07
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:03link do post | comentar

O Governo Federal americano pode encerrar esta sexta-feira. Os últimos dias têm sido pródigos em discussões entre os líderes de ambos os partidos para evitar que o Governo deixe de funcionar. Esta situação não é nova, pois já aconteceu durante o primeiro mandato de Bill Clinton. Mas o que está em causa neste conflito orçamental entre o Partido Republicano e o Partido Democrata?

 

O anterior Congresso, dominado pelos democratas, não conseguiu aprovar um orçamento para 2011, o que contribuiu para que se chegasse a Março sem dinheiro para manter o Estado Federal em funcionamento. Nas últimas semanas ambas as câmaras do Congresso aprovaram medidas de curto-prazo, permitindo evitar o "government shutdown". Mas tem vindo a diminuir o apoio de vários congressistas e senadores para esta solução, pelo que terá de haver um acordo para impedir essa situação. O que separa os partidos? O Partido Republicano, pressionado pelos membros do Tea Party, tem sido implacável nos cortes, prevendo já este ano o corte em 61 mil milhões de dólares na despesa. O Partido Democrata, pelo seu lado, discorda destes cortes, além que estão contra os alvos principais: entre outros, o financiamento à National Public Radio, programas federais no apoio ao planeamento familiar e a medidas incluídas na ObamaCare aprovada ano passado.

 

Consequências: várias agências federais ficariam a funcionar com os serviços mínimos e centenas de milhares de funcionários federais seriam mandados para casa, sem pagamento. Esta situação não interessa a ninguém, mas, a exemplo do que sucedeu em 1995, poderiam ser os republicanos a sofrer as consequências. Esta teoria não é consensual, mas é a principal teoria defendida pelos analistas americanos.Estamos perante um jogo de xadrez, onde o principal jogador é o Speaker John Boehner. Por um lado, terá de ceder aos democratas, diminuindo a verba dos cortes. Ninguém pense que obterá os cortes desejados. Mas por outro, tem de conseguir um acordo que não lhe cause dificuldades perante a ala tea party, intransigente ao combate ao défice. 

 

O que poderá acontecer? O dinheiro acaba amanhã, e prevejo que ambos os partidos irão passar no Congresso mais uma resolução que financie o governo durante mais uma semana, e nos próximos dias, cheguem finalmente a um acordo para este ano, que preverá cortes, mas longe dos 61 mil milhões. Os números que se têm falado andam à volta dos 40 mil milhões. Uma nota final. Se é tão complicado cortar 60 mil milhões de dólares agora, como será quando o debate centrar-se nos cortes de biliões que serão necessários de fazer nos próximos anos?


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog