30
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 16:16 | comentar

No dia 30 de Março de 1981 Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato que, por pouco, não lhe tirou a vida. Foi em Washington DC, quando John Hinckley Jr. atirou a matar contra o Presidente. O episódio ficou registado para a eternidade. 

 

Num acto de invulgar coragem, conforme podemos observar neste video, dois agentes da equipa de protecção colocaram-se à frente de Reagan. Hinckley disparou seis tiros, tendo ferido ainda mais duas pessoas, o próprio Reagan e o Press Secretary, James Brady. Felizmente, todos sobreviveram. Incrivelmente ninguém, nem o próprio, repararam que o Presidente tinha sido atingido por uma bala. Apesar de sentir dores, ainda entrou no hospital pelo próprio pé, e apenas aí os médicos descobriram que tinha sido ferido no peito. Devido à prontidão da equipa médica, a vida do Presidente foi salva. Numa das suas "tiradas" lendárias, já na mesa de operações mas ainda consciente, Reagan disse aos médicos "I hope you are all republicans".

 

Por fim, duas notas. Os motivos de John Hinckley JR não foram políticos. Numa carta encontrada posteriormente, que não chegou a ser enviada, Hinckley confessava que este acto destinava-se a "impressionar" Jodie Foster, uma actriz por quem vivia obcecado. Foi ilibado por insanidade, mas ainda hoje está internado num hospital psiquiátrico. Este ano foi notícia por tentar a sua libertação. Por fim, Ronald Reagan foi o primeiro Presidente a sobreviver a um tiro numa tentativa de assassinato. Quatro foram assassinados: Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John F. Kennedy. 


29
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 23:36 | comentar

Mapa interactivo fantástico do National Journal. Vale a pena uma visita. 

tags:

Por Nuno Gouveia, às 16:08 | comentar | ver comentários (1)

Barack Obama discursou ontem ao país sobre a intervenção na Líbia, e como não poderia deixar de ser, recolheu opiniões divergentes. Num bom discurso (a minha opinião), Obama tentou responder às críticas que tem recebido, clarificando a posição dos Estados Unidos. No entanto, este já não o Obama da campanha eleitoral, quando em 2007 criticava os ataques militares ordenados pelo Presidente sem a autorização do Congresso. Nessa altura, Obama disse mesmo que a opção militar deveria ser apenas um recurso quando o país estivesse sob iminente perigo. O que não é o caso da Líbia. Mas este é o novo Obama. 

 

O que está em causa nesta missão? Obama defendeu que os Estados Unidos viram-se obrigados a intervir para impedir um desastre humanitário, salvando milhares de pessoas da morte certa. Mais, apesar de Obama não dizer que era esse o objectivo, o ditador Kadhafi deve sair do poder. Num discurso que, por vezes, lembrou os discursos da agenda da liberdade do Presidente George W. Bush, invocou, ainda que directamente, o excepcionalismo americano e o seu papel no mundo. Finalmente assumindo a liderança americana na Líbia, Obama reafirmou que não haverá soldados no terreno e que, a partir de agora, a situação será conduzida pela NATO. Mas também novas dúvidas surgiram deste discurso: o aviso a outros ditadores da região, que os Estados Unidos não tolerarão massacres a civis, foi bastante ambíguo. Será que se o ditador sírio ou o regime de Teerão continuarem a reprimir o seu povo, haverá novas intervenções? Não me parece, mas quem levar as suas palavras à letra, poderá ter ficado com essa impressão.

 

Obama é um excelente orador, e ontem, mais uma vez, foi eficaz. Mas não é isso que está em causa. Esta intervenção será avaliada pelo que suceder no futuro. As dúvidas permanecem muitas, e caso Khadafi se mantenha no poder, como sucedeu no Iraque em 1991, Obama será atacado por isso durante a campanha eleitoral. E se Khadafi realmente sair, mas houver uma situação caótica no terreno no dia seguinte, Obama também será responsabilizado por isso. A principal dificuldade de Obama será mesmo essa: o que vai acontecer no futuro da região? Obama foi apanhado de surpresa por esta onda de revoluções no Médio Oriente e Magrebe, e ao intervir directamente na Líbia, país que tinha um longo passado conflituoso com os Estados Unidos, aumentou as expectativas sobre o papel desempenhado pela Administração nesta região. Em 2012, a campanha eleitoral também passará pelo mundo árabe.


