28
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:22link do post | comentar | ver comentários (2)

Faleceu esta manhã o senador democrata da West Virgínia, o político que mais temo esteve no Congresso desde a fundação dos Estados Unidos. Byrd foi eleito para a Câmara dos Representantes em 1952 e em 1958 ganhou a primeira das suas nove vitórias para o Senado. Um histórico da política americana, que assumiu um lugar em Washington ao mesmo tempo que o Presidente Dwight Eisenhower. Foi uma figura bastante controversa, tendo sido membro do Klu Klux Klan e um dos senadores que participou no fillibuster à lei dos direitos civis. No entanto, viria a relegar esse passado, e anos era uma figura muito respeitada no Partido Democrata.

 

Segundo os procedimentos legais, o governador da West Virgínia deverá apontar um substituto para Byrd. Pelo que li, o mais próvavel é que este lugar venha a ter uma eleição especial em Novembro para eleger um senador que cumprirá o resto do mandato de Byrd até 2012. Veremos se não é mais um lugar em que os Democratas terão dificuldades em manter.


25
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 10:25link do post | comentar

Caso raro no senado americano. Ontem foi aprovado por unanimidade um novo pacote de sanções ao Irão, inserido no esforço americano de impedir que o regime de Teerão obtenha armas nucleares. Em breve a mesma resolução deverá passar na Câmara dos Representantes. Não existem muitos assuntos capazes de recolher um consenso tão alargado em Washington. Podem ler aqui um resumo da AP sobre o que foi aprovado.


24
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:11link do post | comentar

A propósito do que escrevi aqui, o Henrique Raposo pergunta-me sobre o que discordo no livro. Apesar  de me rever na narrativa principal defendida no livro - a decadência da Europa e a emergência das novas potências na política mundial, com os Estados Unidos a reforçar a sua politica de alianças - fui encontrando ao longo da leitura do livro algumas discordâncias, nomeadamente no que concerte à política externa americana e ao seu futuro. Aqui ficam algumas.

 

Não discordo do diagnóstico que é efectuado no livro. No que diz respeito aos Estados Unidos, partilho algumas das críticas apontadas ao primeiro mandato do Presidente Bush. Mas, por exemplo, acho que ainda é muito cedo para dizer que a guerra do Iraque foi um fracasso. Essa é a teoria dominante, pois os anos seguintes à intervenção correram muito mal. Até à "surge" de David Petraeus e ao despedimento de Don Rumsfeld, a condução da guerra tinha sido um desastre, colocando em causa muito do que se pretendia para a região. Mas a médio prazo o objectivo principal ainda pode vir a ser alcançado: um Iraque estável, democrático e aliado do EUA. Pelo caminho também serviu de palco para a luta contra a Al-Qaeda, com esta a ser severamente derrotada. Aliás, não por acaso, Barack Obama, que foi um dos principais críticos da guerra desde que assumiu o seu lugar no Senado, manteve na essência a politica de W. Bush. Bem sabemos que, e como é bem descrito no livro, uma Administração americana é quase sempre é obrigada a seguir o caminho percorrido pela anterior administração. Mas havia quem defendesse outra estratégia na Casa Branca, como o VP Joe Biden. Obama apressou o calendário de retirada no Iraque, mas sabe-se que milhares soldados americanos irão manter-se no Iraque depois da “retirada” oficial. Se daqui a 10 anos o Iraque aprofundar a sua democracia e permanecer como um aliado americano na região, a avaliação que será feita será bem diferente da actual. Especialmente se as coisas também correrem bem no Afeganistão (aqui bem mais complicada a situação).

 

Outra divergência, ainda dentro desta temática: Condoleezza Rice e a forma como é descrita no livro. Admitindo que não fosse propriamente uma neoconservadora na Casa Branca, ela defendeu a guerra do Iraque, e recordo-me de ler no livro de Bob Woodward (Plano de Ataque) que Rice era das que, ao lado de Cheney, Rumsfeld e Wolfowitz, defendia o plano de “spread the democracy” no Médio Oriente. Concordo que no segundo mandato, quando exerceu o cargo de Secretária de Estado, actuou de forma diferente, empregando uma estratégia “realista”, mas isso também tinha sido uma opção de Bush, depois do fiasco pós-invasão do Iraque. Mas isso não apaga as ideias que defendeu no primeiro mandato e o apoio que ofereceu às teorias neoconservadoras reinantes no Pentágono na época.

 


23
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 20:18link do post | comentar

Depois do que relatei ontem, Barack Obama destituiu Stanley McChrystal do comando das forças americanas no Afeganistão. O sucessor já está escolhido: David Petraeus, responsável pela "surge" no Iraque. Obama resolve bem este problema causado por McChrystal, e ao escolher Petraeus, dá um sinal claro que não está pronto para capitular no Afeganistão.


publicado por Nuno Gouveia, às 17:35link do post | comentar

Não é uma modalidade popular nos Estados Unidos, mas talvez a carreira brilhante que estão a fazer na África do Sul possa angariar mais adeptos para o Soccer. E nem os árbitros os conseguiram derrubar até ao momento.

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22
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:29link do post | comentar

O General Stanley McChrystal, Comandante das forças aliadas no Afeganistão, foi chamado de urgência a Washington para reunir com Barack Obama. O motivo? Este perfil da revista Rolling Stone, onde são lançados vários "tiros" à Administração Obama. Alguns assessores de McChrystal acusam algumas figuras da Administração de enfraquecerem a estratégia americana no terreno. O próprio Presidente não escapa, sendo considerado "impreparado" e pouco seguro a lidar com os militares. Não é recorrente os militares criticarem os políticos, e este perfil, pelo qual o General já pediu desculpas, poderá ser mesmo motivo para Barack Obama retirar o comando a McChrystal.

 

Estive a ler a peça da Rolling Stone e de facto encontrei vários pontos de discordância com a Administração, e alguns comentários inconvenientes por parte dos homens do general. Em público, aconselha-se prudência aos militares e McChrystal já não é virgem neste tipo de actuação. Mas encontrei também outros pontos de discórdia que indiciam que talvez Obama prefira ver-se livre desta liderança. Já se percebeu que esta "surge" no Afeganistão vai precisar de mais tempo do que no Iraque para obter resultados positivos. Um membro do grupo de McChrystal admitiu mesmo que no próximo Verão podem pedir mais reforços, se virem uma possibilidade de sucesso nesse aumento de tropas. Ora, estas ideias vão contra a corrente dominante na Casa Branca, onde até já fala em estabelecer um calendário de retirada no Afeganistão. Joe Biden e Robert Gates ainda esta semana estiveram em desacordo público sobre este assunto. Não por acaso, Gates é considerado um aliado de McChrystal e Biden é "adversário". Este perfil da Rolling Stone pode oferecer a "desculpa" que Obama precisava para instalar em Cabul uma liderança mais de acordo com os sentimentos dominantes em Washington.


21
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 01:47link do post | comentar


Um Mundo sem Europeus, Guerra e Paz, Abril 2010

 

O livro do Henrique Raposo é uma reflexão sobre as alterações de poder no mundo, onde é explicada minuciosamente a ascensão de novas potências no tabuleiro principal do xadrez mundial (Japão, Índia, China, Coreia do Sul, etc) e o declínio da Europa. No mesmo patamar, analisa-se a politica externa americana nas últimas décadas, com insights sobre a história americana desde o período revolucionário até Barack Obama. É uma obra académica, muito bem documentada e referenciada, e com muitos dados interessantes para quem se preocupa com as relações internacionais. Mas este não é um livro neutro sobre relações entre Estados. Henrique Raposo toma partido várias vezes, justificando as suas “preferências”: escolhe Hamilton e relega Jefferson; aplaude Condoleezza Rice e condena Paul Wolfowitz; abraça o realismo americano e afasta-se da realpolik europeia; elogia as políticas das potências emergentes e critica severamente a decadente Europa. Além de uma parte dedicada ao diagnóstico da situação, existe também espaço para soluções e sugestões para o futuro. Para a Europa em declínio, para os países emergentes e também para a política externa americana. Os dirigentes europeus deviam ler este livro. Especialmente estes.

 

Não sou um especialista no tema do livro, e até encontrei algumas ideias expressas no livro com as quais discordo. Mas são 300 páginas para absorver, aprender e reflectir. Porque nos faz pensar. E esse é o principal objectivo de uma obra deste género. Aconselho a todos aqueles que se interessam pelos Estados Unidos e pelas relações internacionais “Um Mundo sem Europeus”. Vale bem a pena.



