30
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:31link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira Barack Obama vai anunciar a saída de Rahm Emanuel de chief of staff, estando já encontrado o nome do seu sucessor: Pete Rouse, que desempenhou as mesmas funções durante o mandato de Obama no Senado. Actualmente era um dos seus Senior Advisers, juntamente com David Axelrod e Valerie Jarret. Este era já um dos nomes apontados pela imprensa para substituir Emanuel, que deverá anunciar em breve a sua candidatura a Mayor de Chicago.

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publicado por Nuno Gouveia, às 17:24link do post | comentar

Um grupo de cientistas do Carnegie Institution of Washington e da University of California, Santa Cruz, descobriram um planeta habitável.


publicado por Nuno Gouveia, às 14:26link do post | comentar

Se as eleições fossem hoje, acredito que o mapa eleitoral não seria muito diferente deste que apresento. O senado ficaria ainda sob domínio dos democratas, com 51-49. Os republicanos manteriam todos os seus lugares e conquistariam senadores na Pennsylvania, West Virginia, Illinois, Indiana, Wisconsin, Arkansas, Dakota do Norte e Colorado. Mas há ainda estados que me parecem perfeitamente em jogo no próximo mês. Será nestes que se irá decidir uma possível mudança de maioria.

 

Alaska- Aqui não haverá perigo para o GOP. Lisa Murkoswki apresenta hipóteses de vitória contra Joe Miller, mas caso vença, irá manter-se no caucus republicano.

 

Califórnia e Washington - Barbara Boxer (D) é a favorita a vencer esta eleição, especialmente depois das últimas semanas. Mas tudo é possível ainda para Carly Fiorina.  No estado de Washington, Patty Murray (D) parecia que estava a distanciar-se, mas ontem saiu um estudo que lhe dá apenas um por cento de vantagem. Tudo em aberto.

 

Nevada e Illinois - As duas corridas mais imprevisíveis do ciclo eleitoral. No entanto, ligeira vantagem para Harry Reid (D) no Nevada e Mark Kirk (R) no Illinois.

 

West Virginia - John Raese (R) tem vindo a liderar as sondagens. Apenas a popularidade do seu adversário, Joe Manchin (D) o poderá travar.

 

Wisconsin e Colorado - Dois lugares que devem mudar para a coluna republcana. Como disse ontem, Ron Johnson (R) parece caminhar para uma vitória confortável. Mas Russ Feingold está no Senado há muitos anos e ainda tem capacidade para ganhar. No Colorado, Ken Buck (R) está a ganhar terreno.

 

Connecticut - A "Wrestler" Linda McMahon (R) tem vindo a encurtar distâncias. Nas últimas aparece atrás, mas dentro da margem de erro. É bem possível que ainda consiga dar a volta.


29
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:50link do post | comentar

 

Depois de analisadas as duas costas, há ainda o interesse nestas intercalares do que vai suceder no Midwest dos Estados Unidos. Retirando o Kansas, Nebraska e os Dakotas (republicanos) e Illinois e Minnesota (Democratas), os restantes estados são normalmente incluidos nos "Swing-States" que vão dividindo os seus votos entre republicanos e democratas. Neste ciclo eleitoral todos vão eleger senadores, à excepção do Minnesota, Nebraska e Michigan. Vejamos as previsões do momento:


Dakota do Sul - O senador John Thune (R) concorre sozinho. O Partido Democrata não apresentou candidato a esta eleição. Deste modo Thune já está a preparar a sua candidatura presidencial para 2012.

Dakota do Norte - O senador Byron Dorgan (D) retirou-se e o governador do estado, John Hoeven (R), já é considerado o virtual vencedor desta eleição.

Kansas - Sam Brownback (R) retirou-se para se candidatar ao governo estadual, mas Jerry Morgan (R) deverá manter o lugar na coluna republicana.

Iowa - Charles Grassley (R) lidera com vantagens superiores a 20 pontos. Está reeleito.

Missouri - O senador Kit Bond (R) retirou-se, mas neste momento o congressista Roy Blunt (R) lidera com uma vantagem confortável sobre a oponente democrata Robin Carnahan.

