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Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:23link do post | comentar

 

Como referi anteriormente, a relação com o Paquistão está cada vez mais perigosa. O anterior presidente Pervez Musharraf, aliado dos americanos, já veio dizer que este ataque é uma violação à integridade territorial do país. E não deixa de ser verdade, pois as autoridades do país não foram informadas do raide militar. Mas Obama não tinha outra solução, e até já o tinha avisado ainda durante a campanha presidencial de 2008. Num debate, penso que com Hillary Clinton, Obama tinha dito que se recebesse informações que Osama Bin Laden estava escondido no Paquistão, daria ordens às forças militares para o capturar ou matar. Foi precisamente isso que aconteceu. Pedir a colaboração aos paquistaneses significaria provavelmente que a operação não seria bem sucedida. 

 

Mas esta questão é problemática, pois há muitos anos que se conhece as relações próximas entre oficiais paquistaneses a a Al-Qaeda e os Talibans. O facto de Bin Laden estar instalado numa cidade com uma base militar, conhecida por ser a "West Point" paquistanesa, deixa pouca margem para dúvidas que estava a ser protegido por altos quadros do exército. As tensões, que nos últimos tempos tinham vindo a subir devido aos ataques dos Drones, entre os Estados Unidos e o Paquistão vão subir ainda mais. Mas ninguém espere uma quebra entre estes dois países. Um Paquistão nuclear e vizinho do Afeganistão é demasiado importante para ser deixado sem apertada vigilância. Esta relação é um dos grandes desafios da Administração Obama. 

 

Sobre esta captura, aconselho a leitura deste artigo da The New Yorker. (de onde retirei essa fotografia)


No entanto também ouvi à pouco na CNN, um antigo director do FBI que confirmou terem existido tentativas anteriores de captura/morte de Bin Laden em território paquistanês COM conhecimento do governo e que terá sido desde logo decidido e por pedido expresso do governo, que após os referidos ataques das forças militares americanas, o governo iria repudiar publicamente essas acções militares. Tinha de ser assim e quer o presidente Bush e Obama e os Sec . of State aceitaram sem problemas. O objectivo principal era o militar e não o politico.
Politica local, mundial e diplomacia a jogar o mesmo jogo mas com tácticas e treinadores diferentes?
João Pedro Ferreira a 2 de Maio de 2011 às 18:14

Essa sempre foi a táctica utilizada para os ataques de Drones. Mas nos últimos tempos o mal estar entre os dois países tem vindo a subir de tom, e esta operação poderá criar mais problemas. Na verdade, no Paquistão há duas correntes, e ambas com peso, na estrutura do poder: os aliados dos Talibans e os aliados dos americanos. Há uma tensão latente entre elas, e por consequência, com os Estados Unidos.

Eu acredito nas duas versões a versão de que avisou a e versão de que não avisou,Passo a explicar os E.U.A para entrar com material bélico no Paquistão tinha que ter autorização pois caso a operação corresse mal como é que era? Mas sabendo que para os lados e islamabad a parte anti america está muito forte é normal que os EUA jogassem pelo seguro e não tenham avisado para não haver fugas de informação.
Eu quero acreditar que islamabad foi avisada, pois isto não pode ser um vale tudo, está bem que era apanhar um pulha mas nós não podemos ser iguais aos pulhas por esse motivo não festejei a morte do pulha, festejar daquela maneira só quando o glorioso for campeão.
André a 3 de Maio de 2011 às 22:49

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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