31
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 20:03 | comentar

Memorial Day, which is observed on the last Monday of May, commemorates the men and women who died while in the military service. In observance of the holiday, many people visit cemeteries and memorials, and volunteers often place American flags on each grave site at national cemeteries. A national moment of remembrance takes place at 3:00 p.m. local time.

(Retirado do Department of Veteran Affairs)


30
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 22:19 | comentar

Retirada da Time.


Por Nuno Gouveia, às 18:46 | comentar | ver comentários (4)

Novos desenvolvimentos surgiram depois deste post. A Casa Branca divulgou no final desta semana que foi Bill Clinton quem conversou com Joe Sestak e o tentou convencer a desistir da nomeação democrata. E que esse lugar oferecido na Administração não seria "pago". Sendo verdade esta informação, poderá "esvaziar" um pouco a polémica. Por um lado, ao envolver o nome do antigo Presidente Clinton, retira pressão à Casa Branca. Por outro, a oferta de um lugar que não seria remunerado torna mais díficil a constituição de um caso que configure um crime. Mas o Partido Republicano continua a exigir uma investigação federal sobre este caso. A minha convicção é que este caso não irá desaparecer da arena mediática tão cedo.


Este tipo de situações não é particularmente nova na política americana, e já vários políticos foram apanhados em situações do género. No entanto, e como recorda o Chicago Tribune neste editorial, a promessa de "new politics in Washington" de Barack Obama sofre mais um sério revés.


Por José Gomes André, às 01:54 | comentar | ver comentários (1)

Nada como ouvir uma história contada em primeira mão. Neste caso, através do diário do jornalista e político português (brasileiro) Hipólito da Costa (1774-1823), que relata as suas experiências como enviado pela Coroa portuguesa aos Estados Unidos (em serviço diplomático), entre 1798 e 1799. Tecendo comentários sobre vastos elementos culturais, religiosos, políticos e até científicos da nação americana, Hipólito da Costa apresenta-nos um das primeiras análises continuadas dos EUA realizada por um estrangeiro, e num período importantíssimo da ainda jovem república.

 

"Diário da Minha Viagem a Filadélfia, 1798-1799" encontra-se editado pela Imprensa de Ciências Sociais (2007), mas pode ser consultado online em http://viagem-filadelfia.blogspot.com, um paciente e meritório trabalho de compilação de Gabriel Silva, que transcreveu as observações de Hipólito da Costa em forma de posts diários (como se fosse um blog pessoal do próprio), juntando-lhe links que ajudam a compreender o vasto número de personagens, locais e eventos citados, contextualizando uma leitura deveras curiosa.

 


27
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 15:44 | comentar | ver comentários (8)

O caso até nem é novo, mas ameaça tornar-se num verdadeiro embaraço para a Administração Obama. Admito a minha surpresa por nenhum órgão de comunicação social português ter feito referência a este assunto, que pode tornar-se num "Plame affair" de Barack Obama.


A notícia surgiu durante a campanha para as primárias democratas da Pennsylvania para o Senado, onde Joe Sestak enfrentou e derrotou o senador Arlen Specter, o preferido de Barack Obama e do establishment democrata. Sestak acusou a Administração de lhe ter proposto um cargo no governo em troca da sua desistência em favor de Specter. Isto pode configurar crime de corrupção e suborno, e talvez por isso, este caso já está sob ameaça de investigação no congresso. Vários republicanos têm apelado a um total esclarecimento desta situação, que pode tornar-se muito incómoda para Obama. Até ao momento tanto a Casa Branca como Joe Sestak têm mantido um silêncio que está a tornar-se ensurdecedor. O candidato ao senado tem-se limitado a manter a declaração, sem no entanto dizer quem lhe fez a proposta ou que cargo lhe ofereceram. Robert Gibbs, secretário da imprensa, apenas referiu que os advogados da Casa Branca observaram as conversações com Sestak e concluíram que nada de inapropriado aconteceu. Muito pouco, quando parece óbvio que oferecer um cargo em troca da desistência de uma candidatura é crime.