Wisconsin - Esta poderá ser uma das grandes quedas nestas eleições. Russ Feingold (D), um dos senadores mais respeitados dos últimos 20 anos, está em grande perigo de ser derrotado pelo estreante Ron Johnson (R). Neste momento poucos apostam em Feingold.

Illinois - O lugar que pertenceu a Barack Obama entre 2004 e 2008 é, provavelmente, a eleição mais renhida do ciclo eleitoral. Mark Kirk (R) tem aparecido sempre à frente de Alexi Giannoulias (D), mas sempre com diferenças muito curtas.

Indiana - Outro lugar democrata que vai mudar de mãos. Evan Bayh (D) retirou-se de forma supreendente, ou talvez não, e Dan Coats (R) tem a vitória assegurada.

Ohio - Rob Portman (R), antigo membro da Administração Bush, tem vindo a ganhar um terreno quase insuperável sobre Lee Fisher (D), sendo o mais que provável substituto de George Voinovich (R).

 

Concluindo: o mais provável é termos oito vitórias republicanas no Midwest para o Partido Republicano. Duas reeleições (Dakota do Sul e Iowa), três vitórias em lugares anteriormente republicanos (Missouri, Ohio e Kansas) e quatro "roubos" (Dakota do Norte, Wisconsin, Illinois e Indiana). Destes nove estados, o Illinois, Wisconsin, Iowa, Indiana e Ohio votaram em Barack Obama em 2008. Uma verdadeira hecatombe para o Partido Democrata, a confirmar no dia das eleições.


publicado por Nuno Gouveia, às 10:27link do post | comentar

Cartoon do Politico


28
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:39link do post | comentar | ver comentários (2)

O José Gomes André já escreveu aqui sobre os grandes embates eleitorais que vão decorrer no Oeste dos Estados Unidos para o Senado. Mas há também uma outra batalha a decorrer nestas eleições: na Costa Leste, onde os republicanos foram varridos nos últimos ciclos eleitorais. Relembrar o que sucedeu:

 

1- Neste momento os republicanos não têm nenhum congressista da Nova Inglaterra (New Hampshire, Massachusetts, Vermont, Maine, Rhode Island e Connecticut). Isto em 22 congressistas. Neste estados apenas têm as duas senadoras do Maine, Judd Gregg do New Hampshire e o recentemente eleito Scott Brown.

 

2- Se juntarmos os estados de Nova Iorque, Delaware, Maryland, Pennsylvania e New Jersey, não existem mais senadores republicanos, e apenas há 2 congressistas em NY, 7 na PA, 5 em NJ e 1 no DE e no MD. Isto perfaz 16 congressistas em 72 só nestes últimos estados.

 

3 - Em termos de eleições presidenciais, precisamos de recuar até 1988, quando George. H. Bush só perdeu Nova Iorque, Massachusetts e Rhode Island, para encontrar vitórias significativas do Partido Republicano na Costa Leste. É preciso dizer que desde então o único destes estados a cair na coluna republicana foi o New Hampshire, que deu a vitória a George W. Bush em 2000.

 

Portanto estamos a falar numa zona do país que tem eleito consecutivamente políticos democratas para Washington nos últimos 20 anos. Mas o Partido Republicano, apesar do erro cometido com a nomeação de O´Donnell no Delaware, pode renascer na Costa Leste neste ciclo eleitoral. Em primeiro lugar, é provável que volte a ter congressistas da Nova Inglaterra. Há possibilidades de vitórias significativas no New Hampshire, Maine, Connecticut, Rhode Island e no Massachusetts. Em Nova Iorque, na Pennsylvania e New Jersey são esperadas também grandes conquistas para o GOP. E em termos de senadores, quase seguramente irão manter o lugar no New Hampshire, e eleger Pat Toomey na Pennsylvania. E podem conquistar lugares (muito díficil, especialmente no primeiro caso) em Nova Iorque e Connecticut. Estes estados serão muito interessantes para verificar a dinãmica na noite eleitoral. Como serão os primeiros a revelar os números das votações, serão reveladores para o resto da noite.


publicado por Nuno Gouveia, às 12:49link do post | comentar

Rahm Emanuel deverá abandonar o cargo de "chief of staff" de Barack Obama na próxima sexta-feira para lançar uma candidatura à cidade de Chicago. Este foi o segredo mais mal guardado da Administração, pois há meses saiu uma "fuga de informação" sobre o desejo de Emanuel ser Mayor de Chicago. Depois das saídas nos sectores económicos, esta é mais uma alteração forçada na equipa de Obama.

