16
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 16:43 | comentar | ver comentários (1)

 

Na semana passada referi que Obama ia investir este mês 25 milhões de dólares em importantes swing states. Mitt Romney, com as contas da sua campanha depauperadas depois da época de primárias, e com muito menos dinheiro angariado do que Obama, tem estado fora das televisões. Mas, e como tenho repetidamente escrito por aqui, as Super Pacs vieram mudar tudo. Hoje a American Crossroads de Karl Rove anunciou que este mês irá igualar o investimento de 25 milhões de dólares de Obama em anúncios televisivos. Este já está a ser transmitido em 10 estados: Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire, Nevada, Ohio, Pensilvânia e Virgínia. Definitivamente este ano não vai acontecer o mesmo do que em 2008, quando Obama foi o verdadeiro "rei" das televisões. 


15
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 23:05 | comentar | ver comentários (1)

George W. Bush declarou hoje o seu apoio a Mitt Romney. Sem surpresa, esta decisão do anterior Presidente cumpre uma tradição de todos os antigos ocupantes da Casa Branca apoiarem os nomeados do seu partido. W não será uma cara visível nesta campanha, por dois motivos: a forma como terminou a sua presidência, com a crise económica que rebentou em 2008 ainda está bem viva aos olhos dos americanos e o 43º Presidente tem declarado insistentemente que não pretende voltar a ter um papel activo na política. 


Por Nuno Gouveia, às 12:12 | comentar

O libertário Ron Paul anunciou ontem o abandono da campanha para as restantes primárias republicanas que ainda faltam disputar. Sem vencer uma única eleição, e apesar de não ter provocado o terramoto político que chegou a ameaçar, o saldo final da sua candidatura ainda está por fazer. Com mais de 100 delegados eleitos, o ainda congressista (este ano não se recandidatará) texano terá deixado sementes para o futuro do movimento. Com 76 anos, esta terá sido provavelmente a sua última campanha eleitoral, mas as suas ideias estão hoje mais fortes dentro do Partido Republicano, e já até têm um novo líder: Rand Paul. Com uma postura mais próxima das ideias mainstream republicanas, não deixará de ser uma voz activa no futuro do partido, e será certamente candidato presidencial em 2016 ou 2020, dependendo de quem vencer as eleições gerais. Poderá Rand ser o nomeado? Muito dificilmente, até porque a concorrência no futuro, pelo que se pode observar pelas diversas estrelas em ascensão, será bem mais agressiva do que em 2012. Mas Rand Paul sabe que tem um exército de fiéis à sua espera. E isso foi alcançado pelo seu pai nestes últimos quatro anos. Uma tendência a acompanhar com muita atenção nestes próximos anos.

 

Em relação a Ron Paul, será também interessante de analisar a sua postura até à Convenção Republicana de Tampa. Ele tem reafirmado que será muito difícil de declarar o apoio a Mitt Romney, mas estou certo que este tudo fará para poder contar com Paul a seu lado. Os apoiantes de Ron Paul têm batalhado pela conquista de lugares no aparelho do GOP, e têm conseguido conquistar peso político para a convenção. Ron Paul, que há quatro anos não apoiou McCain e até realizou uma convenção própria em Minneapolis St- Paul durante a convenção republicana, poderá ser tentado a colocar-se ao lado de Romney com algumas compensações: discurso na convenção, inclusão de algumas ideias na plataforma do Partido Republicano e, especialmente, colocar Rand Paul mais próximo da máquina republicano. Não tenho dúvidas que Romney tentará cooptar Paul e os seus fiéis apoiantes. E numa eleição renhida, como se prevê, isso pode ser decisivo.