Quando pela primeira vez este caso surgiu na imprensa, revelado pelo próprio Sestak, fiquei surpreendido pelos republicanos não terem pegado logo nisto: mas agora percebo melhor a estratégia encetada. Primeiro deixaram que as primárias democratas tivessem lugar, para agora atacarem a Administração pelo seu envolvimento neste assunto, e o próprio Sestak, que está numa luta renhida com o republicano Pat Toomey.


26
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 23:32 | comentar

O site 24/7 Wall St. fez um estudo sobre a riqueza dos 44 Presidentes dos Estados Unidos da América, apontando em números actuais o valor das suas fortunas.

 

Mas nem todos os Presidentes fizeram fortuna, e alguns deles morreram mesmo na bancarrota, como Ulysses S. Grant. John F. Kennedy foi o presidente mais rico, com uma fortuna avaliada no valor de 1 bilião de dólares, o dobro de George Washington, o primeiro presidente americano.

 

Na era moderna, destaque Lyndon Johnson com 98 milhões, Franklin D. Roosevelt, com mais de 60 milhões e Bill Clinton com 38 milhões. Alguns deles, como Bill Clinton ou Gerald Ford, arrecadaram riqueza depois de saírem da Casa Branca. Outros presidentes da era moderna, como Harry Truman ou Woodrow Wilson, nunca chegaram a ser ricos. Barack Obama já tem uma soma avaliada em 5 milhões de dólares, especialmente devido aos seus livros. Ainda irá subir muito até ao fim da sua vida.

 

Deixo aqui o link para esta curiosidade histórica.


Por Era uma vez na América, às 17:07 | comentar


25
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 22:09 | comentar

 

No próximo dia 8 de Junho o estado mais populoso dos Estados Unidos vai a votos para escolher os seus candidatos ao Senado e ao Governo estadual. A atravessar uma grave crise financeira e política, o Golden State tem perdido influência e riqueza na última década e ambos os partidos têm responsabilidades. Daí que a palavra de ordem na Califórnia é "change", uma não-novidade na vida política norte-americana. Sendo um estado que vota democrata nas presidenciais desde 1992, e dominado por legisladores democratas, o actual governador é o republicano Arnold Schwarzenegger e durante a década de 90 teve outro republicano ao leme de Sacramento, Pete Wilson.


Do lado democrata, Barbara Boxer vai a votos para manter-se como a senadora júnior do estado, e é uma das incumbentes que tem o lugar em risco. Para o cargo Sacramento, Jerry Brown, que foi governador entre 1975 e 1983, deverá ser novamente candidato ao lugar. Resta referir que ambos os candidatos têm surgido com uma ligeira vantagem em relação aos seus potenciais opositores republicanos na esmagadora maioria das sondagens.


Do lado republicano a corrida está bem mais animada, se bem que esta semana as sondagens indicam que há duas favoritas. Nas primárias para o Senado, a antiga CEO da Hewlett-Packard, Carly Fiorina está com uma vantagem de mais de 20 pontos sobre o seu mais directo adversário, o antigo congressista Tom Campbell. O candidato preferido do tea party, Chuck DeVore está num distante terceiro lugar em todos os estudos de opinião. Para o cargo de Governador, a antiga CEO da eBay, Meg Whitman ganhou um novo fôlego contra Steve Poizner esta semana. Se não mudar o rumo dos acontecimentos até 8 de Junho, o GOP deverá apostar em duas empresárias de sucesso para derrotar os dois históricos do Partido Democrata. A sua tarefa não será fácil, mas pela importância da Califórnia na União e pelo perfil dos candidatos envolvidos, estas serão das eleições mais mediáticas do ciclo eleitoral.



Por Nuno Gouveia, às 16:32 | comentar | ver comentários (5)

Em Abril escrevi um post sobre o tea party, defendendo que poderia constituir uma vantagem considerável para o Partido Republicano conquistar uma maioria política no Congresso. Mas também alertei que o GOP não pode desviar-se demasiado para direita devido ao tea party, sob pena de perder competitividade eleitoral em alguns estados. E neste momento existem alguns sinais preocupantes para o GOP, que podem colocar em causa uma vitória esmagadora em Novembro. Apenas vou referir as eleições para o Senado, mas também existem evidências dos mesmos problemas nas eleições para a Câmara dos Representantes.

