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Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:04link do post | comentar

Não costumo corrigir erros que por vezes leio na imprensa portuguesa. Mas há um em particular que me incomoda, pois é constante ver este erro em peças de jornalistas que escrevem sobre os Estados Unidos. O que demonstra algum desconhecimento sobre a realidade política americana. Nesta peça do jornal "i", a jornalista chama ao tea party o "partido ultraconservador" e diz que ainda que Michele Bachmann é a única candidata do tal "partido". Bem, o tea party não é um partido, como qualquer pessoa que acompanhe minimamente a política americana saberá, mas antes um movimento descentralizado e sem liderança efectiva, composta por diversas organizações não conectadas entre si. E depois, ainda existe o candidato Herman Cain, o negro que tem vindo a surpreender nas sondagens e que é considerado um dos favoritos do tea party. Dizer que Bachmann é a única candidata do movimento também não é verdade. 


Até porque, se te dedicasses a corrigir esses erros, terias de contratar um secretário.

O rótulo de ultra-conservador " é uma variante do "ultra-liberal " por cá muito usado e, independentemente da sua correcção ou não, introduz logo um certo grau de parcialidade no texto que o usa, o que mais grave se torna se se trata de uma notícia.

O movimento Tea Party tem preocupações de carácter essencialmente fiscal, como sabemos. Que os seus membros possam maioritariamente ter também outras posições de cariz social ou político a título individual, em nada vincula o movimento. O próprio nome deste, "Tea Party", é uma referência à Boston Tea Party, uma revolta contra os impostos sobre o chá ocorrida em Boston em 1773.

Não conto novidade nenhuma aos conhecedores da História e da Política dos E.U.A., claro.
Alexandre Burmester a 29 de Junho de 2011 às 13:50

E em Portugal, sabemos como a imprensa gosta de desqualificar políticos americanos, especialmente do Partido Republicano.

No entanto, esta gaffe de Bachmann também nos anuncia o que aí vem da sua campanha :)

A Bachmann vai entreter o "commentariat " português até desaparecer pelo cano das primárias. Ela e a sua sósia Sarah Palin, que parece que afinal se candidatará (segundo declarações atribuídas ao seu representante no Iowa).

Por meio destas duas personagens, o dito "commentariat" tudo fará para denegrir o Partido Republicano, aos olhos dele uma espécie de reincarnação de um misto de Santo Ofício/Ku Klux Klan/Partito Nazionale Fascista, enquanto que, do outro lado, estarão a "moderação", a "sensibilidade social", a "tolerância", etc. Já vi este filme quase tantas vezes como o saudoso "A Canção de Lisboa"!:-))
Alexandre Burmester a 29 de Junho de 2011 às 19:32

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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