17
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:47link do post | comentar | ver comentários (2)

Dale Peterson foi candidato ao cargo de Comissário da Agricultura do Alabama. Infelizmente ficou em terceiro lugar nas primárias e provavelmente não ouviremos falar dele outra vez. Mas deixou-nos estes dois anúncios. Merece um prémio.

 

 

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16
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:18link do post | comentar

 

A Carolina do Sul é um estado conservador. Membros do Partido Republicano dominam os principais cargos estaduais e federais. O senador Jim DeMint, um dos políticos mais influentes do GOP, irá a votos em Novembro. Mas a primária democrata para o senado transformou-se numa das principais histórias “políticas” dos últimos tempos, com a nomeação de Alvin Greene, um perfeito desconhecido, para enfrentar DeMint.

 

Na noite em que foi conhecida a sua vitória, ninguém o conhecia. Nos jornais, nas televisões perguntava-se quem era esse Alvin Greene, que tinha obtido 59 por cento dos votos contra um juiz de Charleston, numas primárias onde votaram mais de 160 mil eleitores. Sem currículo politico, sem ter sequer um site de campanha ou desenvolvido alguma acção de campanha, ninguém o conhecia. Nos dias seguintes a imprensa revelou que Greene tem 32 anos, é um veterano do exército americano e desempregado desde que saiu do exército em 2009. Logo começaram as suspeitas sobre esta candidatura. Democratas declaram que este candidato foi um “esquema” dos republicanos para prejudicar as hipóteses o Partido Democrata na Carolina do Sul. E apontaram alguns indícios que tal poderá ter acontecido: como Greene terá arranjado os 10 mil dólares para se candidatar ao cargo? Como conseguiu vencer o outro democrata, num estado onde os republicanos podem votar nas primárias democratas e vice-versa? É pouco provável que tal tenha sucedido, pois o republicano sempre foi o favorito para vencer a eleição e é inverosímil que se tivessem dado ao trabalho para implementar um esquema destes.

 

Nas entrevistas que tem dado, Greene tem demonstrado inabilidade total para lidar com as questões, w uma total inaptidão para falar ou explicar a sua candidatura/campanha, que não existiu até ao momento. Alguns democratas  já lhe pediram para desistir e outros disseram mesmo que Greene tem problemas mentais. Uma coisa é certa: como é possível que os democratas só se tenham preocupado com ele depois das eleições? Muita incompetência.


12
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:55link do post | comentar

No dia 12 de Junho de 1987 Ronald Reagan proferiu um discurso em Berlim que ficou como uma das imagens de marca do seu legado. "Mr. Gorbachev, Tear Down This Wall" é a frase memorável que ganhou um lugar na história do século XX. Poucos acreditavam que isso aconteceria, mas passados dois anos o muro caiu mesmo. Reagan já não era Presidente, mas ele tinha sempre teve a convicção que o comunismo poderia ser derrubado durante a sua vida. E assim aconteceu.


publicado por Nuno Gouveia, às 21:54link do post | comentar

O futebol não é propriamente um desporto popular nos Estados Unidos. Mas nos últimos 16 anos a modalidade ganhou muitos adeptos no país, e hoje tem uma cobertura mediática interessante. O empate frente à Inglaterra, uma das selecções mais fortes do torneio, irá motivar ainda mais os americanos para este Campeonato do Mundo. Não por acaso tem honras de destaque na frontpage do NY Times, Washington Post ou da CNN. Mas o meu preferido desta noite vai para o titulo do Drudge Report. Amigos amigos, futebol à parte.


10
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:00link do post | comentar

O Partido Republicano tem sido maioritariamente o partido do homem branco. As suas grandes vitórias dos últimos 30 anos assentaram na eleição de homens brancos. Mas tal como a demografia americana, também o Partido Republicano tem vindo a mudar. Este ciclo de primárias, juntamente com outros ténues sinais da última década, demonstram que o GOP está a diversificar radicalmente na escolha dos seus representantes.


