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Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:20link do post | comentar

Olhando para trás, em 2007 por esta altura, havia claramente quem indicasse quem iriam ser os nomeados de ambos os partidos. Do lado democrata, todos apontavam para Hilllary Clinton, mas alguns já olhavam para Barack Obama como possível nomeado. Poucos acreditavam em John Edwards. No GOP, as apostas dividiam-se entreJohn McCain e Rudy Giuliani, na altura o principal favorito. Mas este é um ano diferente, e poucos arriscarão a responder a essa pergunta.

 

A lógica aponta para Mitt Romney. Em 2008, ficou em segundo lugar, atrás de McCain nas primárias, e os republicanos tem por hábito nomear o que que está na  fila de sucessão. É um tipo inteligente, bom orador e excelente em campanha. Além disso, e sem grandes opções em cima da mesa, parece ser o favorito da máquina republicana. Sabe-se que irá candidatar-se, e, arriscaria eu, se não houver nenhum wild card na corrida, até é bem possível que seja ele o nomeado. Mas também tem as suas dificuldades. Além da polémica lei da saúde que aprovou no Massachusetts muito semelhante à de Obama, existe a sensação que não tem capacidades para derrotar o Presidente. Não terá uma campanha fácil.


Em relação aos outros três nomes mais referidos pela imprensa. Sarah Palin afundou-se nos últimos meses. Sem nunca ter conseguido deslocar da imagem de "imprudente" e "simplista" que criou na campanha presidencial de 2008, os seus números nas sondagens são terríveis e seria quase um milagre conseguir ganhar a nomeação. Em política, não basta ter uma base de seguidores fiel, é preciso alargar essa base. E Palin manifestamente não é capaz disso. Deverá estar mesmo a pensar se vale a pena entrar na corrida para perder. Depois temos Mike Huckabee, que surge sempre bem colocado nas sondagens. É um político simpático e tem boa imagem perante o povo americano. Mas seria sempre carne para canhão numa eleição geral contra Obama. A sua base eleitoral é basicamente a direita religiosa, e numa dura campanha contra Obama, seria massacrado e perderia o voto dos independentes. Talvez por isso, é provável, que fique longe desta corrida eleitoral. Por fim, Newt Gingrich, o famoso Speaker dos anos 90. É um tipo brilhante, capaz do melhor e do pior. Com uma "língua" afiada, comete muitos lapsos que não resistiriam numa campanha presidencial. As notícias que existem apontam mesmo que vai avançar, mas a sua candidatura terá sempre grandes dificuldades de sucesso. Também teria poucas hipóteses contra Obama.

 

E é precisamente devido aos frontrunners apresentarem tantas debilidades, especialmente os três últimos que referi, que esta corrida está tão em aberto. Por isso ha espaço para políticos menos conhecidos do grande público americano, como Tim Pawlenty, do Minnesota, Mitch Daniels, do Indiana ou até mesmo Jon Huntsman Jr, do Utah. Estes, entre os que estão a pensar em concorrer. Porque os republicanos adorariam ter o governador Chris Christie na corrida, que seria um provável candidato à vitória. E haverá mais nomes para adicionar a potenciais vencedores? Tudo é possível, especialmente se for um jovem político capaz de trazer atrás de si uma aura de vencedor.

 

Por fim, haverá certamente outros candidatos a correr por fora, para ganhar espaço para as suas causas. Ron Paul e Gary Johnson, pela causa libertária, Michele Bachmann ou Jim DeMint pelo tea party hardcore, Rick Santorum pela direita religiosa ou Donald Trump, pelo star status de uma corrida presidencial.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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