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Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar

Há uns dias li num jornal americano a seguinte citação de um democrata que não quis dar a cara: "Hillary teria sido melhor Presidente". Esta é a sensação de muitos democratas, entre os quais alguns apoiantes de primeira hora de Barack Obama. A desilusão com Obama é profunda e extravasa em muito o eleitorado independente, que votou maioritariamente nele em 2008. As últimas semanas foram dramáticas para o Presidente, que viu a sua capacidade de liderança ser colocada em causa, ao ser constantemente ultrapassado pelos acontecimentos. Depois da campanha quase perfeita que realizou no ciclo eleitoral de 2008, "agravada" pela sua retórica messiânica, a desilusão era uma certeza para qualquer espectador atento. A dúvida, e eu também sempre a tive, era se esse sentimento seria apenas de circunstância ou, pelo contrário, colocaria em causa a sua reeleição. Neste momento, e com a salvaguarda que ainda falta mais de um ano, e que temos à direita um Partido Republicano ainda à procura do candidato ideal, as suas hipóteses de vitória em 2012 parecem diminuir a cada dia que passa. Esta semana, enquanto Barack Obama discursava numa tentativa de acalmar os mercados, Wall Street caía a pique. Nada é mais perigoso para um Presidente americano do que o sentimento de impotência. Jimmy Carter também acabou por sucumbir devido a essa mesma impotência de mudar o rumo da economia, agravada pela situação dos reféns da embaixada americana em Teerão.

 

Com a sua impopularidade a subir em flecha, Obama só poderá fazer uma coisa: transformar as eleições num referendo... ao seu adversário. Como dizia um assessor de Obama esta semana ao Político, para Obama vencer será preciso "kill Romney", a crer que será esta a escolha republicana. Ou outro qualquer. A campanha não vai ser bonita. Mas será certamente muito interessante.


caro Nuno,
se me permite vou-lhe propor um exercício. Gostava de saber o que você faria se fosse, na actual conjuntura, o presidente dos EUA, mas democrata, ou se fosse um candidato republicano. isto é gostava de saber como você se defenderia do corte de rating e como você atacaria se fosse oposição.
André a 11 de Agosto de 2011 às 01:38

Penso que esta é a melhor estratégia para Obama: jogar ao ataque e tentar destruir o adversário. Uma campanha negativa, do estilo da que George W. Bush protagonizou em 2004. E estou convencido que vai ser mesmo isso que Obama irá fazer.
Nuno Gouveia a 15 de Agosto de 2011 às 23:55

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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