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Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 18:25link do post | comentar

A Internet continua a ganhar influência no mundo da política. E se em 2008 tivemos uma campanha presidencial onde as novas tecnologias "rebentaram" com a escala, no que diz respeito à sua interferência directa no desfecho do resultado final (não esquecer que sem os voluntários e dinheiro angariado através da Internet, Obama nunca teria conseguido derrotar Hillary Clinton nas primárias), as eleições do próximo ano deverão ser consideradas como um período de consolidação dessa influência, sem que existam grandes rupturas em relação a 2008. As eleições presidenciais americanas são sempre consideradas por académicos e especialistas como os momentos onde surgem as grandes rupturas na comunicação política. Foi assim com a televisão na década de 60, com a proliferação dos diferentes tipos de media nas décadas de 80 e 90 e com a Internet na primeira década deste século. A eleição de 2008 marca uma dessas rupturas transformacionais na comunicação política, com a eleição de Barack Obama, sendo que nessa eleição surgiu em força o poder das redes sociais, do YouTube e dos vídeos online. Tudo isto foi novidade em relação às eleições anteriores. Mas nestas próximas não teremos assim tantas novidades, pelo que se espera que esta campanha seja de consolidação da influência da Internet, com especial enfoque das redes sociais, que ganharam ainda mais destaque na sociedade nestes últimos três anos. A importância do digital vai continuar a aumentar, com cada vez mais pessoas a deslocaram-se para estes meios digitais para obter e partilhar informação, mas penso que não podemos esperar grandes novidades tecnológicas. Olhando para o campo de candidatos, a minha crença é que desta vez não teremos um vencedor nascido na rede (a menos que surja um furacão republicano que ainda não consigo visualizar), mas será uma importante aposta de todos os candidatos. 


A começar obviamente por Barack Obama, que pretenderá prosseguir com o excelente trabalho de 2008. Ainda recentemente, Barack Obama criou o cargo de Director of Progressive Media & Online Response, uma espécie de responsável pela monitorização e resposta online, aumentando a importância dos novos media no Departamento de Comunicação da Casa Branca, que já contava com um gabinete especializado pela comunicação digital. Consequência da desilusão e desgaste natural que quatro anos de poder acarretam, a equipa de Obama provavelmente não conseguirá replicar na plenitude tudo o que alcançou na anterior eleição. Mas não deixará de aproveitar ao máximo os resquícios do entusiasmo de 2008, utilizando a sua posição dominante da Casa Branca para compensar essas lacunas que eventualmente surjam durante a campanha. 

 

Do lado republicano, temos umas primárias onde se espera que os diferentes candidatos sigam a receita de Obama: espalhar a mensagem, recolher apoio online que se possa traduzir em votos nas primárias e angariar voluntários e dinheiro através da rede. Sobre a campanha nas redes sociais dos republicanos, aconselho a leitura deste artigo do Concord Monitor, A day in the social media campaign, onde podemos observar a actividade digital dos candidatos durante um dia de campanha. Pelo que tenho observado neste período inicial, nenhum candidato tem conseguido obter grande sucesso na rede. Tim Pawlenty tem feito bons vídeos, Michelle Bachmann tem um apoio crescente na Internet e Mitt Romney é o campeão de seguidores nas redes sociais, o que não está desligado do facto de ter sido candidato há quatro anos. Nenhum tem propriamente gerado nada de semelhante àquele buzz que vimos em Obama no Verão de 2007 e o resultado da angariação online de fundos tem sido decepcionante. Penso que ainda é cedo, e mais para o final do Verão teremos novidades. Ou entram mais candidatos para o terreno (Sarah Palin ou Rick Perry, por exemplo), ou então os activistas começarão a inclinar-se para algum lado, e aí também poderemos observar mais entusiasmo online. Uma coisa não duvido: muito do sucesso que os candidatos venham a ter irá reflectir-se na rede. Aliás, acredito que o sucesso que os candidatos conseguirem offline será uma consequência do sucesso online. Por isso interessa ir seguindo o que os candidatos vão fazendo, tentando perceber o feedback que recebem nas redes sociais. 

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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