14
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 15:56 | comentar

Em todas as campanhas eleitorais há momentos decisivos que ficam para a história. E ao contrário do que sucede na Europa, as campanhas negativas e/ou erros próprios costumam ser muito relevantes para o desfecho final. Em 1988, a campanha de Michael Dukakis, que chegou a ter uma liderança de 20 pontos sobre George H. Bush, desabou depois de dois momentos particularmente penosos: o anúncio de Willi Horton de Lee Atwater, que já referi aqui e uma photo op de Dukakis em que este aparecia ao lado de um tanque.  Em 1992 a campanha de Bill Clinton conseguiu com sucesso caracterizar o Presidente Bush como desligado da realidade económica do país. A famosa expressão "It´s the economy, stupid" de James Carville foi o momento em que os americanos perceberam que deviam mudar de presidente. Em 2004, os ataques que John Kerry sofreu da máquina republicana, especialmente os anúncios destrutivos dos Swift Boat Veterans for Truth, bem como os seus flip-flops, foram determinantes para a vitória de George W. Bush. Já em 2008, quando depois da convenção republicana John McCain apareceu a liderar as sondagens, a crise do Lehman Brothers rebentou, a resposta de McCain, que suspendeu a campanha para regressar a Washington, foi considerada pelos eleitores como uma manobra eleitoral de quem não tinha, de facto, solução para os problemas económicos. A partir daí, nunca mais a vitória de Obama esteve em causa.

 

Com um relógio noticioso de 24 horas, alimentado pela Internet, pelos canais de cabo, e pelas redes sociais como o Twitter, essa procura do "momento" decisivo tem sido uma constante por parte das candidaturas. Neste ciclo eleitoral, onde os episódios, os ataques ou os erros de cada um dos lados vão-se sucedendo em catadupa, cada campanha está sempre à procura de motivos para tentar definir o seu adversário. Sempre disse que, exceptuando a eventualidade de erros (colossais) não forçados por parte das duas campanhas  ou de factores extraordinários que aconteçam até Novembro, esta eleição vai decidir-se de dois modos: se for sobre o mandato de Obama e a crise económica, Romney será provavelmente eleito Presidente. Se Obama conseguir com sucesso apontar baterias para Romney e caracterizá-lo aos olhos dos americanos como inelegível, conseguirá manter-se por mais quatro anos. 

 

Hoje Barack Obama iniciou uma série de ataques a Mitt Romney pelo seu passado na Bain Capital, onde teve sucesso empresarial e fez fortuna. Nas primárias republicanas, os adversários de Romney tentaram sem sucesso implementar estratégia, até porque o eleitorado republicano é menos adverso ao capitalismo e ao discurso contra os empresários. Mas já era de esperar que este tipo de ataques surgisse em força por parte de Obama. Um anúncio que está a ser transmitido em vários swing-states, juntamente com um site são as ferramentas principais de Obama nesta fase. Talvez seja cedo demais, mas a estratégia de Obama parece ser óbvia: começar desde já a tentar definir Romney como um empresário ganancioso que só teve sucesso à custa da desgraça dos trabalhadores e dos despedimentos. Uma jogada que me parece correcta por parte da campanha Obama, mas que também contém riscos. Se fosse na Europa, tenho poucas dúvidas que este tipo de ataques teria muito sucesso. O eleitorado independente americano, a quem esta campanha negativa se dirige, é normalmente bastante compreensivo para o capitalismo, mas nesta época de crise nunca se sabe. Será interessante analisar o ritmo das sondagens nas próximas semanas e saber qual o impacto que terá no eleitorado independente dos swing-states. O modo da resposta da campanha de Romney, que a partir de agora se irão multiplicar nos meios de comunicação sociais e na Internet, será também determinante. Se Romney conseguir estancar esta ofensiva, terá dado um passo essencial para ter possibilidades de vencer em Novembro. 


11
Mai 12
Por Alexandre Burmester, às 21:42 | comentar | ver comentários (1)

Pela primeira vez numa sondagem Mitt Romney atingiu hoje os 50% (contra 43% do Presidente Obama). Estes números foram obtidos pela Rasmussen, na sua "tracking poll".

 

Conforme a Rasmussen refere, esta é também a maior vantagem até agora registada por Romney nas suas sondagens, as quais, convém lembrar, dizem respeito a prováveis votantes, uma medida tradicionalmente mais segura da opinião do eleitorado.

