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Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:38link do post | comentar

 

Barack Obama está a provar as agruras do poder. Eleito em 2008 com o suporte entusiástico da facção anti-guerra do Partido Democrata, a sua liderança está a ser bem diferente do que imaginara. Na verdade, hoje Obama deverá ter uma imagem bem mais simpática de George W. Bush. Depois de semanas a enviar sinais contraditórios, os Estados Unidos acabaram por ceder às pressões dos aliados europeus para actuar contra o regime de Khadafi.

 

Mas Obama não seguiu a cartilha das últimas duas guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos. Esta intervenção apenas surgiu depois da aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e depois do pedido da Liga Árabe, que entretanto, como seria de esperar, já recuou. Outra diferença substancial é que os líderes aparentes da situação no terreno não são americanos. Os franceses e os ingleses é que abriram as hostilidades, e Obama tem cedido o protagonismo a Sarkozy e Cameron na liderança da batalha pela opinião pública. Ao contrário do Iraque, por exemplo, aqui foi o Departamento de Estado a forçar a intervenção, enquanto o Departamento de Defesa teria preferido manter os militares americanos afastados da Líbia.

 

O inicio também não foi o mais convencional. Depois de semanas de declarações de responsáveis americanos a afirmarem que não haveria intervenção militar sob chancela americana, as operações militares começaram, sem uma declaração formal do Presidente na Casa Branca – estava de visita no Brasil – e sem um objectivo definido. Enquanto Obama anteriormente tinha afirmado que Khadafi tinha de sair, o Almirante Mike Mullen defendeu este fim de semana que esta operação não se destina à mudança de regime, e que até pode terminar com Khadafi a manter-se no poder. Em que ficamos? Será que os americanos pensam mesmo que isto pode terminar numa situação de status quo, como aconteceu no Iraque em 1991?


Diferenças substanciais definidas pelo estilo de liderança de Barack Obama, que enfrenta aqui uma prova de fogo. Com as fileiras a romperem-se no seu partido, o pior que lhe podia acontecer era um desastre de relações públicas na Líbia. Mas se Khadafi cair rapidamente e o pós guerra não envolver militares americanos, Obama poderá ter encontrado aqui o tom de liderança que o seu mandato desesperadamente necessita. Pelo que temos visto, não será fácil.


Gostaria que cadhafi continua como lider da libia
Zezé da costa saprinho muleleno a 6 de Setembro de 2011 às 10:29

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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