28
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 23:41 | comentar

Courage and consequence, Threshold Editions (Março, 2010)

 

Já era para ter escrito alguma coisa sobre este livro de Karl Rove, mas dado que em Portugal estamos em período pré-eleitoral, nada melhor do que recordar aqui a obra daquele que é conhecido como o The Architect. Rove conta neste livro o seu percurso no movimento conservador, desde os tempos de líder dos republicanos universitários até aos seus dias na Casa Branca com George W. Bush. Mas se a vida de Rove interessa a muita gente, pelo seu papel na história dos Estados Unidos das últimas décadas, a genialidade do consultor político é talvez o aspecto mais importante deste livro. Os pormenores das suas vitórias são muitos, e, neste livro, podemos aceder às suas principais estratégias para vencer eleições. A disciplina, a mensagem, a comunicação, o ataque aos adversários, todas as características que compõem uma "Rovian Campaign", como ele a denomina. Sem dúvida, a ler por todos os interessados do mundo da comunicação política.

 

Rove foi em tudo precoce. Aos 9 anos já andava com um autocolante de Richard Nixon na sua bicicleta e a discutir com os seus amigos sobre John F. Kennedy. Na década de 70 ascendeu à liderança dos College Republicans, e foi aí que conheceu o então líder do RNC, George H. Bush, relação que marcou a sua carreira política. Nessa década conheceu ainda George W. Bush, durante a sua campanha falhada para o congresso em 1978, iniciando aí uma ligação que terminaria na Casa Branca. Rove nunca terminou os estudos, pois a política não lhe deixava tempo para ir às aulas, mas terá valido bem a pena. Os anos em que trabalhou directamente com George W. Bush, são a parte mais relavante do livro. Tentando desmitificar o seu papel nesse anos, e sempre, mas sempre, protegendo o legado do 43º Presidente, Rove é bastante provocador em relação aos opositores democratas, nomeadamente com Al Gore e a oposição no congresso. Tenta explicar o que correu pior (Katrina e o seu envolvimento, que nega, no caso de Valerie Plame) e dar uma abordagem própria da vitória contra Al Gore, a luta contra o terrorismo e a campanha de reeleição. Este livro será um bom contributo para o trabalho dos historiadores sobre esta presidência.

 

Nota ainda para o papel da sua vida particular, que é aqui explorada, não sendo um facto comum neste tipo de livros de consultores políticos. Tal como destaquei aqui sobre David Plouffe, fica o comprometimento pessoal deste operacional, que não é apenas um mero profissional da política. A paixão e a ideologia confunde-se com a sua acção de consultor político.


Por Nuno Gouveia, às 12:44 | comentar

Passados dez dias do inicio da intervenção na Líbia, Barack Obama vai finalmente dirigir-se à nação sobre este conflito. Hoje, às 19h30 (de Washington).


27
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 23:48 | comentar

Debate muito interessante no Meet the Press, da NCB, sobre a intervenção americana na Líbia. Numa altura em que sobem de tom as críticas ao estilo de liderança de Barack Obama, os lendários jornalistas Bob Woodward e Ted Koppel discutem com Tom Ricks (antigo jornalista e membro do Center for a New American Security) e Savannah Guthrie (correspondente da NBC na Casa Branca) a situação na Líbia. Ainda neste Domingo, destaque para a entrevista conjunta de Hillary Clinton e Robert Gates a diversos canais de televisão, onde Gates defendeu que a Líbia  não representa um interesse vital para os Estados Unidos.


Por Nuno Gouveia, às 00:31 | comentar | ver comentários (2)

 

Desapareceu hoje Geraldine Ferraro, que ficou na história por ter sido a primeira mulher a ser candidata a Vice-presidente em 1984, como parceira de Walter Mondale. Foi preciso vinte e quatro anos para outra mulher estar na mesma posição, Sarah Palin em 2008. Esse foi o grande facto da carreira política de Ferraro. A sua escolha por Walter Mondale surpreendeu todo o mundo, pois Ferraro era "apenas" uma congressista de Nova Iorque muito pouco conhecida e com apenas seis anos na Câmara. Mondale tentou "abanar" as eleições com a escolha de uma mulher, mas acabou derrotado em toda linha por Ronald Reagan, vencendo apenas um estado (Minnesota, o seu estado natal) e DC. Depois disso, Ferraro tentou ainda, por duas vezes, candidatar-se ao senado na década de 90, mas foi sempre derrotada nas primárias.

