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Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:12link do post | comentar

O inicio da retirada anunciada esta semana por Barack Obama não satisfez ninguém, como tinha defendido aqui anteriormente. Por um lado, os sectores anti-guerra desconfiam desta retirada parcial, pois na data final prevista, em Setembro de 2012, ainda continuarão no terreno cerca de 70 mil soldados americanos. Mas aqueles que acreditam na missão, e são cada vez menos, acusam o Presidente de ceder perante timings eleitorais. Não terá sido por acaso que Obama escolheu aquela data, dois meses antes das eleições.

 

Relegando para segundo plano a questão política, se esta é uma guerra de necessidade, como Obama sempre defendeu durante a campanha eleitoral de 2008, não tem demonstrado empenhamento e convicção na condução da mesma. Não sendo ele um estratega militar, devia ter ouvido mais os conselhos dos militares. Em 2009, quando aumentou as forças em 30 mil soldados, não seguiu os pedidos que recebeu dos generais no terreno, que requisitaram mais 15 mil do que tiveram. Mais, apesar de lhe terem pedido para nunca impor um calendário para o inicio da retirada, por cálculos políticos, Obama sempre disse que o inicio seria neste Verão. A defesa da intervenção por parte do Presidente nunca foi convicta, parecendo ter receio de enfrentar a esquerda anti-guerra que ajudou a sua eleição. Se Obama acreditava realmente na missão no Afeganistão, e por vezes parece que não acredita, basta ouvir o discurso desta semana, então devia ter empregue o poder da sua retórica para explicar aos americanos o que está em causa e defender esta intervenção. Agora, que anuncia a retirada gradual dos soldados da "surge", vai mais uma vez contra a opinião dos generais. David Petraeus, provavelmente a figura mais venerada do exército americano das últimas décadas, criticou, com discrição, o plano de Obama, afirmando que pode colocar em causa os ténues sucessos alcançados no último ano. 

 

Para vencer uma guerra é preciso crença na missão, disposição para vencer as adversidades e ter coragem para ir contra a opinião pública em certos momentos. Se depois de 10 anos no Afeganistão, o Presidente dos Estados Unidos não acredita que o país pode ter sucesso, mais elaborar um plano de retirada. Continuar a lutar para ser derrotado é doloroso, caro para o país e injusto para os milhares de americanos que estão a combater. George W. Bush deu o exemplo quando contra grande parte da opinião pública e do seu próprio partido, avançou para a "surge" no Iraque em 2006 com David Petraeus. Pode-se acusar o anterior Presidente de muitos erros que cometeu, e foram vários, mas não o de nunca acreditar na missão. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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