24
Mai 13
Por Alexandre Burmester, às 16:53 | comentar

 

 

 

 

O sufixo "gate" apenso ao nome dos escândalos políticos, surgiu, como sabemos, com o famoso caso Watergate, que levou à demissão do Presidente Richard Nixon em 1974.

 

 Pois bem, neste momento Washington está assolada pelo referido sufixo(os nomes são meus):

 

 1) Email-gate: O Departamento de Justiça, ou o seu braço, o FBI, solicitou um mandato de busca sobre os emails do repórter da Fox News James Rosen. "Pela primeira vez uma administração presidencial trata a cobertura noticiosa como um crime", diz a propósito Jan Crawford da CBS News.

Isto vem na sequência da apropriação pelo Departamento de Justiça de dois meses de registos telefónicos da Associated Press.

 

 2) IRS-gate: Figuras destacadas dos meios conservadores foram alvo de inspecções fiscais durante a campanha presidencial de 2012. Esses alvos terão sido escolhidos com base numa lista de gente "indesejável" constante num site de campanha do Presidente Obama. 

 

 3) Benghazi-gate: Este escândalo incide sobre um suposto encobrimento por parte do Departamento de Estado da verdadeira natureza do ataque ao Consulado Americano em Benghazi, na Líbia, de que resultou a morte do Embaixador dos E.U.A. O Departamento de Estado tentou apresentar o ataque como uma reacção espontânea a um vídeo anti-islâmico publicado na internet por um americano, e não como um ataque terrorista premeditado, com a marca da Al Qaeda. Este caso atinge particularmente Hillary Clinton, cuja passagem pelo Departamento de Estado a afastou da política interna e suas polémicas e suavizou a sua imagem junto do eleitorado, anteriormente muito polarizado em relação à sua pessoa. Clinton é, actualmente, a favorita à nomeação presidencial democrática em 2016.

 

Decerto que todos estes casos vão ainda dar que falar. Quanto às respectivas consequências, ainda é cedo para especular. 

 

 

 Foto: o famoso edifício Watergate em Washington


21
Abr 13
Por Nuno Gouveia, às 11:32 | comentar | ver comentários (1)

No último post referi que o Presidente Obama tinha sérias hipóteses de sucesso num dos compromissos da última campanha: a reforma da imigração. Mais de 12 milhões de pessoas vivem ilegalmente nos Estados Unidos, e depois de falhada a reforma no segundo mandato do Presidente George W. Bush, esta é uma oportunidade ouro para agir. Mas como em Washington nada se faz sem apoio bipartidário (a reforma da saúde terá sido mesmo a excepção), Obama tem agido de forma cautelosa nesta questão, deixando a liderança desta batalha para um adversário: Marco Rubio. Quem tem estado atento à imprensa americana, saberá do que estou a falar. O Senador republicano tem-se desdobrado em entrevistas e intervenções nos media a defender aquilo que é conhecido como o plano do “Gang of Eight” (4 republicanos: Marco Rubio da Florida, Jeff Flake e John McCain do Arizona e Lindsay Graham da Carolina do Sul e 4 democratas: Dick Durbin do Illinois, Robert Menendez de New Jersey, Chuck Schummer de Nove Iorque e Michael Bennet do Colorado). Porque a oposição de certos sectores mais conservadores permanece elevada, há o receio de alguns líderes do Partido Republicano que certos congressistas de distritos profundamente conservadores impeçam a aprovação da lei.

 

Rubio e a liderança republicana sabem bem o que está em jogo: além de serem maioritariamente a favor desta lei, um falhanço nesta reforma aprofundaria ainda mais os problemas do Partido nas próximas eleições presidenciais entre as minorias. Mais, esta reforma não será a salvação do GOP entre os hispânicos, mas uma não aprovação iria tornar quase uma miragem ao candidato em 2016 receber maior apoio do que recebeu Mitt Romney em 2012. Apesar de terem surgido algumas vozes que anteriormente se opunham a uma lei da imigração que abra caminho para a legalização dos ilegais, a oposição continua forte, sobretudo nos sectores mais à direita. 

 

Diria que Rubio está a jogar aqui o seu imenso capital político e não sairá desta batalha sem algumas cicatrizes. Ontem estive a ler os comentários de um post que colocou no Facebook sobre a reforma da imigração. A esmagadora maioria dos comentários eram negativos para Rubio, com acusações de traição, desilusão, “RINO – Republican In Name Only”, entre coisas bem piores. Rubio foi eleito em 2010 com o apoio do Tea Party na Florida, mas cedo se percebeu que não era propriamente um dos deles. Tem criado importantes relações no establishment republicano e surge agora como uma voz da moderação no meio de tanto ruído. Nas primárias de 2016 (poucos acreditam que não será candidato à nomeação), Rubio poderá sofrer ataques à direita e ter sérias dificuldades em eleições dominadas, muitas delas, por sectores mais conservadores. Mas esse é um risco que vale a pena correr. Rubio, que até lançou um micro-site para defender a lei da imigração, pretende chegar à Presidência e não apenas ser o porta bandeira da direita mais radical. E o melhor caminho será através de princípios conservadores de acordo com o passado do Partido Republicano, assente numa estratégia que consiga também atrair o voto dos dos moderados e das minorias. E esta reforma da imigração é boa por todos os motivos. Poderá perder alguns pontos nas primárias de 2016, mas ficará certamente melhor colocado para vencer as eleições gerais, caso seja nomeado. E, acima de tudo, alguém que quer ser Presidente precisa de ter rasgo político, apresentar-se como líder e ter coragem. E Rubio está a mostrar essas facetas neste debate da imigração. Barack Obama bem poderá agradecer-lhe caso a lei seja aprovada, como penso que será. 


18
Abr 13
Por Nuno Gouveia, às 21:41 | comentar | ver comentários (5)

 

Barack Obama no discurso inaugural anunciou uma nova era nas leis que regulam o acesso às armas, onde prometeu ir mais longe do que nunca. Sem nunca colocar em causa a 2ª Emenda, garantiu que iria colocar todo o peso da presidência nesta questão. Nestes primeiros meses do seu mandato, fez discursos, mandou recados ao congresso e encenou uma verdadeira batalha política contra o lobby das armas, os republicanos e todos aqueles que se recusaram a apoiar as suas propostas. E não se inibiu de utilizar as famílias da vítimas do massacre de Newtown para tentar angariar apoio do povo americano. Mas Washington é uma cidade de leis, de vícios e de guerrilhas e nada é fácil. E Obama devia saber os limites da Presidência para impor legislação que não é popular entre os senadores e congressistas (que nem sempre corresponde à população geral). Tendo o Partido Republicano maioria na Câmara dos Representantes e uma minoria antifillibuster no Senado, qualquer legislação a ser votada teria que ter o apoio de alguns republicanos e manter totalmente em controlo os democratas. Pois bem, ontem foi a votos uma legislação (mesmo assim minimalista tendo em conta as propostas iniciais de Obama) e não passou. 

 

Se do lado republicano, até conseguiu alguns senadores, apesar de escassos, como John McCain, Susan Collins, Mark Kirk e Pat Toomey, que promoveu a lei juntamente com o democrata Joe Manchin, do lado democrata verificaram-se algumas deserções, como os senadores democratas Mark Pryor do Arkansas, Heid Heitkamp do Dakota do norte, Mark Begich do Alaska. A lei, entretanto reprovada, iria aumentar o controlo sobre o acesso às armas através de um processo universal de verificação do cadastro. Na semana passada, depois do conservador republicano Pat Toomey, eleito com o apoio do Tea Party na Pensilvânia em 2010 ter-se juntado ao democrata conservador da West Virgínia, Joe Manchin, para patrocinar a lei, chegou a pensar-se que teria hipótese de sucesso. Mas ontem a realidade foi bem diferente: 40 republicanos e 4 democratas inviabilizaram a lei, que necessitava de 60 votos para ser aprovada. As restantes propostas do Presidente Obama, como por exemplo a proibição de vendas semi-automáticas, também não passaram no Senado.

 

Barack Obama reagiu com violência verbal a esta derrota legislativa, mas a verdade é que o voto de ontem coloca em cenário improvável qualquer aprovação significativa nesta área até às eleições intercalares de 2014. Este será um tema de campanha, e, por diferentes motivos, poderá condicionar várias eleições para o Senado. Sempre pensei que Obama estaria a ser demasiado ambicioso com a sua agenda na legislação das armas, porque a oposição em Red States e até mesmo em swing-states seria sempre grande. Resta saber como Obama tentará reverter a seu favor a derrota política que ontem teve no Senado. Segue-se a reforma da Imigração, onde sempre pensei que Obama tem grandes hipóteses de sucesso. E aqui o seu maior aliado é um republicano, Marco Rubio, que já trabalha a pensar em 2016. 


15
Abr 13
Por Nuno Gouveia, às 23:17 | comentar | ver comentários (1)

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11
Abr 13
Por Nuno Gouveia, às 16:52 | comentar

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03
Abr 13
Por Nuno Gouveia, às 18:22 | comentar

George H. Bush fez parte do ticket que tirou Jimmy Carter da Casa Branca. Bill Clinton impediu Bush de fazer dois mandatos. Obama foi eleito numa campanha em que basicamente transformou George. W. Bush no seu opositor. No entanto, os vários conflitos que estes senhores mantiveram entre si não os impede de terem uma relação cordial entre si. No próximo dia 25 de Abril este clube vai estar novamente reunido, na inauguração do George W. Bush Presidential Center, na Southern Methodist University em Dallas. 


29
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 16:51 | comentar | ver comentários (7)

 

O governador de New Jersey perdeu popularidade entre o movimento conservador americano após a sua actuação no pós furacão Sandy. Nos últimos meses o seu nome desapareceu do radar conservador, não tendo sido inclusive convidado para a CPAC deste ano. Mas ninguém pense que desapareceram as suas possibilidades para 2016. Ele vai ter a reeleição em Novembro deste ano, e é aí que as suas atenções estão concentradas. As sondagens atribuem-lhe uma vitória esmagadora contra a sua opositora democrata. O que poderá querer dizer isto para 2016?

 

Christie é neste momento um político extremamente popular num estado profundamente democrata. Se garantir a reeleição com facilidade, será normal que as suas atenções redireccionem-se para a arena nacional. Até Novembro poucas ou nenhumas intenções dará sobre as suas ambições presidenciais, mas após isso, poderá começar a construir uma possível campanha para as primárias republicanas. Christie é um moderado com um profundo apelo no eleitorado independente e até democrata, e até há bem pouco tempo, nos conservadores. Isso faz dele um candidato de sonho para o Partido Republicano. Mas, já encontramos outros candidatos do género que chegaram às primárias e desfizeram-se. Lembram-se de Rudy Giuliani? O que Christie precisará de fazer para ter hipóteses de vencer a nomeação? Se for o candidato moderado, como foi Jon Huntsman em 2012 ou o próprio Giuliani em 2008, terá poucas hipóteses. Mas se conseguir apresentar-se no estilo de Mitt Romney ou John McCain, procurando apoios entre as diversas facções do partido mais relevantes, como os moderados, os fiscal conservatives, os tea partiers e a direita religiosa, aí sim, poderá ser um candidato fortíssimo. Porque o nomeado tem sido alguém que consegue reunir apoios de todo o lado, mesmo que em alguns sectores tenha dificuldades de penetração, e, acima de tudo, ter apoio de uma parte importante do establishment. Os republicanos vão chegar a 2016 desesperados por uma vitória e não acredito que escolham alguém inviável para as eleições nacionais. Esse é o meu cepticismo para as possibilidades de um dos nomes do momento: Rand Paul. Pelo contrário, Marco Rubio, que tem as mesmas raízes de Paul, tem muitas mais possibilidades de sucesso, porque não se tem confinado à direita mais conservadora, pois tem angariado aliados em diversos sectores do partido. 


20
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 16:23 | comentar | ver comentários (5)

 

À chegada a Israel, Obama não poderia ser mais claro no seu apoio a Israel, tendo afirmado que aliança entre os dois países é eterna. O consenso sobre Israel nos Estados Unidos chega a ser caricato: na última campanha presidencial americana ambos os candidatos se digladiavam para mostrar quem era mais amigo de Israel. Esta semana foi divulgada uma sondagem nos Estados Unidos sobre quem teria "razão" no conflito Israelo-Palestiniano. Os resultados foram claros: 55% Israel, 5% os palestinianos e o resto ambos. Enquanto esta super maioria em favor de Israel se mantiver, nenhum político americano arriscará mudar o que quer que seja na relação entre os dois países.

 

Esta é a primeira visita oficial de Obama a Israel, o que lhe valeu críticas por não ter visitado durante o seu primeiro mandato, mesmo que George W. Bush também não o tenha feito no primeiro mandato. Aliás, tanto Ronald Reagan como George H. Bush nunca o fizeram enquanto estiveram na Casa Branca. Mas, de facto, durante o primeiro mandato, Obama teve alguns atritos com Benjamin Netanyahu e esta viagem destina-se sobretudo a reforçar os laços entre os dois dirigentes, agora que foram reforçados nas urnas. Não é esperado que Obama proponha algo de inovador nem que apresente qualquer proposta significativa para avançar o processo de paz com os palestinianos. Desde o fracasso de Bill Clinton, os presidentes americanos têm mantido uma distância assinalável deste processo, e não é de esperar que Obama inverta a situação nesta visita. A Síria, a Primavera Árabe e sobretudo o Irão deverão estar na agenda desta visita. Por outro lado, Obama vai também encontrar-se com os líderes palestinianos, sobretudo para reforçar a posição americana que o único representante legítimo é a liderança de Mahmoud Abbas. Portanto, o que vai fazer Obama nesta primeira viagem internacional do seu segundo mandato? Ouvir, marcar uma posição e pouco mais. Tudo mais do que isto será uma surpresa para os analistas internacionais. 


18
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 23:16 | comentar

 

A Fox News é genericamente apontada como o canal por excelência ideológico do panorama mediático americano. E talvez o seja, até porque é líder de audiências há imensos anos, e é, de longe, o canal de notícias com mais lucrativo nos Estados Unidos. Mas será o canal mais partidário do espectro televisivo americano? Da fama não se livra, e é inegável que possui um pendor conservador, cujo fundador, Roger Ailes, nunca escondeu. Aliás, a Fox News é uma máquina de fazer dinheiro mas é, também, um projecto político.

 


Segundo um estudo da Pew Research Center divulgado hoje, a MSNBC é, de longe, a televisão mais opinativa, com cerca de 85% do tempo destinado a opinião (pró-Obama), enquanto a Fox News apresenta uma ligeira maioria para os programas de opinião, enquanto a CNN é a única das três estações a apresentar mais cobertura noticiosa, naquilo que a Pew denomina de "Factual Reporting". A MSNBC sempre teve o pendor "liberal", mas nos últimos anos a estação acantonou-se em redor da Administração Obama e desde então tem funcionado um pouco como o braço armado do Partido Democrata nos media. Pelo seu lado, a Fox News, apesar de manter o prime-time ocupado por dois conservadores proeminentes, Bill O'Reilly e Sean Hannity, tem vindo um esforço por apostar no seu lado noticioso, nomeadamente com os reconhecidos Shepard Smith, Chris Wallace e Bret Baier, a MSNBC tem caminhado no sentido inverso. No entanto, os resultados são positivos para a MSNBC, pois ultrapassou nos últimos anos a CNN, apresentando o melhores resultados de sempre.

 

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17
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 23:31 | comentar | ver comentários (3)

 

A Conservative Political Action Conference (CPAC) é tradicionalmente (pelo menos nos últimos anos) um palco onde brilham mais políticos mais conservadores do Partido Republicano. Esta conferência, que se realizou neste último fim de semana, é palco para os activistas mais empenhados do partido. Desta vez não foi excepção, e Rand Paul e Marco Rubio foram as grandes estrelas da convenção, perspectivando desde já um duelo para 2016. Chris Christie não foi convidado (e ele até agradecerá, pois tem a batalha da reeleição para vencer este ano no democrata New Jersey), Paul Ryan teve uma passagem bastante discreta, provando que a sua candidatura a Vice Presidente terá prejudicado o seu status nos corações conservadores, e Jeb Bush, que tem sido um dos possíveis nomes para 2016, teve uma reacção fria. O mais discreto governador do Wisconsin, Scott Walker, também teve uma boa recepção, tendo até afirmado publicamente que estará disponível para uma candidatura em 2016. Bobby Jindal, governador da Lousiana, teve uma passagem discreta pela CPAC e está longe do fulgor que lhe anteviam em 2009. O que quer dizer este primeiro parágrafo: os republicanos terão, de certeza absoluta, um leque de candidatos com muito mais qualidade do que em 2012 e mesmo em 2008. Este leque de políticos garante por si um debate de qualidade para 2016, sendo para mim certo que estarão aqui os principais candidatos à nomeação em 2016. 

 

Há também uma luta pela direcção do partido, onde Rand Paul e Marco Rubio, dois políticos eleitos com apoio do Tea Party na vaga de 2010, se destacaram. Paul é o herdeiro (político) da facção libertária do seu pai Ron Paul, onde se destaca um discurso mais agressivo em relação ao papel do estado na sociedade, sendo que no campo das liberdades civis e sociais, se aproximará mais da esquerda americana. Também na frente externa há mais divisões, com Rubio a defender uma via mais em consonância com o legado republicano dos últimos 30 anos, mais intervencionista, e, se quisermos, próximo dos neoconservadores. Por outro lado, temos uma facção mais moderada, representada em Jeb Bush e talvez Chris Christie, que possui um discurso mais inclusivo em relação às minorias (onde é acompanhado por Rubio) e representa o conservadorismo mais tradicional, na linha de George W. Bush, John McCain, Bob Dole ou Ronald Reagan. A força de Rubio é que poderá granjear apoios em quase todas as facções do GOP. Rand Paul venceu a Straw Poll, mas isso quer dizer muito pouco. O seu pai também a venceu várias vezes e nem por isso chegou a ser um candidato sério à nomeação. Rand é um político de uma estirpe diferente e poderá ser um osso duro de roer. Mas os principais candidato para 2016, para mim, continuam a ser três: Marco Rubio, o favorito a esta distância, Paul Ryan, pela capacidade de reunir apoios entre as elites republicanas e Chris Christie, que tem andado arredado das hostes conservadores, mas que deverá estar de volta após garantir a reeleição em Novembro deste ano. Mas diria que pela primeira vez talvez desde 1964, não haverá nenhum candidato claramente favorito no Partido Republicano. E diria mais: se Hillary Clinton não for candidata, o mesmo acontecerá no Partido Democrata. Umas eleições e campanha que promete. 


13
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 10:43 | comentar

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09
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 13:06 | comentar | ver comentários (2)

 

Esta semana foi noticia um pouco por todo o mundo, e Portugal não foi excepção, o filibuster de Rand Paul no Senado à nomeação de John Brennan para liderar a CIA. Confesso que nem concordo com a posição de Paul, mas esta colocou em evidência toda a hipocrisia que reina em Washington, onde salvaram-se, além do próprio Paul, alguns republicanos como John McCain e Lindsay Graham, democratas como Ron Wyden e algumas vozes da esquerda americana. Recorde-se: Paul insurgiu-se contra Brennan por este ter sido o responsável pelo sistema de eliminação de terroristas através de Drones, e pelo facto da Administração ter dado a entender que Obama tinha a autoridade para mandar assassinar cidadãos americanos em solo nacional. Não tenhamos dúvidas: a esmagadora maioria dos democratas, incluindo o próprio Presidente Obama, estaria ao lado de Rand Paul se o presidente ainda se chamasse George W. Bush. Isto para não falar do barulho estridente que se ouviria por parte dos media, das organizações americanas “liberais” e da comunidade internacional, incluindo em Portugal. Por outro lado, os republicanos que agora apoiaram, timidamente ou não, Rand Paul, estariam a defender o programa de Drones se o presidente fosse um dos deles. Por isso, o meu aplauso para Rand Paul, que quase de certeza faria o mesmo em qualquer circunstância, e também para John McCain e Lindsay Graham, que não tiveram problemas em defender o Presidente no Senado, mantendo uma coerência que é rara nos dias de hoje. 

 

Em relação ao programa de Drones e à possível eliminação de cidadãos americanos em solo nacional, parece-me que Rand Paul exagerou nos termos em que colocou a situação. Mas este é um debate que a sociedade americana deveria ter, pois é uma questão fundamental sobre o futuro dos Estados Unidos: deverá o Presidente ter a autoridade para eliminar cidadãos sem julgamento? Em que circunstâncias isso pode acontecer? Hoje falamos de terrorismo, mas no futuro poderá ser outro motivo qualquer. E, não esqueçamos, outros países irão ter a mesma capacidade para eliminar alvos deste modo.

