluíam palavras como "depressão", "tendências suicidas" e "maníaco-depressivo" e que revelavam que tinha recebido tratamentos de choque eléctricos. Inicialmente McGovern, que tinha uma filha com problemas idênticos, apoiou publicamente o seu candidato, mas depois de semanas a ser pressionado pelos conselheiros, pediu a Eagleton para demitir-se. Depois de mais algumas recusas, acabou por convidar Sargent Shriver, cunhado de John F. Kennedy, que na época era embaixador em França. Mas a campanha nunca mais de recompôs.

 

Este episódio acabaria por marcar negativamente uma campanha já em sérias dificuldades. Depois de várias semanas a jurar fidelidade a Eagleton, a sua mudança de opinião acabou por enfraquecer a sua credibilidade. Além do mais, sofreu bastante por afrontar o poder da máquina do Partido Democrata, naquilo que foi uma verdadeira revolução na forma como os partidos escolhem os nomeados, o que viria ser imitado pelo Partido Republicano. Além das várias recusas que recebeu para VP, acabou por ver muitos proeminentes democratas, como o antigo governador do Texas e membro da Administração Kennedy, John Connaly, apoiar Richard Nixon, na organização que ficou conhecida como "Democrats for Nixon". E nem o escândalo Watergate, que rebentou de maneira frágil no Verão de 1972, o ajudou a impedir uma das maiores derrotas da história do Partido Democrata.

 

*Amnesty, Abortion and Acid" apareceu pela primeira vez pela pena de Robert Novak, um colunista conservador que garantia estar a citar um senador democrata. Mais tarde viria a revelar que quem lhe disse essa frase foi Thomas Eagleton, antes de ser escolhido por McGovern para seu candidato a VP.


27
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:39link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Este debate sobre o limite o endividamento tem demonstrado a falta de liderança de Barack Obama. Mas também colocou em evidência a total irresponsabilidade e incapacidade de governar de alguns membros do congresso, nomeadamente alguns republicanos da Câmara de Representantes. Repare-se que este debate está a ser feito sobretudo nos moldes dos conservadores: apenas haverá cortes na despesa, o aumento de impostos já está fora das negociações, e a dúvida agora é apenas sobre o número a cortar. Mesmo assim, alguns congressistas, como a irresponsável Michele Bachmann, têm dito que não votarão a favor do aumento do limite do endividamento. Estes republicanos, que utilizam sempre a Constituição em todos os discursos, parecem não perceber os fundamentos do sistema americano, feito de checks and balances e assente na divisão de poderes. Neste momento o GOP apenas controla metade de um "braço" do poder, a Câmara dos Representantes, com a outra componente do poder legislativo, o Senado, a pertencer ao Partido Democrata, bem como o poder executivo, a Casa Branca. Sendo que o Partido Republicano apenas controla 1/3 do poder, seria normal que houvesse cedências. Mas não para estes hard-liners, que só aceitarão um acordo que lhes dê vitória total.

 

John Boehner apresentou um plano para o aumento do limite do endividamento. A sua aprovação no Congresso seria uma grande vitória para o Partido Republicano. Se tal não suceder devido aos sectores do Tea Party na Câmara dos Representantes, as consequências poderão ser catastróficas para o próximo ciclo eleitoral. Em editorial, o Wall Street Journal, normalmente alinhado com os republicanos, ataca de frente o Tea Party e as suas vozes mais estridentes. Nesse artigo, uma expressão feliz que retive: This is the kind of crack political thinking that turned Sharron Angle and Christine O'Donnell into GOP Senate nominees. Depois não se queixem.

 

Uma nota para a posição dos candidatos republicanos: estão a demonstrar a mesma falta de liderança de Barack Obama. Romney elogiou o plano de Boehner, mas não disse que o apoiava. As inestimáveis Palin (que ainda não é candidata) e Bachmann criticaram a proposta do Speaker, e Pawlenty, que não pode perder de vista a sua colega do Minnesota, ficou-se pelos elogios à liderança de Boehner. Jon Huntsman, que não descola dos últimos lugares, foi o único que afirmou claramente o seu apoio a este novo plano. Estarão a imitar o papel dos senadores Barack Obama, Harry Reid e Joe Biden, que em 2006 votaram contra um aumento do limite do endividamento? Esta seria uma boa altura para provarem que estão à altura do cargo a que se candidatam. 


