28
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:20link do post | comentar | ver comentários (2)

Na década de 80, o regime líbio era considerado dos maiores apoiantes do terrorismo internacional, tendo estado envolvido em diversos atentados. Em 1986, Ronald Reagan chegou mesmo a mandar bombardear Tripoli e Benghazi. A Administração Bush, em virtude do anúncio formal do regime de Khadafi de renúncia ao terrorismo e ao desenvolvimento de armas de destruição em massa, acabou com o embargo e normalizou as relações entre os dois países. Mas as recentes manifestações voltaram a degradar as relações, e nova intervenção pode suceder. Pelo menos foi isso que a Secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou hoje. Não sei se será apenas para manter a pressão sobre Khadafi, mas é a primeira vez que a Administração Obama ameaça usar a força desde que está no poder. Estas revoluções no Magrebe e Médio Oriente representam a mais grave crise de política externa do actual mandato, e se alguma coisa correr mal, este assunto não deixará de fazer mossa nas presidenciais de 2012.


25
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:23link do post | comentar | ver comentários (4)

 

Tim Pawlenty não tem gerado grande entusiamo até ao momento na sua pré-campanha para a nomeação republicana. Mas uma coisa prece verdade: tem uma excelente equipa de anúncios. Este é mais um exemplo, a propósito da situação no Wisconsin.


23
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:42link do post | comentar | ver comentários (5)

Foto Reuters

 

Rahm Emanuel foi ontem eleito Mayor de Chicago, com uma vitória expressiva sobre os seus rivais democratas. Numa cidade que os resultados finais se decidem no Partido Democrata (desde 1931 que Chicago não tem um Mayor republicano), este já era um resultado esperado para o ambicioso "Rhambo". Com apenas 52 anos, ninguém acredita que este seja o último cargo político que se candidate. Aliado de Bill Clinton primeiro, e depois de Barack Obama, acredito que voltará a Washington nos próximos anos. Uma carreira política a acompanhar.


22
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:20link do post | comentar

Olhando para trás, em 2007 por esta altura, havia claramente quem indicasse quem iriam ser os nomeados de ambos os partidos. Do lado democrata, todos apontavam para Hilllary Clinton, mas alguns já olhavam para Barack Obama como possível nomeado. Poucos acreditavam em John Edwards. No GOP, as apostas dividiam-se entreJohn McCain e Rudy Giuliani, na altura o principal favorito. Mas este é um ano diferente, e poucos arriscarão a responder a essa pergunta.

 

A lógica aponta para Mitt Romney. Em 2008, ficou em segundo lugar, atrás de McCain nas primárias, e os republicanos tem por hábito nomear o que que está na  fila de sucessão. É um tipo inteligente, bom orador e excelente em campanha. Além disso, e sem grandes opções em cima da mesa, parece ser o favorito da máquina republicana. Sabe-se que irá candidatar-se, e, arriscaria eu, se não houver nenhum wild card na corrida, até é bem possível que seja ele o nomeado. Mas também tem as suas dificuldades. Além da polémica lei da saúde que aprovou no Massachusetts muito semelhante à de Obama, existe a sensação que não tem capacidades para derrotar o Presidente. Não terá uma campanha fácil.


Em relação aos outros três nomes mais referidos pela imprensa. Sarah Palin afundou-se nos últimos meses. Sem nunca ter conseguido deslocar da imagem de "imprudente" e "simplista" que criou na campanha presidencial de 2008, os seus números nas sondagens são terríveis e seria quase um milagre conseguir ganhar a nomeação. Em política, não basta ter uma base de seguidores fiel, é preciso alargar essa base. E Palin manifestamente não é capaz disso. Deverá estar mesmo a pensar se vale a pena entrar na corrida para perder. Depois temos Mike Huckabee, que surge sempre bem colocado nas sondagens. É um político simpático e tem boa imagem perante o povo americano. Mas seria sempre carne para canhão numa eleição geral contra Obama. A sua base eleitoral é basicamente a direita religiosa, e numa dura campanha contra Obama, seria massacrado e perderia o voto dos independentes. Talvez por isso, é provável, que fique longe desta corrida eleitoral. Por fim, Newt Gingrich, o famoso Speaker dos anos 90. É um tipo brilhante, capaz do melhor e do pior. Com uma "língua" afiada, comete muitos lapsos que não resistiriam numa campanha presidencial. As notícias que existem apontam mesmo que vai avançar, mas a sua candidatura terá sempre grandes dificuldades de sucesso. Também teria poucas hipóteses contra Obama.