 

O filibuster é uma das maravilhas da democracia americana e já não se via um deste género há imenso tempo. Mr Rand Paul went to Washington e agora cuidado com ele em 2016. Não penso que terá força política para vencer a nomeação, mas três anos é muito tempo, e não se sabe para que direcção vai evoluir o Partido Republicano e a sociedade americana, e estas posições são extremamente populares entre os mais jovens. Uma coisa é certa: ninguém pense que Rand Paul irá ter o papel menor que o pai teve nas duas últimas primárias. 


03
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 18:32 | comentar

 

No inicio de Março entraram em vigor cortes efectivos na despesa federal, incluindo na defesa, que irão contabilizar 1,2, mil bilhões de dólares na próxima década. Em 2011, no acordo bipartidário que permitiu aumentar o limite do endividamento federal, estava incluída uma cláusula que dizia que se o Congresso não aprovasse um orçamento até ao final de Fevereiro, estes cortes entrariam em vigor em Março. Como aconteceu. Obama e os republicanos não se entenderam onde cortar esta soma, pelo que os cortes são automáticos. Obama voltou a pedir aos republicanos para aumentar impostos, para fazer com que que os cortes fossem menores, mas não conseguiu formalizar nenhum acordo.

 

Desde que foi reeleito, Barack Obama tem agido como se o sistema político americano de repente tivesse sido reinventado. Já não seria preciso negociar com os adversários, e bastariam apenas golpes de mágica para obter tudo o que desejaria. Com um Partido Republicano em grave crise após a derrota de Novembro, e com as sondagens favoráveis, Obama tem actuado de forma arrogante e pouco capaz de gerar consensos. Obviamente do outro lado encontram-se republicanos também eles pouco dispostos a cederem. Mas na verdade, nos últimos tempos permitiram o aumento de impostos para os mais ricos e o aumento do limite do endividamento sem cortes nenhuns, situações que sempre tinham negado no passado. Como um dos sectores mais afectados pelos cortes é precisamente o Departamento de Defesa, Obama contou que isso faria com que os republicanos cedessem. Obama apostou que os republicanos iriam novamente ceder, mas parece que a fragilidade dos republicanos tem limites. As negociações entre os dois lados continuam, e há quem pense que neste caso será Obama a ceder, ou seja, a negociar um pacote de cortes na despesa sem novos aumentos de impostos. O que este caso demonstra é que a política e os jogos de bastidores irão continuar a dominar Washington, e que Obama não terá sempre tudo o que desejar do Congresso. Se é que alguém ainda tivesse dúvidas disso. Fica a lição para futuras batalhas legislativas. 


28
Fev 13
Por Nuno Gouveia, às 17:05 | comentar | ver comentários (5)
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Polémica à vista? Bob Woodward não é um jornalista qualquer. Juntamente com Carl Bernstein, foi um dos principais responsáveis pela queda de Richard Nixon em 1974. Esta acusação pública teria efeitos devastadores se o Presidente fosse outro. Sendo assim, não sei se dará grande escândalo. Mas é um sinal claro que "politics as usual" continua a dominar a Casa Branca. Como sempre, com este ou outro Presidente. 

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17
Fev 13
Por Nuno Gouveia, às 11:17 | comentar | ver comentários (4)

 

Não foi durante a Administração Obama que eles começaram a ser utilizados, mas esse será um dos seus legados quando daqui a décadas se falar no nome do actual Presidente. Utilizados inicialmente apenas para eliminar alvos terroristas no estrangeiro, o seu uso tem-se intensificado a outros sectores (na perseguição de criminosos ou na vigilância, por exemplo). No ano passado foi tornado público que o Presidente Obama mandou matar mais de 100 terroristas da Al Qaeda através do recurso aos Drones, incluindo dois cidadãos americanos que viviam no Iémen. E apesar de nas últimas semanas ter havido um debate sobre o tema, porque será que esta questão nunca suscitou grande polémica nos Estados Unidos, sobretudo nas facções mais liberais e de defesa dos direitos humanos? Está certo, a ACLU tem criticado a utilização de Drones na vigilância de cidadãos americanos, mas a esmagadora maioria das organizações ligadas ao Partido Democrata têm estado em silêncio, quando sabe-se que se estivesse no poder uma Administração Republicana este assunto seria alvo de critica violenta por parte deles. Ao mesmo tempo, os republicanos são genericamente apoiantes. Dick Cheney disse esta semana que a eliminação de terroristas por Drones é um bom programa e, em regra, os republicanos têm estado de acordo com as políticas do Presidente nesta matéria. Resultado deste consenso? No futuro os Drones serão uma realidade massificada, e o seu uso vai alargar-se a outras áreas. Obama, com o beneplácito dos republicanos e apoio dos democratas, institucionalizou a utilização de Drones para qualquer utilidade que lhe possam dar. Se isso será positivo ou negativo, o futuro o dirá. 