Se pesquisarmos apenas para os últimos 30 anos, verificamos que quase todas as suas grandes figuras foram homens brancos (Reagan, Bush, W. Bush, Gingrich, Lott, Armey, McCain, DeLay, Cheney, etc). É muito difícil encontrar políticos poderosos no GOP sem fazerem parte deste campo demográfico. No entanto, nos últimos anos surgiram algumas transformações, com a ascensão de políticos como Condoleezza Rice, Sarah Palin, Bobby Jindal ou Michael Steele. E este ciclo eleitoral tem vindo a reforçar essa ideia. Na Califórnia, duas mulheres assumem-se como candidatas dos republicanos; noutros estados como no Nevada, Colorado, Missouri, Connecticut e New Hampshire, há também mulheres na corrida ao senado. Na conservadora Carolina do Sul, Nikki Haley, descendente de indianos, será a provável nova governadora do Estado. Na Florida, o hispânico Marco Rubio será o candidato ao senado. Nas candidaturas ao governo do Novo México e Nevada, serão também dois hispânicos os candidatos.


Analisando os estudos que incidem sobre o voto das diferentes camadas demográficas, podemos retirar duas conclusões: os democratas têm vindo a conquistar o voto maioritário dos hispânicos (o grupo que mais tem vindo a crescer nos Estados Unidos), continuam a ter voto esmagador dos afro-americanos, e têm tido quase sempre a preferência da maioria das mulheres;  os republicanos são o partido preferido do homem branco.


Não digo que esta variação de candidatos seja uma consequência directa desta “ameaça” demográfica ao futuro eleitoral do GOP. Mas há uma evidência clara que os republicanos têm hoje mais predisposição para eleger políticos fora da cartilha WASP. E isto irá acarretar consequências também nas suas opções presidenciais. Até ao momento, todos os candidatos presidenciais com hipóteses de vencer fizeram parte do exclusivo clube. No futuro será muito diferente. Em 2012, Sarah Palin poderá tornar-se na primeira mulher com sérias hipóteses de vencer uma nomeação republicana. E neste leque de possíveis futuros candidatos há quem inclua Bobby Jindal (40 anos), Marco Rubio (40 anos) ou mesmo Carly Fiorina (55). Estes dois últimos caso consigam ser eleitos para Washington.


09
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:50link do post | comentar

As primárias de ontem ficaram marcadas pela ascensão de Meg Withman e Carly Fiorina como líderes do Partido Republicano na Califórnia. Pelo menos até Novembro. As suas vitórias já eram esperadas, mas a margem que conquistaram elevaram estas duas mulheres a estrelas dos republicanos para o próximo ciclo eleitoral. No estado de Richard Nixon e Ronald Reagan, duas das figuras mais poderosas do GOP no século XX, Withman e Fiorina podem conquistar um importante lugar para o futuro, caso consigam ser eleitas Governadora e Senadora, respectivamente. Isso não será fácil, pois os democratas na corrida – Jerry Brown e Barbara Boxer – tem liderado nas sondagens. Mas o ciclo eleitoral está a mostrar-se sorridente para novatos na vida política, e se Withman e Fiorina chegaram à política recentemente, o mesmo não sucede com os seus adversários. Jerry Brown foi governador da Califórnia na década de 70, e desde então tem estado na vida política do estado. Actualmente é o Procurador-geral. Barbara Boxer está em Washington desde 1993. A seguir atentamente.


Também no Nevada uma mulher venceu as primárias para o Senado: Sharron Angle. Desconhecida até há bem pouco tempo, conseguiu ultrapassar os favoritos republicanos (Sue Lowden e Danny Tarkanian) nas últimas semanas, depois de ter obtido o apoio do Tea Party Express. Harry Reid deve ter sorrido perante este resultado, pois Angle é considerada pelos analistas como a adversária mais acessível. Apesar disso, os índices de popularidade de Reid são muito baixos, o que indica que haverá luta até ao fim. Também houve primárias para o cargo de governador. O hispânico Brian Sandoval derrotou o governador republicano Jim Gibbons, e vai defrontar o filho de Harry Reid, Rory.


Na segunda volta democrata para o Senado no Arkansas, a senadora Blanche Lincoln contrariou as sondagens e conquistou o direito de lutar pela reeleição em Novembro. Apesar dessa vitória, será muito difícil segurar o lugar em Novembro, pois neste momento está a 20 pontos do adversário republicano, o congressista John Boozman.