 

E é precisamente devido aos frontrunners apresentarem tantas debilidades, especialmente os três últimos que referi, que esta corrida está tão em aberto. Por isso ha espaço para políticos menos conhecidos do grande público americano, como Tim Pawlenty, do Minnesota, Mitch Daniels, do Indiana ou até mesmo Jon Huntsman Jr, do Utah. Estes, entre os que estão a pensar em concorrer. Porque os republicanos adorariam ter o governador Chris Christie na corrida, que seria um provável candidato à vitória. E haverá mais nomes para adicionar a potenciais vencedores? Tudo é possível, especialmente se for um jovem político capaz de trazer atrás de si uma aura de vencedor.

 

Por fim, haverá certamente outros candidatos a correr por fora, para ganhar espaço para as suas causas. Ron Paul e Gary Johnson, pela causa libertária, Michele Bachmann ou Jim DeMint pelo tea party hardcore, Rick Santorum pela direita religiosa ou Donald Trump, pelo star status de uma corrida presidencial.


21
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:33link do post | comentar

 

Certamente influenciada pelas celebrações do 100º aniversário do seu nascimento no inicio do mês, esta sondagem da Gallup coloca Ronald Reagan como o presidente mais popular da história americana. Nos últimos 12 anos, JFK, Lincoln e Reagan tem liderado esta sondagem da Gallup. Bill Clinton também ocupa um lugar de destaque, o que mostra que os últimos anos conturbados que passou na Casa Branca já foram apagados. Ficará para história.


20
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:58link do post | comentar

Um debate esta mahã no This Week, da ABC, sobre o actual momento político, nomeadamente sobre os acontecimentos de Wisconsin e as guerras do orçamento.


18
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:31link do post | comentar | ver comentários (1)

(foto retirada do TechPresident)

Barack Obama teve ontem um encontro com alguns dos homens mais poderosos do planeta. E todos eles com um aspecto em comum: lideram empresas ligadas às novas tecnologias que valem muitos milhões de dólares. Participantes? Entre outros, Carol Bartz (Yahoo), John Chambers (Cisco Systems), Dick Costolo (Twitter), Steve Jobs (Apple), Eric Schmidt (Google) e Mark Zuckerberg (Facebook). Entre os ausentes, destaco Steve Ballmer (Microsoft) e Jeff Bezos (Amazon). Será que tinham lugar à mesa?


publicado por Nuno Gouveia, às 15:58link do post | comentar | ver comentários (2)

Os Estados Unidos, como grande parte dos países europeus, incluindo Portugal, vivem uma grave crise das contas públicas. Lá, como cá, grande parte do debate público é sobre o combate a este problema. E como sempre sucede na luta política, ambos os partidos esgrimem argumentos pela conquista da opinião pública. Barack Obama anunciou esta semana o seu plano de combate ao défice, o que se consubstancia no orçamento federal para 2012. Mas, segundo os analistas, esta proposta é curta e não resolve nada.

No Wisconsin, o recente eleito governador Scott Walker, republicano, apresentou um plano de austeridade que prevê o aumento das contribuições dos empregados estaduais para a segurança social e para o plano de saúde. A resposta democrata e dos sindicatos não se fez esperar, com ruidosas manifestações nas ruas. A Casa Branca, numa medida arriscada, tomou as dores dos manifestantes na oposição ao governador.

Não sei quem vai ganhar a batalha pela opinião pública. Se os líderes que desejam enfrentar o problema de frente (e não são só republicanos, pois nos governos estaduais de Nova Iorque e Califórnia, liderados por Democratas, as medidas vão no mesmo sentido draconiano), ou se os Democratas de Washington, que parecem querer deixar o problema para lá de 2013. Os republicanos no Congresso têm manifestado vontade de avançar para grandes cortes nos sectores deficitários (saúde, segurança social e defesa), mas a verdade é que ainda não apresentaram um plano sustentado. Parece haver receio em Washington que quem avançar primeiro com cortes nestes sectores vá perder o apoio público. Se o descontrolo das contas públicas é uma ameaça real à estabilidade do país, talvez, digo eu, os americanos prefiram que se enfrentem os problemas com coragem. Será que haverá essa liderança em Washington, como alguns governadores têm demonstrado?