 

Os próximos a sair? Robert Gates vai abandonar o Pentágono no próximo ano. Timothy Geithner não deverá aguentar até final do ano, em caso de desastre eleitoral. David Axelrod também é certo que sai no próximo ano para preparar a recandidatura de Obama. Não me admirava que o Robert Gibbs saisse também de Press Secretary. Cargos deste género não costumam aguentar muito mais do que dois anos.

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27
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:28link do post | comentar | ver comentários (3)

Uma sondagem da CNN/Opinion Research publicada na sexta-feira passada (tinha-me escapado) dá a Barack Obama o valor mais baixo do seu mandato, com apenas 42 por cento dos eleitores a terem uma opinião favorável e 54 por cento a manifestarem o seu desagrado com o Presidente. Normalmente não devemos dar grande crédito a sondagens isoladas, mas esta não está muito distante dos valores que outros estudos têm apresentado. Isto indica várias coisas e nenhuma é positiva para Obama:

 

1 - Os esforços que têm sido conduzidos desde o Verão para recuperar a popularidade de Obama falharam. E é a prova, se fosse preciso, que a discrepância de estratégias não ajuda. Primeiro foi o enfase na recuperação económica, que não aconteceu, com o "recovering summer". Mais tarde vieram os ataques ferozes à liderança republicana, nomeadamente a John Boehner, que não tiveram grande impacto. Boehner é uma figura relativamente apagada na sociedade americana, que não causa grande reacção. Mais valia terem apostado em Palin, essa sim, uma figura controversa e com muitos anti-corpos. Recentemente surgiram os ataques ao Tea Party, mas que também não têm tido grande impacto. Bill Clinton bem avisou. A próxima fase, e que me parece ser a mais correcta, será enfatizar o que tem sido feito pelos Democratas, pedindo mais tempo para os resultados surgirem. Isto poderá levar os eleitores às urnas e ajudar a combater o descontentamento. Mas dificilmente chegará para evitar uma derrota estrondosa.

 

2 - As recentes comparações com Jimmy Carter têm vindo a aumentar. Apesar de já ter dito aqui que isso faz parte do jogo e de não querer dizer grande coisa, tem-se criado um sentimento entre muitos analistas que Obama poderá estar a enfiar-se num beco sem saída com o eleitorado americano. Jimmy Carter a dar entrevistas também não ajuda. Mas tudo irá depender do que fizer na segunda parte do mandato. A derrota de Novembro poderá transformar-se na sua salvação, desde que esteja preparado para mudar de curso, como Bill Clinton em 1994. O primeiro sinal já veio, com as alterações que se prevêm na equipa de Obama. Mas será ele capaz de virar ao centro?

 

3 - Estas sondagens estão a dar alento aos republicanos. Normalmente num ano em que o Presidente é visto como imbatível, muitos potenciais candidatos optam por resguardar-se. Em 2004 Hillary Clinton já era apontada como potencial favorita à nomeação democrata, mas sentiu que seria díficil bater W. Bush e preferiu esperar mais quatro anos. Até há pouco tempo pensava-se que Obama era imbatível. Mas já não é assim actualmente. O número de potenciais candidatos tem vindo a aumentar de semana para semana. Além dos há muito referidos Palin, Romney, Huckabee, Gingrich, Santorum, Pawlenty, têm-se também falado em Chris Cristie, Haley Barbour, John Thune, Mitch Daniels e o número vai ainda crescer. Dois anos em política são uma eternidade, e relembro que em 2008 se dizia que o GOP estava "morto". Obama ainda pode ser reeleito facilmente, mas com tantos aspirantes republicanos, não se pode dizer que 2012 vá ser um tédio.


