04
Fev 15
publicado por Alexandre Burmester, às 23:02link do post | comentar

 

Scott_Walker_primary_victory_2010.jpg

 

Como já aqui referi, e como parece evidente para a esmagadora maioria dos observadores, a corrida a seguir em 2016 será a republicana e não a democrática. Nesta última, Hillary Clinton deverá conseguir, com maior ou menor dificuldade, a nomeação, não se vislumbrando uma surpresa como a que, em 2008, a privou da candidatura democrática, contra todos os vaticínios dos "entendidos", note-se (entre eles os "tudólogos" portugueses, que já quase a aclamavam como presidente - não confundir com "presidenta", vocábulo mais comum no Atlântico Sul - ainda nem as primárias tinham tido início).

 

Do lado republicano, porém, a corrida promete ser muito competitiva. Ao contrário da "sabedoria convencional", a actual divisão e crispação entre os sectores mais "irredutíveis" do partido - a ala Tea Party/Direita Religiosa (duas coisas que por vezes se sobrepõem, mas que não são sinónimos, note-se) - e o "Establishment" do partido não constituem novidade alguma. Já em 1952, por exemplo, Dwight Eisenhower teve de enfrentar nas primárias o Senador Robert Taft, "Mr Republican", a voz do "partido profundo", sendo o general o candidato do "Establishment", e em 1964 o "partido profundo", na pessoa do Senador Barry Goldwater, prevaleceu sobre o "Establishment", personificado pelo Governador do Estado de Nova Iorque, Nelson Rockefeller. Digamos que, da II Guerra Mundial para cá, talvez o único candidato republicano que conseguia falar simultaneamente pelos, e para, os dois sectores do partido tenha sido Richard Nixon (e nessa sua capacidade uns viam a sua duplicidade inata, outros a sua argúcia política).

 

Mas voltemos à campanha que se avizinha. Claramente, há já um candidato preferido do "Establishment", o ex-Governador da Florida Jeb Bush, cujo apelido o atrapalha mais do que o ajuda, diga-se. Com o recente anúncio de Mitt Romney de que, definitivamente, não tentará uma terceira campanha presidencial, Bush tornou-se o favorito do "Establishment", embora, nesse sector, não possa descurar a personagem do Governador de New Jersey, Chris Christie. No campo oposto, perfilam-se, entre outros, o "invulgar" Senador Rand Paul - mais libertário que conservador - e o seu colega no Capitólio Ted Cruz. 

 

O "Establishment" prefere uma figura previsível, de preferência com experiência executiva - e daí a sua simpatia por Bush e Christie - e, acima de tudo, elegível; a ala Tea Party/Direita Religiosa prefere alguém com perfil "anti-Establishment", "anti-Washington" e que defenda os valores sociais e económicos conservadores.

 

Mas, no meio desta polaridade, surge um homem que pode, sem grande esforço, fazer a ponte entre as duas facções. Falo do Governador do Wisconsin, Scott Walker. Trata-se de um homem duas vezes eleito governador de um estado tendencialmente democrático - a úlima vez que o candidato presidencial republicano aí venceu foi em 1984 - e que, pelo meio, ainda teve de enfrentar uma "recall election", uma espécie de referendo a meio do mandato, que também venceu. Tornou-se popular à direita pela sua oposição bem sucedida aos sindicatos do sector público, pela sua rejeição do "Affordable Care Act", mais conhecido por "Obamacare", e pela sua posição contra o aborto, e,  para o mais pragmático Establishment, é um competente executivo que sabe equilibrar orçamentos, criar empregos e vencer eleições em terreno adverso.

 

A verdade é que, neste momento, Scott Walker lidera as sondagens no Iowa - onde tem lugar o primeiro escrutínio das primárias - a que não será estranho o facto de esse estado ser vizinho do Wisconsin. Mas, mais surpreendentemente, a mais recente sondagem no New Hampshire - palco da primeira primária propriamente dita - dá-lhe vantagem sobre Bush. 

 

Como todos os restantes presumíveis candidatos de ambos os partidos, Scott Walker ainda não é oficialmente candidato, mas o ímpeto parece irresistível. E, a esta distância, arriscar-me-ia a dizer que a grande luta entre os republicanos será entre ele e Jeb Bush.

 

 


01
Fev 15
publicado por Nuno Gouveia, às 21:21link do post | comentar | ver comentários (2)

O Partido Republicano nos últimos anos tem tido direito a um verdadeiro freak show nas suas primárias,  a terem vários candidatos que apenas se apresentam na corrida para ganhar dinheiro ou estatuto mediático. O ano de 2012 foi disso o maior exemplo, com apenas um candidato a ter reais hipóteses de ser Presidente, Mitt Romney, enquanto os restantes nunca foram considerados reais candidatos. Longe vão os tempos de 1980, quando Ronald Reagan venceu as primárias a antigo diretor da CIA, George H. Bush, ao líder republicano no Senado, Howard Baker ou ao antigo governador do Texas, John Connaly. Nos últimos anos, têm aparecido vários candidatos/oportunistas, o que tem prejudicado imenso o Partido Republicano, pois normalmente adoptam posições coladas ao extremo político e arrastam o debate para questões laterais e que não interessam à grande maioria dos americanos. Em 2012, percebia-se que Romney era o único que poderia chegar a presidente, mas mesmo assim, teve de debater com candidatos como Rick Santorum, Newt Gingrich, Herman Cain ou Ron Paul. Rick Perry foi um desastre nos debates, Tim Pawlenty desisitiu ainda no Verão e Jon Hunstman era demasiado moderado para o GOP. 

A perspectiva para 2016, nesse aspecto, parece ser bem melhor, com "sérios" candidatos, como Marco Rubio, Jeb Bush, Chris Christie ou Scott Walker, isto para referir aqueles que me parecem terem mais hipóteses de obter a nomeação. E numa segunda linha, aparecem vários candidatos minimamente credíveis para manter um bom debate, como Rand Paul ou até Lindsey Graham. Onde está o problema? É que Ted Cruz, Mike Huckabee, Rick Santorum ou até mesmo Ben Carson também ameaçam concorrer, o que poderá provocar novamente um debate encostado à direita, prejudicando a imagem do GOP. Não que isso não suceda também no Partido Democrata, mas protegidos pelos media, os Democratas conseguem mais facilmente escapar deste tipo de debate. 