17
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:34link do post | comentar

O encerramento da prisão de Guantanamo foi uma das promessas emblemáticas de Barack Obama durante a campanha de 2008. Mas nas próximas presidenciais, Obama vai ter de assumir que não cumpriu. Estas declarações de Robert Gates não deixam grandes margens para dúvidas. A verdade é que Obama fez uma promessa que não sabia se podia cumprir. Ninguém, a começar pelo Secretário da Defesa, sabe onde colocar os terroristas capturados no estrangeiro, e Guantanamo parece ser o local mais apropriado. Mas também não será grande problema para a sua campanha de reeleição: os grandes opositores da prisão cubana estão na base de apoio do Presidente.


16
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:47link do post | comentar

Charles Krauthammer analisa o campo presidencial republicano, e revela a sua principal fraqueza: os principais candidatos não entusiasmam, mas no "banco" estão três excelentes nomes que não vão ser candidatos: Marco Rubio, Chris Christie e Paul Ryan. De resto, considera Romney como o principal favorito, apesar das dificuldades que terá devido à reforma da saúde que aprovou no Massachusetts. Concordo também com a sua análise sobre os candidatos "fringe" do campo republicano: Ron Paul, Gary Johnson e Donald Trump.


15
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:34link do post | comentar

Esta e as próximas semanas deverão ser em grande parte ocupadas pela discussão do Orçamento para 2012. Não querendo entrar em considerações técnicas, até porque me faltam conhecimentos para tal, parece-me que Obama está, mais uma vez, a jogar num perigoso tabuleiro. As reacções que tenho lido, à esquerda e à direita, são as mesmas: Obama não lidera. A esquerda critica aquilo que considera uma traição às suas promessas "liberais", com cortes em alguns programas federais que eles sustentam serem primordiais. A direita permanece insatisfeita porque queria mais cortes, e principalmente, porque este novo plano prevê um aumento de impostos para 2013. Mas na verdade há uma coisa que todos sabem: este orçamento de Obama não resolve nada dos problemas estruturais da economia americana. E até faz mais: propõe um aumento da despesa em muitas rubricas que têm a forte oposição republicana, como na regulação ou na construção de infraestruturas. Como tem de negociar com os republicanos para ter alguma coisa aprovada, ele sabe que esta proposta de Orçamento está morta à nascença.

 

Ambos os partidos sabem que será preciso tocar nestes sectores: segurança social, os onerosos programas de saúde e os gastos com a defesa. Por outro lado, os republicanos, além de algumas vozes quixotescas dentro do Partido, também parecem ter receio em falar primeiro. Para equilibrar as contas públicas será preciso fazer duros cortes nos gastos com a saúde, a segurança social e com a defesa. Ou aumentar os impostos. Este é o jogo do gato e do rato que republicanos e democratas andam a fazer. Os republicanos não querem aumentar os impostos, e propõem cortar mais despesas do que Obama, mas também não resolvem nada de estrutural. Será preciso alguém chegar-se à frente e propor medidas corajosas. Paul Ryan (o terceiro na foto), congressista do Wisconsin e líder da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes, será uma uma voz importante neste debate, ele que tem defendido alguns desses cortes radicais na despesa. Sem isto, nada feito. Mitch Daniels, o governador do Indiana e potencial candidato à nomeação republicana, num vigoroso discurso este fim de semana, defendeu que o défice é a nova ameaça vermelha á Segurança Nacional dos Estados Unidos. É bom que ambos os partidos negoceiem e cheguem a um acordo.

 

Adenda: acabo de escrever este artigo e leio este tweet de Stephen Hayes, da Weekly Standard: "Big news: House GOP leadership goes all in w/Paul Ryan, will include entitlement reform in budget.". Isto quer dizer que o GOP vai mesmo propor uma reforma nos programas estruturais. Era a única solução que tinham, sob pena de perderem credibilidade. Vamos ver o que propôem.


14
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:14link do post | comentar

O historiador Niall Ferguson estreou-se esta semana como colunista na Newsweek e fê-lo com estrondo, com o esclarecedor título: "Egypt: how Obama blew it". Esta é uma entrevista que deu hoje à MSNBC com base nesse artigo. Não concordando com algumas das suas premissas, e especialmente com o tom demasiado pessimista em relação ao futuro do Egipto, penso que é um artigo que vale a pena ler, tal como a entrevista. E sim, apesar de Obama ter reagido mal inicialmente, penso que a postura da Administração em relação à crise do Egipto até ao momento foi positiva.