 

Outra das eleições que captou mais atenção mediática foi na Carolina do Sul. Nikki Haley venceu as primárias republicanas, mas irá disputar uma segunda volta ainda este mês. Se vencer, será a mais que provável governadora do estado. Podem consultar todos os resultados de ontem nesta página do Politico.


07
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:03link do post | comentar | ver comentários (1)

Há grandes diferenças no debate político entre os Estados Unidos e a Europa. Na questão de Israel as diferenças são mesmo gritantes. Veja-se o debate de ontem na ABC entre o democrata John Kerry e o republicano John Cornyn. Compare-se com o que se ouviu na Europa sobre os acontecimentos da última semana na costa de Israel.


06
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:17link do post | comentar | ver comentários (3)

Na próxima terça-feira realizam-se primárias em vários estados para os partidos escolherem os seus candidatos aos diversos cargos estaduais e federais deste ciclo eleitoral. Destaque para as eleições na Califórnia, Nevada e Arkansas.

 

A Califórnia, o maior estado da união vai a votos para escolher os candidatos ao senado e ao governo estadual. E se no campo democrata, Jerry Brown (antigo governador na década de 70) e Barbara Boxer (actual senadora) deverão ser confirmados como os candidatos, no Partido Republicano ainda existem algumas dúvidas, apesar de Meg Withman e Carly Fiorina serem apontadas como as prováveis vencedoras. Na luta pela nomeação ao governo estadual, Meg Withman deverá vencer a luta contra o empresário Steve Poizner. Carly Fiorina, deverá ser a nomeada para concorrer ao senado contra Barbara Boxer, pois tem neste momento uma vantagem considerável contra Tom Campbell e o candidato apoiado pelo Tea Party, Chuck DeVore. Caso não haja surpresas, confirma-se a ascensão no Partido Republicano destas duas antigas CEOs (da eBay e HP), que surgiram na vida política como conselheiras económicas da campanha presidencial de John McCain em 2008.

 

No Nevada o Partido Republicano nomeará o adversário de Harry Reid em Novembro. Depois de meses a liderar as sondagens, Sue Lowden foi recentemente ultrapassada por Sharron Angle, a candidata apoiada pelo Tea Party. O outro actor principal desta eleição é Danny Tarkanian. A confirmar-se a nomeação de Angle, acredito que Harry Reid tenha a vida mais facilitada nesta eleição.

 

Por fim, no Arkansas haverá a segunda volta da nomeação democrata para o Senado, onde a incumbente Blanche Lincoln medirá forças com Bill Halter. Este último, candidato da ala esquerda do Partido Democrata, tem liderado por curta margem nas sondagens, mas tudo está ainda em aberto. Uma derrota de Lincoln constituirá o segundo fracasso para um incumbente do Partido Democrata, depois de Arlen Spector.


04
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:50link do post | comentar | ver comentários (1)

“Politics has become so bitter and partisan, so gummed up by money and influence, that we can't tackle the big problems that demand solutions. And that's what we have to change first.”

Barack Obama, 17 de Janeiro de 2007

 

Barack Obama completou esta semana 500 dias na Casa Branca. Tem sido um mandato bastante complexo, com alguns sucessos e outros tantos insucessos. O seu nível de popularidade é relativamente baixo, mas não muito diferente de outros presidentes nesta altura, como Ronald Reagan ou Bill Clinton. Anunciar que o seu mandato será um sucesso ou um fracasso é demasiado arriscado, e estará apenas ao alcance de profetas da política. Barack Obama tanto poderá seguir as pisadas de Clinton como as de Carter; tudo irá depender dos próximos dois anos.

 

Há um aspecto que salta à vista nestes meses: a promessa de “new kind of politics in Washington” redundou num desastre absoluto. A luta entre democratas e republicanos acentuou-se, e se as responsabilidades são partilhadas pelos dois partidos, na verdade Barack Obama foi eleito sob a promessa de ser um presidente diferente. E não o tem sido. As dúvidas surgiram quando o público tomou conhecimento dos "negócios" realizados durante a “batalha” pela reforma da saúde, onde foram “comprados” votos de alguns senadores em troca de subsídios federais aos seus estados. Isto não é novo em Washington, mas mais uma vez, Obama prometeu acabar com este tipo de negociatas.

