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Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:40link do post | comentar

Os últimos dias abalaram a corrida republicana, com mudanças que terão impacto na história destas primárias. Na quinta-feira, um debate muito aceso, onde Tim Pawlenty esteve deliberadamente ao ataque a Michele Bachmann. Foi o melhor momento desta campanha, num debate onde Mitt Romney acabou por sair vencedor, sem grande esforço diga-se. Bachmann foi igual a sí própria (ou seja, não saiu dos talking points treinados previamente), não cometendo erros e gerando boa imprensa no final do debate. A actuação de Pawlenty, que transparecia algum desespero, já deixava antever o desfecho deste fim de semana. Pawlenty apontou o óbvio a Bachmann: ela não tem currículo, nunca alcançou nada nos anos no Congresso e resume-se a representar uma voz estridente no debate político. Pelo contrário, ele, tem um currículo de oito anos como governador de sucesso no Minnesota. Mas a vida não está fácil para quem tem currículo no GOP. Que o diga Jon Huntsman, que teve uma prestação muito fraca neste seu debate de estreia.

 

Ontem entrou em cena Rick Perry, governador do Texas e adversário muito perigoso para Mitt Romney nestas primárias. Este anuncio acabou por ofuscar a vitória de Michele Bachmann na Iowa Straw Poll. Em segundo lugar ficou Ron Paul e em terceiro Tim Pawlenty, que apostou tudo em vencer este evento. Hoje ao inicio da manhã, o antigo governador do Minnesota anunciava a sua retirada da corrida à nomeação republicana, por não vislumbrar um caminho para a vitória. Perfeitamente compreensível e expectável.

 

Consequências para a corrida destes acontecimentos? Diria que duas principais:

 

1- Michele Bachmann é a favorita a vencer no Iowa. Não propriamente pela vitória de ontem em Ames, mas pela força que tem demonstrado em todas as sondagens estaduais. Os cristãos evangélicos representam cerca de 60 por cento dos eleitores nestes caucuses republicanos, e apenas Rick Perry poderá competir seriamente com Bachmann por esta camada do eleitorado. Romney poderá ter uma hipótese diminuta, caso consiga angariar grande parte dos moderados. No entanto, o Iowa poderá este ano não ter grande impacto nas primárias, tal como sucedeu em 2008, quando Mike Huckabee venceu. Isto se a vencedora for Bachmann.

 

2- Dificilmente estas primárias deixarão de ser uma corrida entre Mitt Romney e Rick Perry. Depois do debacle de Tim Pawlenty e da não existente candidatura de Jon Huntsman até ao momento, estes parecem ser os únicos candidatos credíveis no campo republicano. Michele Bachmann poderá ser um factor nestas primárias, mas talvez para prejudicar um outro candidato, como Rick Perry, funcionando como Mike Huckabee, que em 2008 retirou votos importantes a Mitt Romney, favorecendo desse modo a vitória de John McCain. De qualquer forma, se não houver grandes alterações, o adversário de Barack Obama deverá ser Romney ou Perry. 

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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