26
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar | ver comentários (19)

Barack Obama fez uma comunicação ao país ontem à noite (a quarta desde o inicio da crise) sobre o aumento do limite do endividamento. Sem acrescentar grande conteúdo ao que tinha dito anteriormente, esta intervenção não disfarçou algo que tem sido evidente nestes últimos dias: Obama foi colocado à margem das negociações. Antes de Obama ter falado ao país, com direito a réplica imediatamente a seguir de John Boehner*, ambos os líderes do Congresso, Harry Reid pelo Senado e John Boehner pela Câmara dos Representantes, tinham apresentado publicamente um plano para aumentar o limite. Ao que parece, Obama discorda dos dois planos, pois nenhum inclui um aumento de impostos, algo que o Presidente defendeu apaixonadamente na sua intervenção. Segundo o que se percebe, a situação irá resolver-se entre as ideias de Reid e Boehner. A grande discussão neste momento é se o limite do endividamento aumenta até depois das eleições presidenciais (a vontade dos democratas e Obama) ou se há novo voto no próximo ano (o desejo dos republicanos).

 

Esta discussão toda mostrou que Obama, até ao momento, nunca conseguiu liderar a discussão neste problema, falhando inclusivé a apresentar um plano detalhado com a sua assinatura. Com os seus indices de popularidade a descer abruptamente deste o inico desta crise, Obama tentou com a sua comunicação de ontem recuperar a opinião pública para o seu lado. Mas se, como se prevê, o acordo entre os dois partidos não tiver um aumento de impostos imediato, Obama sairá perdedor. Mas, como sempre defendi, acredito que até ao final da semana se chegue a um acordo e, depois, veremos quem mais ganhou nesta discussão.

 

*Para se ver a gravidade do momento, esta foi a primeira vez desde 2007, exceptuando os discursos do Estado da União, que o Presidente teve uma resposta imediata em prime-time de um líder republicano. A última vez tinha sido quando Bush anunciou a "surge" no Iraque.


25
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:23link do post | comentar | ver comentários (3)

Barack Obama terá certamente uma eleição muito díficil no próximo ano. Todos os indicadores apontam para o nomeado republicano possa ter uma séria hipótese de derrotar o actual Presidente. Isto caso o nomeado seja alguém elegível, o que acredito que irá acontecer. Mas começa a desenhar-se uma estratégia para o Presidente: realizar uma campanha totalmente negativa, tentando destruir o adversário. Já li vários artigos que referem esta a melhor opção para Obama conseguir a reeleição, mas este "Could Karl Rove politics save Obama in '12", de Mark Greenbaum na Salon explica tudo até algumas semelhanças com o ciclo eleitoral de 2004, onde um Presidente em dificuldades conseguiu ser reeleito. A minha única divergência é que Mitt Romney será um muito melhor candidato que John Kerry, além de já ter uma campanha presidencial no seu currículo, algo que Kerry não possuia em 2004.

 

Using Republicans’ general tack from 2004 could have benefits beyond the original Bush strategy. In 2004, the Democratic base was united to drive Bush from office, and any appeals to win over modern Reagan Democrats were useless. Karl Rove knew this, and the visceral attacks on Kerry were designed to gin up their base and convince just enough wary independents that despite any qualms they may have had with Bush, Kerry was too weak to be trusted. It worked as Bush broke even with Kerry on independents, and won a narrow national majority.


23
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 13:42link do post | comentar | ver comentários (1)

Rick Perry, governador do Texas desde que George W. Bush deixou a mansão de Austin, deverá avançar em breve para uma candidatura à nomeação republicana. Essa é pelo menos a ideia que tem vindo a dar pelas suas recentes movimentações. Rick Perry, antigo democrata que apoiou a candidatura falhada à presidência de Al Gore em 1988, é hoje uma das vozes mais relevantes do movimento Tea Party e dos sectores mais conservadores. Caso se confirme, ninguém no actual campo de candidatos pode ficar descansado.

 

Rick Perry é um governador de sucesso, responsável pelo estado com melhores resultados económicos nesta última década, e pode mesmo ser um adversário fabuloso para Barack Obama nas eleições gerais. Mas a história recente diz-nos que os candidatos que entram tarde na corrida dificilmente conseguem recuperar o atraso para os restantes. Em 2004 tivemos a entrada de Wesley Clark para as primárias democratas em Setembro, e em 2008, na mesma altura, Fred Thompson iniciou a sua campanha falhada nas primárias republicanas.

