09
Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 01:16link do post | comentar

O correspondente do Expresso nos Estados Unidos, Ricardo Lourenço, realizou uma entrevista em exclusivo ao antigo director da CIA entre 2006 e 2009. Um excelente relato de quem comandou o inicio da operação que culminou com a morte do líder da Al-Qaeda. 

 

Enquanto director da CIA, o senhor iniciou a operação que terminou no domingo com a execução de Osama Bin Laden. Pode descrever os primeiros passos dessa investigação?

Em 2007, o chefe da Unidade Bin Laden, o corpo de agentes especiais da CIA com a missão exclusiva de capturar ou executar o líder da Al-Qaeda, revelou-me que tinha começado a vigiar possíveis elementos da rede de comunicações da Al-Qaeda, nomeadamente homens que Bin Laden usava como mensageiros. Definimos uma abordagem que eu poderia classificar como sendo uma abordagem indirecta ao alvo (Bin Laden). Em vez de irmos à sua procura e mais cedo ou mais tarde confrontá-lo, perseguimos a sua rede de comunicações. Sabíamos que ele continuava em contacto com as várias células da Al-Qaeda, mas que essa comunicação não era electrónica. Ela só podia estar a ser passada boca a boca. A decisão por esta pista foi muito difícil, quase um tiro no escuro. Tudo foi feito de uma forma muito lenta e cada etapa foi ultrapassada sempre de forma a não comprometer a etapa seguinte. Mas, pouco a pouco, reconstruímos a rede de comunicações de Bin Laden. Tínhamos alguma informação que nos fora dada por vários elementos da Al-Qaeda capturados pelas forças americanas. Graças ao programa de interrogatórios da CIA, começámos a construir a investigação, partindo dessas informações. Costumo dizer que esta operação não foi construída peça por peça, nem sequer tijolo por tijolo; foi pedrinha por pedrinha. Foi este processo que nos permitiu detectar o homem de confiança de Osama Bin Laden, o tal kuwaitiano que servia de mensageiro ao líder da Al-Qaeda. A partir daí foi fácil descobrir a casa em Abottabbad e começar a preparar a operação.

 

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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