Ainda não temos um campo de candidatos totalmente definido, muita tinta vai correr até aos debates começarem, mas muito do que se passar nas eleições de 2016 poderá ser definido pelo rumo das primárias. Principalmente numas eleições que se preveem renhidas. Deixo apenas um exemplo: será que George W. Bush teria derrotado Al Gore se o seu principal adversário nas primárias não tivesse sido um moderado como John McCain?


21
Jan 15
publicado por Alexandre Burmester, às 15:42link do post | comentar

 

 

 

A União está boa e recomenda-se. Esta poderia ser a conclusão a tirar do tradicional discurso anual sobre o "Estado da União", que tem sempre lugar por esta altura em Janeiro, excepção feita aos anos de tomada de posse de um presidente, ontem proferido pelo Presidente Obama.

 

Obama surgiu confiante e determinado, mas também com tom conciliador para com os republicanos, os quais agora dominam ambas as câmaras do Congresso. Aliás, como notou Byron York no Washington Examiner, o principal contraste entre o primeiro destes discursos proferido por Obama e o de ontem é que, no conjunto das duas câmaras, há agora menos 83 democratas - 69 na Câmara dos Representantes e 14 no Senado, números sintomáticos do desgaste que a Administração Obama causou ao seu partido. Mas diga-se que, ao contrário, por exemplo, de George W. Bush em 2007, Obama não fez qualquer referência ou cumprimento à vitória dos seus adversários em Novembro. E, a propósito de eleições, houve até um momento crispado, quando o presidente disse que não tinha mais eleições a disputar e alguns republicanos reagiram com aplausos sarcásticos, ao que Obama respondeu "Eu sei isso porque ganhei duas!".

 

Os números significativamente melhores da economia nos últimos meses - taxas de crescimento e de desemprego - pareceram dar novo ânimo ao presidente, apesar de, mesmo assim. apenas 32% dos americanos acharem que o país está no bom caminho. Com essa melhora em mente, Obama disse ir propor aumentos de impostos sobre os lucros com operações bolsistas e sobre as empresas financeiras. O seu propósito é, disse há dias, "distribuir as novas receitas pela classe média". Isto esbarra logo na oposição republicana àquilo que o partido do elefante tradicionalmente classifica como políticas de "tax-and-spend", embora os republicanos, na sua reacção ao discurso, se tenham mostrado disponíveis para rever o código fiscal, "não para alimentar mais programas federais, mas para criar empregos."

 

Obama entrou nos seus últimos dois anos de mandato, uma fase que os presidentes normalmente tentam aproveitar para cimentar um legado. Com a oposição em maioria no Congresso, tal só será possível através da colaboração entre os dois lados. Mas também aos republicanos interessa apresentarem uma imagem construtiva, a fim de não serem acusados de meros obstrucionistas nas presidenciais de 2016. Eu diria que vamos assistir a confrontos, sim, e a vetos presidenciais (Obama deu a entender isso claramente), também, mas que haverá acordos em várias áreas, como no que respeita a tratados de comércio internacional, onde Obama estará à revelia de uma das suas maiores bases de apoio, os sindicatos, mas da qual ele já não precisa, pois, como atrás referi, não tem mais eleições a disputar. 

 

No campo externo Obama revelou um optimismo um pouco irreal, especialmente quando disse que o ISIL está em retrocesso devido aos bombardeamentos americanos, o que não parece ser de todo o caso. E os acontecimentos mais recentes no Iemen são bastante preocupantes no que se refere à luta contra o terrorismo, ou seja qual for a designação oficial que a Casa Branca hoje dá a esse combate. Mas o tema do terrorismo acaba sempre por unir a América, como é natural, e as palavras do presidente sobre esse tema foram as únicas que fizeram toda a assistência levantar-se e aplaudir em unísssono. Já o tema do "degelo" com Cuba está longe de colher a unanimidade e não será fácil a Obama conseguir nomear um embaixador em Havana.

 

Resumindo, Obama fez das fraquezas forças, procurou não dar demasiado relevo ao ascendente republicano no Congresso, e deu um agradável tom de optimismo e conciliação ao discurso, e isso é sempre um tónico, especialmente depois de uma das mais graves recessões de que há memória. Decerto que não quer passar à História como um homem quezilento e pouco conciliador, em contraste com o anterior membro do seu partido a ocupar a Casa Branca, Bill Clinton, que depois de severamente humilhado em eleições intercalares, deu a mão à oposição e conseguiu algumas reformas de relevo, saindo da Casa Branca com altas taxas de popularidade, mesmo depois de ter sido impugnado pela Câmara dos Representantes no célebre "Monicagate".

 

Uma nota final para a resposta republicana: A neófita Senadora Joni Ernst foi a escolhida para a réplica da oposição. E, ao contrário de alguns seus recentes antecessores nesta missão, "desenrascou-se bem".

 


19
Jan 15
publicado por Nuno Gouveia, às 21:43link do post | comentar

América de 2016. Jeb Bush, irmão do Presidente 43 e filho do 41, disputa a presidência com Hillary Clinton, esposa do 42. Nas primárias, Hillary derrota os seus opositores com facilidade e Bush, após a mais dura campanha de primárias de que há memória no Partido Republicano, acaba por se impor devido à enorme vantagem financeira que conquistou em relação aos seus adversários. Quem irá suceder a Barack Obama? Clinton ou Bush? 

Qual é problema com este cenário? Bem, do ponto de vista de análise de possibilidades, nenhum. Diria mesmo que a esta distância, seria uma aposta relativamente segura (especialmente do lado de Hillary). Confesso que o meu problema é outro. Não haverá na política norte-americana outros nomes e famílias para conquistar o poder? Estaremos a assistir a uma aristocratização nos Estados Unidos? Na verdade, sempre existiram famílias poderosas na história política do país. Recordemos os Adams (presidentes John e John Quincy, pai e filho), os Roosevelt (presidentes Teddy e Frank, primos afastados), os Kennedy ou os Taft. E a nível regional, há exemplos diversos, como os Udall no Oeste, os Daley no Illinois ou os Rockefeller na costa leste. Mas nunca esta concentração foi tão evidente. Mesmo que só um deles se candidate, isso quererá dizer que nas 10 presidenciais entre 1980 e 2016, apenas em 2012 não terá havido um Bush ou Clinton a candidatar-se a presidente. Mais, nesses anos, apenas em 2008 e 2012 não terá existido nenhum num dos tickets presidenciais.