 

A sua entrada deve assustar imenso Mitt Romney. Até ao momento, com a principal oposição a surgir de Michele Bachmann, Romney tem estado descansado, e os seus estrategas acreditam que se for a congressista do Minnesota a sua principal adversária, a nomeação não fugirá. Eu também sou dessa opinião. E visto que os nomes na corrida que poderiam fazer frente a Romney não terem conseguido ainda descolar nas sondagens, os casos de Jon Huntsman e Tim Pawlenty, a entrada de Rick Perry representa um perigo para Romney. Um candidato conservador, com apoio nas franjas do Tea Party, com o currículo de Rick Perry e com a sua capacidade de entusiasmar? Se Bachmann entretém as audiências mais à direita, Perry será capaz de os convencer que pode ser mesmo Presidente. A confirmar-se esta candidatura, as primárias serão certamente mais interessantes.


22
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 09:05link do post | comentar

Numa altura em que os Estados Unidos desinvestem no projecto espacial, recordo aqui o momento histórico ocorrido a 20 de Julho de 1969. Lamento que desde então não se tenha avançado tanto como se esperava.  (vídeo retirado aqui do post da Alda Telles)


21
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:12link do post | comentar

Neste último mês a popularidade de Barack Obama tem vindo a descer. A situação económica continua a mostrar sinais de degradação e a falta de um acordo político com a oposição para o aumento do limite de endividamento está a afectar a credibilidade do Presidente. Como se pode observar no gráfico, ainda há muito espaço para recuperação até Novembro de 2012, mas acredito que se as eleições fossem hoje, Obama seria derrotado (isto se o adversário se chamasse Romney). 


20
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:42link do post | comentar

 

Nas eleições primárias de 1980, Ronald Reagan, então com 68 anos, perseguia a sua derradeira oportunidade chegar à Casa Branca. Depois de 1968, onde tinha sido derrotado por Richard Nixon, e de 1976, onde com uma candidatura insurgente contra o Presidente republicano em exercício, Gerald Ford causou forte impressão, em 1980 apresentava-se como o principal candidato da ala conservadora para a nomeação. Pela frente teve importantes referências do Partido Republicano, como o Líder Republicano no Senado, Howard Baker, o senador do Kansas, Bob Dole, o antigo governador do Texas, John Connally, o antigo director da CIA, George H Bush e ainda o congressista do Illinois, John Anderson, que pertencia à moribunda ala "liberal" do partido e que viria a ser candidato independente nessas eleições. Pelo meio, a sombra de Gerald Ford, que várias vezes esteve para avançar para uma candidatura à nomeação. Numa longa corrida, acabou por vencer a nomeação numas primárias cheias de emoção e combatividade, com George H. Bush a ficar em segundo lugar. 

 

A Convenção Nacional Republicana de 1980 realizou-se em Detroit, no estado natal de Gerald Ford. E foi o nome do antigo Presidente que esteve envolvido nesta verdadeira história dramática que envolveu a escolha do candidato a Vice-presidente de Ronald Reagan. Apesar de hoje considerar-se que a vitória de Reagan foi muito fácil, na verdade estas eleições foram muito disputadas e apenas na recta final é que Reagan disparou perante Jimmy Carter. No Verão desse ano, Ronald Reagan era ainda desconsiderado por grande parte das elites políticas e económicas do país, tal como uma boa parte do Partido Republicano. A equipa de Jimmy Carter considerava mesmo que lhes tinha saído a sorte grande com a nomeação do antigo governador da Califórnia. Reagan chega à convenção sem um nome escolhido para seu parceiro, e com uma enorme sombra de dúvidas dentro do próprio partido, que não acreditava nas capacidades do antigo actor de Hollywood. Apesar de Reagan ter liderado o maior estado da União  durante oito anos e ter passado a década de 70 activo na política, o seu nome suscitava ainda desconfiança e descrença. Era nesta nuvem de dúvidas que a equipa de Reagan se deparava.