publicado por Nuno Gouveia, às 15:25link do post | comentar

A reforma da saúde entrou em vigor este mês, mas apenas em 2014 estará plenamente implementada na sociedade americana. Apesar de não se poder falar  dos seus resultados, ela mantém-se extremamente impopular. Não por acaso, quase nenhum democrata tem-na utilizado durante a campanha eleitoral, com vários a dizer que se opõem a ela e que querem a sua revogação. Hoje foi a vez do governador da West Virginia, que antes tinha-a apoiado, mas que agora está a concorrer ao Senado, afirmar que defende uma revogação parcial da lei. Joe Manchin apareceu na última sondagem com um atraso de três pontos, e percebe-se o seu nervosismo. Mas este tipo de flip-flop não o ajudará, pois os republicanos têm-no massacrado com o seu anterior apoio.

 

Este é dos erros que os democratas têm cometido neste ciclo eleitoral. Nos últimos dias tenho lido algumas críticas de sectores democratas perante a timidez demonstrada na defesa da lei. A sua aprovação foi uma das grandes vitórias do mandato de Obama até ao momento, mas devido à sua impopularidade, quase não se vê ninguém a defender os seus méritos. A falta de convicção e firmeza tem vindo a contribuir para aumentar o desânimo nas hostes democratas.


publicado por José Gomes André, às 00:48link do post | comentar | ver comentários (3)

A cerca de cinco semanas das eleições intercalares, adivinha-se uma noite longa - pelo menos para percebermos quem fica com o controlo do Senado. Isto porque o caminho Republicano para um triunfo pleno (e que seria um dos maiores da história eleitoral americana) passa necessariamente por quatro eleições na Costa Oeste: Califórnia, Washington, Nevada e Colorado.

 

Vamos a contas: se tudo correr como o previsto pelas sondagens (e pelo clima político desastroso para os Democratas), os Republicanos deverão conquistar quatro lugares no Leste, Sul e Midwest: Arkansas, Pensilvânia, Dakota do Norte e Indiana. Admitindo triunfos nos equilibrados Estados do Wisconsin, Illinois e West Virginia falamos de sete vitórias que deixariam os Republicanos com 48 senadores.

 

Para chegarem ao número mágico de 51 lugares, seria pois necessário aos Republicanos vencerem três das quatro disputas no Oeste. Eis o busílis da questão: duas das corridas estão neste momento praticamente empatadas (Colorado e Nevada, concorrendo neste último o líder Democrata no Senado, Harry Reid) e no Pacífico os Democratas parecem ter construído uma espécie de firewall contra a ameaça Republicana (ver Nate Silver e Mark Blumenthal), com Barbara Boxer (CA) e Patty Murray (WA) a terem vantagens na casa dos 6 pontos (média RCP). Parece-me evidente que vamos ter uma clara vitória Republicana, mas dificilmente com troca de comando no Senado.


24
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:34link do post | comentar

Apesar de não ter conseguido a nomeação republicana para o cargo de Comissário da Agricultara do Alabama, Dale Peterson continua a fazer furor com os seus anúncios. Os outros dois eram melhores, mas o estilo continua inigualável.

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23
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:41link do post | comentar | ver comentários (1)

Apresentação do "Pledge to America", a plataforma legislativa do Partido Republicano para estas eleições. Pelo que tenho lido, e apesar de não ter envolvido o espectáculo do "Contract with America" de 1994, este "programa de governo" é bem mais preciso e concreto. Vamos ver se tem o mesmo sucesso de há 16 anos. Quem tiver interesse pode consultar o documento aqui.


publicado por Nuno Gouveia, às 15:41link do post | comentar | ver comentários (7)

Este é um ano estranho. O resultado final das eleições para o Senado ameaçam tornar-se completamente impresíveis. Depois de tantas surpresas nas eleições primárias, de tantos estados em jogo que ainda há um ano eram impensáveis, Nova Iorque parece juntar-se à lista. Hoje foram publicadas duas sondagens que colocam a "hottest senator" Kirsten Gillibrand em risco. A SurveyUSA dá-lhe apenas um ponto de vantagem, enquanto a Quinnipiac aumenta para seis pontos. O candidato republicano, Joseph DioGuardi é amplamente desconhecido do eleitorado do estado, tendo sido congressista na longínqua década de 90. Esta aproximação entre os candidatos indica que tudo está em aberto, indo depender muito da forma como decorrer a campanha. Eu não arrisco um prognóstico, apesar de considerar que Gillibrand ainda mantém o estatuto de favorita.


publicado por Nuno Gouveia, às 10:55link do post | comentar

 

 

Ontem à noite na Fox News. Dois líderes de audiências com diferentes opiniões e que costumam visitar-se mutuamente. Good for the business? Ou têm realmente uma boa relação?