 

Estamos a seis meses das eleições, e as sondagens procuram medir apenas o sentimento do eleitorado na altura em que são feitas - é sempre bom referir isto. Mas estes números não deixam de ser significativos.  

 

 


10
Mai 12
Por Alexandre Burmester, às 17:28 | comentar

 

 

 

 

 O resultado mais notável das primárias de terça-feira - embora já esperado - foi a derrota do Senador republicano Richard Lugar do Indiana.

 

Para colocar tal desfecho - ainda por cima esmagador - em perspectiva, Lugar está a terminar o seu sexto mandato em Washington, é o terceiro Senador mais antigo e o Senador republicano há mais tempo no cargo, além de ser o Senador que mais tempo serviu na história do Indiana.

 

Além disso, Dick Lugar foi por duas vezes Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e é ainda o principal membro do Partido Republicano na mesma comissão.

 

Na sua actividade Lugar destacou-se pelo seu empenho no desmantelamento de armas nucleares, químicas e biológicas, mormente em países da antiga U.R.S.S, o que conseguiu levar a cabo com sucesso. 

 

No início da sua carreira, Richard Lugar serviu dois mandatos como Mayor de Indianápolis, de 1968 a 1976, tendo até adquirido o "título" de "President Nixon's favourite mayor". Foi ele o "keynote speaker" na Convenção Republicana de 1972, a qual nomeou o Presidente Richard Nixon pela terceira vez como candidato presidencial do partido. Seria eleito pela primeira vez para o Senado em 1976 

 

Este foi sem dúvida mais um retumbante sucesso do "Tea Party", que apoiou o opositor de Lugar, o Tesoureiro do Estado, o conservador fiscal Richard Mourdock. No seu discurso de aceitação da derrota, Lugar foi até pouco simpático para com o seu opositor e para aquilo que descreveu como a desagradável e prejudicial tendência entre alguns republicanos de procurarem "limpar" o partido de pessoas menos "ortodoxas" do ponto de vista deles.

 

Um resultado que é um sinal dos tempos. 


09
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 22:01 | comentar | ver comentários (2)

Foto Politico

 

Em plena campanha eleitoral, Barack Obama muda de opinião e declara-se a favor do casamento entre homossexuais. Apesar de não ser surpresa para ninguém, esta atitude não deixará de ser encarada como uma jogada política, pois este "flip-flop" surge numa altura em que pela primeira vez a maioria dos americanos declara-se a favor, segundo as mais recentes sondagens. Esta opção acarreta riscos mas também vantagens para o Presidente. Por um lado, Obama injecta energia na sua base eleitoral, maioritariamente a favor, fará com que aumentem contribuições financeiras da comunidade gay, enchendo os cofres da sua campanha, e coloca uma armadilha a Mitt Romney, lançando este assunto para a frente da agenda mediática e desviando as atenções da economia. Por outro lado, poderá ajudar a levar a base conservadora a ir ao encontro de Romney, termina com argumento que o nomeado republicano é "flip-flopper" e poderá afastar alguns eleitores de importantes swing-states - ainda ontem na Carolina do Norte, que Obama venceu em 2008 por 40 mil votos, os eleitores baniram o casamento gay em referendo. 


08
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 16:46 | comentar | ver comentários (8)

Analisando o que nos tem dito as sondagens até ao momento, e ressalvando que nestes próximos seis meses muito ainda vai acontecer, e que, de facto, os acontecimentos externos à campanha e a maneira como esta vai decorrer será decisiva para o desfecho das eleições, este é o momento de fazer um balanço. E, posso acrescentar, tanto Mitt Romney como Barack Obama têm motivos de apreensão e satisfação.

 

A avaliar pelo perfil dos candidatos: aqui a vantagem está neste momento do lado do Presidente. Apesar do seu índice de aprovação estar ligeiramente abaixo dos 50 por cento, um número perigoso para o presidente em exercício, os americanos continuam a gostar dele. Apesar de não aprovarem o seu trabalho, as sondagens mostram-nos que os americanos têm apreço por ele. Ao contrário de Mitt Romney, que tem níveis de aprovação menores do que Obama, e que surge aos olhos dos americanos como alguém distante e sem carisma. Em abono da verdade, apenas agora os americanos começarão a olhar com atenção para Romney, e ainda tem uma margem de progressão enorme, mas isso vai depender da forma como a campanha irá decorrer. Mas diria que se as eleições fosse apenas sobre as duas personalidades, Obama estaria reeleito.