 

Neste panorama, começou a ser cozinhado nos bastidores um ticket com Reagan-Ford. Os sectores mais centristas do partido, que desgostavam de Reagan, viam no antigo Presidente uma possibilidade de moderar a candidatura e fortalecer a hipótese de vitória. Os conservadores, agastados com esta divisão interna, começaram a ver com bons olhos este ticket para pacificação interna e apresentação de uma candidatura forte perante o país. Ford era hoje muito mais popular do que quatro anos antes, e dava "respeitabilidade" a Reagan. Além disso, estava quase intacto o seu poder no partido, depois de ter sido Presidente. E Ford, apesar de hesitante, começou a mexer os cordelinhos para ser mesmo o candidato a Vice-presidente. Na sua equipa de negociações com o gabinete de Reagan incluíam Henry Kissinger, que desejava ser Secretário de Estado, Dick Cheney e ainda Alan Greenspan, um conselheiro muito próximo de Ford. Apesar das relações tensas entre Reagan e Ford não estarem completamente normalizadas, afinal de contas, quatro anos antes tinham disputado umas primárias muito duras, havia uma cordialidade no trato entre os dois, e reuniram-se no segundo dia da convenção. Reagan perguntou a Ford se estaria disponível a juntar-se a ele, naquele que a imprensa já apelidava de Dream Ticket. Ford pediu tempo para pensar. Reuniu-se com um pequeno grupo de apoiantes, e desde logo, Kissinger aconselhou-o a aceitar. E formou-se uma equipa para negociar com o staff de Reagan. A partir daqui começou a desenhar-se na imprensa a fatalidade do Dream Ticket, com esta equipa negocial a lançar para a comunicação social fugas que davam a entender que o acordo estava feito.

 

O terceiro dia da convenção começava sob o signo da escolha do Vice-presidente. As negociações prosseguiam e parecia inevitável o Dream Ticket. Gerald Ford, como antigo Presidente, começou a fazer exigências consideradas exageradas pela equipa de Reagan. Aquilo que propunham não era o normal para um Vice-Presidente. Pediam a escolha directa de alguns cargos (Henry Kissinger como Secretário de Estado, por exemplo), poder de veto para Ford em relação às nomeações de Reagan, ou seja, uma verdadeira partilha do poder. E começaram a surgir as dúvidas nos homens de Reagan, que viam neste acordo uma verdadeira ameaça à liberdade de uma hipotética presidência Reagan. A  co-presidência começou também a ser falada pela imprensa, e o próprio Ford parecia menos interessado no cargo do que os seus conselheiros e continuava mostrar-se hesitante no seu circulo de apoiantes. O dia aproximava-se do fim e Ronald Reagan tinha de fazer uma opção. Às 19h15 desse dia, Gerald Ford, em entrevista a Walter Cronkite, referia que se fosse mesmo candidato a VP, iria ter um papel muito importante na governação. Ronald Reagan ficou pálido ao ver a entrevista, com Ford a admitir mesmo uma presidência partilhada. Acredita-se que depois de ver esta entrevista, Reagan decidiu que Ford não seria o escolhido. No entanto, durante a noite as negociações continuaram, e várias televisões deram como certa a escolha de Gerald Ford. No hall da convenção, o entusiasmo crescia com o Dream Ticket. Mas os homens de Reagan iam recusando as exigências da equipa de Ford, sinalizando que esta não seria a opção do nomeado republicano. Por volta das 23h30, Ford dirigiu-se à suite onde estava Ronald Reagan e anunciou formalmente a sua recusa em ser o candidato a Vice-presidente. Foi uma conversa que durou cinco minutos, mas Reagan já sabia quem iria escolher. 

 

Nesta mesma noite um desiludido George H. Bush discursou perante a convenção e preparava-se para abandonar Detroit. Apesar de momentos muito tensos com Ronald Reagan durante as primárias, o graduado de Yale e típico republicano da Costa Leste aspirava secretamente ser escolhido para VP. À mesma hora que Reagan e Ford falavam, George H. Bush estava no hall do seu hotel a beber uma cerveja com os seus filhos Jeb e George W. Às 23h37 recebia uma chamada de Ronald Reagan na sua suite. "I'd be honored, Governor" foi a resposta de George H. Bush ao convite de Reagan. Um jornalista ainda antes da meia noite anunciava ao mundo: "Not Ford. It's Bush!". Uma convenção que tinha até então decorrido sob o signo da incerteza e do caos ganhava finalmente um candidato a Vice-presidente. E o resto foi história. 

 

*Esta magnífica história é contada em pormenor no livro "Rendevouz with Destiny, Ronald Reagan and the Campaign that changed America", de Craig Shirley. 


18
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar

 A crise analisada por George Will, Cokie Roberts, Matthew Dowd, Jon Karl e Raul Labrador.

 


14
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:45link do post | comentar

Esta sondagem da Gallup coloca em evidência o perigo em que Barack Obama se encontra. Continuo a defender que Obama (ainda) é o favorito a vencer as eleições do próximo ano, mas a sua situação é particularmente periclitante. Mais, com a previsão que a situação económica não irá melhorar até Novembro de 2012, Obama poderá transformar-se numa cópia de Jimmy Carter, que foi copiosamente derrotado por Ronald Reagan em 1980. A grande dúvida, e até olhando para o que se passa no campo adversário, é se o Partido Republicano irá apresentar um candidato que possa ombrear com Obama no eleitorado independente, que normalmente decide as eleições. Os republicanos terão certamente uma hipótese de vencer estas eleições. Mas tudo irá depender do nome que apresentarem. 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:02link do post | comentar

As eleições presidenciais de 1824 foram umas das mais controversas de sempre da história americana. Apesar de perder na contagem de votos populares e no colégio eleitoral, Jonh Quincy Adams, filho do segundo Presidente, John Adams, acabaria por ser eleito Presidente. 

 

Nestas eleições, que se destinavam a substituir o Presidente James Monroe, candidataram-se quatro políticos, todos do Partido Republicano-Democrático, já em profunda desagregação: John Quincy Adams, com um longo currículo de embaixador em países como a Holanda, Inglaterra, Prússia, Reino Unido e Rússia, Senador do Massachusetts e ainda Secretário de Estado durante os oito anos da Presidência Monroe; Andrew Jackson, herói da batalha de Nova Orleães contra os Ingleses em 1815, governador da Florida e ainda senador e congressista do Tennessee; Henry Clay, congressista do Kentucky e Speaker da Câmara dos Representantes; e por fim, William Crawford, Secretário da Guerra e do Tesouro durante os mandatos de James Monroe, embaixador na França e Senador pela Georgia. Quatro fortes candidatos que dividiram o apoio entre si, fazendo com que nenhum deles conseguisse ultrapassar os 50 por cento no colégio eleitoral. 

 

Como sempre na época, os candidatos representavam diferentes zona do país, e a campanha era feita sobretudo nos jornais, que eram amplamente partidários. Histórias deste período relatam graves acusações que os jornais lançaram contra os candidatos que não apoiavam, que certamente fariam corar as campanhas mais negativas da actualidade. Adams foi vilipendiado por ter uma esposa inglesa e por vestir-se mal, Clay foi chamado de bêbado e de viciado no jogo, Crawford apelidado de corrupto e Jackson foi acusado de ser um assassino.

 

No final das eleições, Andrew Jackson ficou à frente com 151.363 votos e 37,9 por cento do colégio eleitoral e John Quincy Adams com 113.142 votos e 32,2 no colégio eleitoral. Os outros dois candidatos ficaram com perto de 15 por cento em ambas as votações. Segundo a 12ª Emenda, e repetindo a situação de 1800, a decisão passou para a Câmara dos Representantes, onde cada estado tinha um voto. E foi aí que terá acontecido aquilo que ficou conhecido como o "acordo corrupto". Na primeira votação, Clay foi afastado e decidiu apoiar John Quincy Adams, seu colega na Administração Monroe. Nunca foi provado que Clay realizou algum acordo, e até era conhecida a profunda antipatia que nutria por Jackson, quem ele considerava populista e perigoso para os interesses da União. Mas a verdade é que foi depois Secretário de Estado na Administração Quincy Adams. Os jornais da época da oposição fizeram grande escândalo sobre o eventual acordo, e estas eleições marcariam também o inicio do actual Partido Democrata, fundado depois destas eleições por Andrew Jackson, que viria a derrotar Jonh Q. Adams em 1828. As suas palavras sobre Clay ficaram registadas para a eternidade: "The Judas of the West [Clay] has closed the contract and will receive the thirty pieces of silver."

 

Estas eleições foram também um importante marco na história eleitoral americana. Pela primeira vez, um número bastante considerável de estados recorreram ao voto popular (ainda que com as restrições da época) para eleger o Presidente (18 em 24 estados). Até aí, a maioria escolhia o colégio eleitoral através das assembleias estaduais. Aliás, dizem os historiadores que se não fosse esta votação popular, provavelmente o eleito teria sido William Crawford, o preferido do establishment da altura.