Não coloco em causa nenhum dos dois nomes: pelo contrário, ambos me parecem ter a experiência e qualidades políticas para chegaram à Casa Branca. Mas parece-me que a América dos Pais Fundadores merecia outros protagonistas para o século XXI. E até se pode dizer que há estrelas em ascenção em ambos os lados, como Elisabeth Warren no Partido Democrata, e especialmente no GOP, como Marco Rubio, Chris Christie, Rand Paul, Scott Walker ou Bobby Jindal. Se do lado republicano, e agora com o ressurgimento de Mitt Romney, a nomeação é muito incerta para Jeb Bush, Hillary Clinton, uma figura que está na vida política americana há mais de 20 anos, parece ter a nomeação bem encaminhada. Definitivamente a renovação parece não estar na ordem do dia nos Estados Unidos.

PS: Este post marca o meu regresso ao blogue, que foi relançado na semana passada com o post do Alexandre


14
Jan 15
publicado por Alexandre Burmester, às 17:06link do post | comentar | ver comentários (1)

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Fizemos um longo interregno, ou hibernação, como digo no título, mas, agora que se aproximam as eleições presidenciais de 2016, decidimos voltar à faina.

 

É verdade que ainda estamos quase a dois anos das referidas eleições, mas a época de campanha não-oficial nos EUA tem vindo a começar cada vez cedo, e esta vez não será excepção, se bem que as coisas estejam mais paradas que em anteriores ciclos. 

 

Houve também em Novembro uma mudança do equilíbrio de forças em Washington, com  a conquista do Senado por parte do Partido Republicano e o reforço da sua maioria na Câmara dos Representantes (onde tem agora a sua mais forte representação em mais de 80 anos). Também a nível de governadores de estado os republicanos estão actualmente numa posição muito forte, com 31 dos 50 governadores. O domínio republicano do Congresso significará, muito provavelmente, o uso frequente do veto por parte do Presidente Obama, já que os republicanos, que estão numa maioria de 54-46, não deixarão de tentar "provocar" o uso dessa arma presidencial - que requer 67 votos para ser anulada. As votações em Capitol Hill raramente seguem linhas partidárias rígidas, mas mesmo contando em vários casos com o apoio de senadores democratas, dificilmente os republicanos conseguirão ultrapassar os vetos presidenciais. Isto não significa que tudo o que chegue à secretária do Gabinete Oval seja vetado, claro, mas aproximam-se algumas interessantes batalhas, a começar com o já famoso oleoduto Keystone XL (um dos partos mais longos da História), ligando a província canadiana de Alberta ao Golfo do México, a cuja construção Obama se tem oposto. 

 

Voltando às presidenciais de 2016, por hoje farei apenas uma panorâmica sobre os mais fortes potenciais contendores:

 

Começando pelo Partido Democrático, ninguém discute que Hillary Clinton é não só a grande favorita, como dificilmente não será a candidata do partido. Não parece que possa acontecer uma repetição de 2008 onde, começando como favorita clara, a agora ex-Secretária de Estado se viu derrotada por um senador em primeiro mandato, pouco conhecido dos americanos. Mas daí a ir assistir-se a uma "coroação", isto é a umas primárias sem oposição de relevo, vai uma certa distância. Há três nomes que têm sido insistentemente falados como possíveis opositores de Clinton: a Senadora Elizabeth Warren do Massachusetts, o ex-Governador do Maryland Martin O'Malley e o ex-Senador pela Virgínia e antigo Secretário da Armada na Administração Reagan, Jim Webb. Os dois primeiros situam-se politicamente à esquerda de Clinton, mas Webb é um democrata atípico - trata-se de um forte defensor do direito ao porte de arma e já foi descrito como "mais anti-imigração que alguns republicanos". Numa eleição geral, um homem com o perfil de Webb seria um autêntico pesadelo para os republicanos, mas a verdade é que é difícil imaginá-lo a ser nomeado pelos democratas. Seja como for, o ex-senador já anunciou a formação de uma "comissão exploratória" de uma possível candidatura, e isto é um fortíssimo sinal das suas intenções.

 

Já no lado republicano, poderá assistir-se à mais caótica campanha desde há décadas. O número de possíveis candidatos de que se fala ronda os vinte (!), mas claro que nem todos podem ser considerados candidatos de "primeira água". Os nomes mais fortes, nesta altura e a esta distância dos "caucuses" de Iowa (tiro de partida das primárias, em Fevereiro de 2016) serão o ex-Governador da Florida Jeb Bush (que praticamente já anunciou a sua candidatura, ainda que não oficialmente), irmão de George W. e filho de George H.W., o Senador pelo Kentucky Rand Paul, e os governadores de Wisconsin e New Jersey, Scott Walker e Chris Christie, respectivamente. 

 

Enfim, será um tema a que não faltará matéria ao longo dos próximos 22 meses, e a ele o blog voltará decerto inúmeras vezes.

 

 

 

 


02
Fev 14
publicado por Nuno Gouveia, às 19:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Obama tem ainda mais três anos na Casa Branca, mas a sua sucessão já está na ordem do dia. É óbvio que tudo o que se diga por esta altura é altamente provável de ser desmentido pela realidade, e bastará recuar até ao inicio de 2006 para nos recordarmos o que se dizia então: Hillary Clinton era a quase nomeada pelo Partido Democrata e Rudy Giuliani era o favorito do lado republicano. Atualmente, diria que do lado democrata, a história repete-se: a antiga Primeira Dama é a grande favorita à nomeação, enquanto do lado republicano, depois do escândalo que afectou Chris Christie, não há favorito. 

 

Se é verdade que o Partido Democrata poderá ser prejudicado pela previsível impopularidade da Administração Obama em 2016, neste momento apresenta o candidato mais forte. Hillary Clinton continua muito popular, e, sinceramente, não se vê ninguém do lado democrata capaz de a derrotar nas primárias. Neste momento não existe nenhuma estrela em ascensão no partido e nenhum dos potenciais candidatos, como Joe Biden ou Andrew Cuomo, não têm o star power de Obama em 2006. Hillary tem a máquina (que já está no terreno), tem o apoio da base e tem ainda outra coisa: há uma espécie de remorso ente muitos do partido por não a terem eleito em 2008, e desta vez não haverá muitos políticos conhecidos do Partido Democrata a apoiar outro candidato, como sucedeu em 2008 com Obama. Mesmo que o Presidente chegue a 2016 muito impopular, é provável que Hillary se apresente na condição de favorita para ser eleita Presidente. É óbvio que irá deparar-se com muitas dificuldades, Bill Clinton pode ser uma nuvem sombria, como o foi em 2008, o escândalo de Benghazi vai andar por aí, e depois haverá sempre a condicionante do nome republicano. Dito isto, o que acontecerá se Hillary não se candidatar? Haverá muitos mais candidatos e a corrida será completamente imprevisível. Num cenário sem Hillary, o Partido Democrata estará muito mais fragilizado e o nível de popularidade de Obama poderá ser muito mais decisivo na eleição. Além dos nomes já citei, fala-se da senadora do Massachusetts, Elisabeth Warren, do antigo governador do Montana, Brian Schweitzer ou do governador de Maryland, Martin O'Malley. Mas nenhum destes candidatos tem um nome nacional (nomeadamente na base democrata). A eleição de um Presidente democrata será bem mais difícil  neste cenário (os democratas não ganham três eleições seguidas desde Truman em 1948 – na verdade tinham ganho cinco).

 

No Partido Republicano há uma certeza: depois de 2012, onde apenas Mitt Romney era qualificado para ser Presidente (os restantes candidatos não tinham estatuto para isso e muitos foram mesmo confrangedores durante a corrida), no próximo ciclo eleitoral haverá certamente muita qualidade no terreno. Neste momento há poucas certezas, mas Chris Christie, governador de New Jersey (se sobreviver ao atual escândalo de New Jersey), Scott Walker, governador do Wisconsin, o senador Marco Rubio da Florida, Paul Ryan do Wisconsin ou Jeb Bush, antigo governador da Florida serão todos eles nomes capazes de vencer as primárias e chegar à Casa Branca. Quando a máquina republicana começar a despejar dinheiro num candidato, qualquer um destes pode ser o seu escolhido. Apesar de tudo o que se tem dito nas últimas décadas sobre o Partido Republicano, o vencedor das primárias tem sido sempre a escolha do establishment e aquele que se apresenta durante as primárias como o mais bem preparado para ser Presidente. Na ala mais populista e libertária, Rand Paul ou Ted Cruz são nomes a ter em conta, sobretudo porque são políticos muito hábeis e poderão constituir uma ameaça aos candidatos mais mainstream. Entre outros potenciais candidatos, fala-se do governador do Ohio, John Kasich, Bobby Jindal, governador da Louisiana, da senadora do New Hampshire, Kelly Ayote ou novamente de Mike Huckabee, do Arkansas. Depois de oito anos de Obama, diria que um governador terá mais hipóteses de ser o nomeado pelo Partido Republicano, pois apresentará experiência executiva, algo que Obama não teve antes de ser Presidente. No Congresso, diria que Marco Rubio, apesar de ter perdido apoio na base conservadora depois de se ter envolvido activamente na reforma da imigração, é o que tem mais hipóteses, pois consegue bem fazer a ponte entre os sectores mais à direita com a máquina republicana. Chris Christie era considerado o favorito antes dos problemas no seu estado, e tem já um estatuto nacional. Se ultrapassar esta fase menos positiva, poderá ser um candidato fortíssimo. Jeb Bush poderá ser um candidato forte, apesar do seu apelido constituir um problema.  


18
Jan 14
publicado por Nuno Gouveia, às 20:01link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Robert Gates, Secretário da Defesa de George W. Bush e Barack Obama, publicou um livro de memórias onde critica severamente a última administração a que pertenceu, onde Joe Biden, Hillary Clinton e o próprio Presidente ficam muito mal na fotografia. Através de excertos e de entrevistas de Gates, ficamos a saber que os anos em que passou no Pentágono a servir Obama terão sido repletos de discussões constantes com a Casa Branca. Obama é considerado um líder fraco, que não acreditava nas decisões militares que tomou em relação ao Afeganistão, e que desconfiava abertamente das intenções dos líderes militares. Revela ainda que os spin doctors da Casa Branca tentaram, muitas vezes com sucesso, orientar decisões sobre segurança nacional baseados em intenções políticas, e que a própria Hillary Clinton e Obama terão assumido que a oposição à "surge" no Iraque em 2007 do Presidente W. Bush deveu-se sobretudo a tácticas eleitorais. Joe Biden é descrito como um político ineficaz que esteve errado em todas as grandes opções americana de política externa dos últimos 40 anos. A crítica mais dura que faz ao Presidente é que ele não sentia grande empatia pelos soldados americanos envolvidos em combate, e que nunca respeitou as lideranças militares, apesar de, como é óbvio, apoiar os soldados. 

 

Estas revelações causaram um profundo impacto no debate público americano, pois não é normal que um presidente em exercício seja confrontado com críticas de antigos membros da sua administração. São acusações graves, pois Barack Obama aumentou o contingente militar americano no Afeganistão em cerca de 30 mil soldados, quando aparentemente não acreditava nessa solução. Se não acreditava, para quê mandar soldados morrer em combate? No entanto, e como bem recordou John McCain, crítico do Presidente Obama, esta não é a melhor altura para Gates lançar um livro de memórias. Estando ainda os Estados Unidos envolvidos no Afeganistão, e numa luta sem quartel contra a Al-Qaeda, estas críticas de Gates diminuem o status do Presidente e colocam em causa o prestigio de Obama perante os militares. Robert Gates, que serviu presidentes como Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush, W. Bush e Obama, sempre foi cauteloso e discreto, muito respeitado em Washington. Não se percebe porque decidiu agora sair desse formato e apresentar-se desta maneira. Penso que teria sido mais correcto ter esperado pelo fim do mandato do Presidente Obama. A lealdade com que sempre serviu os presidentes americanos assim o exigiria. 


04
Jan 14
publicado por Nuno Gouveia, às 17:44link do post | comentar | ver comentários (5)

 

 

Fallujah foi um dos mais importantes campos de batalha da guerra do Iraque, e um dos locais mais emblemáticos dos combates contra a Al-Qaeda. Foi palco de várias ofensivas e só no inicio de 2007 as tropas americanas e iraquianas recuperaram o controlo da cidade. Esta semana foi anunciado que a cidade voltou a estar sob controlo da Al-Qaeda. 

 

Quando Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos, o Iraque já tinha desaparecido das primeiras páginas dos jornais. A "surge" do general David Petraeus tinha sido um sucesso e a guerra parecia ganha. George W. Bush já tinha negociado com o Primeiro-ministro Maliki um calendário para a retirada militar do Iraque, e apenas tinha sido deixado por negociar o número das forças residuais americanas que iriam ficar no país. Independentemente da má condução da guerra e do caos pós-invasão, que apenas foi quebrado após a "surge", a situação no Iraque parecia bem encaminhada. Mas Obama, que começou a sua carreira política na arena nacional por ser contra a guerra do Iraque (e que fez valer isso na sua corrida contra Hillary, que tinha apoiado a intervenção), acabou por cometer um erro de cálculo ao sair do Iraque da forma como o fez. 

 

Em 2011 Obama não conseguiu concluir um acordo com a liderança iraquiana para manter uma força residual no Iraque. O que estava previsto, e que era desejado pela liderança iraquiana, era manter um pequeno contingente militar que os auxiliasse na luta contra o terrorismo e que funcionasse como força dissuasora perante a violência sectária entre sunitas e xiitas. Além disso, manteriam o apoio ao treino das forças iraquianas. Esse era também o desejo de importantes sectores da administração Obama, que pretendiam manter o país calmo e longe do terrorismo, e afastar ao mesmo tempo a crescente influência iraniana no país. Mas algo correu mal, e Obama acabou por se precipitar e retirar totalmente. Nessa altura a Al-Qaeda estava completamente destruída no país e a violência sectária era reduzida. Independentemente do juízo que se possa fazer da intervenção no Iraque, essa era a postura correta a tomar, até para proteger os interesses americanos e dos aliados na região. 

 

Hoje a Al-Qaeda está a operar novamente em força no país, como se prova pelo controlo de Fallujah, e serve como base também à sua intervenção na vizinha Síria. O erro de Obama foi pensar que os interesses americanos estariam protegidos se deixasse os Iraquianos entregues a si mesmo. No Afeganistão Obama está empenhado em não cometer o mesmo erro, não retirando totalmente do país. Aí está a agir correctamente. 

 

PS: este post marca o meu regresso aqui ao Era Uma Vez na América, onde tentarei postar de forma regular. 


24
Mai 13
publicado por Alexandre Burmester, às 16:53link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

 

O sufixo "gate" apenso ao nome dos escândalos políticos, surgiu, como sabemos, com o famoso caso Watergate, que levou à demissão do Presidente Richard Nixon em 1974.

 

 Pois bem, neste momento Washington está assolada pelo referido sufixo(os nomes são meus):

 

 1) Email-gate: O Departamento de Justiça, ou o seu braço, o FBI, solicitou um mandato de busca sobre os emails do repórter da Fox News James Rosen. "Pela primeira vez uma administração presidencial trata a cobertura noticiosa como um crime", diz a propósito Jan Crawford da CBS News.

Isto vem na sequência da apropriação pelo Departamento de Justiça de dois meses de registos telefónicos da Associated Press.

 

 2) IRS-gate: Figuras destacadas dos meios conservadores foram alvo de inspecções fiscais durante a campanha presidencial de 2012. Esses alvos terão sido escolhidos com base numa lista de gente "indesejável" constante num site de campanha do Presidente Obama. 

 

 3) Benghazi-gate: Este escândalo incide sobre um suposto encobrimento por parte do Departamento de Estado da verdadeira natureza do ataque ao Consulado Americano em Benghazi, na Líbia, de que resultou a morte do Embaixador dos E.U.A. O Departamento de Estado tentou apresentar o ataque como uma reacção espontânea a um vídeo anti-islâmico publicado na internet por um americano, e não como um ataque terrorista premeditado, com a marca da Al Qaeda. Este caso atinge particularmente Hillary Clinton, cuja passagem pelo Departamento de Estado a afastou da política interna e suas polémicas e suavizou a sua imagem junto do eleitorado, anteriormente muito polarizado em relação à sua pessoa. Clinton é, actualmente, a favorita à nomeação presidencial democrática em 2016.

 

Decerto que todos estes casos vão ainda dar que falar. Quanto às respectivas consequências, ainda é cedo para especular. 

 

 

 Foto: o famoso edifício Watergate em Washington


21
Abr 13
publicado por Nuno Gouveia, às 11:32link do post | comentar | ver comentários (1)

No último post referi que o Presidente Obama tinha sérias hipóteses de sucesso num dos compromissos da última campanha: a reforma da imigração. Mais de 12 milhões de pessoas vivem ilegalmente nos Estados Unidos, e depois de falhada a reforma no segundo mandato do Presidente George W. Bush, esta é uma oportunidade ouro para agir. Mas como em Washington nada se faz sem apoio bipartidário (a reforma da saúde terá sido mesmo a excepção), Obama tem agido de forma cautelosa nesta questão, deixando a liderança desta batalha para um adversário: Marco Rubio. Quem tem estado atento à imprensa americana, saberá do que estou a falar. O Senador republicano tem-se desdobrado em entrevistas e intervenções nos media a defender aquilo que é conhecido como o plano do “Gang of Eight” (4 republicanos: Marco Rubio da Florida, Jeff Flake e John McCain do Arizona e Lindsay Graham da Carolina do Sul e 4 democratas: Dick Durbin do Illinois, Robert Menendez de New Jersey, Chuck Schummer de Nove Iorque e Michael Bennet do Colorado). Porque a oposição de certos sectores mais conservadores permanece elevada, há o receio de alguns líderes do Partido Republicano que certos congressistas de distritos profundamente conservadores impeçam a aprovação da lei.