 

Destaque óbvio para a vitória de Rand Paul no Kentucky. Em principio o lugar deverá manter-se na coluna republicana, apesar de Paul. Este é um estado fortemente republicano, e muito dificilmente um democrata ganhará esta eleição. Mas o candidato democrata Jack Conway é o Procurador-geral do Kentucky e é uma figura conhecida a nível estadual. A primeira sondagem depois das primárias dava 25 por cento de vantagem a Paul, mas depois da “trapalhada” em que Paul se envolveu tudo poderá ter mudado. Ao contribuir decisivamente para a derrota de Trey Grayson, um republicano que facilmente seria eleito em Novembro, o tea party demonstrou que pode ser nocivo em alguns estados. Não sei se será o caso do Kentucky, mas há mais estados onde isso pode acontecer.

 

A começar pelo estado do Nevada, onde o actual líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, enfrenta sérias dificuldades. A favorita republicana até há bem pouco tempo era Sue Lowden, que tem liderado consistentemente as sondagens à frente de Reid. Mas o tea party express declarou o seu apoio a uma obscura candidata, Sharron Angle, e esta tem vindo a subir nas sondagens. Já considerada uma versão feminina de Rand Paul, com ideias bastante afastadas da middle America, uma vitória desta nas primárias de oito de Junho poderá significar uma caminhada triunfal para Reid. E se no Kentucky, qualquer candidato com o label republicano se arrisca a vencer, no swing state do Nevada a situação é bem diferente. E o mesmo se passa no Colorado, onde a favorita republicana, Jane Norton, tem sido ameaçada pelo candidato apoiado pelo tea party, Ken Buck. Aqui também será bem mais difícil derrotar o actual incumbente Michael Bennet  com o candidato apoiado pelo tea party.

 

Outro estado onde o tea party pode ameaçar o sucesso eleitoral do GOP:  Washington. Dino Rossi, um popular republicano que deverá avançar esta semana para corrida ao Senado, é considerado demasiado moderado pelo tea party. Sarah Palin, evidenciando uma postura errática e desligada da realidade eleitoral, apoiou na semana passada o antigo jogador de futebol americano, Clint Didier, levando com isso uma catadupa de apoios do tea party para este candidato. Todas as sondagens indicam que o único republicano que tem hipóteses de derrotar o actual senador Patt Murray é precisamente Dino Rossi. Se por acaso conseguirem derrotar Rossi nas primárias, este estado passará novamente para a coluna “segura” dos democratas.

 

Até ao momento, o tea party já obteve vitórias e derrotas, sendo que o saldo até é negativo. Foram derrotados nas primárias do Illinois, Indiana e Connecticut e exceptuando o Nevada e Colorado, até será difícil que consigam obter mais alguma vitória relevante. Mas num ano muito competitivo como este, os republicanos deviam diversificar a sua “tenda” e apresentar os melhores candidatos perante as diferentes realidades que enfrentam. Durante muitos anos os republicanos escolheram os seus candidatos de forma pragmática, a única forma que os pode levar à conquista de maiorias eleitorais para governar o país. O que este ciclo eleitoral tem demonstrado é que existe uma desenfreada luta pelo “purismo” ideológico nos seus candidatos. E isso pode ser desastroso para o Partido Republicano, conforme observamos na prestação de Rand Paul na semana passada.




24
Mai 10
Por Era uma vez na América, às 13:12 | comentar

No legislative act, therefore, contrary to the Constitution, can be valid.

