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Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:30link do post | comentar

Este não é o mesmo Mitt Romney que se candidatou em 2008. Não, hoje é o principal favorito a vencer as primárias republicanas e enfrentar Barack Obama nas presidenciais de 2012. E por isso, também será uma campanha bastante diferente da que assistimos há quatro anos atrás. Nesse ciclo eleitoral, Romney tentou ser o candidato de todos: da direita religiosa, dos fiscal conservatives, dos country republicans e dos falcões na política externa. E por isso, mudou de opinião várias vezes: no casamento gay ou no aborto. Tendo estado na política activa no Massachusetts e sendo seu governador durante quatro anos, num dos estados mais à esquerda nos Estados Unidos, Romney adoptou nessa campanha uma postura mais conservadora, em oposição com o seu passado de moderado. Perdeu a direita para Micke Huckabee e o centro para John McCain. Ninguém espere isso de Romney neste ciclo. 

 

O seu caminho será tortuoso, cheio de obstáculos e, ninguém duvide, será o alvo preferencial dos sectores mais conservadores, a começar pelos activistas do tea party. O seu plano de saúde aprovado no Massachusetts, será o seu grande obstáculo. Mas também aqui Mitt já abraçou um novo estilo: em vez de mudar de opinião e pedir desculpa, a exemplo do que sucedeu em 2008, agora defendeu essa posição. No entanto, também a máquina republicana ainda não se sente confortável com ele, e por isso temos visto tanta procura por um novo candidato salvador: Paul Ryan ou Chris Christie têm sido dos nomes mais falados. Mas Romney é o favorito. Tem estatuto, tem uma máquina, e terá muito dinheiro para gastar. Neste momento, não há ninguém no campo republicano com a sua capacidade de angariação de dinheiro. E com os mil milhões de dólares esperados para a campanha de Barack Obama, o dinheiro vai ser muito importante nesta campanha. 

 

Romney será o candidato moderado na corrida a derrotar. Mas tem um caminho evidente para a nomeação: tem de "aguentar-se" bem no primeiro caucus do Iowa (talvez um 3º ou 4º lugar), mas principalmente vencer as decisivas primárias do New Hampshire. Se não vencer aqui, Romney estará feito. Depois, terá de vencer no Nevada (aqui será fácil) e aguentar-se na Carolina do Sul (1º ou 2º). A seguir vem a Florida e depois a Superterça-feira, onde poderá segurar a nomeação, ou pelo menos, ganhar uma larga vantagem para o resto das primárias, a exemplo do que sucedeu com Obama em 2008. 

 

Romney poderá ser um candidato temível para Barack Obama. Com um candidato a VP mais conservador (Marco Rubio ou Nikki Haley, por exemplo) irá criar entusiasmo à direita, podendo atacar pelo centro o Presidente. E com o seu currículo de empresário de sucesso, poderá causar muitas dificuldades a Obama. Se a economia estiver nas ruas da amargura por altura das eleições, Romney terá uma hipótese.

 

A seguir com atenção esta campanha, e, também os ataques que vai receber da direita. Um exemplo: hoje, no dia do seu anúncio no New Hampshire, Sarah Palin, numa atitude mesquinha, aproveitou o dia para regressar ao estado pela primeira vez desde as eleições presidenciais de 2008, num dos seus eventos da Palinpalooza. Curioso, não?


Caro Nuno, porque e que a ida de Sarah Palin e mesquinha?

Parece-me que foi uma maneira de marcar posicao e nao deixar duvidas aos tea partiers quem e o grande inimigo a abater nestas primarias: Mitt Romney.

Acho que Palin, apesar de estar a testar uma candidatura a presidencia, esta acima de tudo a elevar o seu estatuto estatuto para ser kingmaker do GOP nos proximos anos.
Joao a 3 de Junho de 2011 às 12:25

Além de serem do mesmo partido, o que Palin por vezes parece esquecer-se, foi uma atitude mesquinha porque se destinou precisamente a ofuscar o anúncio da candidatura de Romney. Não foi por acaso que escolheu regressar ao NH pela primeira vez depois de 2008 neste dia. Mas concordo com a sua análise.

Parece-me que o principal problema do M. Romney será mesmo ganhar as primárias, ainda para mais num tempo de populismo Tea Party em alta, e não as eleições gerais (partindo, logicamente, da presunção de que o clima económico, em especial o "jobless recovery" se mantém).
No caso do Ryan, acredito que não avance mesmo, até porque as propostas de mudança do Medicare parecem estar a começar a levantar alguns problemas...Previsíveis aliás se tivermos em conta a heterodoxia (para não lhe chamar contradição) das ideias do Tea Party (julgo que a rejeição de impostos e o "do not touch my Medicare" não são ideias compagináveis.
Mas quanto a C. Christie gostava de conhecer a sua opinião sobre se crê que ele acabará mesmo por não se candidatar (olá 2016, em caso de Obama II) ou cederá às inúmeras pressões. Seria, se calhar, o adversário mais difícil para o POTUS.
João Ferreira Martins a 4 de Junho de 2011 às 21:04

Eu penso que Chris Christie acabará por não se candidatar mesmo. Mas a verdade é que também que também acho que seria o mais difícil para Obama e que esta pode ser a sua melhor oportunidade. Se optar por esperar por 2016 (se Obama for reeleito), poderá perder a sua grande oportunidade, pois nessas eleições poderá ter muito mais dificuldade em vencer as primárias. Aí poderá enfrentar nomes como Paul Ryan (que também acho que não vai avançar), Marco Rubio, Bobby Jindal (então com apenas 43 anos e uma grande experiência governativa ou até uma das jovens governadoras de agora - Nikki Haley ou até Susana Martinez. Além disso, pode não ser reeleito em 2013 em New Jersey, pois não é um estado fácil para republicano.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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