 

As sondagens nacionais continuam a dar um empate técnico, e é provável que se mantenha dessa forma até ao Verão. Uma corrida renhida é o que se espera. Mas como tem alertado Dick Morris, o facto de Obama manter-se com níveis de popularidade abaixo dos 50% e quase nunca ultrapassar esse valor nas sondagens frente a Mitt Romney, é preocupante para o Presidente. Numa eleição deste género, os indecisos normalmente optam pelo challenger. Mas ao mesmo tempo, os estudos de opinião conduzidos nos swing states têm indicado, quase sempre, vantagem para o Presidente. Partindo da geografia eleitoral de 2008, a tarefa parece muito mais simples para Obama, que pode perder vários estados, como o Indiana, Virgínia, Carolina do Norte, Ohio e Florida, e ainda assim, sair vencedor. Romney precisará de vencer assente na estratégia que Karl Rove denominou de 3-2-1. Ou seja, recuperar os anteriormente estados republicanos Indiana, Carolina do Norte e Virgínia, ganhar nos tradicionais swing states Ohio e Florida e vencer um destes: New Hampshire, Nevada, Iowa, Colorado ou Novo México. Isto além de ganhar em todos os estados que ficaram na coluna de McCain. Um empreendimento nada fácil.

 

Se analisarmos com mais profundidade os conteúdos das sondagens, a situação fica ligeiramente positiva para Romney. Obama continua a ter vantagem nos grupos demográficos fundamentais para a sua eleição em 2008: as mulheres, os afro-americanos, os jovens e os hispânicos. Mas Romney leva vantagem no eleitorado independente, além de ter margem de progressão em algumas grupos, como os hispânicos e os jovens. Por outro lado, a natural desilusão de algum eleitorado de Obama de 2008 poderá fazer aumentar a abstenção em grupos chave. Por outro lado, se Obama leva vantagem em temas como a segurança nacional, a personalidade, a honestidade, o ambiente ou a política externa, é Romney quem surge à frente no decisivo tema da economia. 

 


Por José Gomes André, às 01:18 | comentar

07
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 22:41 | comentar

 

É o valor que a campanha de Obama vai investir este mês em publicidade televisiva. Este anúncio irá ser transmitido nos swing states de Colorado, Pensilvânia, Iowa, Florida, Virginia, Carolina do Norte, Ohio, New Hampshire e Nevada. Estes estados, que Obama venceu todos em 2008, serão provavelmente os locais de batalha mais relevantes desta eleição, e são também aqueles que a direcção de campanha considerará mais problemáticos para o Presidente.  

 

Entretanto, hoje foram publicadas quatro novas sondagens, sendo que em três delas Mitt Romney surge ligeiramente à frente de Obama. Eleição garantida? Muito longe disso, como têm provado todos os indicadores: sondagens, economia, grau de satisfação dos americanos e popularidade de Obama. Mas em breve voltarei a este assunto. 


04
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 23:48 | comentar

 

Dia 10 de Maio George Clooney e Jeffrey Katzenberg, CEO da DreamWorks, vão organizar aquea que será provavelmente a maior sessão de angariação de fundos da história da política americana. Por cerca de 40 mil dólares, os convidados vão jantar com Barack Obama, contribuindo dessa forma para a campanha de reeleição do Presidente. Ao mesmo tempo, Obama tem vindo a recolher fundos de apoiantes, que ao doar habilitam-se a ganhar um de dois lugares que serão disponibilizados no meio de tantas celebridades de Hollywood. Os lugares disponíveis já estão todos vendidos. Esta operação irá render cerca de 12 milhões de dólares. É possível que Obama não consiga atingir a verba inicialmente almejada de mil milhões de dólares, mas dinheiro não lhe vai faltar para tentar manter-se na Casa Branca. 