Alexander Hamilton, Federalist paper nº 78

 

Uma das imagens mais marcantes do sistema judicial americano é o recurso ao Supremo Tribunal. Por ano, uma média de 75 a 100 casos são ouvidos, escolhidos de entre mais de 7000 pedidos. Cada vez mais, os cidadãos americanos recorrem ao Supremo Tribunal, reclamando da inconstitucionalidade de uma lei ou decisão. Não foi sempre assim: o poder judicial encontra-se consagrado no terceiro artigo da Constituição do EUA, que estabelece um Supremo Tribunal e um número não-estabelecido de tribunais inferiores, sendo definidos os casos de justiça a ser presentes ao tribunal federal. Não estabelece o controlo da constitucionalidade, apesar de este ter sido amplamente discutido no período pré-constitucional. Muito simplesmente, para alguns Pais Fundadores, isso era levar a inovação institucional longe demais.

 

No entanto, em 1803, na vigência do terceiro Presidente, Thomas Jefferson, o Supremo Tribunal, pela mão do juiz John Marshall, afirmou o princípio do controlo judicial da constitucionalidade, elemento crucial para a estabilidade e fortalecimento da União. Marshall consagrou o papel político do Tribunal, ao mesmo tempo que confirmava a unidade do novo país (o célebre pluribus in unum, unidade na diversidade). Qualquer lei contrária à constituição deve ser declarada inválida, posto que a constituição é a norma suprema, à qual todo o ordenamento jurídico se submete. Foi esta a decisão do Supremo Tribunal no célebre caso Marbury v. Madison, julgado em 1803, e que fixou a judicial review.

 

O caso explica-se em poucas palavras. John Adams, o segundo Presidente dos Estados Unidos, decidiu, nas últimas horas do seu mandato, nomear uma série de federalistas para o cargo de juiz federal (vitalício, entenda-se). A ideia do Presidente era manter os tribunais federais sob uma égide federalista, que o Presidente recém-eleito, Jefferson, não partilhava. Um dos nomeados, Marbury, não recebeu a decisão dentro das poucas horas de final de mandato. Assim, James Madison, novo Secretário de Estado, entendeu que esta nomeação não deveria ser confirmada. Marbury apelou ao Supremo, pedindo que este obrigasse o novo Presidente Jefferson a confirmá-lo. Perdeu o caso, mas ficou para a história.

 

Na decisão, John Marshall afirmava o princípio da constitucionalidade das leis. Reconhecia a superioridade da Constituição sobre todas as normas, e que nenhuma lei deveria ser contrária à Constituição, sob pena de ser anulada por qualquer tribunal. Ou seja, reconhecia os limites do poder político, sujeito também ele à Constituição. Nascia assim a justiça constitucional americana, num modelo que viria a influenciar grande parte das democracias liberais. Basta pensar na capacidade que os nossos tribunais portugueses têm de controlo concreto da constitucionalidade.

 

Ana Margarida Craveiro [Doutoranda no ICS, blogger no "Delito de Opinião" e "31 da Armada"]


Por José Gomes André, às 01:31 | comentar | ver comentários (1)

23
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 15:51 | comentar

Charles Djou é o primeiro republicano em 20 anos a ganhar uma eleição para o Congresso no Hawaii. Na verdade é apenas o terceiro republicano a consegui-lo desde que o Hawaii é estado. Mas esta também terá sido uma vitória muito especial e que pode ser já revertida em Novembro.

 

O republicano obteve 39,4, contra os dois democratas na corrida, Colleen Hanabusa (30,8) e Ed Case (27,6). Esta eleição especial para o 1º distrito do Hawaii surge porque o anterior congressista, Neil Abercrombie, demitiu-se em Fevereiro para se candidatar a governador. E aqui reside a explicação para a vitória do republicano. Como não houve primárias no campo democrata, Hanabusa e Case apresentaram-se a eleições para disputar o lugar contra o republicano Djou, que soube aproveitar a divisão no campo democrata. Esta vitória poderá não significar muito, pois em Novembro apenas haverá um candidato democrata, que será escolhido nas primárias em Setembro. No entanto os 40 por cento de Djou são também significativos, num distrito que Barack Obama venceu com 71 por cento em 2008.