13
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:55link do post | comentar

Photo illustration: Everett Bogue; Photos: Getty Images, iStockphoto

 

A equipa de Barack Obama já anunciou que pretende angariar mil milhões de dólares para a sua reeleição. Os resultados deste primeiro trimestre foram bastante positivos, com valores a ultrapassar os oponentes republicanos juntos. A sua campanha anunciou que angariou 47 milhões de dólares nestes últimos três meses, que podem ser adicionados aos 38 milhões de dólares que o DNC angariou para a campanha presidencial. Esta é a maior soma que alguma vez um Presidente angariou no primeiro trimestre, colocando em evidência a vantagem que os incumbentes têm na angariação de fundos. Dos valores já conhecidos dos republicanos, Mitt Romney angariou cerca de 18 milhões de dólares, e Jon Huntsman, Ron Paul e Tim Pawlenty, cerca de 4 milhões cada. 

 


12
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:01link do post | comentar

O herói dos libertários americanos anunciou hoje que vai retirar-se do Congresso após 2012. Candidato presidencial à nomeação republicana, pretende deste modo concentrar todos os esforços na sua candidatura. Sem reais hipóteses de sucesso, pretenderá no entanto deixar uma marca mais forte neste ciclo eleitoral e provavelmente preparar o caminho para o seu filho Rand Paul em 2016 ou 2020. Uma longa carreira em Washington que irá desta forma terminar no próximo ano, depois de 12 mandatos como congressista do Texas. 


11
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 18:25link do post | comentar

A Internet continua a ganhar influência no mundo da política. E se em 2008 tivemos uma campanha presidencial onde as novas tecnologias "rebentaram" com a escala, no que diz respeito à sua interferência directa no desfecho do resultado final (não esquecer que sem os voluntários e dinheiro angariado através da Internet, Obama nunca teria conseguido derrotar Hillary Clinton nas primárias), as eleições do próximo ano deverão ser consideradas como um período de consolidação dessa influência, sem que existam grandes rupturas em relação a 2008. As eleições presidenciais americanas são sempre consideradas por académicos e especialistas como os momentos onde surgem as grandes rupturas na comunicação política. Foi assim com a televisão na década de 60, com a proliferação dos diferentes tipos de media nas décadas de 80 e 90 e com a Internet na primeira década deste século. A eleição de 2008 marca uma dessas rupturas transformacionais na comunicação política, com a eleição de Barack Obama, sendo que nessa eleição surgiu em força o poder das redes sociais, do YouTube e dos vídeos online. Tudo isto foi novidade em relação às eleições anteriores. Mas nestas próximas não teremos assim tantas novidades, pelo que se espera que esta campanha seja de consolidação da influência da Internet, com especial enfoque das redes sociais, que ganharam ainda mais destaque na sociedade nestes últimos três anos. A importância do digital vai continuar a aumentar, com cada vez mais pessoas a deslocaram-se para estes meios digitais para obter e partilhar informação, mas penso que não podemos esperar grandes novidades tecnológicas. Olhando para o campo de candidatos, a minha crença é que desta vez não teremos um vencedor nascido na rede (a menos que surja um furacão republicano que ainda não consigo visualizar), mas será uma importante aposta de todos os candidatos. 


A começar obviamente por Barack Obama, que pretenderá prosseguir com o excelente trabalho de 2008. Ainda recentemente, Barack Obama criou o cargo de Director of Progressive Media & Online Response, uma espécie de responsável pela monitorização e resposta online, aumentando a importância dos novos media no Departamento de Comunicação da Casa Branca, que já contava com um gabinete especializado pela comunicação digital. Consequência da desilusão e desgaste natural que quatro anos de poder acarretam, a equipa de Obama provavelmente não conseguirá replicar na plenitude tudo o que alcançou na anterior eleição. Mas não deixará de aproveitar ao máximo os resquícios do entusiasmo de 2008, utilizando a sua posição dominante da Casa Branca para compensar essas lacunas que eventualmente surjam durante a campanha. 