 

Mas o fim da credibilidade da “new kind of politics” de Barack Obama sucedeu com os recentes escândalos que afectaram a sua Administração, que denotam um padrão de actuação perante as dificuldades que enfrentam. E pela primeira vez têm surgido vozes muito criticas dos sectores mais à esquerda, que até ao momento se tinham mantido como “true believers” de Obama. Primeiro foi a notícia que tinham oferecido um cargo na Administração a Joe Sestak para que este desistisse da candidatura ao Senado. Esta semana, um outro candidato insurgente do Partido Democrata ao Senado, Andrew Romanoff, que procura derrotar o favorito de Obama no Colorado, o actual senador Michael Bennet, anunciou que um membro da Administração lhe tinha oferecido três lugares à sua escolha para não se candidatar. Estes casos prometem fazer correr muita tinta nos próximos tempos, e há quem defenda a existência de crime nestas situações. E mesmo que não tenha ocorrido crime algum, ficou provado ao povo americano que o governo de Obama não é diferente. Quem foi eleito sob a promessa de “bipartidarismo”, “mudança” e “nova forma de fazer politica”, perde credibilidade ao mostrar que é apenas mais um. É o problema do messianismo na vida politica. Barack Obama que se cuide nos próximos 500 dias.

 

Também no Cachimbo de Magritte

 

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publicado por José Gomes André, às 02:24link do post | comentar | ver comentários (5)

Trata-se da expressão habitualmente usada para designar disputas eleitorais muito equilibradas, onde as características do confronto político e as sondagens tornam virtualmente impossível apontar um favorito à vitória. Curiosamente, neste ano eleitoral de 2010 existem várias disputas deste tipo, nomeadamente nas eleições para o Senado. À partida, já se esperavam duelos renhidos no Ohio, no Colorado ou na Florida, mas recentes estudos de opinião revelam que o leque é bem mais alargado: também a Pensilvânia, o Nevada e o Missouri são verdadeiros toss-ups por esta altura.

 

Na Pensilvânia, a derrota de Specter nas Primárias parece ter relançado as hipóteses Democratas, aparecendo Joe Sestak pela primeira vez à frente de Pat Toomey em duas sondagens. No Nevada, o mal-amado Harry Reid surge também em franca recuperação e, perante uma luta fratricida nas Primárias Republicanas, poderá até vencer uma eleição que muitos vaticinavam como praticamente perdida há escassas semanas. Missouri e Ohio (actualmente assentos Republicanos) estão em verdadeiro empate técnico. E atenção aos bastiões Democratas de Washington e Califórnia: em condições normais, Patty Murray e Barbara Boxer são favoritas a manter os seus lugares, mas perante candidatos específicos (Dino Rossi em Washington e Tom Campbell na Califórnia), as sondagens apontam igualmente para disputas equilibradas.

 

O dia 2 de Novembro promete.

 


02
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:32link do post | comentar | ver comentários (5)

O gigante euro-asiático mudou de rumo na última década. Depois de décadas como o mais fiel aliado de Washington no mundo muçulmano, o governo islamita de Erdogan empreendeu uma mudança radical na frente diplomática, colocando em causa as fundações da aliança com os Estados Unidos. A Administração Obama enfrenta agora pressões antagónicas dos países que mais lhe são mais próximos na região: Israel e Turquia. Por outro lado, os turcos têm tomado posições nos últimos tempos que se afastam dos interesses estratégicos dos americanos na região.


Como afirma Stephen Cook na Foreign Affairs, como se diz “frenemy in turkish?”. Membro do Council of Foreign Affaris, Cook escreve sobre o desenvolvimento das relações entre os Estados Unidos e a Turquia, onde os caminhos, apesar de não se terem separado, seguem nos dias de hoje rumos diferentes, e que podem entrar em conflito.


A Turquia pretende desempenhar um novo papel no mundo muçulmano, e o aprofundamento de relações com inimigos dos americanos, como a Síria ou o Irão, podem colocar problemas à relação bilateral. O recente acordo, desprezado por Washington, entre a Turquia, Brasil e Irão, criou problemas à estratégia americana para impedir Teerão de obter armas nucleares. As sanções exigidas pelos americanos ficaram dessa forma mais distantes. E o seu alinhamento ao lado da Síria e do Irão, países que apoiam o Hamas e o Hezbollah, poderá criar fricções com os Estados Unidos, tradicional aliado de Israel. Não por acaso os turcos têm tomado posições que vão contra os interesses de Israel, um país que até há bem pouco tempo era um próximo aliado da Turquia.


