10
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:16link do post | comentar

Nas últimas semanas muito se falou na recuperação de Barack Obama nas sondagens. Afinal de contas, os seus níveis de popularidade recuperaram para os 50 por cento, e parece que tinha iniciado uma subida sustentável. Mas as coisas não são assim tão simples. Como a história nos ensina, é complicado fazer prognósticos a médio prazo, e não consideraria assim tão certa a sua reeleição. Como sempre tenho dito, ainda falta saber muitas variáveis para a equação eleitoral de 2012: como estará a economia em 2012? Como estará a taxa de desemprego? E muito importante, quem será o nomeado republicano? Sem conhecermos estes dados, e ninguém os saberá até ao verão de 2012, tudo não passarão de especulações. Temos é de ir olhando para os indicadores que nos dão.


Esta sondagem da Gallup mostra duas coisas importantes: na frente externa, Obama consegue obter números razoáveis, fruto das opiniões dos republicanos e independentes serem relativamente positivas para Obama. Na condução da guerra no Iraque e Afeganistão e na situação do Egipto. Por outro lado, nos assuntos internos de maior relevo, nomeadamente na economia, no défice e na saúde, as coisas não estão tão positivas. E, como quase sempre sucede, serão os assuntos de política interna a decidir as eleições. Será aqui que as atenções se devem concentrar até 2012. A menos que aconteça um verdadeiro desastre ou uma vitória na frente externa*.

 

* Por vezes acontecimentos extraordinários podem mudar uma eleição eleitoral. O exemplo do caso dos reféns de Teerão de 1979. Apesar de Carter ter lidado mal com a queda do Xá e ascensão ao poder dos Ayatollahs, no inicio da crise, a popularidade de Carter atingiu níveis elevados, com taxas de aprovação acima dos 60 por cento. Um ano antes, esta andava pela casa dos 20 por cento. Mas com o arrastar dos acontecimentos, e com a degradação da situação dos reféns, Carter foi perdendo novamente popularidade até ser derrotado por Ronald Reagan em 1980. Se a crise dos reféns tivesse rebentado pouco antes das eleições presidenciais, Carter poderia ter sido reeleito, apesar da péssima situação económica e dos reféns em Teerão. Como a crise demorou a resolver-se, a situação nada ajudou Carter.


Jimmy Carter foi o único presidente nos últimos 100 anos que, estando tanto ele como o seu partido no seu primeiro mandato presidencial, perdeu a reeleição.

George H. W. Bush perdeu-a também, por exemplo, mas o seu mandato era o terceiro consecutivo do Partido Republicano.

Portanto, a estatística favorece Obama. Mas, como dizia o outro, "there are lies, damned lies and statistics".
Alexandre Burmester a 11 de Fevereiro de 2011 às 12:00

Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog