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Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:10link do post | comentar

 

Num longo debate de duas horas, onde o moderador John King nem sempre esteve à altura do momento, sete candidatos republicanos deram ontem o verdadeiro pontapé de saída desta corrida presidencial.

 

Num debate calmo e amigável, a primeira notícia a retirar é a confirmação da candidatura presidencial de Michele Bachmann, que anunciou durante o debate que está na corrida. Ao mesmo tempo, lançou a sua operação online. Uma atitude que marcou a noite, que também lhe correu bastante bem, podendo-se considerar mesmo como a maior surpresa do debate. Embora com tiques de "cheerleader", Bachmann conseguiu ter boas intervenções e mostrou-se à altura do prime-time. Com esta intervenção, a congressista do Minnesota afirma-se como uma viável alternativa do Tea Party nestas primárias (não para ganhar, mas para causar impacto), e retira espaço de manobra a Sarah Palin. Um excelente tiro de partida.

 

Mas o grande vencedor da noite terá sido mesmo Mitt Romney, que fortaleceu o seu estatuto de frontrunner e deu uma importante imagem para o país. Independentemente da prestação de cada um, neste debate percebeu-se que Romney é aquele que está mais à vontade neste palco, e quem tem mais "postura" de presidenciável. Foi um Romney muito diferente de 2008, mostrando que aprendeu bastante, e que se apresenta para ganhar. Sem dirigir grandes farpas aos adversários republicanos, o antigo governador do Massachusetts centrou os seus ataques em Barack Obama e na economia, colocando-se como o grande opositor do Presidente. A ideia que fica deste debate é que não há ninguém à altura de Mitt Romney no actual campo republicano. 

 

Tim Pawlenty foi o grande perdedor. Não que estivesse mal (não esteve), mas porque perdeu uma oportunidade para se mostrar como uma alternativa viável a Mitt Romney. Não quis ataca-lo directamente, na questão da reforma da saúde do Massachusetts, e por isso, passou ao lado do debate. Continua a ser o mais provável adversário para a nomeação de Romney, mas manteve as dúvidas que existem sobre a sua candidatura.

 

Dos restantes, nota negativa para Herman Cain, que não teve o brilho do outro debate e foi ultrapassado por Michele Bachmann à direita. Newt Gingrich não brilhou, mas sobreviveu. Rick Santorum marcou pontos positivos, mas sem deslumbrar e Ron Paul esteve igual a si próprio.

 

Este debate provou, mais uma vez, que há espaço para mais candidatos. Além da provável entrada em cena de Jon Huntsman, Rick Perry, Chris Christie ou até John Thune devem estar à espreita. 


Era bom que fosse Michelle Bachman a vencer a nomeação, era da forma que o Obama ganhava de forma avassaladora. A inteligência desta tipa faz a Pallin parecer sobredotada.
HCarvalho a 14 de Junho de 2011 às 17:46

Obama não vai ter essa sorte. E pelo rumo da economia, pode mesmo tornar-se num Presidente de um mandato.
Nuno Gouveia a 15 de Junho de 2011 às 02:05

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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