20
Jan 11
publicado por José Gomes André, às 01:08link do post | comentar

1. Nota prévia: já é possível fazer um balanço moderado do mandato de Obama, mas não passou tempo suficiente para traçar análises conclusivas e taxativas da sua Presidência como um todo.

 

2. Ninguém o pode criticar por falta de voluntarismo, mas numa era marcada pela crise económica mundial, pelos défices, desemprego e dívidas públicas, Obama não tem sido capaz de inverter tendências negativas. A recuperação económica americana é tímida, a eficácia dos pacotes de estímulo ainda está por comprovar e os números do desemprego são muito preocupantes. Obama não é o culpado pela situação, mas é o rosto da inaptidão governativa para alterar este quadro negro.

 

3. A economia é o calcanhar de Aquiles do actual Presidente, mas há outras insuficiências no seu (meio) mandato: a inépcia no caso “Guantanamo”, a inabilidade para promover dinâmicas bipartidárias no Congresso, a impotência para avançar com necessárias reformas nas leis ambientais, a ausência de uma política consistente para o Médio Oriente e um estilo pontualmente demasiado arrogante.

 

4. Estas fragilidades são compensadas com vários feitos legislativos de grande monta: reforma da saúde, reforma financeira, revogação do “don’t ask, don’t tell”, extensos programas de apoio na educação e nos transportes. Na política externa, o sucesso do novo Tratado START com a Rússia (para a não-proliferação nuclear), o aprofundamento das relações com potências emergentes, a resistência ao populismo económico (nomeadamente ao proteccionismo), o isolamento do Irão, a promoção de um efectivo multilateralismo e um vasto e bem-sucedido esforço de relações públicas para melhorar a imagem dos EUA no mundo (não é um pormenor de somenos importância).

 

5. Os próximos dois anos serão muito exigentes. Obama terá de lidar com uma Câmara dos Representantes hostil e com um Senado volátil. Será forçado a virar-se para o bipartidarismo, sem contudo perder a sua posição de “líder político”. E necessitará de cooperar com o adversário, ao mesmo tempo que prepara a sua campanha de reeleição. Tempos difíceis esperam o Presidente.

 

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Excelente análise. Só queria referir que Obama prepara-se para ter o terreno ainda mais minado. O Tea Party vai fazer estragos...
Dylan a 20 de Janeiro de 2011 às 15:30

Obrigado, Dylan. Vamos lá ver o que vale o Tea Party em 2012... Será uma questão curiosa, sem dúvida.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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