03
Mai 12
Por José Gomes André, às 15:26 | comentar

Marilyn Young, Professora de História da Universidade de Nova Iorque, uma das maiores especialistas mundiais sobre política externa norte-americana, dará uma conferência esta sexta-feira no ISCTE com o título "Necessary Wars of Choice: American Foreign Policy, 1975-present". É às 18h, no Auditório B204, Edifício II. A não perder!


02
Mai 12
Por Alexandre Burmester, às 17:43 | comentar

Dois números hoje publicados trazem de novo a difícil recuperação da economia americana para o primeiro plano, numa altura em que o Presidente Obama parecia ter o vento pela popa em matéria de recuperação económica.

 

Com efeito, no mês de Abril, a economia americana adicionou apenas 119.000 empregos contra uma previsão de 170.000. Isto faz, obviamente, temer que os números oficiais do desemprego, a serem publicados esta 6ª feira, sejam piores que o previsto.

 

O outro dado negativo hoje conhecido tem a ver com as encomendas em fábricas dos Estados Unidos, as quais, em Março, caíram 1,5 %, a maior descida dos últimos três anos.

 

Sem a convicção por parte do eleitorado de que a economia está de facto no bom caminho - mesmo que o desemprego permaneça alto mas com sinais de melhoria - Obama terá um caminho muito mais íngreme para a reeleição.

 

Mitt Romney, o seu mais que certo adversário, pode não ser uma personalidade magnética e/ou empolgante, mas isso também Jimmy Carter o não era em 1976, e mesmo assim derrotou o Presidente Gerald Ford, num ambiente eleitoral dominado pela "ressaca" do Caso Watergate e por uma situação económica séria, com alto desemprego e alta inflação.


01
Mai 12
Por Nuno Gouveia, às 23:32 | comentar

 

Barack Obama viajou hoje em segredo ao Afeganistão para assinar um acordo com o governo local sobre a presença americana no terreno após o fim da missão da NATO em 2014. Esta viagem surge no dia em que se assinala o primeiro aniversário da morte de Osama Bin Laden, uma das vitórias mais significativas da sua Administração. Obama lançou na semana passada um anúncio para retirar dividendos políticos do assassinato de Bin Laden, mas terá cometido o erro, ou talvez não, de atacar Mitt Romney, pois sugere que se candidato republicano estivesse na Casa Branca não teria tomado a decisão de mandar matar Bin Laden. Apesar de não haver nenhuma evidência que tal teria acontecido numa administração Romney, a equipa de Obama decidiu criticar o seu adversário neste tema. Não consigo decidir se essa foi uma boa opção, mas a verdade é que esta semana, quando se deveria estar a discutir sobretudo o mérito de Obama ter mandado eliminar o inimigo número um dos Estados Unidos, os media americanos passaram os dias a analisar se o ataque a Romney é justo ou não. 

 

Mas um sucesso Obama já parece ter garantido. Ao contrário de anteriores ciclos eleitorais, onde a política externa tem sido sempre uma área de vantagem para os republicanos, este ano poderá não acontecer o mesmo. Apesar de não ter sucessos visíveis em temas sensíveis como o Afeganistão, o Irão ou a Coreia do Norte, a morte de Bin Laden e o sucesso na perseguição movida à Al-Qaeda nestes últimos três anos, garantem a Obama alguma margem de manobra neste tema. E esta visita hoje ao Afeganistão, onde Obama elogiou o papel dos soldados na defesa da segurança dos americanos, é mais um passo nesse sentido.


Por Nuno Gouveia, às 17:39 | comentar

Barack Obama tem tentado encontrar um slogan que seja tão emblemático, como o "Yes we can". Mas a vida não está fácil para os estrategas da sua campanha. Esta semana lançaram um vídeo, com o simples título "Forward", onde evoca alguns dos momentos emblemáticos da sua administração. O problema? "Forward", que em português se poderá traduzir como "avante" ou "para a frente", é um slogan associado muitas vezes na história a movimentos marxistas. Em Portugal, Avante é o nome do jornal oficial do Partido Comunista Português, por exemplo. Desconfio que ainda não é desta que a campanha Obama acerta com um slogan. 