 

Do lado republicano, temos umas primárias onde se espera que os diferentes candidatos sigam a receita de Obama: espalhar a mensagem, recolher apoio online que se possa traduzir em votos nas primárias e angariar voluntários e dinheiro através da rede. Sobre a campanha nas redes sociais dos republicanos, aconselho a leitura deste artigo do Concord Monitor, A day in the social media campaign, onde podemos observar a actividade digital dos candidatos durante um dia de campanha. Pelo que tenho observado neste período inicial, nenhum candidato tem conseguido obter grande sucesso na rede. Tim Pawlenty tem feito bons vídeos, Michelle Bachmann tem um apoio crescente na Internet e Mitt Romney é o campeão de seguidores nas redes sociais, o que não está desligado do facto de ter sido candidato há quatro anos. Nenhum tem propriamente gerado nada de semelhante àquele buzz que vimos em Obama no Verão de 2007 e o resultado da angariação online de fundos tem sido decepcionante. Penso que ainda é cedo, e mais para o final do Verão teremos novidades. Ou entram mais candidatos para o terreno (Sarah Palin ou Rick Perry, por exemplo), ou então os activistas começarão a inclinar-se para algum lado, e aí também poderemos observar mais entusiasmo online. Uma coisa não duvido: muito do sucesso que os candidatos venham a ter irá reflectir-se na rede. Aliás, acredito que o sucesso que os candidatos conseguirem offline será uma consequência do sucesso online. Por isso interessa ir seguindo o que os candidatos vão fazendo, tentando perceber o feedback que recebem nas redes sociais. 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 17:45link do post | comentar

A data final para o acordo é 2 de Agosto. Se até lá o Partido Republicano (Câmara dos Representantes) e o Partido Democrata (Senado e Casa Branca) não chegaram a um entendimento, os Estados Unidos ficarão sem possibilidades de continuarem a endividar-se, podendo o país entrar numa crise de não pagamento da dívida. Será que tal vai suceder? Essa é a pergunta que tem sido colocada pelos media, criando um grande clima de incerteza sobre a economia americana. No entanto, tudo é mais claro longe dos holofotes da imprensa.

 

Acredito que estão condenados a entender-se. O que estamos a assistir é um esgrimir de argumentos violento na praça pública, onde ambos os partidos tentam retirar o máximo proveito da situação. Por um lado, os republicanos só admitem cortar na despesa federal para autorizar o aumento do limite do endividamento. Por outro, os democratas não admitem reduzir o défice sem um aumento de impostos, especialmente para as classes mais ricas. Os republicanos dizem que isso nesta altura seria catastrófico para a economia. Entretanto, Barack Obama tenta um entendimento directo com os republicanos, através de John Boehner. Mais do que propriamente discutir-se o défice ou o endividamento, o que está aqui em disputa são os argumentos das bases dos partidos. Uns e outros não querem perder: os democratas não desejam cortes nos programas federais como o Medicare, Medicaid ou Segurança Social, e os republicanos não querem mais impostos. Mas até dia 2 de Agosto teremos um acordo. Provavelmente com cortes nas despesas e um aumento de impostos. E veremos quem poderá cantar vitória. No fundo, e infelizmente para os americanos, tudo se resume a um grande jogo político. Não esquecer que no próximo ano temos eleições, e todos tentam conquistar a taça. 

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09
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:54link do post | comentar

Faleceu hoje Betty Ford, viúva do Presidente Gerald Ford. A antiga Primeira Dama desenvolveu um amplo trabalho em favor dos direitos das mulheres, na alerta pelo cancro da mama e ainda pelo combate às dependências de droga e álcool. A clínica que fundou, a Betty Ford Center, é mundialmente famosa pelas celebridades que vão para lá recuperar de abuso de drogas ou álcool. Este centro foi fundado depois de Betty Ford ter assumido a dependência em álcool e medicamentos, já depois de ter saído da Casa Branca.

 

Gerald Ford morreu em 2006 com 93 anos, e Betty morreu hoje com a mesma idade. Este foi o primeiro casal presidencial ultrapassar os 90 anos.


08
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:08link do post | comentar

 

Esta foi a frase que o Speaker John Boehner enviou do seu Twitter para Barack Obama esta semana, por ocasião do Townhall que o Presidente realizou na popular rede social. E na verdade, acertou em cheio. Hoje foi publicado relatório mensal sobre o desemprego, onde a taxa subiu para 9,2 por cento, mais 0,1 que no mês anterior. Com o desemprego elevado e a sua taxa de aprovação perto dos 45 por cento, ninguém pode afirmar que a reeleição está assegurada. Ainda falta mais de um ano para as eleições, mas a equipa de Barack Obama deve estar muito apreensiva com estes números. 


