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Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:20link do post | comentar

Foto: AP


Num dos episódios da fantástica "The West Wing", Matt Santos, candidato à nomeação democrata, prepara-se para discursar no Iowa, e aborda com o seu campaign manager, Josh Lyman, a sua posição sobre os subsídios ao etanol. Apesar de ser contra os subsídios, Santos segue a opinião de Lyman e declara-se a favor do etanol no discurso. Este é um dos assuntos mais relevantes no estado, e poucos candidatos têm a coragem para ir contra a opinião da maioria. Tim Pawlenty ontem inverteu curso e defendeu, na apresentação da sua candidatura presidencial no Iowa, que estes subsídios devem terminar. Um inicio corajoso, que o poderá prejudicar nos caucus, mas não deixa de ser uma importante mensagem para o eleitorado republicano: está pronto para tomar medidas difíceis. 

 

Num discurso cheio de "verdades inconvenientes", Pawlenty declarou-se a favor do aumento da idade da reforma e manifestou-se a favor da diminuição da despesa em diversos sectores do orçamento federal, nomeadamente nas despesas sociais e de saúde. Mas ao mesmo tempo, defendeu a manutenção do orçamento para a defesa e a não subida dos impostos. Esta parece ser a posição convencional dos republicanos, que não parecem dispostos a "atacar" de frente o problema do défice com aumento de impostos, como defendem os democratas. Não sei se isso será um assunto vencedor para 2012.

 

Com a saída da corrida de Mitch Daniels, que poderia gerar bastante apoio da máquina republicana, Tim Pawlenty é neste momento o mais sério adversário de Mitt Romney. Este seu discurso de lançamento tem sido bem recebido, tendo tido até direito a um tweet de apoio de Jeb Bush à intervenção de T-Paw, o que pode significar muito para esta candidatura. Ainda poderão entrar mais candidatos, mas, se olharmos para o passado, poderemos pensar que o campo está definido, com uma outra dúvida, nomeadamente se Sarah Palin entrará ou não. Neste momento divido assim o campo: Romney, Pawlenty e Huntsman, na corrida pela nomeação; Bachmann, Santorum, Gingrich, Cain e talvez Palin na luta pelo lugar de oposição populista ao nomeado e Paul, Johnson como candidatos libertários. É fraco, como tenho lido? Talvez, mas não é muito diferente do que tem sucedido noutras campanhas presidenciais, com dois ou três principais candidatos, e os restantes à espreita de alguma surpresa.

 

PS: poderão achar suspeita esta minha opinião, dado que em todas as sondagens publicadas, Romney lidera, mas Pawlenty e Huntsman em nenhuma chegam sequer aos dois dígitos, e Palin, Gingrich e até Paul têm melhores sondagens que os dois últimos governadores. É verdade, mas não penso que devemos olhar para estas sondagens iniciais com rigor. Não porque sejam falsas (não são), mas porque o olhar dos americanos ainda está concentrado noutros assuntos, e as sondagens neste momento reflectem apenas o grau de notoriedade dos candidatos. A excepção aqui até será Ron Paul, que tem uma base de apoiantes fiel, que tem vindo a crescer nos últimos anos dentro do Partido republicano, mas que não chega para vencer umas primárias republicanas. Quando a corrida realmente começar, poderemos começar a olhar atentamente para as sondagens, com particular atenção para o Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul, os primeiros estados a irem a votos. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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