12
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 14:22link do post | comentar

Com o selo de qualidade da ONN.

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publicado por Nuno Gouveia, às 00:23link do post | comentar

escrevi sobre a reacção da Administração Obama aos acontecimentos no Egipto. E se no inicio, a resposta não foi a melhor, ao longo das semanas, a situação foi melhorando. Como recorda aqui Ben Smith, Republicanos e Democratas falaram a uma só voz nesta matéria. Aliás, é na política externa, e apesar de algumas divergências que existem, que Obama tem conseguido estabelecer mais acordos com os republicanos. Em relação ao Egipto, a situação permanece instável e incerta. Mas até ao momento, Obama tem lidado bem com a situação. Se o período de transição correr bem no país, Obama terá um trunfo para apresentar nas presidenciais de 2012.


10
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:16link do post | comentar | ver comentários (1)

Nas últimas semanas muito se falou na recuperação de Barack Obama nas sondagens. Afinal de contas, os seus níveis de popularidade recuperaram para os 50 por cento, e parece que tinha iniciado uma subida sustentável. Mas as coisas não são assim tão simples. Como a história nos ensina, é complicado fazer prognósticos a médio prazo, e não consideraria assim tão certa a sua reeleição. Como sempre tenho dito, ainda falta saber muitas variáveis para a equação eleitoral de 2012: como estará a economia em 2012? Como estará a taxa de desemprego? E muito importante, quem será o nomeado republicano? Sem conhecermos estes dados, e ninguém os saberá até ao verão de 2012, tudo não passarão de especulações. Temos é de ir olhando para os indicadores que nos dão.


Esta sondagem da Gallup mostra duas coisas importantes: na frente externa, Obama consegue obter números razoáveis, fruto das opiniões dos republicanos e independentes serem relativamente positivas para Obama. Na condução da guerra no Iraque e Afeganistão e na situação do Egipto. Por outro lado, nos assuntos internos de maior relevo, nomeadamente na economia, no défice e na saúde, as coisas não estão tão positivas. E, como quase sempre sucede, serão os assuntos de política interna a decidir as eleições. Será aqui que as atenções se devem concentrar até 2012. A menos que aconteça um verdadeiro desastre ou uma vitória na frente externa*.

 

* Por vezes acontecimentos extraordinários podem mudar uma eleição eleitoral. O exemplo do caso dos reféns de Teerão de 1979. Apesar de Carter ter lidado mal com a queda do Xá e ascensão ao poder dos Ayatollahs, no inicio da crise, a popularidade de Carter atingiu níveis elevados, com taxas de aprovação acima dos 60 por cento. Um ano antes, esta andava pela casa dos 20 por cento. Mas com o arrastar dos acontecimentos, e com a degradação da situação dos reféns, Carter foi perdendo novamente popularidade até ser derrotado por Ronald Reagan em 1980. Se a crise dos reféns tivesse rebentado pouco antes das eleições presidenciais, Carter poderia ter sido reeleito, apesar da péssima situação económica e dos reféns em Teerão. Como a crise demorou a resolver-se, a situação nada ajudou Carter.


07
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:23link do post | comentar

Uma jogada muito inteligente de Barack Obama, esta entrevista com Bill O'Reilly, o incontestável líder de audiências dos canais de informação. E a entrevista, que decorreu ontem antes do Super Bowl, até lhe correu muito bem.

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publicado por Nuno Gouveia, às 00:37link do post | comentar

 

