06
Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 02:10link do post | comentar

A agência de rating Standard & Poor's baixou esta noite o rating da dívida americana a longo prazo para AA+, o que acontece pela primeira vez na história dos Estados Unidos. Os analistas prevêm que se as outras duas agências seguirem o mesmo caminho, a Moodys e a Fitch, isso poderá custar cerca mais de 100 mil milhões de dólares por ano em juros. Esta decisão não é surpresa, mas o governo americano esperava que o acordo que foi aprovado recentemente para o aumento do limite do endividamento impedisse esta descida. 

 

Ainda é cedo para apontar responsabilidades, mas ninguém ficará bem na fotografia. Os responsáveis da S&P referem que esta descida reflecte a opinião que o plano aprovado pelo Congresso e pela Administração falha em controlar a dívida americana. Pelas razões apontadas pela agência de rating, há muito "sumo" para ambos os lados: por um lado os republicanos vão acusar os democratas de não terem ido tão longe como eles desejavam nos cortes na despesa, falhando num verdadeiro plano para controlar a dívida galopante do país. Por outro, os democratas vão contrapor que a intransigência dos republicanos em não aumentar os impostos limitou as negociações. Como quase sempre sucede em política, a verdade estará algures no meio entre as diferentes opiniões. Mas no plano estritamente político, será importante acompanhar como a opinião pública irá reagir. No entanto, parece-me que quem não sairá bem desta situação é o Presidente Obama, que será encarado como um líder fraco e sem capacidade de apresentar soluções. A reeleição parece cada vez mais difícil. Resta-lhe esperar que os republicanos surjam aos olhos dos americanos como parte do problema, e nesse caso, a escolha do mal menor seja Obama em 2012. Nesse ponto, interessa também saber quem irá emergir das primárias republicanas e de que forma ele será encarado pelo eleitorado independente, que irá decidir essas eleições. Mas quem pensava que haveria um período de tréguas neste Verão estava bem enganado.

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Acima de tudo pelo simbolismo do corte de rating, mais do que propriamente pelos seus efeitos práticos, esta só pode ser uma má noticia para Obama. Os republicanos não vão cessar de dizer que foi durante a sua presidência que este histórico acontecimento teve lugar.

PS Nuno: o rating britânico e francês é AAA.
Alexandre Burmester a 6 de Agosto de 2011 às 14:52

Tem toda a razão, Alexandre. Ontem li algures isso e não fui confirmar. Já apaguei do texto.

Sim, é uma forte mancha (mais uma) na Presidência Obama. Não vai ser fácil recuperar...
Nuno Gouveia a 6 de Agosto de 2011 às 17:20

Caro Nuno,
A culpa obviamente é do sócras...
ontem foi um mau dia para os EUA primeiro o corte do rating e depois no afeganistão os talibans abateram um helicóptero das forças especiais americanas e morreram 37 soldados.
André a 6 de Agosto de 2011 às 15:15

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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