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Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar

As perspectivas para Barack Obama não são boas para 2012. Eu próprio tenho escrito bastante sobre os cenários adversos para a reeleição do Presidente. Mas não se pense que Obama não tem sérias hipóteses de vitória. Na semana em que desceu dos 40 por cento na popularidade e em que a sua aprovação na economia atinge os 26 na sondagem da Gallup, permaneço convicto que pode ganhar. 

 

Analisando a história, percebe-se que Barack Obama está em problemas. Vários presidentes estiveram em situações idênticas e conseguiram dar a volta. Ronald Reagan e Bill Clinton, nas últimas décadas, tiveram taxas de aprovação semelhantes, mas conseguiram ser reeleitos facilmente. No entanto, este cenário não é comparável com o de Obama. Pelo simples facto que a economia nos últimos anos do primeiro mandato de Reagan e Clinton estava em crescimento, enquanto o mesmo não irá suceder a Obama. A comparação mais evidente até será com o mandato de Jimmy Carter, que enfrentou a campanha de reeleição numa situação semelhante com a que Obama irá ter. Mas acredito que a comparação com Carter termina aí. Até porque a equipa de Obama teve tempo para estudar a campanha de 1980 e evitar cometer os mesmos erros. 

 

Ao contrário de Carter, Obama continua nas boas graças dos americanos, em termos pessoais. Apesar dos seus números serem maus, os americanos continuam a gostar de Obama. Por outro lado, ninguém acredita que irá ter um adversário democrata nas primárias, ao contrário dos três últimos presidentes que foram derrotados, Gerald Ford, Jimmy Carter e George H. Bush, que tiveram que fazer campanha interna nas primárias. E olhando mais para trás, ainda temos Lyndon Johnson, que desistiu da recandidatura quando surgiu a oposição de Eugene McCarthy e Bobby Kennedy nas primárias democratas de 1968. Portanto, apesar de começarem a surgirem sinais de insatisfação na base, Obama irá para as eleições com o partido unido e o eleitorado democrata fidelizado. E ninguém pense que isso não irá suceder. A explicação segue no próximo parágrafo. 

 

Esta semana tenho lido que os estrategas de Obama desejavam para 2012 uma campanha à Reagan, a "Morning in América again". Com o estado da economia e a falta de "resultados" para apresentar ao eleitorado, a campanha só pode ter um rumo. E nem a reforma da saúde poderá ser utilizada pelo Presidente, pois permanece extremamente impopular. A estratégia para vencer será "destruir" o adversário republicano, seja ele quem for. Ao contrário da Europa, nos Estados Unidos uma campanha negativa pode ser eficaz e garantir a reeleição. Claro que Obama terá mais dificuldades em obter sucesso se o nomeado for Mitt Romney ou alguém com um perfil moderado (o que acredito que irá acontecer), apesar das suas incongruências e falhas, que não são poucas. Daí a importância do nome que os republicanos escolherem. Com uma base a radicalizar-se, os republicanos correm o risco de elegerem um candidato inelegível, como sucedeu em 1972 com o Partido Democrata, com George McGovern. Tenho estado atento à campanha republicana e estou curioso para observar o percurso de Rick Perrry, neste momento o adversário mais perigoso para Mitt Romney. Com um currículo interessante e bons resultados na governação do segundo maior estado da União, o Texano terá de provar que é capaz de ganhar o centro político. E a sua estreia na arena nacional pareceu-me francamente má. Se for o escolhido e manter esse rumo, Obama ganhará uma vantagem relevante.

 

Com a estratégia de diabolizar o adversário garantirá a totalidade da sua base e poderá recuperar o eleitorado independente, assustando-os com o perigo do radicalismo de direita. E enquanto os republicanos irão passar meses (até escolherem um candidato) a debater sobretudo à direita, Obama poderá desde já fazer a campanha ao centro, não perdendo tempo com a esquerda. Acredito que a campanha resumir-se-à a isto: Obama ao ataque ao radicalismo dos republicanos e estes a criticarem o legado do Presidente. Quem for mais eficaz na mensagem sairá vencedor.


Bom dia,

O Era uma vez na América está novamente em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Boa continuação!

Pedro
Pedro a 22 de Agosto de 2011 às 12:13

Obrigado.
Um abraço.
Nuno Gouveia a 22 de Agosto de 2011 às 20:04

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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