 

A última vez que surgiu na "frente de combate" foi na campanha das primárias democratas em 2008, em favor de Hillary Clinton. Depois de ter dito que se Obama fosse um homem branco não estaria nessa posição (de possível vencedor das primárias), demitiu-se da campanha de Hillary. Faleceu hoje com 75 anos com um cancro.

 

Deixo aqui um perfil da Time de Geraldine Ferraro.


26
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 11:26 | comentar | ver comentários (2)

Quem por aqui passa saberá que tenho uma grande admiração pelos vários estrategas políticos americanos. Sendo a política um mundo fascinante que circula muito à volta das estratégias, da comunicação ou da mensagem, estes consultores políticos, também apelidados por alguns de spin doctors, desempenham um papel fundamental na vida política americana. Não por acaso, os Estados Unidos são o berço e o palco das melhores práticas na área de comunicação política. Já aqui elogiei James Carville, o génio que ajudou a levar Bill Clinton de Little Rock até à Casa Branca. Por isso, deixo aqui esta nota, que serve também para fazer as minha previsões eleitorais. Carville afirmou esta semana que provavelmente Mitt Romney será o nomeado republicano. E disse ainda uma coisa interessante. Se Jeb Bush se chamasse Jeb Smith, seria o actual frontrunner da corrida. De facto, o antigo governador da Florida, detentor de um trabalho notável no Sunshine State, ainda hoje é "cortejado" por diversos sectores do Partido Republicano, descontentes com as opções em cima da mesa. Mas o apelido Bush seria sempre difícil de vender em 2012.

 

Olhando para o campo republicano, considero que neste momento existem apenas dois ou três candidatos viáveis, tal como o senador republicano do Iowa, Chuck Grassley defendeu ontem. Ele não os nomeou, mas eu digo que são estes: Romney, Pawlenty e Daniels, se concorrer. Se não houver mais nomes, e neste leque de candidatos (Romney, Palin, Huckabee, Gingrich, Bachmann, Santorum, Barbour, Paul, Johnson e Daniels) dou a Romney 60% possibilidades de vencer, Tim Pawlenty 25%, Daniels 10%, e 5% a todos os restantes. Estarei cá no próximo ano para rever o que escrevi.


25
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 16:47 | comentar

O estranho conceito de liderança de Obama está a suscitar diversas críticas, à direita, mas também à esquerda. Estas críticas não incidem sobretudo na intervenção em si, mas na forma como a Administração tem lidado com a situação da Líbia. Alguns dos artigos desta sexta-feira muito duros para o Presidente Obama.

Is President Obama the weakest Commander-in-Chief in US history?, Niles Gardiner

A Mission Wrapped in Confusion, Eugene Robinson

The Speech Obama Hasn't Given, Peggy Noonan

The Professor's War, Charles Krauthammer


24
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 17:18 | comentar

A congressista do Minnesota, Michele Bachmann, vai anunciar nos próximos meses a formação de um Comité Exploratório para se candidatar à nomeação republicana. A CNN, que avança a informação, diz que este anúncio deverá ocorrer antes de Maio, para ela poder participar para os primeiros debates agendados para esse mês. O que significa este avanço para a corrida, daquela que será a "candidata oficial" do tea party?

 

É preciso dizer que Bachmann não tem a mínima hipótese de ser a nomeada, mas fará certamente estragos. Será mais uma candidata que avança para obter notoriedade, fama e reconhecimento. Mas a entrada dela em cena poderá ter consequências, nomeadamente para outros candidatos. Em primeiro lugar, este avanço é mais um sinal que Palin não vai mesmo candidatar-se. Líder do caucus do tea party no congresso, Bachmann e Palin iriam combater pelo mesmo eleitorado. Com as recentes sondagens, e agora, esta candidatura, Palin deve mesmo estar a equacionar se vale a pena entrar numa eleição para perder. Depois, Michele Bachmann irá apostar principalmente nos estados iniciais, nomeadamente no caucus do Iowa. E aqui quem mais poderá sofrer com esta entrada é outro candidato oriundo do Minnesota: Tim Pawlenty. Para testar a viabilidade da sua candidatura, Pawlenty precisa de ter um grande resultado logo no Iowa. Com mais esta candidatura, isso fica mais díficil. Ron Paul também não deverá ter gostado desta notícia. Paul, se avançar, espera aumentar a sua votação em relação a 2008, e, certamente, esperava obter apoios em certos sectores do tea party. Com a entrada de Bachmann, Paul ficará mais limitado à sua base libertária.

 

Penso que Bachmann irá prejudicar as aspirações republicanas para recuperar a Casa Branca. Com uma oratória inflamada e um discurso radical, a sua entrada na corrida poderá desviar a agenda ainda mais para a direita durante as primárias. Se os principais candidatos caírem na tentação de irem nessa onda, as eleições gerais serão muito mais complicadas. Além que, do pouco que conheço dela, não tem as mínimas capacidades políticas e pessoais para se transformar numa candidata "credível" a Presidente dos Estados Unidos.


23
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 15:25 | comentar | ver comentários (2)

A oposição da Turquia terá sido ultrapassada e a NATO vai assumir o comando das operações na Líbia.


22
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 00:06 | comentar

É oficial. Tim Pawlenty, governador do Minnesota desde 2003 até ao inicio deste ano, anunciou hoje, numa mensagem aos fãs no Facebook, o lançamento da sua candidatura à nomeação republicana de 2012. Como tenho vindo a escrever por aqui, Tim Pawlenty pode ser um sério candidato à nomeação, especialmente com um campo tão polarizado e dividido como aquele que é previsível. Precisará é de fazer uma campanha perfeita, e demonstrar, ao longo dos próximos meses, o carisma necessário que muitos duvidam que tenha. Um bom resultado no Iowa, estado vizinho do Minnesota, será essencial para as suas possibilidades.

 

Tim Pawlenty anunciou esta candidatura na sua página de Facebook às 17 horas locais, neste vídeo. Durante o dia de hoje ganhou cerca de três mil amigos, numa boa iniciativa, tornando-se no primeiro candidato presidencial americano a fazer o anúncio na rede social de Mark Zuckerberg. Neste vídeo, muito bem feito e na linha dos anteriores, Pawlenty coloca em evidência alguns traços que vão marcar a sua corrida presidencial. A insistência nas suas raízes de uma família trabalhadora, a sua identificação com aqueles que têm dificuldades, o seu legado conservador num dos estados mais "liberais" dos Estados Unidos e o enfoque na criação de emprego. E claro, não faltam as referências a Ronald Reagan e Abraham Lincoln, as duas principais personalidades do imaginário do Partido Republicano. Uma novidade neste vídeo é a abordagem à reforma de programas federais de direitos adquiridos, os denominados entitlements, como na saúde ou na segurança social. Este é um assunto que irá marcar a campanha das próximas eleições gerais, e Tim Pawlenty entra já nessa discussão. Não é um vídeo destinado a agradar aos sectores mais conservadores que vão votar nas primárias (certamente virão acções dirigidas a eles mais tarde), mas é um vídeo de lançamento para o país. Honestamente começa bem e com uma campanha disciplinada.

 

Sobre o site oficial de Tim Pawlenty. Gostei bastante. Não faltam as ferramentas digitais indispensáveis numa campanha moderna e começa, desde já, a criar uma rede social própria de apoiantes e voluntários. É inevitável que o estilo da campanha de Obama em 2008 vá marcar este ciclo eleitoral. Veremos o que Pawlenty vai conseguir na rede. Até aqui começa bem melhor do que Newt Gingrich.

 

Pawlenty é o terceiro candidato republicano a formar um comité exploratório, o que lhe permite angariar dinheiro e contratar funcionários, bem como o obriga a apresentar relatórios financeiros trimestrais à Federal Election Commission. Os outros são Herman Cain, milionário da Geórgia e Buddy Roemer, antigo governador do Lousiana. Mas Pawlenty é o primeiro "sério" candidato. Newt Gingrich ficou-se pela apresentação de um site exploratório.