06
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:37link do post | comentar

 

Na política americana os verdadeiros protagonistas do debate nem sempre os políticos. Situação única no mundo, são muitas vezes os consultores de comunicação, os famosos spin doctors, que ocupam o palco principal na arena mediática. Ao contrário de Portugal, estes são profissionais da política e ocupam um espaço bem definido no espectro ideológico. Por isso, são sempre interessantes de seguir as polémicas entre estes especialistas. 

 

O Daily Beast dá palco a dois especialistas. Na semana passada, Paul Begala, veterano da campanha de Bill Clinton de 1992 e um dos mais respeitados estrategas democratas, elogiou Karl Rove pela sua capacidade de angariar dinheiro... para os democratas. Rove não se ficou e respondeu esta semana. Num tom irónico, o antigo conselheiro de George W. Bush afirma-se como um "péssimo" angariador de fundos, pois os democratas têm angariado muito pouco dinheiro, ao contrário da sua organização, que ainda há pouco declarou que iria investir 20 milhões de dólares este Verão numa campanha contra o presidente Obama. Independentemente das razões de um lado e outro, fica a boa disposição, o humor e o respeito que estes demonstram um pelo outro. Paul Begala chega mesmo a elogiar o adversário. Deste lado espera-se que a polémica não fique por aqui,  e prossiga com mais uma resposta de Begala. 


05
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:06link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Em 1776 nenhum dos signatários da Declaração da Independência pensaria que estaria a fundar o país mais próspero e desenvolvido que a humanidade já conheceu. Muitos dos Pais Fundadores nem sequer acreditariam que o país sobrevivesse muitos anos, quanto mais tornarem-se na superpotência que é hoje. Mas certamente os alicerces poderosos que imprimiram na fundação do Estado Federal e a genialidade dos que deram origem à revolução americana contribuíram para a emergência de um país que se foi fortificando e unindo em torno de um ideal de liberdade. Ao lado da sapiência de Thomas Jefferson, Alexander Hamilton, John Adams, Benjamim Franklin, John Jay, James Madison e tantos outros, também um conjunto de acontecimentos dramáticos ou episódios onde a fortuna imperou, ajudou o país a crescer e a fortalecer-se. Na sua história são vários os episódios em que o país esteve perto do abismo. Mas conseguiu sempre ultrapassar as dificuldades e emergir mais forte. Três momentos, ainda nos primeiros 100 anos do país, ajudaram a definir aquilo que os Estados Unidos são hoje.

 

O primeiro, e talvez o mais importante, foi a própria guerra da revolução contra o Império Britânico. Com um exército composto por populares mal treinados, desorganizados e sem experiência militar, George Washington várias vezes esteve perto da derrota total. Aliás, terão sido mais as derrotas do que as vitórias para as tropas das treze colónias, que estiveram muitas vezes sem munições e mantimentos. Além das divergências que sempre persistiram durante estes duros anos dentro do campo independentista. George Washington, segundo os seus próprios biógrafos, não foi um grande estratega militar. Mas emergiu como o verdadeiro líder que o jovem país necessitava para derrotar os bem preparados exércitos do Rei Jorge III. 

 

Apenas umas décadas depois, uma nova guerra contra Inglaterra, entre 1812 e 1815. A União esteve novamente em causa, com a capital Washington a ser invadida e incendiada pelos britânicos. Esta foi uma guerra patriótica, onde o sentimento nacionalista e o orgulho americano emergiu sob a liderança de James Madison. Pela segunda vez, a nação emergente derrotara a maior potência mundial da altura, finalizando assim o período fundacional dos Estados Unidos da América.

 

Em 1860, num país profundamente dividido pelo alargamento da escravatura aos novos territórios do Oeste, o Norte e Midwest elegem Abraham Lincoln, do recente Partido Republicano, que tinha sido fundado por activistas anti-escravatura. Apesar de prometer manter o status-quo nos Estados do Sul, que tinham votado no esclavagista John Breckenridge, isso não chegou para salvar o país da tragédia. E pela última vez, a União esteve em perigo de ser destruída, numa brutal guerra civil provocada pela secessão dos estados do Sul, que criaram os Estados Confederados da América. Em nenhum outro período da história americanos lutaram contra americanos, mas salvou-se a alma do país, terminando finalmente com a escravatura em todo o território. Não por acaso, ainda hoje Abraham Lincoln é considerado pela maioria dos historiadores e pelos próprios americanos como o Presidente mais importante de todos.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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