 

Rubio e a liderança republicana sabem bem o que está em jogo: além de serem maioritariamente a favor desta lei, um falhanço nesta reforma aprofundaria ainda mais os problemas do Partido nas próximas eleições presidenciais entre as minorias. Mais, esta reforma não será a salvação do GOP entre os hispânicos, mas uma não aprovação iria tornar quase uma miragem ao candidato em 2016 receber maior apoio do que recebeu Mitt Romney em 2012. Apesar de terem surgido algumas vozes que anteriormente se opunham a uma lei da imigração que abra caminho para a legalização dos ilegais, a oposição continua forte, sobretudo nos sectores mais à direita. 

 

Diria que Rubio está a jogar aqui o seu imenso capital político e não sairá desta batalha sem algumas cicatrizes. Ontem estive a ler os comentários de um post que colocou no Facebook sobre a reforma da imigração. A esmagadora maioria dos comentários eram negativos para Rubio, com acusações de traição, desilusão, “RINO – Republican In Name Only”, entre coisas bem piores. Rubio foi eleito em 2010 com o apoio do Tea Party na Florida, mas cedo se percebeu que não era propriamente um dos deles. Tem criado importantes relações no establishment republicano e surge agora como uma voz da moderação no meio de tanto ruído. Nas primárias de 2016 (poucos acreditam que não será candidato à nomeação), Rubio poderá sofrer ataques à direita e ter sérias dificuldades em eleições dominadas, muitas delas, por sectores mais conservadores. Mas esse é um risco que vale a pena correr. Rubio, que até lançou um micro-site para defender a lei da imigração, pretende chegar à Presidência e não apenas ser o porta bandeira da direita mais radical. E o melhor caminho será através de princípios conservadores de acordo com o passado do Partido Republicano, assente numa estratégia que consiga também atrair o voto dos dos moderados e das minorias. E esta reforma da imigração é boa por todos os motivos. Poderá perder alguns pontos nas primárias de 2016, mas ficará certamente melhor colocado para vencer as eleições gerais, caso seja nomeado. E, acima de tudo, alguém que quer ser Presidente precisa de ter rasgo político, apresentar-se como líder e ter coragem. E Rubio está a mostrar essas facetas neste debate da imigração. Barack Obama bem poderá agradecer-lhe caso a lei seja aprovada, como penso que será. 


18
Abr 13
publicado por Nuno Gouveia, às 21:41link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Barack Obama no discurso inaugural anunciou uma nova era nas leis que regulam o acesso às armas, onde prometeu ir mais longe do que nunca. Sem nunca colocar em causa a 2ª Emenda, garantiu que iria colocar todo o peso da presidência nesta questão. Nestes primeiros meses do seu mandato, fez discursos, mandou recados ao congresso e encenou uma verdadeira batalha política contra o lobby das armas, os republicanos e todos aqueles que se recusaram a apoiar as suas propostas. E não se inibiu de utilizar as famílias da vítimas do massacre de Newtown para tentar angariar apoio do povo americano. Mas Washington é uma cidade de leis, de vícios e de guerrilhas e nada é fácil. E Obama devia saber os limites da Presidência para impor legislação que não é popular entre os senadores e congressistas (que nem sempre corresponde à população geral). Tendo o Partido Republicano maioria na Câmara dos Representantes e uma minoria antifillibuster no Senado, qualquer legislação a ser votada teria que ter o apoio de alguns republicanos e manter totalmente em controlo os democratas. Pois bem, ontem foi a votos uma legislação (mesmo assim minimalista tendo em conta as propostas iniciais de Obama) e não passou. 

 

Se do lado republicano, até conseguiu alguns senadores, apesar de escassos, como John McCain, Susan Collins, Mark Kirk e Pat Toomey, que promoveu a lei juntamente com o democrata Joe Manchin, do lado democrata verificaram-se algumas deserções, como os senadores democratas Mark Pryor do Arkansas, Heid Heitkamp do Dakota do norte, Mark Begich do Alaska. A lei, entretanto reprovada, iria aumentar o controlo sobre o acesso às armas através de um processo universal de verificação do cadastro. Na semana passada, depois do conservador republicano Pat Toomey, eleito com o apoio do Tea Party na Pensilvânia em 2010 ter-se juntado ao democrata conservador da West Virgínia, Joe Manchin, para patrocinar a lei, chegou a pensar-se que teria hipótese de sucesso. Mas ontem a realidade foi bem diferente: 40 republicanos e 4 democratas inviabilizaram a lei, que necessitava de 60 votos para ser aprovada. As restantes propostas do Presidente Obama, como por exemplo a proibição de vendas semi-automáticas, também não passaram no Senado.

 

Barack Obama reagiu com violência verbal a esta derrota legislativa, mas a verdade é que o voto de ontem coloca em cenário improvável qualquer aprovação significativa nesta área até às eleições intercalares de 2014. Este será um tema de campanha, e, por diferentes motivos, poderá condicionar várias eleições para o Senado. Sempre pensei que Obama estaria a ser demasiado ambicioso com a sua agenda na legislação das armas, porque a oposição em Red States e até mesmo em swing-states seria sempre grande. Resta saber como Obama tentará reverter a seu favor a derrota política que ontem teve no Senado. Segue-se a reforma da Imigração, onde sempre pensei que Obama tem grandes hipóteses de sucesso. E aqui o seu maior aliado é um republicano, Marco Rubio, que já trabalha a pensar em 2016. 


15
Abr 13
publicado por Nuno Gouveia, às 23:17link do post | comentar | ver comentários (1)

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11
Abr 13
publicado por Nuno Gouveia, às 16:52link do post | comentar

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03
Abr 13
publicado por Nuno Gouveia, às 18:22link do post | comentar

George H. Bush fez parte do ticket que tirou Jimmy Carter da Casa Branca. Bill Clinton impediu Bush de fazer dois mandatos. Obama foi eleito numa campanha em que basicamente transformou George. W. Bush no seu opositor. No entanto, os vários conflitos que estes senhores mantiveram entre si não os impede de terem uma relação cordial entre si. No próximo dia 25 de Abril este clube vai estar novamente reunido, na inauguração do George W. Bush Presidential Center, na Southern Methodist University em Dallas. 