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22
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:18link do post | comentar

É publicado na próxima semana mais um livro de Bob Woodward, desta vez dedicado à Administração Obama. Já é um cliché afirmar que sempre que Woodward escreve um livro as Administrações tremem. Foi assim com os seus quatro livros dedicados aos anos Bush e não está a ser diferente com Obama. A credibilidade de Woodward já vem dos tempos em que, juntamente com Carl Bernstein, contribuiu decisivamente para revelar o escândalo Watergate. Mas Woodward já não é um jornalista solitário, fora do mainstream e que trabalha longe dos círculos de poder. Tal como nos livros sobre a Administração Bush, Woodward teve acesso aos corredores da Casa Branca, entrevistou os líderes do governo, incluindo Obama, e consultou documentos confidenciais. Daí que este livro seja considerado um relato fidedigno do que realmente aconteceu nos bastidores nos últimos 18 meses. E o que já saiu cá para fora não é muito abonatório para a condução da guerra.

 

Não é novidade nenhuma dizer que existem grandes divergências sobre a guerra do Afeganistão no núcleo restrito de Obama. O Vice-presidente Joe Biden, por exemplo sempre foi um opositor da escalada da guerra. Mas o mais preocupante é saber da falta de convicção que existe em relação a este conflito, quando Obama fez campanha em 2008 em favor desta guerra. Além do VP, o seu enviado ao Afeganistão, Richard Holbrooke, e o seu conselheiro especial para o Afeganistão, general Douglas Lute, mostraram-se bastante cépticos em relação à nova estratégia implementada no ano passado. Não acreditam que resulte. Pelo que se percebe, Obama apostou neste plano, não por ter acreditar que iria resultar, mas por dois motivos: não quis contrariar o que os militares aconselharam e devido às promessas que fez durante a campanha eleitoral. Apesar disso, como se sabe, demorou longos meses a decidir e acabou por aprovar um plano que não foi bem o que os militares no terreno elaboraram. Sabemos que um país não pode ter sucesso militar se não existir cobertura política. Se peças fundamentais da condução da guerra discordam do rumo seguido, como Hoolbroke e Lute, não deveriam ter sido afastados?

 

Neste livro é ainda afirmado que Obama teve de estabelecer uma data de retirada de dois anos porque não podia arriscar “perder todo o Partido Democrata”. Sabe-se que esse limite não é absoluto, e pelo menos enquanto Robert Gates for Secretário da Defesa, dificilmente o general Petreaus deixará de ter uma palavra a dizer sobre a retirada. Mas as coisas não vão bem no terreno, e se a Administração não está convicta do que está a fazer é correcto, dificilmente irão melhorar. Obama, que já enfrenta grandes problemas devido às suas políticas internas, arrisca-se a ter um ano de 2011 explosivo no Afeganistão, onde quer a manutenção das tropas ou a retirada gradual lhe causará sempre grandes problemas. Se não actuar com firmeza e convicção, seja a decisão qual for, dificilmente conseguirá convencer alguém. E apesar de não ser novidade nenhuma na política externa americana, critérios partidários não deveriam influenciar decisivamente opções militares.

 

Estas revelações explicam bem as divergências que existiram entre o anterior comandante no Afeganistão, General Mcchrystal, e Richard Holbrooke. Como é que é possível que estivessem dentro do mesmo barco, se um estava a implementar uma estratégia e outro discordava dela?