21
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 17:06 | comentar

 

A Internet ainda não é a principal fonte de notícias para os cidadãos americanos. Continua a ser a televisão a dominar o "mercado". Mas a Internet tem vindo a crescer. Este quadro, do mais recente estudo da Pew Internet & American Life Project sobre as eleições intercalares de 2010, é elucidativo. Entre os 18 e 29 anos este valor de 24% sobe para os 36%. Tenho poucas dúvidas que nos próximos ciclos eleitorais, a Internet irá superar os jornais, e aproximar-se, a passos largos, da televisão.

 

Mas este estudo da Pew vem carregado de dados interessantes. Destaco aqui alguns para quem não puder consultar o estudo:

 

- 73% dos utilizadores de Internet adultos (54% da totalidade dos americanos) procuraram notícias ou informação em espaços digitais sobre as eleições intercalares. São os que os autores da Pew chamam de "online political users". Ter mais de metade da população nesta categoria é obra.


- 35% dos utilizadores procuraram na Internet informações sobre os candidatos, currículo de votações ou as suas posições políticas. Destaque ainda para o uso do Twitter e redes sociais. Cerca de 22% destes utilizadores utilizaram as redes sociais para fins políticos.

 

- A Internet tem capacidade de influenciar o sentido de voto. 42% sentiram-se motivados a votar a favor ou contra um candidato devido a informação política que encontrou na Internet.

 

- 32% dos americanos que utilizam a Internet viram vídeos online sobre a campanha.

 

- Dizer a verdade é importante. Cerca de 28 por cento pesquisaram na Internet para verificar a veracidade de afirmações dos políticos. Como agora está tudo na rede, é preciso ter cuidado com as mentiras que se contam. Cada vez mais.

 

- O envolvimento das pessoas é cada vez maior. 16% das pessoas enviaram emails a amigos e conhecidos sobre as eleições, 12% revelaram online o candidato em quem iam votar e 8% inscreveram-se num site para receber informações sobre a campanha. O mesmo número publicou fotos, vídeos ou conteúdo áudio sobre a campanha. 5% dos utilizadores online voluntariou-se para participar em actividades políticas durante a campanha, e 4% contribuíram financeiramente para as campanhas através da Internet.

 

Em 2012 os números serão ainda mais relevantes, mostrando que o caminho da comunicação política passa cada vez mais pela Internet. Curiosamente, hoje Tim Pawlenty irá anunciar a sua candidatura no... Facebook.


Por Nuno Gouveia, às 12:38 | comentar | ver comentários (1)

 

Barack Obama está a provar as agruras do poder. Eleito em 2008 com o suporte entusiástico da facção anti-guerra do Partido Democrata, a sua liderança está a ser bem diferente do que imaginara. Na verdade, hoje Obama deverá ter uma imagem bem mais simpática de George W. Bush. Depois de semanas a enviar sinais contraditórios, os Estados Unidos acabaram por ceder às pressões dos aliados europeus para actuar contra o regime de Khadafi.

 

Mas Obama não seguiu a cartilha das últimas duas guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos. Esta intervenção apenas surgiu depois da aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e depois do pedido da Liga Árabe, que entretanto, como seria de esperar, já recuou. Outra diferença substancial é que os líderes aparentes da situação no terreno não são americanos. Os franceses e os ingleses é que abriram as hostilidades, e Obama tem cedido o protagonismo a Sarkozy e Cameron na liderança da batalha pela opinião pública. Ao contrário do Iraque, por exemplo, aqui foi o Departamento de Estado a forçar a intervenção, enquanto o Departamento de Defesa teria preferido manter os militares americanos afastados da Líbia.

 

O inicio também não foi o mais convencional. Depois de semanas de declarações de responsáveis americanos a afirmarem que não haveria intervenção militar sob chancela americana, as operações militares começaram, sem uma declaração formal do Presidente na Casa Branca – estava de visita no Brasil – e sem um objectivo definido. Enquanto Obama anteriormente tinha afirmado que Khadafi tinha de sair, o Almirante Mike Mullen defendeu este fim de semana que esta operação não se destina à mudança de regime, e que até pode terminar com Khadafi a manter-se no poder. Em que ficamos? Será que os americanos pensam mesmo que isto pode terminar numa situação de status quo, como aconteceu no Iraque em 1991?


Diferenças substanciais definidas pelo estilo de liderança de Barack Obama, que enfrenta aqui uma prova de fogo. Com as fileiras a romperem-se no seu partido, o pior que lhe podia acontecer era um desastre de relações públicas na Líbia. Mas se Khadafi cair rapidamente e o pós guerra não envolver militares americanos, Obama poderá ter encontrado aqui o tom de liderança que o seu mandato desesperadamente necessita. Pelo que temos visto, não será fácil.


20
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 11:38 | comentar | ver comentários (1)

 

“They consulted the Arab League. They consulted the United Nations. They did not consult the United States Congress”

 

No mês de Setembro de 2001, pouco depois dos ataques terroristas, ambas as câmaras do congresso passaram uma resolução autorizando o Presidente George W. Bush a utilizar a força para actuar contra os terroristas, que culminou na intervenção no Afeganistão. Na altura, apenas um dos  535 congressistas e senadores votou contra. Em 2002, já com a oposição de vários democratas e de poucos republicanos, as duas câmaras autorizaram a intervenção no Iraque. Este fim de semana, forças militares americanas iniciaram o seu envolvimento na Líbia. Vários democratas da ala esquerda do Partido estão a questionar esta decisão da Administração Obama. Denis Kucinich, congressista de Detroit que  tentou iniciar um processo de impeachment contra George W. Bush e Dick Cheney, defendeu mesmo que esta acção poderá ser motivo para um processo semelhante contra o Presidente Obama. Terá certamente o sucesso dos anteriores. Mas Obama começa a ficar numa posição desconfortável, com esta oposição dentro do seu próprio partido.

 

Por enquanto, os líderes republicanos têm estado em silêncio, mas não me parece que vá surgir grande oposição deste lado. A liderança no Congresso tem permanecido em sincronia com Obama em relação à política externa e os principais candidatos presidenciais até criticaram o Presidente por ter demorado a actuar na Líbia. E ainda esta semana foi recusada uma moção no Congresso que exigia a retirada do Afeganistão, que teve apenas o apoio de 8 republicanos. E nem um dos 87 novos congressistas votou a favor da retirada. O problema para Obama poderá vir da esquerda, que ameaça subir ainda mais o tom da contestação, depois desta intervenção na Líbia não ter sido votada no Congresso.


19
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 18:45 | comentar

Secretário de Estado de Bill Clinton, entre 1993 e 1997, e ainda colaborador das administrações Johnson e Carter, Warren Christopher faleceu hoje nos Estados Unidos. Figura que marcou várias gerações do establishment de política externa do Partido Democrata, Christopher esteve ainda envolvido na polémica recontagem de votos na Florida em 2000, onde "combateu" James Baker, do lado republicano, também ele antigo Secretário de Estado. Ao longo da sua carreira liderou diversas negociações, nomeadamente a libertação dos reféns de Teerão em 1980 ou ainda os acordos de Oslo em 1993. Foi um homem respeito pela comunidade internacional e por ambos os partidos americanos. Deixo aqui um testemunho de James Gibney, antigo speechwritter de Christopher no Departamento de Estado.


18
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 21:46 | comentar

Já estamos na pré-campanha das primárias, e a 20 meses das eleições gerais, vão começar a surgir sondagens sobre as primárias e os possíveis embates com Barack Obama. A experiência diz-nos: não devemos ligar muito. Jay Cost, com o seu conhecimento e experiência, explica tudo aqui.

 

Este gráfico que o Jay Cost coloca no seu artigo é bem elucidativo. Barck Obama apenas passou a liderar as sondagens nacionais a partir do mês de Fevereiro de 2008. E, por exemplo, Ronald Reagan, em Janeiro de 1979, surgia 22 pontos atrás de Jimmy Carter, que então já estava em queda acelerada de popularidade. É importante irmos olhando para estes números, mas devemos enquadrá-los na sua importância: muito pouca.