29
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 16:51link do post | comentar | ver comentários (7)

 

O governador de New Jersey perdeu popularidade entre o movimento conservador americano após a sua actuação no pós furacão Sandy. Nos últimos meses o seu nome desapareceu do radar conservador, não tendo sido inclusive convidado para a CPAC deste ano. Mas ninguém pense que desapareceram as suas possibilidades para 2016. Ele vai ter a reeleição em Novembro deste ano, e é aí que as suas atenções estão concentradas. As sondagens atribuem-lhe uma vitória esmagadora contra a sua opositora democrata. O que poderá querer dizer isto para 2016?

 

Christie é neste momento um político extremamente popular num estado profundamente democrata. Se garantir a reeleição com facilidade, será normal que as suas atenções redireccionem-se para a arena nacional. Até Novembro poucas ou nenhumas intenções dará sobre as suas ambições presidenciais, mas após isso, poderá começar a construir uma possível campanha para as primárias republicanas. Christie é um moderado com um profundo apelo no eleitorado independente e até democrata, e até há bem pouco tempo, nos conservadores. Isso faz dele um candidato de sonho para o Partido Republicano. Mas, já encontramos outros candidatos do género que chegaram às primárias e desfizeram-se. Lembram-se de Rudy Giuliani? O que Christie precisará de fazer para ter hipóteses de vencer a nomeação? Se for o candidato moderado, como foi Jon Huntsman em 2012 ou o próprio Giuliani em 2008, terá poucas hipóteses. Mas se conseguir apresentar-se no estilo de Mitt Romney ou John McCain, procurando apoios entre as diversas facções do partido mais relevantes, como os moderados, os fiscal conservatives, os tea partiers e a direita religiosa, aí sim, poderá ser um candidato fortíssimo. Porque o nomeado tem sido alguém que consegue reunir apoios de todo o lado, mesmo que em alguns sectores tenha dificuldades de penetração, e, acima de tudo, ter apoio de uma parte importante do establishment. Os republicanos vão chegar a 2016 desesperados por uma vitória e não acredito que escolham alguém inviável para as eleições nacionais. Esse é o meu cepticismo para as possibilidades de um dos nomes do momento: Rand Paul. Pelo contrário, Marco Rubio, que tem as mesmas raízes de Paul, tem muitas mais possibilidades de sucesso, porque não se tem confinado à direita mais conservadora, pois tem angariado aliados em diversos sectores do partido. 


20
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 16:23link do post | comentar | ver comentários (5)

 

À chegada a Israel, Obama não poderia ser mais claro no seu apoio a Israel, tendo afirmado que aliança entre os dois países é eterna. O consenso sobre Israel nos Estados Unidos chega a ser caricato: na última campanha presidencial americana ambos os candidatos se digladiavam para mostrar quem era mais amigo de Israel. Esta semana foi divulgada uma sondagem nos Estados Unidos sobre quem teria "razão" no conflito Israelo-Palestiniano. Os resultados foram claros: 55% Israel, 5% os palestinianos e o resto ambos. Enquanto esta super maioria em favor de Israel se mantiver, nenhum político americano arriscará mudar o que quer que seja na relação entre os dois países.

 

Esta é a primeira visita oficial de Obama a Israel, o que lhe valeu críticas por não ter visitado durante o seu primeiro mandato, mesmo que George W. Bush também não o tenha feito no primeiro mandato. Aliás, tanto Ronald Reagan como George H. Bush nunca o fizeram enquanto estiveram na Casa Branca. Mas, de facto, durante o primeiro mandato, Obama teve alguns atritos com Benjamin Netanyahu e esta viagem destina-se sobretudo a reforçar os laços entre os dois dirigentes, agora que foram reforçados nas urnas. Não é esperado que Obama proponha algo de inovador nem que apresente qualquer proposta significativa para avançar o processo de paz com os palestinianos. Desde o fracasso de Bill Clinton, os presidentes americanos têm mantido uma distância assinalável deste processo, e não é de esperar que Obama inverta a situação nesta visita. A Síria, a Primavera Árabe e sobretudo o Irão deverão estar na agenda desta visita. Por outro lado, Obama vai também encontrar-se com os líderes palestinianos, sobretudo para reforçar a posição americana que o único representante legítimo é a liderança de Mahmoud Abbas. Portanto, o que vai fazer Obama nesta primeira viagem internacional do seu segundo mandato? Ouvir, marcar uma posição e pouco mais. Tudo mais do que isto será uma surpresa para os analistas internacionais. 


18
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 23:16link do post | comentar

 

A Fox News é genericamente apontada como o canal por excelência ideológico do panorama mediático americano. E talvez o seja, até porque é líder de audiências há imensos anos, e é, de longe, o canal de notícias com mais lucrativo nos Estados Unidos. Mas será o canal mais partidário do espectro televisivo americano? Da fama não se livra, e é inegável que possui um pendor conservador, cujo fundador, Roger Ailes, nunca escondeu. Aliás, a Fox News é uma máquina de fazer dinheiro mas é, também, um projecto político.

 


Segundo um estudo da Pew Research Center divulgado hoje, a MSNBC é, de longe, a televisão mais opinativa, com cerca de 85% do tempo destinado a opinião (pró-Obama), enquanto a Fox News apresenta uma ligeira maioria para os programas de opinião, enquanto a CNN é a única das três estações a apresentar mais cobertura noticiosa, naquilo que a Pew denomina de "Factual Reporting". A MSNBC sempre teve o pendor "liberal", mas nos últimos anos a estação acantonou-se em redor da Administração Obama e desde então tem funcionado um pouco como o braço armado do Partido Democrata nos media. Pelo seu lado, a Fox News, apesar de manter o prime-time ocupado por dois conservadores proeminentes, Bill O'Reilly e Sean Hannity, tem vindo um esforço por apostar no seu lado noticioso, nomeadamente com os reconhecidos Shepard Smith, Chris Wallace e Bret Baier, a MSNBC tem caminhado no sentido inverso. No entanto, os resultados são positivos para a MSNBC, pois ultrapassou nos últimos anos a CNN, apresentando o melhores resultados de sempre.