20
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 19:51 | comentar | ver comentários (19)

Depois de uma terça-feira animada na política norte-americana, os dias seguintes não lhe ficaram atrás. E os protagonistas continuam a ser os mesmos. Presumo que não vamos ter muitos períodos mortos até 2012. Se até Novembro teremos as intercalares, logo depois começará a febre dos candidatos republicanos e a longa campanha para as presidenciais. Mas até Novembro temos dezenas de campanhas interessantes para seguir.


As sondagens da Pennsylvania e Kentucky não podiam ser mais favoráveis para os grandes vencedores de terça-feira. Joe Sestak, depois de meses a aparecer atrás de Pat Toomey, surge com uma vantagem de 4 por cento. É a esperada subida depois da vitória contra Arlen Specter. Mais surpreendente é a vantagem de 25 pontos que Rand Paul tem sobre Jack Conway, quando no último estudo apenas tinha mais um por cento que Conway.


Mas Rand Paul tem poucos motivos para sorrir. Quem acompanha a vida política norte-americana sabe que os libertários têm posições consideradas muito afastadas do mainstream político em algumas matérias. Paul não igual ao seu pai e até terá posições mais moderadas em determinados assuntos. Sem isso não teria obtido o apoio de algumas figuras de peso do GOP como Sarah Palin ou até Jim DeMint. Mas os últimos dois dias têm sido dominados pela sua posição ambígua sobre a lei dos direitos civis na década de 60. Paul manifestou algumas dúvidas sobre um aspecto da lei, que obrigava os estabelecimentos privados a não segregarem pessoas em função da sua cor. A lógica da sua defesa é que o Estado Federal não deve legislar sobre espaços privados (quem tiver interesse em observar a posição de Paul pode ver esta entrevista que deu a Rachel Maddow ontem à noite). Apesar das suas declarações que estaria ao lado de Martin Luther King nessa luta pelos direitos civis e contra o racismo institucional, Rand Paul não foi claro se votaria favoravelmente a lei se estivesse no Congresso na década de 60. Hoje Paul já clarificou que votaria a favor da lei, mas não sei se irá conseguir apagar a polémica. O próprio Jim DeMint já reprovou estas ideias de Rand Paul, e este assunto promete dar que falar nesta campanha do Kentucky.


Entretanto, Richard Blumenthal, candidato democrata ao senado pelo Conecticut, continua sob fogo devido às mentiras sobre o seu passado de veterano. A primeira sondagem publicada depois do escândalo indica muitos sinais de preocupação. Depois de vantagens de 30 pontos sobre os seus adversários, agora surge apenas com três pontos a mais do que Linda McMahon, a favorita republicana neste momento. E os media já descobriram pelo menos cinco vezes diferentes onde Blumenthal afirmou que tinha combatido no Vietname, quando na verdade nunca lá esteve devido aos seus pedidos de adiamento de incorporação. Não sei se irá conseguir sobreviver a este escândalo, mas este assunto não irá desaparecer da campanha tão cedo.


19
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 22:19 | comentar

O estratega democrata Joe Trippi alerta para o spin dos aparelhos partidários sobre os resultados eleitorais de ontem.

Mark Melman, outro consultor democrata, fala dos quatro anti deste ciclo eleitoral: "politics, incumbent, establishment and democratic".

Por fim, o conservador John Podhoretz começa a sua análise sobre este ciclo eleitoral com a certeira declaração: "The key rule in American politics is that there are no rules anymore".


Por Nuno Gouveia, às 16:58 | comentar | ver comentários (4)

Se alguma consequência podemos retirar das várias eleições de ontem é que os cidadãos estão furiosos com Washington. Neste momento poucos incumbentes podem considerar-se “safos” para as eleições para Novembro. Quanto mais próximo do círculo de poder, mais probabilidades existem de serem afastados nas urnas. Obviamente este sentimento é mais perigoso para os democratas, que neste momento detêm a maioria no Congresso e ocupam a Casa Branca. Daí que Novembro poderá ser um mês verdadeiramente desastroso para os políticos no poder. Vejamos o que aconteceu ontem.