29
Abr 12
Por Nuno Gouveia, às 13:12 | comentar

Os melhores momentos do tradicional jantar de correspondentes da Casa Branca, que se realizou ontem à noite. 

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26
Abr 12
Por Nuno Gouveia, às 22:19 | comentar | ver comentários (3)

Larry Sabato, um dos analistas políticos americanos com mais credibilidade, defende que as eleições vão decidir-se em sete estados: Nevada, Colorado, Florida, Virginia, Iowa, Ohio e New Hampshire. Obviamente ainda é cedo para prever se esta análise é correcta, pois parece-me que todos os estados a cores mais claras ainda podem transformar-se em battleground states. Nesta análise, Obama parte com com 247 votos eleitorais e Romney com 204 votos eleitorais (melhor do que McCain teve em 2008). Se esta previsão se mantiver até Novembro, a Obama bastará vencer a Florida para assegurar a reeleição. Mas como têm avisado muitos analistas é ainda demasiado cedo para fazer estas previsões, pois a campanha a sério ainda não começou e a maior parte dos americanos desligados da política ainda não pensou seriamente nestas eleições. Mais do que as sondagens, interessa ir observando o rumo dos indicadores económicos. 


25
Abr 12
Por Nuno Gouveia, às 20:47 | comentar

 

Já não se percebia muito bem porque razão Newt Gingrich se mantinha na corrida. Há muito que se sabe que Mitt Romney é o presumível nomeado e nas últimas semanas todos os republicanos influentes na hierarquia do partido tinham declarado apoio a Romney - Eric Cantor, John Boehner e Mitch Mcconnell. Mas Newt Gingrich, numa estranha obsessão (consta-se que tentou negociar com Romney auxilio para pagar dívidas de campanha), preferiu prosseguir na fantasia que iria até Tampa. Hoje finalmente deu sinais que está pronto para desistir, e segundo informações recolhidas junto de pessoas próximas dele, irá anunciar a desistência na próxima segunda-feira. Com estas movimentações, Romney conseguirá unir o partido ainda durante o Verão, tendo tempo para prepara-se para a luta de Novembro. 


Por Nuno Gouveia, às 12:16 | comentar | ver comentários (3)

Sem surpresa, Mitt Romney venceu ontem os cinco estados em disputa, com resultados que variaram entre os 56 por cento (Delaware) e 67 por cento (Connecticut). Na contagem de delegados, Romney terá conquistado quase totalidade deles. Consequências deste dia eleitoral? As primárias já estavam decididas, mas parece-me que após esta vitória de Romney vão acontecer duas coisas: Newt Gingrich irá desistir em breve e os media irão deixar de falar sequer nestas primárias. Romney deverá obter a nomeação formalmente no dia 22 de Maio, nas primárias do Kentucky e Arkansas. 

 

Mitt Romney lançou ontem as sementes para a sua estratégia para a campanha eleitoral de Novembro. E recorrendo ao slogan de Jamer Carville em 1992 com Bill Clinton, deixou um aviso à equipa de Obama: "It’s still about the economy …and we’re not stupid".


24
Abr 12
Por Nuno Gouveia, às 15:36 | comentar

 

Depois da retirada de Rick Santorum, as primárias republicanas perderam o interesse, mas hoje realizam-se cinco eleições: Pensilvânia, Nova Iorque, Delaware, Rhode Island e Connecticut. A análise irá centrar-se sobretudo no número que Romney obter em cada um destes estados, pois é a primeira vez que não enfrenta competição. Nos últimos tempos o Partido Republicano tem vindo a unir-se em redor de Romney, mas será interessante verificar se essa união se materializa nas escolhas dos eleitores republicanos. Dos 209 delegados em disputa, Romney deverá acumular a esmagadora maioria, mas ainda não será o nomeado formal (isso talvez apenas em Junho). 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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