 

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17
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 23:31link do post | comentar | ver comentários (3)

 

A Conservative Political Action Conference (CPAC) é tradicionalmente (pelo menos nos últimos anos) um palco onde brilham mais políticos mais conservadores do Partido Republicano. Esta conferência, que se realizou neste último fim de semana, é palco para os activistas mais empenhados do partido. Desta vez não foi excepção, e Rand Paul e Marco Rubio foram as grandes estrelas da convenção, perspectivando desde já um duelo para 2016. Chris Christie não foi convidado (e ele até agradecerá, pois tem a batalha da reeleição para vencer este ano no democrata New Jersey), Paul Ryan teve uma passagem bastante discreta, provando que a sua candidatura a Vice Presidente terá prejudicado o seu status nos corações conservadores, e Jeb Bush, que tem sido um dos possíveis nomes para 2016, teve uma reacção fria. O mais discreto governador do Wisconsin, Scott Walker, também teve uma boa recepção, tendo até afirmado publicamente que estará disponível para uma candidatura em 2016. Bobby Jindal, governador da Lousiana, teve uma passagem discreta pela CPAC e está longe do fulgor que lhe anteviam em 2009. O que quer dizer este primeiro parágrafo: os republicanos terão, de certeza absoluta, um leque de candidatos com muito mais qualidade do que em 2012 e mesmo em 2008. Este leque de políticos garante por si um debate de qualidade para 2016, sendo para mim certo que estarão aqui os principais candidatos à nomeação em 2016. 

 

Há também uma luta pela direcção do partido, onde Rand Paul e Marco Rubio, dois políticos eleitos com apoio do Tea Party na vaga de 2010, se destacaram. Paul é o herdeiro (político) da facção libertária do seu pai Ron Paul, onde se destaca um discurso mais agressivo em relação ao papel do estado na sociedade, sendo que no campo das liberdades civis e sociais, se aproximará mais da esquerda americana. Também na frente externa há mais divisões, com Rubio a defender uma via mais em consonância com o legado republicano dos últimos 30 anos, mais intervencionista, e, se quisermos, próximo dos neoconservadores. Por outro lado, temos uma facção mais moderada, representada em Jeb Bush e talvez Chris Christie, que possui um discurso mais inclusivo em relação às minorias (onde é acompanhado por Rubio) e representa o conservadorismo mais tradicional, na linha de George W. Bush, John McCain, Bob Dole ou Ronald Reagan. A força de Rubio é que poderá granjear apoios em quase todas as facções do GOP. Rand Paul venceu a Straw Poll, mas isso quer dizer muito pouco. O seu pai também a venceu várias vezes e nem por isso chegou a ser um candidato sério à nomeação. Rand é um político de uma estirpe diferente e poderá ser um osso duro de roer. Mas os principais candidato para 2016, para mim, continuam a ser três: Marco Rubio, o favorito a esta distância, Paul Ryan, pela capacidade de reunir apoios entre as elites republicanas e Chris Christie, que tem andado arredado das hostes conservadores, mas que deverá estar de volta após garantir a reeleição em Novembro deste ano. Mas diria que pela primeira vez talvez desde 1964, não haverá nenhum candidato claramente favorito no Partido Republicano. E diria mais: se Hillary Clinton não for candidata, o mesmo acontecerá no Partido Democrata. Umas eleições e campanha que promete. 


13
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 10:43link do post | comentar

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09
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 13:06link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Esta semana foi noticia um pouco por todo o mundo, e Portugal não foi excepção, o filibuster de Rand Paul no Senado à nomeação de John Brennan para liderar a CIA. Confesso que nem concordo com a posição de Paul, mas esta colocou em evidência toda a hipocrisia que reina em Washington, onde salvaram-se, além do próprio Paul, alguns republicanos como John McCain e Lindsay Graham, democratas como Ron Wyden e algumas vozes da esquerda americana. Recorde-se: Paul insurgiu-se contra Brennan por este ter sido o responsável pelo sistema de eliminação de terroristas através de Drones, e pelo facto da Administração ter dado a entender que Obama tinha a autoridade para mandar assassinar cidadãos americanos em solo nacional. Não tenhamos dúvidas: a esmagadora maioria dos democratas, incluindo o próprio Presidente Obama, estaria ao lado de Rand Paul se o presidente ainda se chamasse George W. Bush. Isto para não falar do barulho estridente que se ouviria por parte dos media, das organizações americanas “liberais” e da comunidade internacional, incluindo em Portugal. Por outro lado, os republicanos que agora apoiaram, timidamente ou não, Rand Paul, estariam a defender o programa de Drones se o presidente fosse um dos deles. Por isso, o meu aplauso para Rand Paul, que quase de certeza faria o mesmo em qualquer circunstância, e também para John McCain e Lindsay Graham, que não tiveram problemas em defender o Presidente no Senado, mantendo uma coerência que é rara nos dias de hoje. 

 

Em relação ao programa de Drones e à possível eliminação de cidadãos americanos em solo nacional, parece-me que Rand Paul exagerou nos termos em que colocou a situação. Mas este é um debate que a sociedade americana deveria ter, pois é uma questão fundamental sobre o futuro dos Estados Unidos: deverá o Presidente ter a autoridade para eliminar cidadãos sem julgamento? Em que circunstâncias isso pode acontecer? Hoje falamos de terrorismo, mas no futuro poderá ser outro motivo qualquer. E, não esqueçamos, outros países irão ter a mesma capacidade para eliminar alvos deste modo.

 

O filibuster é uma das maravilhas da democracia americana e já não se via um deste género há imenso tempo. Mr Rand Paul went to Washington e agora cuidado com ele em 2016. Não penso que terá força política para vencer a nomeação, mas três anos é muito tempo, e não se sabe para que direcção vai evoluir o Partido Republicano e a sociedade americana, e estas posições são extremamente populares entre os mais jovens. Uma coisa é certa: ninguém pense que Rand Paul irá ter o papel menor que o pai teve nas duas últimas primárias. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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