16
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 20:38 | comentar

 

Hillary Clinton confirmou numa entrevista a Wolf Blitzer, na CNN, que não vai manter-se no cargo depois de 2012, caso Barack Obama vença a reeleição. Esta é também a tradição dos ocupantes do cargo. Nas últimas décadas, apenas George Shultz manteve-se no cargo com Ronald Reagan no segundo mandato, e isto depois de ter entrado a meio do primeiro termo, depois da saída de Alexander Haig. Para encontrarmos dois mandatos completos, temos de recuar até Cordell Hull, Secretário de Estado de Frank D. Roosevelt, que liderou a diplomacia americana desde 1933 até 1944. Os últimos dois presidentes tiveram dois secretários de estado, um em cada mandato. Clinton, com Warren Christopher e Madeleine Albright, e Bush, com Colin Powel e Condoleezza Rice.

 

A especulação sobre o futuro de Hillary Clinton é enorme. Apesar de ter dito recentemente que este cargo seria o último da sua vida política, tenho dúvidas que seja assim. Em 2016, com 68 anos, ainda terá "pilhas" para mais uma corrida presidencial. Independentemente de quem seja o ocupante da Casa Branca. Estará há quatro anos afastada do corredor do poder e terá uma vasta experiência executiva e legislativa no seu currículo. Conhecendo-se as suas ambições presidenciais, é difícil acreditar que se vá afastar deste modo. Mas cá estaremos para ver.


14
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 23:54 | comentar | ver comentários (1)

President Obama is reluctant to intervene in the bloody civil war now underway in Libya. As a senior aide told The New York Times last week, “He keeps reminding us that the best revolutions are completely organic.” I like that notion of organic revolutions—guaranteed no foreign additives, exclusive to Whole Foods. I like it because, like so much about this administration, it is both trendy and ignorant.

Was the American Revolution “completely organic”? Funny, I could have sworn those were French ships off Yorktown. What about Britain’s Glorious Revolution, the one that established parliamentary rule? Strange, I had this crazy idea that William III was a Dutchman.

 

How to Get Gaddafi, Niall Ferguson

Numa altura em que as forças governamentais da Líbia avançam sobre os revoltosos, e que sobem de tom as críticas ao laissez-faire da Administração Obama, o historiador Niall Ferguson escreve um artigo muito crítico na Newsweek. As opiniões dos americanos dividem-se em relação à resposta americana, mas se as coisas correrem para o torto no Magrebe e Médio Oriente, Obama pode contar com muitas críticas da maioria do Partido Republicano e de parte do próprio partido. Devo dizer que concordo genericamente com a opinião de Ferguson. Uma intervenção militar não é a única solução em cima da mesa para ajudar os revoltosos líbios. Este não é tempo para deixar que, mais uma vez, um povo seja massacrado pelos seus próprios líderes. E não me venham dizer que os líbios não querem ajuda. Já deixaram bem claro isso


Por Nuno Gouveia, às 21:20 | comentar

 

A Fox News anunciou hoje a contratação do antigo senador Evan Bayh, democrata do Indiana. Recordo que Bayh foi o número dois da lista de VPs de Obama, antes deste optar por Joe Biden. Senador durante doze anos, Bayh era considerado uma referência da ala centrista do Partido Democrata antes de retirar-se, de forma surpreendente, no ano passado, anunciando que não se recandidatava a novo mandato. Este ingresso na Fox News poderá não o colocar nas boas graças da ala mais à esquerda do partido, mas é o inicio de um período de exposição mediática interessante para ele. Quem sabe, a olhar já para 2016.

 

Depois de dispensados Rick Santorum e Newt Gingrich, por se candidatarem à nomeação republicana, a contratação de Bayh poderá significar que a Fox News deseja equilibrar, de certo modo, a antena. Líder de audiências no segmento, com um perfil marcadamente conservador, a Fox não tinha, até ao momento, nenhum colaborador democrata deste calibre mediático. Apesar de ter vários democratas e liberais na lista de pagamentos, as grandes "estrelas" do comentário são republicanos: Dick Morris, Sarah Palin ou Karl Rove. Bayh equilibrará um pouco a balança.

tags: ,

Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar blog
 
subscrever feeds