23
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:43link do post | comentar

 

As sondagens do último mês colocaram Rick Perry consistentemente à frente nas sondagens nacionais, e logo a imprensa colou-lhe o rótulo de favorito. Talvez com justiça. Mas passados três debates em que Rick Perry participou e não vejo possível como ele poderá manter esse estatuto. Ontem esteve mesmo muito mal, não conseguindo sequer disfarçar a sua inabilidade para este tipo de debates. E nem quero sequer comparar a sua prestação com a de Mitt Romney. Olhando para as respostas, a convicção e o conteúdo de Perry, e rapidamente verificamos que políticos experientes como Rick Santorum, senador e congressista durante vários anos, e Newt Gingrich, têm estado bem melhor do que Perry. Ontem esse contraste foi por demais evidente, com Santorum, Gingrich e também Jon Huntsman pelo centro, a demonstrarem terem bem mais fibra do que Perry. E o debate de ontem deve ter feito soar os alarmes no establishment republicano que não se revê em Romney e aguardava pelo comportamento de Perry. Não por acaso, esta manhã em Washington o nome de Chris Christie voltou a ser falado constantemente. 

 

O debate de ontem à noite na Florida terá sido um sério revés para Rick Perry. Depois das suas primeiras prestações não terem sido muito positivas, ontem foi um verdadeiro desastre. O constraste com Mitt Romney foi por demais evidente, com este a mostrar que está perfeitamente preparado para atacar a presidência. Ter uma campanha presidencial no currículo ajuda bastante, e o facto de estar em campanha desde 2007, quando anunciou a sua primeira candidatura, tem ajudado bastante. Durante estes debates evita os ataques dos adversários, centra a sua mensagem em Obama e passa por cima das armadilhas que lhe vão sendo colocadas. Ontem perguntaram-lhe se considerava, tal como outros concorrentes, que Obama era um socialista. Não caindo na armadilha de lhe chamar socialista, Romney disse que gostaria era de chamar a Obama "former President" e que considerava que Obama era um "liberal" da velha escola do Partido Democrata, e que está perfeitamente de acordo com as políticas falhadas dos partidos europeus social-democratas, alguns deles chamados socialistas. Uma grande diferença para o radicalismo de outros, que consideram Obama um socialista, mas da escola soviética.  Romney tem alguns problemas com a base republicana, e só isso é que o impede de estar muito à frente nas sondagens. A sua reforma na saúde no Massachusetts, a sua moderação em determinados assuntos e posições antigas sobre o aborto ou controlo de armas retiram-lhe apoio na base conservadora e no tea party. Além do mais, não esquecer que é Mórmon, um assunto que tem andado esquecido nestas primárias, mas que deverá fazer confusão entre alguns evangélicos. Mas depois de ter visto estes debates, não há que esconder: Romney tem estado num nível muito superior aos restantes. Não digo que Perry não consiga surpreender já no próximo debate e recuperar o fôlego entretanto perdido. Tem um longo currículo político e certamente não se deixará abater tão facilmente. Mas a continuar neste linha, não acredito que tenha hipóteses de bater Romney. O eleitorado conservador no passado já deu mostras de inteligência, ao olhar para a elegibilidade dos candidatos, e desta vez, acredito que não faça de modo diferente.  

 

A entrar nos últimos três meses do ano, haverá certamente novidades na campanha. Irá emergir alguém no Iowa para fazer frente a Perry? Rick Santorum tem estado bastante bem nestes debates e poderá ter algum movimento nas sondagens, e Michele Bachmann, que desapareceu dos holofotes (e das sondagens nacionais) irá dar tudo por tudo no Iowa. Com tanta gente a competir ferozmente no Iowa, Romney irá certamente atacar nos caucuses. No New Hampshire, Romney aparece muito à frente, mas Jon Huntsman deu sinal de vida recentemente em duas sondagens, a aparecer com mais de 10 por cento. Será que vai emergir como a alternativa a Romney aqui? Ainda muito irá acontecer nestas primárias. Recordo que em 2007, por esta altura, Rudy Giuliani liderava as sondagens, seguido de perto por Fred Thompson. John McCain, o nomeado, andava pelas ruas da amargura, e Mitt Romney e Mike Huckabee não chegavam aos 10 por cento. 


Já em 2008 Mitt Romney era, claramente, "presidential material". Nessa altura foi prejudicado pela velha tradição republicana de dar a primazia ao anterior derrotado nas primárias do partido, nesse caso o Sen . John McCain , opositor de George W. Bush em 2000.

Desta vez é ele que beneficia do estatuto de que McCain usufruiu em 2008. E as suas hipóteses de nomeação são muito fortes: tal como ele, também McCain estava longe de ser o típico político republicano. O eleitorado republicano tem um instinto natural de nomear o candidato com mais hipóteses de vencer, e não creio que esta vez vá ser excepção, mesmo tendo em conta o fenómeno Tea Party .

Fnalmente , eu até acho natural que haja entre os evangélicos - e não só - uma certa reserva para com os mormons . Afinal de contas, não deixa de ser bizarro afirmar-se que Jesus Cristo apareceu nos Estados Unidos no século XIX.
Alexandre Burmester a 23 de Setembro de 2011 às 23:19

Se Romney fosse do "religious type" talvez fosse um problema. Mas ele raramente fala disso em público, a menos quando é forçado, e nem é novidade na cena política. Ninguém fala disso, mas Harry Reid também é mórmon.

Entretanto, hoje volta-se a falar insistentemente em Chris Christie.

http://www.newsmax.com/Headline/Christie-president-Romney-Perry/2011/09/23/id/412133


A entrada de Chris Christie seria um enorme choque na campanha. Penso que o beneficiário acabaria por ser Rick Perry, e que essa entrada possivelmente faria surgir como candidata a insondável Sarah Palin.
Alexandre Burmester a 24 de Setembro de 2011 às 00:14

Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog