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Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:01link do post | comentar

Barack Obama defendeu ontem a sua visão para o Médio Oriente, num discurso que fez notícias sobretudo pela posição que defendeu em relação ao conflito entre Israel e a Palestina. Nesta intervenção, Obama fez recordar várias vezes George W. Bush, quando apontou a democracia e a liberdade como a solução para os problemas árabes. Até chegou mesmo a apontar o Iraque, cuja intervenção americana tanto criticou, como o exemplo de democracia para os países vizinhos. Este já não é o Obama de 2008. Aproveitando as revoluções da rua árabe e a morte de Bin Laden, tentou dar um novo fôlego à política norte-americana para a região. Obama apresentou-se como um representante das aspirações do povo muçulmano, tentando demonstrar que os Estados Unidos são um apoio sustentável às revoluções democráticas. Num optimismo que por vezes poderá entrar em choque com a realidade, como temos visto recentemente no Egipto, Obama atacou de frente o regime sírio e apelou ao mundo para apoiar a democracia. Pessoalmente gostei desta intervenção.

 

A parte mais controversa, e que deu mais títulos para a imprensa, foi precisamente a sua posição em relação a Israel, onde defendeu a solução de dois estados independentes, assentes nas fronteiras anteriores a 1967. Isto suscitou diversas críticas por parte dos republicanos e do governo israelita, numa altura em que o Primeiro-ministro israelita se desloca aos Estados Unidos. Benjamim Nethanyahu chega hoje a território americano para uma visita oficial, onde vai discursar perante o Congresso na próxima terça-feira. O timing do discurso de Obama não terá sido por acaso. Bibi criticou ferozmente esta posição, pois Israel não aceita negociar com o pressuposto das fronteiras de 1967. Os republicanos alinharam, como quase sempre tem sucedido nas últimas décadas, pela posição pró-israelita. Obama tentou assim dar "força" ao processo de paz, com uma posição equidistante entre os dois lados do conflito. Uma postura arriscada, mas que lhe permitirá mais margem de manobra no futuro. Se isso o pode prejudicar nas aspirações para 2012? A comunidade judia tem sido um forte apoio aos democratas nas últimas décadas, apesar do Partido Republicano ser quem mais tem defendido as posições de Israel. Nos últimos dois anos, tem havido alguma fricção e o GOP pode aproveitar para conquistar um apoio nos judeus americanos que nunca teve. Vamos ver.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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