Esta semana o ministro dos negócios estrangeiros turco criticou abertamente os Estados Unidos por não terem condenado a actuação israelita. Obama, por já ter criticado duramente Israel no seu mandato, perdeu margem de manobra para o fazer e muito dificilmente o fará nesta questão. Uma boa parte do Partido Democrata e a esmagadora maioria do Partido Republicano apoia o direito de defesa de Israel e vários líderes dos dois partidos já disseram em público que esperam que a Administração se mantenha ao lado de Israel neste assunto. Uma resolução de condenação da ONU a Israel, por exemplo, contará certamente com o veto americano.

Caso exista em breve um novo conflito entre Israel e o Hamas ou Hezbollah, os turcos deverão manter-se ao lados dos inimigos de Israel, ao contrário dos americanos, que  darão cobertura diplomática a Telavive. E aí poderá surgir outro momento de tensão entre EUA e Turquia. Obama tentará manter-se a navegar entre estas duas correntes, sem criar rupturas com nenhum dos lados. Mas não tenho dúvidas que se a corda esticar muito, ela acabará por partir para o lado turco.

 

Também no Cachimbo de Magritte


01
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:55link do post | comentar | ver comentários (2)

Um estudo publicado hoje pela Gallup dá uma vantagem de seis por cento ao Partido Republicano para as próximas eleições intercalares de Novembro, a maior vantagem desde que a empresa publica sondagens (1950). As últimas semanas não têm sido fáceis para os democratas: a economia não dá grandes sinais de melhoria e o desastre ambiental do Golfo do México, onde Obama tem sido muito criticado, serão as principais razões apontadas para esta queda abrupta. Até Novembro muito haverá para discutir, e os republicanos ainda estão a passar por primárias que se podem transformar em pesadelos eleitorais, como aconteceu no Kentucky e é provável que suceda no Nevada. Mas uma coisa é inegável: o GOP entra no Verão com larga vantagem sobre os Democratas.


publicado por Nuno Gouveia, às 14:32link do post | comentar | ver comentários (1)

Barack Obama apresentou na semana passada a sua nova estratégia segurança nacional, num altura em que pela primeira vez nos últimos anos uma maioria dos americanos acredita que poderá haver um ataque terrorista em breve. Apesar da retórica ser substancialmente diferente da anterior, e haver um esforço por repudiar algumas das mensagens emblemáticas da estratégia Bush (Guerra preventiva e guerra ao terrorismo), este novo documento tem também alguns vários elementos continuidade.  Já se sabe que um Presidente nunca pode inverter a política do seu antecessor em 180 graus. E Obama certamente não o fez, com a continuação dos esforços de guerra no Afeganistão e o cumprimento do plano de retirada do Iraque. Além disso, o combate à Al-Qaeda e aos grupos terroristas continua a ocupar um espaço relevante nesta estratégia.


Uma das criticas que se tem sido feita é que este documento não estabelece verdadeiras prioridades, colocando no mesmo patamar a economia, a luta contra grupos terroristas (não apenas islâmicos), a não proliferação nuclear, a cooperação internacional ou a promoção da democracia no estrangeiro. Ou seja, é um resumo das preocupações que afectam a segurança nacional americana, mas não são apontados caminhos seguros nem nenhum aspecto é considerado prioritário. Se para os Estados Unidos manterem-se fortes e influentes no mundo precisam de ter uma economia forte? Sem dúvida e nenhum Presidente o terá considerado de outro modo. Era preciso incluir isso neste documento? Há dúvidas. E qual a prioridade da estratégia nacional americana? Combater a Al-Qaeda? Vencer no Afeganistão? Lutar contra o aquecimento global? Não se sabe, porque o documento não o revela.


Mas estes tipo de exercícios teóricos, que são obrigatórios para todos os Presidentes, nem sempre ficaram na história da diplomacia americana. Em 2002, George W. Bush lançou a sua estratégia nacional e definiu a “Bush Doctrine”, que lançou as sementes para o que viriam a ser os primeiros seis anos da sua Administração.  Obama pretende dar um novo ênfase na diplomacia americana. No futuro poderemos analisar o que mudou substancialmente. E o sucesso da Administração Obama também passará pelos resultados que alcançar.


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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