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Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:48link do post | comentar

 

Foi neste tom que Obama comunicou a morte de Osama Bin Laden. Há poucas alturas em que o povo americano se une em relação a um tema. Raramente é por boas razões, mas a morte do líder da Al-Qaeda recolheu o apoio quase unanime da sociedade americana. Da esquerda à direita, todos se uniram para felicitar o Presidente e o exército americano por esta operação militar*. Barack Obama obteve uma grande vitória para a sua Administração e para os Estados Unidos. Não tenhamos dúvidas: ontem assistimos a um pedaço muito importante da história do século XXI. 

 

Osama Bin Laden era procurado pelos Estados Unidos desde a década de 90, mas depois dos atentados do 11 de Setembro transformou-se no inimigo número um do país. George W. Bush avisou que era procurado "morto ou vivo", mas nem sempre os serviços secretos americanos foram competentes. Apesar dos rumores que vivia em grutas no Afeganistão, Bin Laden foi morto numa vivenda no Paquistão. Pelas informações já disponibilizadas, sabe-se que a casa onde habitava foi construída em 2005 e que estava rodeada de fortes medidas de segurança. Os americanos chegaram a Bin Laden através da ajuda de informações recolhidas em Guantanamo há alguns anos. Depois de meses de planeamento, Obama deu ordens às forças especiais atacarem o complexo onde o líder da Al-Qaeda se escondia. Sabe-se ainda que Obama recusou o bombardeamento do complexo por Drones, pois preferiu uma operação terrestre para se obterem provas da sua morte. Na operação foram ainda mortas mais quatro pessoas, incluindo um dos filhos de Bin Laden. Nenhum soldado americano foi ferido ou morto. 

 

Esta morte terá sérias implicações na condução da política externa. A zona Paquistão/Afeganistão permanece como uma das grandes dores de cabeça para a Administração Obama. Durante anos, responsáveis paquistaneses garantiram que Bin Laden não vivia no seu território. Mas alguém acredita que vivia calmamente num complexo bem guardado numa cidade paquistanesa sem cobertura das forças de segurança ou militares? Não por acaso, os Estados Unidos conduziram esta operação em solo paquistanês sem informar as autoridades locais. A relação com este país está cada vez mais perigosa. 

 

Por outro lado, o desaparecimento de Bin Laden servirá como balão de oxigénio para prosseguir a guerra no Afeganistão. Além disso, com Bin Laden morto, poderá ser mais fácil trazer forças afegãs para o campo americano, a exemplo do que sucedeu no Iraque depois da morte de Musab Al Zarqawi. Na luta contra o terrorismo, isto significa uma poderosa vitória simbólica, mas na prática  cenário não se altera radicalmente. As operações da Al-Qaeda já não dependiam directamente de Bin Laden e está muito enfraquecida depois dos reveses que sofreu nos últimos dez anos. Mas é de esperar actos terroristas nos próximos tempos para "vingar" a sua morte. Por fim, será importante estar atento às reacções no mundo muçulmano. Bin Laden ainda é uma figura popular na rua árabe, e será interessante verificar como a sua morte será interpretada pelos líderes e populares.

 

Nota final para Obama: esteve perfeito na sua actuação como Comandante em Chefe. Além do plano por ele aprovado ter corrido na perfeição, teve a cortesia de informar previamente os Presidentes Bill Clinton e George W. Bush da morte de Bin Laden e a sua comunicação ao país foi efectuada no tom que se exigia. Não foi excessivamente triunfalista e alertou para os perigos que o país continua a enfrentar. Nota 20 para o Presidente dos Estados Unidos. Mas é extemporâneo, como tenho lido, afirmar que esta morte garante a sua reeleição. Se tivesse sido morto perto das eleições, a história seria outra. Mas a 18 meses das eleições gerais, poderá não terá grande impacto na opção de voto. Não tenhamos ilusões: a sua popularidade vai subir nas próximas semanas, mas daqui a uns meses, se os problemas na economia, no desemprego ou nos preços dos combustíveis persistirem, voltará a descer. Não foi por ter capturado Sadam Hussein, outra "besta negra" para o povo americano, que George W. Bush venceu as eleições e na altura das pessoas votarem, esse factor nunca esteve em cima da mesa. Agora provavelmente irá suceder o mesmo. 

 


 

 

*Li agora que a operação foi liderada pela CIA, com recurso a forças especiais.

 


caro Nuno, como conhecedor da realidade americana, o que diz da festa que os americanos fireramlogo após o anúncio damorte de Bil Laden?
Eu cmparo-o aos mulçumanos que festejam quando atacam o ocidente.
Ainda bem que ele morreu apesar de ter as minhas duvidas sobre o porque de só agora, e acho que a cena da vivenda um mito.
Muito bem Obama em informar os ex presidentes Clinton e Bush, principalmente este último.
André a 2 de Maio de 2011 às 17:13

Festejaram a morte de um assassino e de um terrorista. Presumo que tenha havido festejos idênticos a 1 de Maio de 1945, quando foi conhecido que Hitler estava morto.

Acaba por ser preferível isto ter acontecido no mandato de Obama. Se tivesse ocorrido ainda no tempo de Bush, eu imagino o barulho que a "human rights crowd" não estaria já a desencadear.

A morte de um homem é sempre comlicada de festejar, mas guerra é guerra, de facto. O mesmo raciocínio se aplica - ou deveria aplicar-se - à continuada existência da prisão de Guantánamo
Alexandre Burmester a 2 de Maio de 2011 às 17:36

Pois é. Se isto acontecesse durante o mandato do W, muitos dos que hoje festejam estariam a criticar esta operação, por ter havido a ordem para capturar ou matar. Penso até que terá sido mesmo a de matar, apenas. Eu acho que Obama fez o que lhe competia.

Tem a certeza de que Bin laden morreu agora?
domedioorienteeafins.blogspot.com a 2 de Maio de 2011 às 19:36

Apesar de eu considerar, Bin Laden, um pulha da pior espécie, nunca eu iria festejar para a rua a sua morte. ao ler hoje o NY times até parece que a tosca selecção americana foi campeã do mundo de futebol tal foi a festança.
André a 3 de Maio de 2011 às 00:58

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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