 


publicado por Nuno Gouveia, às 11:24link do post | comentar

Lawrence Summers, presidente do Conselho Económico da Admnistração Obama, irá sair do cargo depois das eleições de Novembro. Esta é a terceira saída na área  económica, depois de Peter Orszag e Christina Romer. Esta notícia já era esperada, mas não antes das intercalares. Não deixa de ser um sinal para o eleitorado que as coisas vão mudar a partir das eleições. A grande dúvida é se o Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, não irá seguir o mesmo caminho. A performance económica do país não deixará de ter alguma ligação com estas saídas, mas também é importante destacar que estas mudanças são perfeitamente normais. Basta olhar para a história das presidências americanas, onde tem existido desde sempre grande rotatividade neste tipo de cargos.


publicado por Nuno Gouveia, às 10:31link do post | comentar | ver comentários (2)

Ainda não foi desta que o "Dont´s Ask, Don´t Tell" passou no Senado americano. A lei, criada por Bill Clinton em 1993, que determina que as opções sexuais no exército são uma não-questão (no fundo regula o acesso dos homosexxuais, mas não permite que se assumam), ainda não foi desta que foi revogada. Juntamente com os senadores republicanos, os dois democratas do Arkansas, Blanche Lincoln e Mark Pryor, juntaram-se ao fillibuster.

 

Na verdade, com a aprovação dessa lei, os gays ainda não ficariam autorizados a entrar no exército, pois isso apenas entraria em vigor depois do estudo que está previsto ser apresentado no final do ano pelo Pentágono. Vários republicanos que no passado demonstraram acordo em revogar a lei, acabaram por votar contra por causa de algumas emendas que desejam introduzir na lei, mas que o senador Harry Reid não permitiu. Por outro lado, alguns advogaram que é primeiro preciso conhecer o resultado final do estudo do exército para votar esta questão, opinião essa partilhada por John McCain. Esta é uma questão controversa, apesar das sondagens afirmar que a maioria do povo americano é favor da revogação.

 

Numa opinião pessoal, penso que a revogação faz todo o sentido, desde que os comandantes militares dêm o seu aval. Mas que este processo não deveria envolver as "politics" que ambos os partidos têm jogado. Ontem foi bem um sinal disso, com o cerrar de fileiras nos dois partidos. Este resultado poderá ser favorável ao Partido Democrata, pois além de terem o apoio da opinião pública, vai certamente "motivar" a base liberal para ir às urnas em Novembro.

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21
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:02link do post | comentar | ver comentários (2)

A senadora Kirsten Gillibrand de Nova Iorque, segundo Harry Reid.


publicado por Nuno Gouveia, às 17:30link do post | comentar | ver comentários (3)

Depois do tiro no pé que foi a nomeação de Cristinne O´Donnell no Delaware - ainda hoje uma sondagem dá uma vantagem de 15% a Chris Coons, ao mesmo tempo que Mike Castle teria uma liderança idêntica - a PPP publica hoje uma sondagem que dá uma curta vantagem na West Virginia a John Raese contra o democrata Joe Manchin. Esta é a primeira que coloca o republicano à frente, apesar de estarem em empate técnico, mas que indica que os republicanos têm mesmo uma hipótese de vitória. Apenas a popularidade do governador Manchin poderá evitar uma vitória republicana, pois Barack Obama e os democratas no congressão são extremamente impopulares neste estado.

 

Adenda: sem surpresa, o Real Clear Politics deslocou a West Virgina para Toss Up.


publicado por Nuno Gouveia, às 16:14link do post | comentar

Nos últimos anos muito se tem falado na revolução digital operada nas campanhas políticas. Mas, em termos de investimento financeiro em publicidade, não há sintomas de isso estar a suceder. Nesta notícia da Mediaweek podemos observar que os valores de publicidade digital comparados com o investimento em anúncios televisivos continua a ser marginal. Apesar de prever-se a duplicação do valor do ciclo eleitoral de 2008 (para 44 milhões de dólares), estes números continuam a ser insignificantes. A maioria das campanhas continua a dirigir o seu investimento para os canais de televisão, que oferecem mais garantias de persuasão do eleitorado. Como bem diz o texto, talvez porque ainda não há estudos que provem que vale a pena investir no digital, os candidatos continuam muito conservadores na gestão dos seus orçamentos. Mas, e pergunto, eu, não é o que se passa no sector da publicidade em geral?


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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