No Kentucky, um candidato republicano fortemente apoiado pelo aparelho e pelas figuras mais poderosas, foi derrotado por Rand Paul, que apesar de ter apoios importantes como Sarah Palin e do actual senador Jim Bunning, era considerado um verdadeiro outsider. Esta foi a primeira grande vitória do Tea Party Movement, o que aliás foi destacado por Paul no discurso de vitória. No Arkansas, a senadora Blanche Lincoln foi obrigada a disputar uma segunda volta com um candidato mais à esquerda neste estado conservador. E na Pennsylvania, Arlen Specter nem com Obama e Biden a seu lado conseguiu vencer. Noutra eleição disputada ontem, no 12º distrito da Pennsylvania, venceu um democrata. Mas repare-se que este candidato fez campanha contra Washington e contra a reforma da saúde aprovada no Congresso pelos democratas. E apenas teve uma figura nacional a seu lado - Bill Clinton. Neste momento, para vencer em grandes parcelas do território americano, é preciso atacar o governo e Washington.


As consequências disto para Novembro? A minha previsão é que haverá mais surpresas até lá. E algumas eleições que se pensam já definidas à partida poderão ficar em aberto. Uma coisa é certa: serão as intercalares mais disputadas deste 1994. E haverá muitos motivos de interesse aqui para o blogue.


Por José Gomes André, às 16:37 | comentar

Para além das eleições mediáticas no Kentucky (no lado Republicano) e na Pensilvânia (do lado Democrata), a que o Nuno aludiu, ontem houve ainda uma série de disputas em diversos Estados americanos. Destaquemos três casos importantes. No Kentucky, assistiu-se a uma eleição renhidíssima entre os Democratas, para a escolha do candidato ao Senado. Venceu o Procurador-Geral Jack Conway, por uma unha negra (mais 4 mil votos que Daniel Mongiardo, em 520 mil). Conway, um jovem político, tem uma base forte no eleitorado urbano e as suas posições centristas tornam-o um candidato viável em Novembro. Será o adversário de Rand Paul, numa disputa certamente interessante de seguir. As últimas sondagens davam ligeira vantagem ao (agora) nomeado Republicano: 1% (PPP) e 3% (Research2000).

 

No Arkansas tivemos também Primárias para o Senado, com o Republicano John Boozman a vencer confortavelmente, mas com a Democrata Blanche Lincoln (a actual senadora) a ficar-se pelos 45% do lado Democrata (contra os 43% de Bill Alter). As regras exigem uma maioria absoluta, e por isso haverá uma segunda volta entre os Democratas. Em todo o caso, a eleição geral (em Novembro) deverá ser ganha pelos Republicanos, pelo que o actual suspense do duelo Lincoln-Halter perde algum interesse.

 

Nota ainda para um curioso duelo no 12º distrito congressional da Pensilvânia, motivado pela morte de John Murtha, que representara os Democratas no Congresso durante vários anos. Previa-se uma disputa muito renhida, mas o Democrata Mark Critz venceu o Republicano Tim Burns por 7 pontos de diferença. Esta vitória foi muito celebrada nas hostes Democratas, pois temiam que as recentes derrotas em eleições especiais levassem à perda de mais um lugar na Câmara dos Representantes. Tal não sucedeu nesta ocasião, embora seja naturalmente precipitado retirar daqui consequências para as disputas nacionais de Novembro.

 


Por Nuno Gouveia, às 03:10 | comentar | ver comentários (1)

 

Podia destacar a vitória de Joe Sestak, o congressista que venceu as primárias democratas da Pennsylvania. Mas Arlen Specter não é um político qualquer. Eleito pela primeira vez para o Senado em 1980 pelos Republicanos, manteve-se durante 29 anos ao serviço do partido de Reagan. Depois de em 2004 ter enfrentado e vencido Pat Toomey nas primárias republicanas por apenas um por cento, era certo que em 2010 iria perder a nomeação republicana. Em 2009 Barack Obama e Harry Reid convenceram-no a trocar de partido, contribuindo assim a maioria anti-fillibuster do Partido Democrata no Senado. Em troca, a promessa do apoio e empenhamento do establishment na sua nomeação como candidato à reeleição pelo Partido Democrata. As coisas não correram bem, e Joe Sestak venceu a nomeação democrata. Pela segunda vez nesta noite, os candidatos apoiados por Washington foram derrotados.

