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Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:39link do post | comentar

 

Este debate sobre o limite o endividamento tem demonstrado a falta de liderança de Barack Obama. Mas também colocou em evidência a total irresponsabilidade e incapacidade de governar de alguns membros do congresso, nomeadamente alguns republicanos da Câmara de Representantes. Repare-se que este debate está a ser feito sobretudo nos moldes dos conservadores: apenas haverá cortes na despesa, o aumento de impostos já está fora das negociações, e a dúvida agora é apenas sobre o número a cortar. Mesmo assim, alguns congressistas, como a irresponsável Michele Bachmann, têm dito que não votarão a favor do aumento do limite do endividamento. Estes republicanos, que utilizam sempre a Constituição em todos os discursos, parecem não perceber os fundamentos do sistema americano, feito de checks and balances e assente na divisão de poderes. Neste momento o GOP apenas controla metade de um "braço" do poder, a Câmara dos Representantes, com a outra componente do poder legislativo, o Senado, a pertencer ao Partido Democrata, bem como o poder executivo, a Casa Branca. Sendo que o Partido Republicano apenas controla 1/3 do poder, seria normal que houvesse cedências. Mas não para estes hard-liners, que só aceitarão um acordo que lhes dê vitória total.

 

John Boehner apresentou um plano para o aumento do limite do endividamento. A sua aprovação no Congresso seria uma grande vitória para o Partido Republicano. Se tal não suceder devido aos sectores do Tea Party na Câmara dos Representantes, as consequências poderão ser catastróficas para o próximo ciclo eleitoral. Em editorial, o Wall Street Journal, normalmente alinhado com os republicanos, ataca de frente o Tea Party e as suas vozes mais estridentes. Nesse artigo, uma expressão feliz que retive: This is the kind of crack political thinking that turned Sharron Angle and Christine O'Donnell into GOP Senate nominees. Depois não se queixem.

 

Uma nota para a posição dos candidatos republicanos: estão a demonstrar a mesma falta de liderança de Barack Obama. Romney elogiou o plano de Boehner, mas não disse que o apoiava. As inestimáveis Palin (que ainda não é candidata) e Bachmann criticaram a proposta do Speaker, e Pawlenty, que não pode perder de vista a sua colega do Minnesota, ficou-se pelos elogios à liderança de Boehner. Jon Huntsman, que não descola dos últimos lugares, foi o único que afirmou claramente o seu apoio a este novo plano. Estarão a imitar o papel dos senadores Barack Obama, Harry Reid e Joe Biden, que em 2006 votaram contra um aumento do limite do endividamento? Esta seria uma boa altura para provarem que estão à altura do cargo a que se candidatam. 



What a bloody hell!
Oiço muito citar, a propósito e a despropósito, a ideia peregrina dos "checks and balances" (pesos e contra-pesos) como uma "almofada", um escape ao princípio geral da boa governação, em que os vários poderes/oposições se auto-limitam e auto-conpensam entre si gerando os equilíbrios políticos indispensáveis ao fluir e boa gestão do governo democrático.
Neste ponto, lembro-me de uma pitoresca comédia americana, com o Jack Nicholson, chamada "Alguém tem de ceder".O canastrão do Jack vai "abusando", namora mãe e filha e tutti-quanti e o físico acaba por pagar também.Mas, no final Feliz desejado, a maturidade e a idade compõem o ramalhete e a ex-namorada passa a enteada.
Na política americana, como nas demais, filhos e enteados são o "pão nosso de cada dia".
Quem vai ceder?
É por demais evidente que vai haver um final feliz, com um "suspense" digno de Hitchcock!
Quem se vai lixar?Os mesmos de sempre (e não careço de exemplificar), alguém tem dúvidas?
Renda de Bilros a 27 de Julho de 2011 às 14:32

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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