Os leitores do blogue já terão percebido que este autor é um grande admirador de Ronald Reagan. Dutch, a sua alcunha deste os tempos de juventude, não foi um político qualquer. Mas sua importância não se resume ao papel de líder da revolução Reagan, como ficou conhecido o período em que liderou os Estados Unidos. Nem sequer aos seus sucessos na política externa, onde, muitas vezes contra os seus próprios conselheiros, liderou a ofensiva, diplomática e retórica, contra a da União Soviética. O principal legado de Reagan é precisamente ter alcançado grandes feitos sem nunca mostrar um dogmatismo, tão em voga nos dias de hoje no mundo da política. Nem sempre obteve o que desejava. O congresso era dominado pelo Partido Democrata, e tudo o que conquistou foi através de acordos com os adversários. Com Reagan seria impossível terem existido aprovações de pacotes legislativos sem o apoio de alguns adversários. Pela sua forma de agir, nem acredito que ele pretendesse isso, mesmo que fosse possível. As suas vitórias, especialmente a avalanche de 1984 contra Walter Mondale, onde apenas perdeu DC e o Minnesota, não seriam possíveis sem a sua capacidade de atrair adversários políticos para as suas causas. Foi um Presidente ideológico, disso não se duvide. Mas também sabia ouvir terceiros e ceder. Às vezes aprovar coisas que discordava. Os seus escritos são disso evidência. Reagan costumava dizer que se não se consegue obter cem por cento do que se deseja, então que se ganhe alguma coisa. Foram assim as suas negociações com os Democratas e com os Soviéticos.

 

Não por acaso, hoje muitos evocam o seu nome. Os republicanos, por tudo o que representa para o movimento conservador, mas também muitos democratas, que vêm nele um exemplo de um líder. Ainda há poucas semanas dava conta da campanha em marcha para comparar Obama com Reagan. Mas ambos os lados têm muito a aprender. A começar por muitos conservadores, que não se cansam de o citar, mas que com as suas acções, o desprestigiam. Liderou um período de regeneração do Partido Republicano, sem dúvida encostando o partido à direita. Mas Reagan nunca foi dogmático, e era um acérrimo defensor da Big Tent, onde todos tinham lugar. Com ele não havia caça às bruxas dentro do Partido e todos eram necessários para vencer. Por outro lado, é preciso relembrar um aspecto: também Reagan, em diversos períodos da sua Presidência, foi alvo de alguns enraivecidos conservadores. Negociou, cedeu e venceu. Alguns da actualidade apenas querem vencer, sem passar pelas duas fases anteriores. Mas os Democratas, a começar por Obama, também devem olhar para Reagan como uma fonte de inspiração. Barack Obama foi eleito numa aura de união, que talvez não tivesse paralelo desde 1980. Mas os seus primeiros dois anos foram uma desilusão. Ao contrário de Reagan, Obama é hoje um foco de divisão do povo americano, em virtude do formato de liderança que escolheu: nós contra eles. Felizmente para Obama, ainda falta muito tempo para a campanha de reeleição, e pode mudar de curso. O seu comportamento após as eleições intercalares deram precisamente sinais disso.

 

Ronald Reagan é hoje considerado um dos grandes presidentes da história americana. Como Edmund Morris disse esta semana, nada mau para quem foi tão mal tratado pela imprensa e tantas vezes apelidado como um “pateta simpático”. “Só” teve sucesso nas seis actividades profissionais que desenvolveu: locutor de desporto de rádio, actor, presidente do sindicato de actores, porta voz da General Electric, governador da Califórnia durante dois mandatos e Presidente dos Estados Unidos durante oito anos. Pelo meio, foi decisivo para mudar o Partido Republicano, os Estados Unidos e o Mundo. Nada mau mesmo.



06
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:39link do post | comentar

Rendezvous with Destiny: Ronald Reagan and the Campaign That Changed America, 2009

 

Todos os anos são publicados vários livros sobre Ronald Reagan. Um dos mais recentes que tiver a oportunidade de adquirir foi este Rendezvous With Destiny, de Craig Shirley. Um livro fascinante sobre a campanha presidencial de 1980, quando Ronald Reagan, derrubando todas as barreiras, acabou por derrotar Jimmy Carter num landslide. Depois da campanha insurgente de 1976 contra o Presidente Gerald Ford, Reagan voltou a protagonizar uma campanha contra o establishment republicano em 1980, representado essencialmente por George H. Bush, mas também por Howard Baker, então líder da minoria no senado e Bob Dole, que tinha sido candidato a VP em 1976 com Ford. Esta é a história dessa vitória, primeiro nas primárias do Partido e depois na América.

 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:25link do post | comentar

 

Entrevista da PBS com Reagan sobre um dos momentos mais marcantes da sua campanha presidencial de 1980: o debate com Jimmy Carter.


publicado por Nuno Gouveia, às 00:12link do post | comentar

Esta era uma das grandes armas de Ronald Reagan.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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