 

Do lado republicano o vencedor foi Pat Toomey, que apenas teve a oposição de um activista conservador. Com Sestak como candidato democrata, esta eleição promete ser disputada até ao último voto. As últimas sondagens apontavam para uma ligeira vantagem de Toomey, mas está tudo em aberto.


Por Nuno Gouveia, às 00:57 | comentar

Rand Paul venceu a primária republicana no Kentucky. Esta vitória representa a força do tea party movement, que apostou tudo neste candidato que afrontou o establishment do Partido Republicano. O líder da minoria no senado, Mitch McConnell, empenhou-se nesta corrida em favor do seu favorito, o Secretário de Estado Trey Grayson. Mas os resultados não deixam dúvidas: os republicanos do Kentucky queriam mesmo derrotar o candidato apoiado por Washington. Rand Paul é um candidato mais frágil que Grayson para a eleição geral, mas isso não significa que tem poucas hipóteses de eleição em Novembro.

 

O seu adversário deverá ser Jack Conway, Procurador-geral do estado, que nas duas últimas sondagens estava a apenas um e três pontos de Paul. Mas o Kentucky é um dos estados mais republicanos da União, e dado o ambiente anti-democrata que se espera para Novembro, muito dificilmente Paul perderá essa eleição. Mas para isso terá de se reunir com os líderes do Partido Republicano e conjugar esforços para a eleição geral. Ainda durante o dia de ontem, Paul falou várias vezes em união e que estava ansioso para reunir com McConnell. Sem obter o apoio empenhado do GOP, a possibilidades de vitória seriam bem mais reduzidas. Mas conhecendo o pragmatismo republicano, isso não deverá ser difícil de suceder. Sem o Kentucky, McConnell não tem hipótese de ser o próximo líder do Senado.


18
Mai 10
Por Nuno Gouveia, às 18:36 | comentar | ver comentários (7)

O congressista do Indiana Mark Souder (R) era conhecido pelas suas posições conservadoras. Esta semana soube-se que tinha mantido um caso extramatrimonial com uma assessora. O líder da minoria republicana, John Boehner apontou-lhe a porta da rua e ele demitiu-se. E o mais interessante desta história? Ano passado Souder tinha gravado um vídeo com a sua assessora sobre a abstinência sexual na adolescência. A vida política americana não está fácil para hipócritas.

 

Entretanto o candidato ao lugar de Chris Dodd no senado, o democrata Richard Blumenthal foi apanhado a mentir descaradamente aos eleitores. Segundo o New York Times, Blumenthal foi várias vezes afirmou que tinha estado no Vietname, quando na verdade não participou na guerra. Era considerado pelos analistas como o favorito a ganhar as eleições de Novembro no Connecticut. Nas últimas sondagens estava com uma vantagem confortável sobre os possíveis opositores republicanos. Mas não sei se irá conseguir sobreviver a esta mentira, principalmente por envolver um aspecto tão sensível com a vida militar.


Por Nuno Gouveia, às 18:23 | comentar | ver comentários (1)

Hoje realizam-se três primárias que podem dar já um sinal claro do que vai ser este ano eleitoral. No estado da Pennsylvania, o senador Arlen Specter, apoiado pelo Partido Democrata em peso, incluindo Barack Obama, Joe Biden e Harry Reid, poderá ser derrotado pelo congressista Joe Sestak. O mesmo se passa no Arkansas, onde a actual senadora Blanche Lincoln enfrenta uma dura primária contra candidatos mais à esquerda. As sondagens apontam para um segunda volta. No Kentucky é Rand Paul que deverá ser o grande vencedor das primárias republicanas para o senado, contra o favorito do establishment republicano, Trey Grayson. Uma noite eleitoral interessante para acompanhar.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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