14
Fev 13
Por Nuno Gouveia, às 10:07 | comentar

Marco Rubio, que marcou lugar nos programas de humor americanos na próxima semana, não perdeu tempo!


12
Fev 13
Por José Gomes André, às 17:54 | comentar

Esta noite, às 21h (2h em Portugal), Barack Obama realizará perante uma sessão conjunta do Congresso o seu "Discurso sobre o Estado da União". Mais do que um mero requisito constitucional, esta é uma tradição fundamental da vida política americana, utilizada pelo Presidente para descrever o ambiente político actual e influenciar decisões futuras do Congresso, traçando as grandes metas legislativas dos meses seguintes.

 

Derivado do precedente britânico (o monarca discursava na sessão de abertura do Parlamento), este procedimento foi seguido à risca desde a entrada em vigor da Constituição, cuja secção 3ª do Artigo 2º determina: "O Presidente deverá, de tempos a tempos ["from time to time"], prestar ao Congresso informações sobre o Estado da União e submeter à sua consideração as medidas que julgue necessárias e convenientes". O objectivo desta disposição era atribuir ao chefe do Executivo a possibilidade de condicionar a agenda legislativa do Congresso, entendendo os Pais Fundadores americanos que o Presidente tinha um papel muito limitado neste domínio (a história alteraria essa situação).

 

Curiosamente, como vemos, o articulado constitucional não se refere a uma comunicação "anual", mas meramente periódica. Como em tantas outras questões formais, a prática seguida pelo Presidente George Washington (um discurso anual) criou um sólido precedente, ainda hoje respeitado. Todavia, ao contrário do primeiro Presidente americano, muitos foram os chefes do executivo que optaram por transmitir ao Congresso uma declaração escrita e não um discurso oral (desde Jefferson a William H. Taft). Já no século XX, Woodrow Wilson reinstaurou esta última tradição, seguida (com raras excepções) por todos os Presidentes até aos nossos dias.

 

Um dos acontecimentos políticos mais vistos e comentados nos EUA, este momento solene está também repleto de curiosidades. Uma das mais interessantes refere-se à necessidade de designar um membro da Administração para não estar presente na sessão (ficando em local desconhecido). Devido à (rara) aparição conjunta de várias figuras de topo da hierarquia federal, garante-se assim que, em caso de um atentado ou acidente, um dos membros do governo federal sobrevive a essa tragédia, impedindo que o país ficasse sem uma chefia legalmente reconhecida.


[republicado]


09
Fev 13
Por Nuno Gouveia, às 12:07 | comentar | ver comentários (3)

 

A elevação ao Olimpo é uma das armadilhas que os media americanos habitualmente montam aos políticos jovens e carismáticos. Uns têm a sorte de a utilizar em seu favor, outros ficam inebriados pela áurea que envolve este tipo de endeusamento, e mais tarde ou mais cedo, acabam ser cair nela. A capa da Time desta semana é um exemplo disso. Marco Rubio parece perceber os perigos desta quase "divinização" e apressou-se a demonstrar o seu desconforto em público, ao afirmar no Twitter que não é salvador nenhum. Mas não tenho dúvidas: Marco Rubio é o republicano mais interessante do momento. O influente Ed Gillespie considerou-o o melhor comunicador do Partido Republicano desde Ronald Reagan, e também esta semana, Rubio foi escolhido para dar a resposta oficial ao discurso de Barack Obama sobre o Estado da União. E apesar de estarmos ainda a três anos dos caucuses do Iowa, os seus passos dos últimos tempos têm fornecido importantes pistas que já terá em mente as eleições presidenciais de 2016.

 

A sua história de vida tem tudo para gerar empatia no povo americano: filho de imigrantes cubanos, o pai empregado de restaurante, a mãe, empregada de hotel, estudou na Universidade de Miami e cedo começou a destacar-se na política local. Chegou a Speaker da Câmara dos Representantes da Flórida aos 35 anos, sob o patrocínio de Jeb Bush, na época governador do estado. Em 2009 avançou para a conquista da nomeação para o Senado contra o então poderoso e popular governador do seu partido. Cedo reuniu apoios dos sectores mais conservadores, mas ao contrário de outros candidatos apoiados pelo tea party, também de algumas personalidades do establishment, como Karl Rove ou Mitt Romney. Demorou pouco tempo até começar a subir nas sondagens, que tornou inviável a candidatura do adversário, que saiu do partido e candidatou-se como independente. Mais tarde, Rubio foi facilmente eleito senador.

 

Mas a vitória nas eleições para o Senado foi apenas o inicio de uma história, até ao momento, de grande sucesso. Após a dura derrota do GOP em Novembro, é já considerado por muitos como líder do Partido Republicano. Tem-se dedicado a construir uma máquina política através do seu gabinete no Senado, tem feito pontes com diversos republicanos e até democratas, e é já uma das vozes mais relevantes no debate político. Utilizando o seu capital político nas hostes conservadores, tem liderado o debate sobre a reforma da imigração, assumindo o papel de porta voz da mudança do GOP nesta matéria. Será que o carisma, a oratória e a telegenia de Rubio o colocam desde já como favorito para a nomeação de 2016? Se as eleições fossem daqui a um ano, talvez respondesse afirmativamente. Mas em política três anos é uma eternidade e muito ainda pode acontecer. Mas este é o republicano a seguir com muita atenção nos próximos anos. 


02
Fev 13
Por Nuno Gouveia, às 12:47 | comentar

O Bernardo Pires de Lima certeiro no DN sobre o debate da imigração

 

Costuma-se dizer que qualquer norte-americano descende de imigrantes, herança cultural que torna a reforma da lei de imigração politicamente incontornável. Mas a razão porque ela voltou ao topo da agenda é outra. Dia 6 de novembro de 2012 o partido republicano bateu no fundo na captação do voto latino: Obama bateu Romney por 71%-27%, fator determinante para a derrota. O GOP tinha radicalizado o discurso sobre imigração (até contra George W. Bush) e nem conseguiu apontar o dedo à promessa não cumprida de Obama sobre flexibilização legislativa. A queda sustentada do eleitorado latino - Bush em 2004 (40%) e McCain em 2008 (31%) - provou ser impossível continuar a confiar cegamente no eleitorado branco (72% do total).


Revelou ainda que um candidato republicano com intenções de ganhar as presidenciais tem de construir soluções para a imigração que sejam próximas do consenso bipartidário e das múltiplas sensibilidades do Congresso. Foi isto que na noite eleitoral ficou claro na cabeça do senador republicano, Marco Rubio, um dos filhos da imigração cubana na Florida e estrela em ascensão para 2016. Rubio percebeu que não podia esperar pela iniciativa de Obama e que tinha de ser ele a liderar o debate no partido. Rubio sabe que a reforma legislativa será longa e debatida sem tréguas, que assentará no reforço do controlo da fronteira com o México e no cardápio de regras que um imigrante ilegal tem de alcançar para ter visto de residência e cidadania (desde a aprendizagem do inglês ao sucesso universitário).


Os 11 milhões de imigrantes ilegais são um problema social, político e cultural para os EUA. Mas são também um dos maiores desafios para democratas e republicanos: os dois vão poder mostrar quem percebeu as eleições, a demografia nacional, a segurança interna, o rigor da contratualização laboral, a própria herança cultural do país. Marco Rubio é o camisola amarela.


31
Jan 13
Por Nuno Gouveia, às 17:48 | comentar

 

Uma análise política ao filme "Lincoln", no Cinebox da TVI24.pt, que estreia hoje em Portugal. Além da prestação de Daniel Day-Lewis, destaque para algum realismo histórico, o que nem sempre se observa neste tipo de filmes, e o afastamento daquela imagem quase perfeita e romanceada que por vezes se tenta passar de Lincoln. Vale bem a pena ir ver o filme.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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